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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Tô perdendo a vida. Tô gastando o corpo. Tô doando o sangue...

Sempre agradecemos a Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vocês, pois temos ouvido falar da fé que vocês têm em Cristo Jesus e do amor por todos os santos, por causa da esperança que lhes está reservada nos céus, a respeito da qual vocês ouviram por meio da palavra da verdade, o evangelho que chegou até vocês. Colossenses 1:3-5

Não sei como você é, mas eis um pouco de mim pra vocês que não me conhecem (as vezes nem mesmo eu sei quem sou) mas eis algo que já entendi sobre mim (com a ajuda de minha preciosa esposa): Eu só faço aquilo que quero fazer. Não adianta me pressionar, tentar me convencer, ou me empurrar. Meu coração se apaixona e eu simplesmente salto das maiores alturas por causa de um desejo. Não faço aquilo que não estou apaixonado por fazer. Se faço algo é por que estou queimando de vontade de fazer isso. Isso pode ser perigoso. Meu coração é enganoso e por vezes me empurrou à coisas que feriram a Santidade de meu precioso Deus. Por outro lado, sou grato a Deus por me fazer desta forma. Isso me torna ousado, persistente e obstinado. O que isso tem haver com o texto? Meus irmãos, a graça de Deus me alcançou ainda muito novo. Aos 14 anos de idade eu já chorava de amor pelas escrituras. Eu tenho mais lembranças de estar abraçado com minha bíblia clamando para ser curado por ela, ensinado por ela e movido por ela do que lembranças de ter jogado algum vídeo game ou de jogar bola. Eu frequentei mais cultos e momentos de profunda adoração do que cinemas ou festas de 15 anos. Por sua Graça tenho crescido dentro dos limites preciosos do cristianismo. De modo que se eu pudesse tirar do meu passado toda relação com Cristo e seu evangelho, não sobrariam mais que poucas lembranças, fracos episódios e cenas minguadas de um passado sem sentido.

Neste texto de Paulo aos irmãos de Colossos ele afirma dar graças a Deus aos irmãos daquela região por sua FÉ e por causa do AMOR que eles alimentavam por todos os santos. O motivo supremo da alegria estava focado no fato de que os irmãos possuíam fé em Cristo Jesus, e por que demonstravam profundo amor aos santos da igreja. Hoje estamos vivendo dias de tanto entretenimento que não se encontra mais cristãos que possuam alguma FÉ. Se questionados acerca de sua fé, a maioria dos cristãos proporcionaria para Paulo profundo desgosto e jamais alegria ou razão para erguer louvores. Me dói tanto ver tanta gente e tão pouca fé. Tanta tecnologia nos locais de reunião dos santos, mas um assustador esvaziamento de FÉ no precioso Cristo Jesus e em seu poderoso evangelho. Tenho deixado que minha juventude se gaste para despertar em alguns Fé no Filho de Deus. Tenho me permitido perder a voz vez após vez com a expectativa de perceber algumas lágrimas arrependidas rolarem diante da cena do calvário, ou mesmo alguns fracos e trêmulos braços apertando suas bíblias contra seu peito com carinho. Desculpem meu desabafo, mas as vezes todo esforço e todos os gritos que ecoam do meu frágil e limitado corpo parecem alcançar tão pouco. Sei que o alcance e obra é de restrita submissão à vontade de Deus e de seu Espirito. É com eles, não comigo. Mas não posso deixar de comentar a tristeza que sinto por ser contado em uma geração de luzes e brilho. Vaidades e superficialidades. Por vezes desejei nascer em uma geração cinza porém verdadeira. Uma geração não tecnológica, porém corajosa e ousada o suficiente para olhar para si mesma. Paulo deixa claro que a FÉ e o amor dos irmãos florescera no meio dos Colossos por causa da “esperança que lhes está reservada nos céus, a respeito da qual vocês ouviram por meio da palavra da verdade, o evangelho que chegou até vocês”. Não há FÉ em Cristo. Nem amor pelos preciosos santos. Preferimos as celebridades e as figuras carnais do que admirar um homem anônimo porém piedoso. Preferimos manter nossos olhos seguindo passo a passo os pés de algum almofadinha irritantemente superficial do que observar o comportamento de santos responsáveis, humildes e amorosos com atenção. Meu Deus! Eu só posso ter nascido no tempo errado. A gente quer imitar o falso e despreza o verdadeiro. A gente quer ser igual aos ímpios e desprezamos a semelhança do santo piedoso. A gente quer mudar a cor do cabelo, a gente quer roupas que diminuam a realidade de nossa “feiura”. A gente se maquia pra tapar nossas “imperfeições” faciais (que na verdade são orgulho pois contam de onde viemos e o que já padecemos). Não há Fé, nem amor aos Santos porque não há ESPERANÇA NO TESOURO ETERNO RESERVADO NOS CÉUS. Uma vida focada no que é efêmero, passageiro e absolutamente sem valor eterno. Uma vida de absoluto desprezo do invisível e do eterno.

Não há esperança no porvir, porque o evangelho não chegou ate os nossos corações. Devemos ser bastante sinceros agora e confessar que o GOSPEL chegou ate nós. O glamour chegou ate nós. A religião com toda a sua podridão chegou ate nós. Mas Cristo e o seu evangelho não. Pelo menos não na “massa”. De fato Ele não esta parado. Seu evangelho não esta preso. Ele floresce sim ainda hoje. Mas não no meio do povão. Antes, ele é visto como uma pérola de muito valor enterrada quase que por completo no meio de um lamaçal terrível. Dói. Ver o evangelho de Cristo ser “confundido” com esta porcaria que a TV, as rádios e os artistas gospel insistem em nos apresentar, dói pra caramba.

Separei esse texto de Paulo pra lhe fazer refletir uma coisa: Será que olhando para o quadro geral do mundo cristão no Brasil hoje, Paulo poderia escrever: “Dou graças a Deus por saber de vossa fé... de vosso amor pelos santos (e desprezo pela impiedade)... de vê-los cheios de expectativas pelo porvir... por causa que o VERDADEIRO Evangelho chegou ate vocês.” ??? Será que essa gratidão poderia se relacionar com nosso Brasil? Avivamento um caramba! O evangelho esta ganhando o Brasil e a mídia esta se rendendo a ele, besteira!! Seja sincero. Seja verdadeiro. Esse texto nasceu quando percebi que meu coração se apaixonou pelo evangelho de Cristo. Faz muitos anos que queimo por causa de Cristo. Choro por causa de sua história cativante. Nada mudou. Eu tô nessa. Tô perdendo a vida. Tô gastando o corpo. Tô doando o sangue. As vezes quis correr da batalha. Me pergunto se vale a pena em certos momentos. Mas pra mim é “game-over”. Ele me quis e pronto.

Se você leu esse texto todo, peço a Deus que lhe conceda a graça de compreender o que estou clamando (mesmo estando absolutamente confuso acerca de qual é exatamente o proposito em me abrir dessa forma). Tenha Fé. Ame os santos. Concentre-se no porvir. Anuncie o Evangelho. Deus te abençoe.

***

O texto é de Marco Telles, ministro do Senhor que lidera a Comunidade CRER- Comunidade Reformada do Evangelho do Reino, assim como seu ministério de louvor e adoração através da música. Conhecer o Marco Telles foi uma dádiva de Deus para mim. E ler este texto foi como ouvi-lo pregar no púlpito, se dilacerando na presença do Pai e gritado para os seus ouvintes sobre as coisas invisíveis, de valor eterno e suficientes para todos nós!

Então Marco, pra mim também é "Game-over"!

Cristo em nós, a esperança da Glória!

Leia ainda [O BARULHO DO ROCK E O GRITO DE MARCO TELLES]

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O "barulho" do Rock e "O Grito" de Marco Telles

Por Antognoni Misael

Se tentarmos ler a música como se vê um quadro de pintura elencaremos alguns aspectos que efetivamente se relacionam. Uma canção calma, serena e tranquila nos sugeriria, quiçá, uma pintura de fim de tarde, com traços bem definidos, suaves, cores fortes, luzes, e perfeita perspectiva.

Agora, como se apresentaria a pintura de uma canção forte, intensa e pulsante?

Comparar a música do Marco Telles com alguma pintura é um exercício arriscado, vai que eu viajo demais... Mas, não tem como negar que a performance musical deste artista é de um expressionismo latente. Logo, a música do Marco é um "quadro expressionista"! É fusão e ebulição de confissão dos pecados; é relembrar o nosso estado incapaz de alcançar a Deus; é a subversão da religião pelo Evangelho; é um grito de entrega em direção aos céus que reverbera ... : “porque simplesmente eu não tenho outro motivo pra viver”, a não ser pela Glória do Rei, e por Amor a Ele.

“Promessa”, “Tua Graça Me Basta”, “Pela Glória do Rei”, são canções que gritam os ecos da alma e expressam verdades entre nós e Deus. São expressões que, mesmo se apresentando de forma simples, nos reservam nuances onde um conflito existencial se monta em nosso coração: Mundo e Eternidade, Vida e Morte, Mérito e Graça.

CONFLITO 1

“Não coloquem seus eternos olhos na miséria que se vê com olhos naturais
O Que é visível veio a existir a partir do que não se pode ver
Eu concluo então que o que se não vê é real e o que eu posso ver é sombra
Olhe para o alto, para o nosso lar
O lugar que realmente nos pertence
[A promessa]

___

CONFLITO 2

“Pra viver ou morrer
Pra sorrir ou chorar
No vale ou alta montanha
Eu irei Contigo, Viverei Contigo”
[Pela Gória do Rei]

__

CONFLITO 3

“Não são meus talentos
Que me levam a Ti
Não são os homens
Que me levam a Ti
Nem mesmo a minha santidade
Me levará a Ti
[Tua Graça me Basta]

O grito - Edvard Munck
Pois bem, este fim de semana (sábado, 24 de agosto de 2013) tive a oportunidade de estar com Marco e sua banda e, admito gente, seu som é pesado! Se para alguns rock é "barulho", saibam que ele tem tudo a ver com a nossa inquieta alma, que jamais silenciará nesta vida, pois aguarda descanso eterno em Deus. Mas, voltando... apenas dizer as palavras mencionadas nos 'conflitos' acima, considerando a carga de Verdade cantada e o desejo intenso de estar mais perto do Pai, no centro da vontade dEle, torna-se algo 'descombinado'. É preciso GRITAR!

Então ali naquela noite gritamos os nossos próprios conflitos! Como loucos, cantando sobre o que não se vê (Jesus), ansiando pelo que nunca se definiu (eternidade), exortando-nos sobre o que nos espera (os Céus), gritamos com a nossa alma!

Por isso meus queridos é que o rock de Marco Telles é pesado, sabe por que? Porque o seu peso nos põe pra baixo, lugar onde sempre devemos estar. Nesta gangorra sonora forçada, caímos, enquanto Cristo foi exaltado, evidenciado, glorificado.

O grito de Marco Telles também é o meu grito, deve ser o nosso grito. Ele deve sempre ecoar assim:

“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém”. Romanos 11:36

Confira algumas canções do Marco, dentre elas, duas das citadas no texto:




***

Marco passou a tarde lá em casa, não "gritou", comeu quase nada, só riu, falou sobre a Graça e se divertiu. A noite, cantou o seu "barulho"e pregou o seu "grito" - e sabe quem esteve lá? Jesus!

P.S.: A ideia do "grito" foi apenas uma tentativa fazer um diálogo entre a pintura expressionista de Edvard Munch, recheada de angústia e crise existencial, e o impacto da arte de Marco Telles.

[Marco Telles é uma voz relevante na música cristã da Paraíba. Tem viajado pelos sertões e capitais levando o Evangelho e a Graça através de suas canções]