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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

UM BATE PAPO SOBRE A REALIDADE DA IGREJA BRASILEIRA NO CABRACAST

Por Ivandro Menezes

Nos dias 22, 23 e 24 de agosto de 2014, aconteceu na cidade de Guarabira, no estado da Paraíba, a primeira edição da Conferência Mundo, na qual reunimos a cabruêra com um cabra macho demais, o pastor e conferencista Renato Vargens, para falar sobre os caminhos e descaminhos da fé evangélica brasileira, tomando como base a Reforma Protestante e a sua relevância para os nossos dias. Em uma conversa franca, apaixonada e apaixonante, o pastor Renato tece uma análise crítica da igreja brasileira, revela o seu temor e aponta os bases e o caminho para sairmos da total irrelevância e caminhar para sermos relevantes e, sobretudo, saudáveis. Então se avexe em divulgar esse pequeno trechinho que preparamos para você e se programe para no dia 10/09 conferir a íntegra desse papo arretado de bom!

Clique (aqui) e ouça o TEASER do pastor Renato Vargens no "Cabracast"

SOBRE OS CABRACAST

Os CabraCast nasceu do inusitado encontro de um cabra paraibano, Ivandro Menezzes, e outro pernambucano, Heder Judson, numa pequena cidade do sertão pernambucano, onde ambos vieram trabalhar. Inconformados com as falácias pregadas no meio evangélico e movidos por uma vontade de denunciar, refletir e pensar a fé e a espiritualidade decidiram juntar a cabruêra - um bando de cabras da peste - para pensar, debater e refletir sobre temas diversos. Além dos dois cabras, eles recrutaram do sertão pernambucano o nosso vitrinista, Rafael Souza, que cuida de toda a parte visual do site.

SITE: http://oscabracast.com.br
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Texto de Ivandro Menezes, um dos cabras arretados do Cabracast

quinta-feira, 15 de março de 2012

"Música cristã tem mais a ver com ministério do que com mercado" - Confira nossa entrevista com Alma e Lua

1) ARTEDECHOCAR: Primeiramente queria que se apresentassem falando um pouco do encontro com Deus na vida de vocês, e o que fazem (além da música) no cotidiano de uma forma geral.

ALMA E LUA: Com certeza, Deus tinha algo preparado pra nós há muito tempo; nos conhecemos em 1976 e vivemos, por dois anos, uma amizade intensa que se transformou em namoro, noivado e casamento. Namoramos e noivamos onze anos e estamos casados há vinte e dois. É verdade que Deus dava sinais de sua presença em nossas vidas desde muito cedo, mas foi em 1987 que se revelou a nós, na época em que estávamos muito envolvidos com o início da carreira musical. Diante das enormes dificuldades, que são comuns a todos que sonham com a profissão artística, nos voltamos para as questões religiosas na esperança de obter aquela ajudazinha sobrenatural, como geralmente acontece com a maioria das pessoas; começamos a estudar a Bíblia e fomos surpreendidos pela Irresistível Graça de Deus, e enquanto progredíamos na carreira, Deus nos fazia progredir também em seus propósitos. Em 1991 nos convertemos e passamos a congregar em uma pequena comunidade neopentecostal de nossa cidade;  iniciou-se o processo de ruptura com os antigos projetos até que, em dezembro de 1995, o ministério absorveu a nossa carreira. No início de 1996 passamos a frequentar a Primeira Igreja Presbiteriana de Casa Branca, da qual somos membros, e com o apoio do pastor Sérgio Paulo Martins Nascimento desenvolvemos o ministério.  
Há quase nove anos eu, Paulinho, trabalho em Campinas, na LPC Comunicações - uma produtora que tem parceria com a Igreja Presbiteriana do Brasil e o Back to God Ministries International, o departamento de mídia da Igreja Cristã Reformada da América do Norte; a Rah cuida das nossas questões pessoais e da parte financeira do ministério, já que fica em Casa Branca durante a semana enquanto eu estou em Campinas. 

2) ARTEDECHOCAR: Com uma relevante caminhada musical, que lições podemos aprender com vocês no que tange a carreira secular e vida ministerial? 

ALMA E LUA: Carreira musical é show business, porque as grandes companhias, as principais emissoras de rádio e televisão e os agentes controlam o mercado, e de arte mesmo sobra muito pouco; o artista, quando tem a simpatia desse sistema, se vê obrigado a cantar o que eles querem, do jeito que eles querem e pelo tempo que eles querem; quando não seguem as regras, sofrem retaliação. Quase tudo é uma grande mentira, e as coisas normalmente acontecem por troca de favores ou propinas - o tal do jabaculê. Somente alguns artistas, geralmente as estrelas da MPB, conseguem utilizar esses meios com alguma autonomia. No que diz respeito ao ministério, uma das questões mais delicadas é encontrar o ponto certo entre o servir e o sobreviver, principalmente quando ministério e profissão se confundem. É preciso investir muito tempo para compor, estudar a Palavra e manter a forma artística com ensaios, estudos, além das questões estruturais como manutenção de veículo, de instrumentos e demais detalhes. Já tentamos desenvolvê-lo sem tocar no assunto "dinheiro", mas tivemos sérios problemas financeiros. Devido a esses problemas é que aceitei, em 2003, o convite do Celsino Gama para trabalhar com produção musical na LPC. 

3) ARTEDECHOCAR: O que mudou substancialmente na vossa cosmovisão quanto a dicotomia secular/cristão? 

ALMA & LUA: Entendemos que as referências Bíblicas nos remetem a questões bem mais relevantes  do que aquelas que a mera religiosidade observa; quando a Palavra ordena separação do mundo, está se referindo ao modelo desse sistema, e não a simples hábitos; o propósito de Deus para nós é que andemos na contramão, longe das vantagens que a desonestidade e os negócios ilícitos nos oferecem. A Palavra está nos dizendo: “O modelo do sistema não serve pra vocês!” e: “Joguem fora seus planos, Deus tem novos planos pra vocês agora!” Assim, é mais fácil para a maioria dos que se dizem cristãos, vender a ideia de que fumar é pecado, por exemplo,  do que abandonar uma carreira profissional onde a transparência e a honestidade não podem conviver com os lucros. A regra destes é bastante simples: Se é bom pra mim, é de Deus, é benção; se não me agrada, é do diabo. Não concordamos com essa visão; entendemos que Deus nos submete a uma profunda mudança de carácter, não de hábitos, para que aprendamos a não utilizar as estratégias que o modelo secular sugere. É mudança de estilo de vida.

4) ARTEDECHOCAR: Vocês se consideram cantores gospel?

ALMA & LUA:  Nos consideramos artistas cristãos, e queremos dizer com isso que acreditamos que nosso papel na Obra é através da música, e que nossos interesses precisam sempre ser submetidos ao propósito de Deus.

5) ARTEDECHOCAR: Apesar do grande conhecimento no meio artístico-musical, vocês optaram por um caminho menos glamoroso em busca de cantar canções mais relevantes, rejeitando de certa forma, por assim dizer, o mero mercantilismo dentro do ministério. Como vocês avaliam a atual situação do mercado musical secular e o dito mercado gospel? Semelhanças e/ou diferenças.

ALMA E LUA: Se o assunto é mercado, o objetivo é vender; entendemos que um artista cristão que faz música direcionada à carteira do seu irmão está, no mínimo, equivocado - estão mais para lobos do que para ovelhas. Não vemos problema algum em um cristão ser um profissional da música secular, contanto que consiga ficar imune às tramoias do sistema;  mas música cristã tem mais a ver com ministério do que com mercado. É evidente que o dinheiro é necessário, mas os excessos, os holofotes, a paixão por fama e fortuna tiram as pessoas do foco, é motivação errada; quando se faz música cristã para vender, além de ter que se adequar à indústria cultural (o tal jugo desigual), é necessário agradar o público, e para agradá-lo, é necessário falar o que querem ouvir, não o que precisam ouvir, e Obra de Deus não é entretenimento, é missão. 

Quanto ao mercado secular, há muito tempo não acompanhamos as coisas de dentro,  mas é evidente que tanta manipulação e interesse econômico resultou em banalidade artística extremada. E quem sofre as piores consequências?...

6) ARTEDECHOCAR: Diante de tanta confusão teológica e crescimento denominacional, pode-se falar de uma igreja brasileira? Como analisar e/ou diagnosticar as vantagens e desvantagens desse crescimento numérico dos evangélicos no país?

ALMA E LUA: Para nós, Igreja é Igreja - o Povo de Deus; não nos engajamos em nenhum movimento de nacionalização cristã porque, pelo menos por ora, não compreendemos nenhuma utilidade nisso. Nosso objetivo é contribuir para que haja qualidade cristã na Igreja, vida com poder e relevância. A Mensagem é adequada para todos os escolhidos de Deus, não importando a nacionalidade. 
Vemos esse tal crescimento evangélico como prejudicial, pois não nos parece genuíno - é onda; são pessoas buscando, preferencialmente, bençãos temporais e resistindo às ideias que traduzem compromisso - que como já dissemos, tem a ver com mudança de planos, não de hábitos. O pior de tudo é que parece não ser apenas um problema nacional, e  prejudica a unidade da Igreja, já que há crescente divergência quanto às interpretações teológicas, algumas vezes por falta de preparo, outras, por mero interesse pessoal.  

7) ARTEDECHOCAR: O último trabalho de Alma e Lua, Vanilla Jukebox (2011) nos apresenta a autenticidade de sempre de vocês. Remete-nos a uma textura recheada de violões, vocais, que nos lembra o country, o rural, anos 70, letras intimistas abordando temas relacionados ao coração do homem, natureza, levando-nos a contemplação e reflexão. Queria que nos falasse mais sobre este disco de uma forma geral. Há alguma autocrítica? E claro, onde e como adquirir?

ALMA E LUA: O Vanilla é resultado de um projeto do Celsino Gama, ex-diretor da LPC Comunicações, que viabilizava nossos lançamentos. A ideia foi somar em um só álbum nossas principais canções que estavam espalhadas em três outros - o “Caras Pintadas” de 1997, o “Desperta, América!” de 1999, e o “Sobrenome: Vento” de 2001, facilitando tanto os investimentos na fabricação, quanto os custos na aquisição. Gostamos muito da ideia, pois havia alguns problemas técnicos nos três primeiros cds que nos incomodava: O “Caras Pintadas” estava tecnologicamente ultrapassado, era muito antigo; com o “Desperta, América!” inauguramos um estúdio próprio e o cd serviu de laboratório para encontrarmos a melhor forma de fazer o nosso som com custo reduzido; o “Sobrenome: Vento” foi o álbum que mais nos agradou, porque conseguimos atingir, em nosso próprio estúdio, um bom nível técnico, mas este acabou ficando muito sofisticado, e nos incomodava tocar ao vivo acompanhados somente ao violão - que é como nos apresentamos - e ver as pessoas levando pra casa um cd todo paramentado com bateria, guitarras, órgãos, pianos, percussão...

No Vanilla, eu, Paulinho, fiz tudo sozinho e busquei fazê-lo com  simplicidade para que se aproximasse ao máximo do som que fazemos ao vivo; foi lançado sem a parte gráfica para destacar o conteúdo, mas é provável que ganhe uma capa simples nas próximas edições. 
Contatos, informações e nossos lançamentos estão disponíveis no nosso site: www.almaelua.com.br

8) ARTEDECHOCAR: Queremos desde já agradecer o contato e dizer que a gentileza e atenção de vocês nos fizeram perceber que estamos em casa. Que Deus possa vos abençoe grandemente.

ALMA E LUA: Mano véio, nós é que agradecemos a oportunidade, pois se não é correto exagerar no marketing de ministérios, também é impossível desenvolvê-los sem nenhuma divulgação. Queremos parabenizá-lo por sua contribuição à Igreja através do ArtedeChocar, pois os artigos que encontramos aqui contribuem muito para o aprimoramento de ideias.
****
Muito satisfeito com a entrevista e contato com este casal abençoado. Paulinho você é uma figura, gente de Deus. Abração mano!

"Música cristã tem mais a ver com ministério do que com mercado" - Confira nossa entrevista com Alma e Lua


1) ARTEDECHOCAR: Primeiramente queria que se apresentassem falando um pouco do encontro com Deus na vida de vocês, e o que fazem (além da música) no cotidiano de uma forma geral.


ALMA E LUA: Com certeza, Deus tinha algo preparado pra nós há muito tempo; nos conhecemos em 1976 e vivemos, por dois anos, uma amizade intensa que se transformou em namoro, noivado e casamento. Namoramos e noivamos onze anos e estamos casados há vinte e dois. É verdade que Deus dava sinais de sua presença em nossas vidas desde muito cedo, mas foi em 1987 que se revelou a nós, na época em que estávamos muito envolvidos com o início da carreira musical. Diante das enormes dificuldades, que são comuns a todos que sonham com a profissão artística, nos voltamos para as questões religiosas na esperança de obter aquela ajudazinha sobrenatural, como geralmente acontece com a maioria das pessoas; começamos a estudar a Bíblia e fomos surpreendidos pela Irresistível Graça de Deus, e enquanto progredíamos na carreira, Deus nos fazia progredir também em seus propósitos. Em 1991 nos convertemos e passamos a congregar em uma pequena comunidade neopentecostal de nossa cidade;  iniciou-se o processo de ruptura com os antigos projetos até que, em dezembro de 1995, o ministério absorveu a nossa carreira. No início de 1996 passamos a frequentar a Primeira Igreja Presbiteriana de Casa Branca, da qual somos membros, e com o apoio do pastor Sérgio Paulo Martins Nascimento desenvolvemos o ministério.  

Há quase nove anos eu, Paulinho, trabalho em Campinas, na LPC Comunicações - uma produtora que tem parceria com a Igreja Presbiteriana do Brasil e o Back to God Ministries International, o departamento de mídia da Igreja Cristã Reformada da América do Norte; a Rah cuida das nossas questões pessoais e da parte financeira do ministério, já que fica em Casa Branca durante a semana enquanto eu estou em Campinas. 



2) ARTEDECHOCAR: Com uma relevante caminhada musical, que lições podemos aprender com vocês no que tange a carreira secular e vida ministerial? 



ALMA E LUA: Carreira musical é show business, porque as grandes companhias, as principais emissoras de rádio e televisão e os agentes controlam o mercado, e de arte mesmo sobra muito pouco; o artista, quando tem a simpatia desse sistema, se vê obrigado a cantar o que eles querem, do jeito que eles querem e pelo tempo que eles querem; quando não seguem as regras, sofrem retaliação. Quase tudo é uma grande mentira, e as coisas normalmente acontecem por troca de favores ou propinas - o tal do jabaculê. Somente alguns artistas, geralmente as estrelas da MPB, conseguem utilizar esses meios com alguma autonomia. No que diz respeito ao ministério, uma das questões mais delicadas é encontrar o ponto certo entre o servir e o sobreviver, principalmente quando ministério e profissão se confundem. É preciso investir muito tempo para compor, estudar a Palavra e manter a forma artística com ensaios, estudos, além das questões estruturais como manutenção de veículo, de instrumentos e demais detalhes. Já tentamos desenvolvê-lo sem tocar no assunto "dinheiro", mas tivemos sérios problemas financeiros. Devido a esses problemas é que aceitei, em 2003, o convite do Celsino Gama para trabalhar com produção musical na LPC. 



3) ARTEDECHOCAR: O que mudou substancialmente na vossa cosmovisão quanto a dicotomia secular/cristão? 



ALMA & LUA: Entendemos que as referências Bíblicas nos remetem a questões bem mais relevantes  do que aquelas que a mera religiosidade observa; quando a Palavra ordena separação do mundo, está se referindo ao modelo desse sistema, e não a simples hábitos; o propósito de Deus para nós é que andemos na contramão, longe das vantagens que a desonestidade e os negócios ilícitos nos oferecem. A Palavra está nos dizendo: “O modelo do sistema não serve pra vocês!” e: “Joguem fora seus planos, Deus tem novos planos pra vocês agora!” Assim, é mais fácil para a maioria dos que se dizem cristãos, vender a ideia de que fumar é pecado, por exemplo,  do que abandonar uma carreira profissional onde a transparência e a honestidade não podem conviver com os lucros. A regra destes é bastante simples: Se é bom pra mim, é de Deus, é benção; se não me agrada, é do diabo. Não concordamos com essa visão; entendemos que Deus nos submete a uma profunda mudança de carácter, não de hábitos, para que aprendamos a não utilizar as estratégias que o modelo secular sugere. É mudança de estilo de vida.



4) ARTEDECHOCAR: Vocês se consideram cantores gospel?



ALMA & LUA:  Nos consideramos artistas cristãos, e queremos dizer com isso que acreditamos que nosso papel na Obra é através da música, e que nossos interesses precisam sempre ser submetidos ao propósito de Deus.



5) ARTEDECHOCAR: Apesar do grande conhecimento no meio artístico-musical, vocês optaram por um caminho menos glamoroso em busca de cantar canções mais relevantes, rejeitando de certa forma, por assim dizer, o mero mercantilismo dentro do ministério. Como vocês avaliam a atual situação do mercado musical secular e o dito mercado gospel? Semelhanças e/ou diferenças.



ALMA E LUA: Se o assunto é mercado, o objetivo é vender; entendemos que um artista cristão que faz música direcionada à carteira do seu irmão está, no mínimo, equivocado - estão mais para lobos do que para ovelhas. Não vemos problema algum em um cristão ser um profissional da música secular, contanto que consiga ficar imune às tramoias do sistema;  mas música cristã tem mais a ver com ministério do que com mercado. É evidente que o dinheiro é necessário, mas os excessos, os holofotes, a paixão por fama e fortuna tiram as pessoas do foco, é motivação errada; quando se faz música cristã para vender, além de ter que se adequar à indústria cultural (o tal jugo desigual), é necessário agradar o público, e para agradá-lo, é necessário falar o que querem ouvir, não o que precisam ouvir, e Obra de Deus não é entretenimento, é missão. 



Quanto ao mercado secular, há muito tempo não acompanhamos as coisas de dentro,  mas é evidente que tanta manipulação e interesse econômico resultou em banalidade artística extremada. E quem sofre as piores consequências?...



6) ARTEDECHOCAR: Diante de tanta confusão teológica e crescimento denominacional, pode-se falar de uma igreja brasileira? Como analisar e/ou diagnosticar as vantagens e desvantagens desse crescimento numérico dos evangélicos no país?



ALMA E LUA: Para nós, Igreja é Igreja - o Povo de Deus; não nos engajamos em nenhum movimento de nacionalização cristã porque, pelo menos por ora, não compreendemos nenhuma utilidade nisso. Nosso objetivo é contribuir para que haja qualidade cristã na Igreja, vida com poder e relevância. A Mensagem é adequada para todos os escolhidos de Deus, não importando a nacionalidade. 

Vemos esse tal crescimento evangélico como prejudicial, pois não nos parece genuíno - é onda; são pessoas buscando, preferencialmente, bençãos temporais e resistindo às ideias que traduzem compromisso - que como já dissemos, tem a ver com mudança de planos, não de hábitos. O pior de tudo é que parece não ser apenas um problema nacional, e  prejudica a unidade da Igreja, já que há crescente divergência quanto às interpretações teológicas, algumas vezes por falta de preparo, outras, por mero interesse pessoal.  



7) ARTEDECHOCAR: O último trabalho de Alma e Lua, Vanilla Jukebox (2011) nos apresenta a autenticidade de sempre de vocês. Remete-nos a uma textura recheada de violões, vocais, que nos lembra o country, o rural, anos 70, letras intimistas abordando temas relacionados ao coração do homem, natureza, levando-nos a contemplação e reflexão. Queria que nos falasse mais sobre este disco de uma forma geral. Há alguma autocrítica? E claro, onde e como adquirir?



ALMA E LUA: O Vanilla é resultado de um projeto do Celsino Gama, ex-diretor da LPC Comunicações, que viabilizava nossos lançamentos. A ideia foi somar em um só álbum nossas principais canções que estavam espalhadas em três outros - o “Caras Pintadas” de 1997, o “Desperta, América!” de 1999, e o “Sobrenome: Vento” de 2001, facilitando tanto os investimentos na fabricação, quanto os custos na aquisição. Gostamos muito da ideia, pois havia alguns problemas técnicos nos três primeiros cds que nos incomodava: O “Caras Pintadas” estava tecnologicamente ultrapassado, era muito antigo; com o “Desperta, América!” inauguramos um estúdio próprio e o cd serviu de laboratório para encontrarmos a melhor forma de fazer o nosso som com custo reduzido; o “Sobrenome: Vento” foi o álbum que mais nos agradou, porque conseguimos atingir, em nosso próprio estúdio, um bom nível técnico, mas este acabou ficando muito sofisticado, e nos incomodava tocar ao vivo acompanhados somente ao violão - que é como nos apresentamos - e ver as pessoas levando pra casa um cd todo paramentado com bateria, guitarras, órgãos, pianos, percussão...



No Vanilla, eu, Paulinho, fiz tudo sozinho e busquei fazê-lo com  simplicidade para que se aproximasse ao máximo do som que fazemos ao vivo; foi lançado sem a parte gráfica para destacar o conteúdo, mas é provável que ganhe uma capa simples nas próximas edições. 

Contatos, informações e nossos lançamentos estão disponíveis no nosso site: www.almaelua.com.br



8) ARTEDECHOCAR: Queremos desde já agradecer o contato e dizer que a gentileza e atenção de vocês nos fizeram perceber que estamos em casa. Que Deus possa vos abençoe grandemente.



ALMA E LUA: Mano véio, nós é que agradecemos a oportunidade, pois se não é correto exagerar no marketing de ministérios, também é impossível desenvolvê-los sem nenhuma divulgação. Queremos parabenizá-lo por sua contribuição à Igreja através do ArtedeChocar, pois os artigos que encontramos aqui contribuem muito para o aprimoramento de ideias.



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Muito satisfeito com a entrevista e contato com este casal abençoado. Paulinho você é uma figura, gente de Deus. Abração mano!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Arte de Chocar entrevista Baixo e Voz

Atendendo prontamente a nossa solicitação de entrevista, o querido casal do “Baixo e Voz” nos concedeu uma das melhores entrevistas do nosso Blog. Vale a pena ler e pra quem não conhece, indico. Confira abaixo.
A.C.: Queria que nos contasse como se deu esse encontro ‘na vida’ e ‘na música’ entre vocês.
BAIXO E VOZ: Nos conhecemos desde quando éramos crianças, pois nossos pais frequentavam a mesma igreja. A idéia do Baixo e Voz surgiu quando estávamos participando de um projeto musical no qual o objetivo era apoiar uma ONG chamada Conexão Paz, que trabalhava com a recuperação de viciados em drogas. Essa projeto era formada por jovens de várias igrejas da cidade que decidiram doar seu tempo e talento para formar uma banda que tocasse músicas próprias. Uma dessas músicas era Sempre presente, de autoria de Gilberto Bueno, onde por brincadeira, o Sérgio tocou só com acordes no baixo e me perguntou se dava pra cantar. E deu!
A.C.: Quais são as principais influências na música e vida cristã de vocês?
BAIXO E VOZ: Nossa base de vida cristã, além da família, foi formada nas aulas da Escola Dominical da Igreja Presbiteriana Central de Ribeirão Preto , onde tivemos a sorte de ter ótimos professores(Carmem/ Regina e Gilberto Bueno) que nos incentivaram a pensar " fora da caixa"; depois o contato com a missão Mocidade Para Cristo (Marcelo Gualberto, Ricardo Costa, Lucas Paiva Pina e tantos outros). Atualmente, pessoas como Ariovaldo Ramos e Carlos Queiroz  são importantes referências nessa caminhada. 
Na música, cresci ouvindo basicamente MPB e Vencedores por Cristo (Marivone); o Sérgio, rock (hard rock, progressivo e nacional) e jazz (principalmente bebop e fusion).
A.C.: Podemos afirmar, sem dúvida, que Baixo e Voz faz um dos estilos de música mais diferenciados do meio cristão. Queria que nos falasse das experiências dos seus discos e principalmente do DVD recém gravado. Quais novidades podemos esperar?
BAIXO E VOZ: Sinceramente, nunca temos grandes pretenções ao produzir um novo trabalho; apenas a preocupação em registrar o que nos toca e de uma maneira que seja verdadeira pra nós. Se alguém se identificar com o que resulta disso, ótimo!
A gravação do DVD foi um presente inesperado; uma oportunidade muito interessante que sem dúvida, acrescentou de forma positiva na nossa história musical. Acredito que é um lindo resumo do que foi a nossa caminhada até aqui, em especial pelas participações de Marcelo Bassa Meleiro (Banda Resgate), Stênio Marcius, Duca Tambasco (Oficina G3), Paulinho Nazareth (Crombie) e Edu Martins (que também fez a direção).
A.C.: O ano de 2011 foi bastante corrido pra vocês, visto que participaram de muitos eventos tanto em igrejas quanto em espaços seculares. Considerando aquela ‘velha’ dicotômia entre secular/sagrado queria que falassem de suas visões a respeito de arte cristã, mundo (sistema) e missão cultural. Como estes pontos convergem com a igreja?
BAIXO E VOZ: Arte feita por cristãos, o lugar onde vivemos e missão cultural convergem e dialogam amplamente. Jesus nos ensinou assim: a caminhar com as pessoas e sermos cristãos onde estivermos. Quando nos apresentamos, entendemos que em qualquer lugar as pessoas são importantes para Deus, por isso, não temos medo nem preconceito em tocar fora dos templos evangélicos. Ao mesmo tempo, nos sentimos muito bem compartilhando com a Igreja nossa música. Devemos lidar com a realidade do sagrado em qualquer situação.
A.C.: Ao fazermos uma crítica ao Festival Promessas, você (Sérgio)comentou da dificuldade de se divulgar descentemente o trabalho do Baixo e Voz, assim como de muitos artistas cristãos. Como vocês avaliam esta abertura de mercado da música Gospel?
BAIXO E VOZ: Acho (sérgio) que é cedo para definirmos o resultado da abertura. Como historiador aprendi que precisamos analisar os vários ângulos de um acontecimento para compreendermos, em parte, o que aquilo significou, de fato. 
Também não gosto de guetos artísticos, nem de generalizações. Nosso trabalho e de qualquer outro artista tem que ter a liberdade de gravar o que quiser: rock, jazz, bossa, blues, funk, sem rótulos. Deixo os rótulos para a mídia e para leigos.
Devemos usar o mercado ao nosso favor, sem, é claro, nos corrompermos. E isso é possível. Estamos procurando uma boa distribuição para nosso DVD Baixo e Voz 20 anos, pois entendemos que isso é trabalho para outros profissionais. Nosso papel é selecionar boas músicas, compor, arranjar e gravar com excelência. Mas não acho que devemos nos envolver com todos os processos relacionados à divulgação e distribuição. Não estudamos para isso!
Demonizar tudo que é mídia é um grande erro. Pelos discursos que leio e ouço dos críticos, é como se, em outras palavras, dissessem: - Vocês todos que estão em gravadora não prestam, nem artisticamente, nem no caráter; só pensam em dinheiro. Não é verdade. Existe muita gente na Sony, Som Livre e outras gravadoras que é muito mais envolvida com os valores do Reino de Deus do que seus críticos. Particularmente prefiro ouvir as pessoas e suas histórias antes de qualquer tipo de afirmação sobre seus ministérios e trabalhos musicais apenas porque não gosto, esteticamente de seus trabalhos.
Por outro lado, também não acho que devemos ficar calados em relação ao que vemos de errado sendo propagado pela mídia ou pelos artistas, sejam eles cristãos ou não. Temos que buscar equilíbrio...
A.C.: Agradecemos a atenção e contribuição para nosso blog. Desejamos um ano repleto de Graça, Saúde e muita arte para vocês. 
BAIXO E VOZ: Para você também. Deus abençoe sua casa e os seus!
***
Acesse o Blog do Baixo e Voz.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Arte de Chocar entrevista Baixo e Voz


Atendendo prontamente a nossa solicitação de entrevista, o querido casal do “Baixo e Voz” nos concedeu uma das melhores entrevistas do nosso Blog. Vale a pena ler e pra quem não conhece, indico. Confira abaixo.
A.C.: Queria que nos contasse como se deu esse encontro ‘na vida’ e ‘na música’ entre vocês.

BAIXO E VOZ: Nos conhecemos desde quando éramos crianças, pois nossos pais frequentavam a mesma igreja. A idéia do Baixo e Voz surgiu quando estávamos participando de um projeto musical no qual o objetivo era apoiar uma ONG chamada Conexão Paz, que trabalhava com a recuperação de viciados em drogas. Essa projeto era formada por jovens de várias igrejas da cidade que decidiram doar seu tempo e talento para formar uma banda que tocasse músicas próprias. Uma dessas músicas era Sempre presente, de autoria de Gilberto Bueno, onde por brincadeira, o Sérgio tocou só com acordes no baixo e me perguntou se dava pra cantar. E deu!

A.C.: Quais são as principais influências na música e vida cristã de vocês?

BAIXO E VOZ: Nossa base de vida cristã, além da família, foi formada nas aulas da Escola Dominical da Igreja Presbiteriana Central de Ribeirão Preto , onde tivemos a sorte de ter ótimos professores(Carmem/ Regina e Gilberto Bueno) que nos incentivaram a pensar " fora da caixa"; depois o contato com a missão Mocidade Para Cristo (Marcelo Gualberto, Ricardo Costa, Lucas Paiva Pina e tantos outros). Atualmente, pessoas como Ariovaldo Ramos e Carlos Queiroz  são importantes referências nessa caminhada. 

Na música, cresci ouvindo basicamente MPB e Vencedores por Cristo (Marivone); o Sérgio, rock (hard rock, progressivo e nacional) e jazz (principalmente bebop e fusion).

A.C.: Podemos afirmar, sem dúvida, que Baixo e Voz faz um dos estilos de música mais diferenciados do meio cristão. Queria que nos falasse das experiências dos seus discos e principalmente do DVD recém gravado. Quais novidades podemos esperar?

BAIXO E VOZ: Sinceramente, nunca temos grandes pretenções ao produzir um novo trabalho; apenas a preocupação em registrar o que nos toca e de uma maneira que seja verdadeira pra nós. Se alguém se identificar com o que resulta disso, ótimo!

A gravação do DVD foi um presente inesperado; uma oportunidade muito interessante que sem dúvida, acrescentou de forma positiva na nossa história musical. Acredito que é um lindo resumo do que foi a nossa caminhada até aqui, em especial pelas participações de Marcelo Bassa Meleiro (Banda Resgate), Stênio Marcius, Duca Tambasco (Oficina G3), Paulinho Nazareth (Crombie) e Edu Martins (que também fez a direção).

A.C.: O ano de 2011 foi bastante corrido pra vocês, visto que participaram de muitos eventos tanto em igrejas quanto em espaços seculares. Considerando aquela ‘velha’ dicotômia entre secular/sagrado queria que falassem de suas visões a respeito de arte cristã, mundo (sistema) e missão cultural. Como estes pontos convergem com a igreja?

BAIXO E VOZ: Arte feita por cristãos, o lugar onde vivemos e missão cultural convergem e dialogam amplamente. Jesus nos ensinou assim: a caminhar com as pessoas e sermos cristãos onde estivermos. Quando nos apresentamos, entendemos que em qualquer lugar as pessoas são importantes para Deus, por isso, não temos medo nem preconceito em tocar fora dos templos evangélicos. Ao mesmo tempo, nos sentimos muito bem compartilhando com a Igreja nossa música. Devemos lidar com a realidade do sagrado em qualquer situação.

A.C.: Ao fazermos uma crítica ao Festival Promessas, você (Sérgio)comentou da dificuldade de se divulgar descentemente o trabalho do Baixo e Voz, assim como de muitos artistas cristãos. Como vocês avaliam esta abertura de mercado da música Gospel?

BAIXO E VOZ: Acho (sérgio) que é cedo para definirmos o resultado da abertura. Como historiador aprendi que precisamos analisar os vários ângulos de um acontecimento para compreendermos, em parte, o que aquilo significou, de fato. 

Também não gosto de guetos artísticos, nem de generalizações. Nosso trabalho e de qualquer outro artista tem que ter a liberdade de gravar o que quiser: rock, jazz, bossa, blues, funk, sem rótulos. Deixo os rótulos para a mídia e para leigos.

Devemos usar o mercado ao nosso favor, sem, é claro, nos corrompermos. E isso é possível. Estamos procurando uma boa distribuição para nosso DVD Baixo e Voz 20 anos, pois entendemos que isso é trabalho para outros profissionais. Nosso papel é selecionar boas músicas, compor, arranjar e gravar com excelência. Mas não acho que devemos nos envolver com todos os processos relacionados à divulgação e distribuição. Não estudamos para isso!

Demonizar tudo que é mídia é um grande erro. Pelos discursos que leio e ouço dos críticos, é como se, em outras palavras, dissessem: - Vocês todos que estão em gravadora não prestam, nem artisticamente, nem no caráter; só pensam em dinheiro. Não é verdade. Existe muita gente na Sony, Som Livre e outras gravadoras que é muito mais envolvida com os valores do Reino de Deus do que seus críticos. Particularmente prefiro ouvir as pessoas e suas histórias antes de qualquer tipo de afirmação sobre seus ministérios e trabalhos musicais apenas porque não gosto, esteticamente de seus trabalhos.

Por outro lado, também não acho que devemos ficar calados em relação ao que vemos de errado sendo propagado pela mídia ou pelos artistas, sejam eles cristãos ou não. Temos que buscar equilíbrio...

A.C.: Agradecemos a atenção e contribuição para nosso blog. Desejamos um ano repleto de Graça, Saúde e muita arte para vocês. 

BAIXO E VOZ: Para você também. Deus abençoe sua casa e os seus!

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Entrevista com Rodrigo Ribeiro, editor do blog UMP da Quarta

Rodrigo Ribeiro é membro da IV Igreja Presbiteriana em Campina Grande-PB, fundador do blog UMPdaQuarta e eleito presidente da UMP para o ano de 2012. É um dos nossos parceiros de blog e sempre tem contribuído para a difusão do conhecimento cristão na internet.
1) A.C.:  Sua trajetória de vida cristã e de identificação com a teologia reformada fizeram com que você hoje continuasse envolvido com as questões da Igreja. Com que perspectiva você olha para dentro de sua igreja local e ao mesmo tempo para as igrejas evangélicas em geral?
Rodrigo Ribeiro: A minha igreja local é o ambiente que Deus preparou para que eu fosse edificado e edificasse outros irmãos, em comunhão, crescendo na graça e no conhecimento, aprendendo a lidar com as dificuldades de cada um. É impossível exercer os nossos dons, que são para edificação do corpo, e demostrar o caráter de Deus em nós, como a misericórdia, o perdão e amor se estivermos sozinhos, isolados. Por isso, sou contrário ao movimento emergente que se opõe contra igreja institucionalizada, pois na minha comunidade vejo um reflexo da igreja invisível de Cristo. Se cada um de nós entender a importância de nossas igrejas locais, e trabalharmos com todo o amor, sempre buscando glorificar a Deus e proclamar ao mundo o evangelho da graça, teremos comunidades fortes e consequente uma igreja evangélica forte sob o ponto de vista universal. Não vejo como é possível, parafraseando João, amar a igreja invisível se você não ama os irmãos pecadores que Deus colocou perto da você para que vivam como uma comunidade dispenseira da graça Dele. Devemos Trabalhar pela igreja como um todo, através da internet, da propagação dos valores do reinos, mas jamais podemos abdicar ou desprezar nossa igreja local.
 2) A.C.: Além de ser um espaço de identidade e edificação para os jovens da mocidade de sua igreja, o UMP da Quarta (blog mantido por você e sua equipe) tem se mostrado bastante relevante para o público cristão em geral. Como você avalia esta interação tanto no ciberespaço quanto no dia-dia do real? Quais as implicações e dificuldades de se fazer uma mocidade eficaz em ambos os espaços?
Rodrigo Ribeiro: O trabalho na internet tem sido bastante edificante, não só para os que acompanham o blog, mas para nós mesmo que temos produzido, pois é um estímulo para sempre estar buscando aprender. É evidente que isso exige um comprometimento considerável, porque para que o trabalho tenha êxito é preciso existir com conteúdo e credibilidade, por isso é indispensável frequência e fidelidade nas publicações, no que diz respeito aos dias programados.  É um trabalho árduo, mas muito recompensador. Sempre que trabalhamos para a Glória de Deus, Ele nos satisfazer plenamente. O nosso grande desafio, como UMP hoje, é transpor para o trabalho físico, na igreja local, o mesmo conteúdo, com o mesmo envolvimento e adesão, o trabalho realizado no blog. Esta é uma tarefa ainda mais difícil, pois na internet há um número de pessoas ilimitadas, de todos os cantos do mundo que podem se identificar com as publicações, entretanto, no trabalho real, local, você tem um grupo de jovens, muitas vezes com características e interesses diferentes, e você precisa motivá-los, incentivá-los a se engajar nesse projeto, e trabalhar com afinco por uma UMP com consistência teológica, mas dinâmica, criativa e constante. Enfim, é um enorme desafio que temos pela frente, mas creio que Deus estará conosco e nos ajudará a realizar esse missão.
 3) A.C.: Queria que nos falasse sobre a UMP da Quarta como experiência interna na instituição a partir de sua concepção e liderança.
Rodrigo Ribeiro: A UMP da Quarta passa hoje por um momento único de afirmação, numa jornada que iniciou-se a três anos atrás. Houve uma época, que nos resolvemos desativar as sociedades internas e criar um ministério jovem unificado, o que parecia ser uma boa ideia inicialmente, mas acabou ocasionando o colapso dos trabalhos com a juventude em nossa igreja. A sociedade interna funciona com mais jovens, que formam as diretorias, são mais democráticas, posto que os líderes são eleitos pelos membros, além de proporcionar uma maior integração entre as igrejas, através das federações. Por isso, depois de alguns anos desativada, conseguimos reativar a UMP com a graça de Deus. Acontece que, nós temos uma juventude muita ativa e capacitada, envolvida em vários ministérios da igreja, mas que se envolvia muito pouco com trabalhos próprios da sociedade, levando em conta que eram poucos os que existiam também, como cultos esporádicos e plenárias. Acontece que a partir do meio do ano, com o surgimento do Blog, nós criamos uma identidade, o que é fundamental para o êxito do trabalho. Hoje os jovens se identificam com o nome e o significado da UMP da Quarta. Este processo acabou por desaguar na minha eleição como presidente desta sociedade pela primeira vez, apesar de já ter sido presidente da UPA e do próprio mistério jovem. Todos estes fatores nos colocam diante de uma oportunidade imensa de consolidar este trabalho, edificando nossos jovens, os preparando para serem a próxima geração de líderes e oficiais da igreja, e assim contribuindo para o crescimento de nossa comunidade local. Pretendemos ter uma UMP forte, com bases bíblicas sólidas, que se propõe ir além do simples entretenimento dos jovens para que não se sintam seduzidos pelo mundo "de fora". Desejamos ser uma sociedade que os capacita para enfrentar o mundo "lá fora", espalhando as boas novas de salvação e vivendo a supremacia de Cristo em todas as áreas de suas vidas.
 4) A.C.: Muitos cristãos costumam ser dicotômicos entre mundo cristão e secular. Entretanto, como um estudante próximo a se graduar em Direito, como você lida com os conhecimentos jurídicos específicos e projeção da possível carreira como profissional na área? Tem como separar o lado cristão do secular diante de tantas regras, leis, conceitos outorgados pelas ciências sociais?
Rodrigo Ribeiro: Está é uma questão especialmente delicada. Os estudantes de direito, geralmente se deslumbram no mundo jurídico, por que acreditam nos seus valores, em suas normas, que o direito é a verdade que irá transformar o mundo. O cristão não observa as coisas por esse primas, e isto pode acabar levando à um descrédito com o seu curso. Entretanto, esta não é postura correta e deve ser combatida. Ser jurista é uma vocação,e como todas as outras deve glorificar a Deus, através do seu trabalho bem executado, com esmero. Para isso, é indispensável ter em mente que a justiça concreta não é está na lei positivada nos códigos. Deus é o parâmetro final de justiça. Este ideal deve ser o combustível que inflama nossos corações na busca da equidade que ultrapassa uma justiça formal, lutando assim por julgamentos justos e pela aplicação de princípios jurídicos que se coadunem com os princípios bíblicos. Além disso, sinto uma lacuna no que diz respeito à conteúdo jurídico produzido por reformados sob uma cosmovisão calvinista, e isto faz falta a nós, jovens acadêmicos. Espero que Deus levante homens para produzir materiais nesse sentido, e até tenho um sonho de realizar isto um dia. Precisamos de referências teóricos acadêmicos no campo do Direito, que tenham bases bíblicas consistentes.
 5) A.C.: Não tenho dúvidas de que sua participação efetiva no ciberespaço tem edificado e corroborado para que as verdades bíblicas cheguem até muitos através do blog. Muito obrigado por ter nos atendido. Estaremos sempre à disposição.
Rodrigo Ribeiro: Eu que agradeço de coração a oportunidade de estar neste espaço virtual que tanto tem me edificado. É sempre um prazer contribuir, seja na internet ou no mundo "real" com a obra de Deus. Que o nosso Senhor nos conceda a graça de militar pelos valores do reino em nossos respectivos blog, e em nossas igrejas locais, sempre visando à glória Dele. Aproveito o ensejo para reafirmar o desejo que já manifestei no Blog UMPdaQuarta, que todos estejam motivados, sejam jovens, adultos, idosos, para juntos colocarmos em nosso coração o firme propósito de fazer de 2012 um ano completamente diferente em nossas vidas, marcado por nosso entusiasmo, dedicação e satisfação em glorificar o nome de Deus em todas as áreas de nossa vida. Que possamos nos afastar das coisas sem menor importância e focar nossos olhos naqueles que nos dá a verdadeira satisfação, que possamos falar como Agostinho: “Quão suave se tornou de repente para mim a privação dos prazeres infrutíferos, os quais eu tanto temia perder! Tu afastaste estes prazeres de mim, tu que és a verdadeira, a ALEGRIA SOBERANA”.

Entrevista com Rodrigo Ribeiro, editor do blog UMP da Quarta

Rodrigo Ribeiro é membro da IV Igreja Presbiteriana em Campina Grande-PB, fundador do blog UMPdaQuarta e eleito presidente da UMP para o ano de 2012. É um dos nossos parceiros de blog e sempre tem contribuído para a difusão do conhecimento cristão na internet.
1) A.C.:  Sua trajetória de vida cristã e de identificação com a teologia reformada fizeram com que você hoje continuasse envolvido com as questões da Igreja. Com que perspectiva você olha para dentro de sua igreja local e ao mesmo tempo para as igrejas evangélicas em geral?
Rodrigo Ribeiro: A minha igreja local é o ambiente que Deus preparou para que eu fosse edificado e edificasse outros irmãos, em comunhão, crescendo na graça e no conhecimento, aprendendo a lidar com as dificuldades de cada um. É impossível exercer os nossos dons, que são para edificação do corpo, e demostrar o caráter de Deus em nós, como a misericórdia, o perdão e amor se estivermos sozinhos, isolados. Por isso, sou contrário ao movimento emergente que se opõe contra igreja institucionalizada, pois na minha comunidade vejo um reflexo da igreja invisível de Cristo. Se cada um de nós entender a importância de nossas igrejas locais, e trabalharmos com todo o amor, sempre buscando glorificar a Deus e proclamar ao mundo o evangelho da graça, teremos comunidades fortes e consequente uma igreja evangélica forte sob o ponto de vista universal. Não vejo como é possível, parafraseando João, amar a igreja invisível se você não ama os irmãos pecadores que Deus colocou perto da você para que vivam como uma comunidade dispenseira da graça Dele. Devemos Trabalhar pela igreja como um todo, através da internet, da propagação dos valores do reinos, mas jamais podemos abdicar ou desprezar nossa igreja local.
 2) A.C.: Além de ser um espaço de identidade e edificação para os jovens da mocidade de sua igreja, o UMP da Quarta (blog mantido por você e sua equipe) tem se mostrado bastante relevante para o público cristão em geral. Como você avalia esta interação tanto no ciberespaço quanto no dia-dia do real? Quais as implicações e dificuldades de se fazer uma mocidade eficaz em ambos os espaços?
Rodrigo Ribeiro: O trabalho na internet tem sido bastante edificante, não só para os que acompanham o blog, mas para nós mesmo que temos produzido, pois é um estímulo para sempre estar buscando aprender. É evidente que isso exige um comprometimento considerável, porque para que o trabalho tenha êxito é preciso existir com conteúdo e credibilidade, por isso é indispensável frequência e fidelidade nas publicações, no que diz respeito aos dias programados.  É um trabalho árduo, mas muito recompensador. Sempre que trabalhamos para a Glória de Deus, Ele nos satisfazer plenamente. O nosso grande desafio, como UMP hoje, é transpor para o trabalho físico, na igreja local, o mesmo conteúdo, com o mesmo envolvimento e adesão, o trabalho realizado no blog. Esta é uma tarefa ainda mais difícil, pois na internet há um número de pessoas ilimitadas, de todos os cantos do mundo que podem se identificar com as publicações, entretanto, no trabalho real, local, você tem um grupo de jovens, muitas vezes com características e interesses diferentes, e você precisa motivá-los, incentivá-los a se engajar nesse projeto, e trabalhar com afinco por uma UMP com consistência teológica, mas dinâmica, criativa e constante. Enfim, é um enorme desafio que temos pela frente, mas creio que Deus estará conosco e nos ajudará a realizar esse missão.
 3) A.C.: Queria que nos falasse sobre a UMP da Quarta como experiência interna na instituição a partir de sua concepção e liderança.
Rodrigo Ribeiro: A UMP da Quarta passa hoje por um momento único de afirmação, numa jornada que iniciou-se a três anos atrás. Houve uma época, que nos resolvemos desativar as sociedades internas e criar um ministério jovem unificado, o que parecia ser uma boa ideia inicialmente, mas acabou ocasionando o colapso dos trabalhos com a juventude em nossa igreja. A sociedade interna funciona com mais jovens, que formam as diretorias, são mais democráticas, posto que os líderes são eleitos pelos membros, além de proporcionar uma maior integração entre as igrejas, através das federações. Por isso, depois de alguns anos desativada, conseguimos reativar a UMP com a graça de Deus. Acontece que, nós temos uma juventude muita ativa e capacitada, envolvida em vários ministérios da igreja, mas que se envolvia muito pouco com trabalhos próprios da sociedade, levando em conta que eram poucos os que existiam também, como cultos esporádicos e plenárias. Acontece que a partir do meio do ano, com o surgimento do Blog, nós criamos uma identidade, o que é fundamental para o êxito do trabalho. Hoje os jovens se identificam com o nome e o significado da UMP da Quarta. Este processo acabou por desaguar na minha eleição como presidente desta sociedade pela primeira vez, apesar de já ter sido presidente da UPA e do próprio mistério jovem. Todos estes fatores nos colocam diante de uma oportunidade imensa de consolidar este trabalho, edificando nossos jovens, os preparando para serem a próxima geração de líderes e oficiais da igreja, e assim contribuindo para o crescimento de nossa comunidade local. Pretendemos ter uma UMP forte, com bases bíblicas sólidas, que se propõe ir além do simples entretenimento dos jovens para que não se sintam seduzidos pelo mundo "de fora". Desejamos ser uma sociedade que os capacita para enfrentar o mundo "lá fora", espalhando as boas novas de salvação e vivendo a supremacia de Cristo em todas as áreas de suas vidas.
 4) A.C.: Muitos cristãos costumam ser dicotômicos entre mundo cristão e secular. Entretanto, como um estudante próximo a se graduar em Direito, como você lida com os conhecimentos jurídicos específicos e projeção da possível carreira como profissional na área? Tem como separar o lado cristão do secular diante de tantas regras, leis, conceitos outorgados pelas ciências sociais?
Rodrigo Ribeiro: Está é uma questão especialmente delicada. Os estudantes de direito, geralmente se deslumbram no mundo jurídico, por que acreditam nos seus valores, em suas normas, que o direito é a verdade que irá transformar o mundo. O cristão não observa as coisas por esse primas, e isto pode acabar levando à um descrédito com o seu curso. Entretanto, esta não é postura correta e deve ser combatida. Ser jurista é uma vocação,e como todas as outras deve glorificar a Deus, através do seu trabalho bem executado, com esmero. Para isso, é indispensável ter em mente que a justiça concreta não é está na lei positivada nos códigos. Deus é o parâmetro final de justiça. Este ideal deve ser o combustível que inflama nossos corações na busca da equidade que ultrapassa uma justiça formal, lutando assim por julgamentos justos e pela aplicação de princípios jurídicos que se coadunem com os princípios bíblicos. Além disso, sinto uma lacuna no que diz respeito à conteúdo jurídico produzido por reformados sob uma cosmovisão calvinista, e isto faz falta a nós, jovens acadêmicos. Espero que Deus levante homens para produzir materiais nesse sentido, e até tenho um sonho de realizar isto um dia. Precisamos de referências teóricos acadêmicos no campo do Direito, que tenham bases bíblicas consistentes.
 5) A.C.: Não tenho dúvidas de que sua participação efetiva no ciberespaço tem edificado e corroborado para que as verdades bíblicas cheguem até muitos através do blog. Muito obrigado por ter nos atendido. Estaremos sempre à disposição.
Rodrigo Ribeiro: Eu que agradeço de coração a oportunidade de estar neste espaço virtual que tanto tem me edificado. É sempre um prazer contribuir, seja na internet ou no mundo "real" com a obra de Deus. Que o nosso Senhor nos conceda a graça de militar pelos valores do reino em nossos respectivos blog, e em nossas igrejas locais, sempre visando à glória Dele. Aproveito o ensejo para reafirmar o desejo que já manifestei no Blog UMPdaQuarta, que todos estejam motivados, sejam jovens, adultos, idosos, para juntos colocarmos em nosso coração o firme propósito de fazer de 2012 um ano completamente diferente em nossas vidas, marcado por nosso entusiasmo, dedicação e satisfação em glorificar o nome de Deus em todas as áreas de nossa vida. Que possamos nos afastar das coisas sem menor importância e focar nossos olhos naqueles que nos dá a verdadeira satisfação, que possamos falar como Agostinho: “Quão suave se tornou de repente para mim a privação dos prazeres infrutíferos, os quais eu tanto temia perder! Tu afastaste estes prazeres de mim, tu que és a verdadeira, a ALEGRIA SOBERANA”.

sábado, 12 de novembro de 2011

Confira nossa entrevista ao blog "UMP da Quarta"

Esta semana tive a oportunidade de conceder uma entrevista ao blog "UMP da Quarta", trata-se de um espaço organizado pelos jovens da IV Igreja Presbiteriana de Campina Grande. Confira a entrevista na íntegra:

01- Em algumas cidades do interior a propagação do evangelho encontra imensas dificuldades, principalmente em decorrência da influência de padres e demais lideres católicos. Como é a realidade atual das igrejas reformadas em Guarabira, principalmente da Igreja Presbiteriana, da qual você faz parte?
Um fato curioso em relação aos evangélicos na cidade de Guarabira ocorreu quando a Primeira Igreja Congregacional foi apedrejada por fanáticos do então Frei Damião em 1937. Tirando esse episódio tenso entre protestantes locais e católicos, não acredito que as maiores dificuldades encontradas quanto a pregação do evangelho aqui esteja relacionada a influência de algum tipo de liderança católica. Ao que me parece, as maiores dificuldades encontraram-se dentro do próprio grupo evangélico local, isso devido à antiga bipolarização (entre as duas maiores igrejas que não se entendiam) e a atual multipolarização (capitaneada pelos neopentecostais e suas variações).
Quanto às igrejas de visão reformada temos além da igreja Presbiteriana, duas igrejas Congregacionais – outras sustentam ainda o nome de alguma denominação tradicional, mas não há como afirmar que são reformadas.
A igreja Presbiteriana de Guarabira particularmente tem buscado fazer diferença nesta cidade cujo evangelho pregado por muitos anos foi o evangelho de condenação em detrimento das boas novas. Graças a Deus temos um pastor presente, que sabe equilibrar bem a teologia, arte e música nos dando suporte para uma vida cristã madura e sem extremismos. Nosso lema “A Igreja que valoriza a pessoa glorificando a Deus”, almeja constantemente que nossa igreja seja reconhecida não como a igreja de grandes obras e milagres, mas como uma igreja que ama, valoriza e cuida dos seus membros.
Vale registrar o fato de que recentemente Guarabira foi bombardeada por novas igrejas independentes. A cada esquina tem alguém reproduzindo o discurso da cura e benção material, o que acaba promovendo um grande contraste entre o discurso reformado e as demais denominações. Nossa responsabilidade aumenta no sentido de que precisamos pregar o evangelho, ratificar a graça de Deus e ao mesmo tempo combater as vãs doutrinas que cercam e sugam muitos fracos na fé. De uma forma resumida, nossa realidade é de tempos difíceis e desafiadores na defesa da fé e proclamação da Verdade.


02 - Em seu blog A Arte de Chocar, continuamente vemos a coerência das publicações com o título do projeto. Por que este enfoque na questão do chocar, da polêmica? E principalmente, os que se chocam, escandalizam-se com o conteúdo dos textos ou com a própria palavra de Deus?
A ideia do blog surgiu por perceber que algumas pessoas só atentavam para um determinado assunto inerente a igreja, vida cristã, de uma forma geral, quando se sentiam surpreendidas por algum comentário ou colocação. De fato pareceu ter algum sentido. Isto porque numa cultura tão hedonista, muitos cristãos não possuem opinião formada sobre assuntos diversos; parece que o “Cogito, ergo sum” (Descartes) não anda fazendo jus ao significado de protestante. Então, partindo dessa sensação, a primeira coisa a fazer foi fisgar o leitor mediante o impacto visual, textual ou conceitual. É o venho tentando (se bem que ultimamente acho que não venho chocando ninguém (rs)).
Penso seriamente que existe uma diferença entre escândalo e “analfabetismo” teológico. Se somos protestantes e em nada temos para protestar ou denunciar, torna-se estranho não? Os evangélicos no Brasil têm doutrinas distintas, diferenciados usos e costumes, o que por natureza gera um tipo de auto-estranhamento. Há um choque em alguns pentecostais tradicionais quando dizemos crer na doutrina da eleição? Ou quando batizamos crianças? Acredito que em parte sim. Isso seria escândalo?
Existe uma diferença entre o que seria escândalo por caráter cultural e verdade bíblica, assim como ninguém deve estar fadado a morrer como criança espiritual. Para este segundo caso, a palavra “escândalo” está inapropriada.
Sei das implicações do “Arte de Chocar”, mas tenho pedido perseverança e sabedoria para saber chocar na medida correta, se é que existe tal porção. (risos)


03 - Provavelmente, por causa de sua formação, notamos um destaque muito grande no aspecto musical, muitas vezes com uma abordagem crítica do cenário nacional da música evangélica. Quais os principais desafios de um músico cristão desejoso em fazer uma boa arte com conteúdo e que se depara com a realidade do mercado "gospel"?
Temos uma história de nossa música cristã brasileira assim como também temos uma história de músicos cristãos brasileiros. Acho um tanto quanto desrespeitoso alguém querer fazer música cristã sem ter o mínimo desejo de conhece sobre ela, ou seja, conhecer a gente que desbravou nossa música superou o monopólio dos cânticos europeus, e que deu um toque de brasilidade e poesia em nossa canção. Aqui me valho de gente como Jayrinho, Sérgio Pimenta, Janires, Bomilcar, João Alexandre, Logos, Jorge Camargo, dentre muitos.
Quanto aos desafios para um músico cristão, elenco o desfio da arte: "Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilo” (sl 33.3). Acredito que a música cristã tem sido uma arte mais rendida a fórmula do que a criatividade e verdade de quem a produz. Acho também que o músico cristão precisa não se enveredar por esse caminho; precisa buscar nas referências desses precursores exemplos e experiências que vão além da noção de $uce$$o.
O músico precisa tratar as músicas cristãs não pela popularidade, mas pela excelência bíblica, estética e sonora. Desafio também é acreditar que músicos são apenas canais de Deus. Não são “super-ministros”, Levitas, ou redutos de unção. Precisam aprender a serem servos em outras áreas além da música, precisam ser peritos não só nas notas musicas, mas na leitura da palavra, no diálogo e participação com a sociedade, etc. O desafio envolve, da mesma forma, o fazer música no sentido de adoração buscando dar a melhor letra, o melhor arranjo, na busca de um novo cântico. Desafio é principalmente não se render aos fetiches do mercado - creio que para a igreja ser edificada através da música não é preciso tocar sempre o “sucesso do momento”; uma canção que contém verdades bíblicas jamais soará vazia, portanto tiremos essa responsabilidade de querer embriagar a igreja em sua totalidade com mantras que são apenas “mais do mesmo”, mas, do contrário, cantemos a verdade, o amor, a arte, sob os requisitos da excelência, sabendo que Deus sempre nos fará um canal.


04 - Muitos têm notado um processo de crescimento nos hemisfério sul, das antigas doutrinas da graça, conhecidas também por Calvinismo. Neste processo os jovens tem se destacado. O estágio atual das ferramentas da internet, como as redes sociais tem relação direta com isto? E quais a importância e os desafios dos blogueiros reformados diante deste processo?
Com certeza. Essa nova interface de comunicação nos proporciona contatos e influências que no mundo do real vivido durariam décadas. Hoje um simples blog de apologética, música ou arte cristã não vive estanque, isolado, mas chega rapidamente nas redes de twitter, facebook, orkut, myspace, etc., levando ideias, pensamentos e acima de tudo a Palavra de Deus - é o que fazemos comumente no nosso dia-dia, não é?
Um dos maiores desafios para os blogueiros é perserverar, nunca desacreditar no trabalho. Há quem subestime esse oficio, ou quem o minimize sua eficácia, mas não há dúvidas de que o blog é uma ferramenta que transforma que influencia, e edifica pessoas. Poderíamos citar vários casos... Eu sou um exemplo vivo!


05 - Gostaria que você nos falasse um pouco das dificuldades que você enfrentou na área acadêmica ao cursar um curso como o de história, e também que deixasse uma mensagem para os leitores deste blog que passam pelos mesmos desafios diariamente.
Entrei no curso de História no ano de 2001 e confesso que foi muito difícil neste início lidar com as ciências humanas em geral. Enquanto Santo Agostinho afirmava que o conhecimento nos aproximava de Deus eu percebia que aquilo tudo que eu lia, discutia em nada convergia com a Verdade defendida pela minha igreja. Levava anotações e dúvidas para o templo, mas as respostas não convenciam, a ponto que as ciências humanas acabavam por mais atraentes e presentes na minha política e social do que os estudos bíblicos sobre o tabernáculo ou escatologia. Sentia que na universidade havia o prazer pelo pensar, enquanto na igreja havia o prazer pelo reproduzir os conceitos prontos, fechados e nunca postos à mudanças (a saber uma Teologia engessada e muita tradição humana). Foi uma época de crise e desencontros.
Atualmente, trabalho com a área de História Cultural, e tem sido uma ótima experiência. Hoje, menos imaturo que a dez anos atrás, percebi que posso tirar proveito de muitos conceitos de filósofos, historiadores, sociólogos, etc. Contudo para que se tenha um curso prazeroso e saudável espiritualmente, é necessário fazer ajustes e pontes com as Verdades de Deus: quando Hegel entendia que sua dialética se movia por uma força idealista, o espírito, eu posso atribuir nitidamente isso ao que a Bíblia confirma sobre “Ele” como Senhor da história; as “relações de poder” de Foucault, as “representações” de Roger Chartier, por exemplo, são conceitos admissíveis até mesmo numa interpretação bíblica da humanidade. É isso que tenho feito, sem relativizar, claro, a Verdade.
Sugiro urgentemente aos que cursam algum curso das ciências humanas que leiam literaturas cristãs relacionadas a sua área. É de suma importância a defesa da fé de uma forma racional, lógica e inteligente – ser cristão é estar a frente do óbvio, é ver além das coisas. É isso que tenho tentado fazer e acredito piamente que é isso que Deus deseja: que sejamos agentes de transformação em todas as áreas da vida, e com certeza na área acadêmica.
Um abraço, e muito obrigado pela entrevista.
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Conheça o blog ump-da-quarta.blogspot.com e siga seu editor Rodrigo Ribeiro, @rodrigolgd.