Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

05 COISAS NÃO PODE FALTAR NO LOUVOR DA SUA IGREJA

Por Renato Vargens

Boa parte dos louvores que entoamos em nossas Igrejas encontram-se desprovidos de qualidade musical e teológica. Confesso que estou cansado de ouvir determinadas canções. Não aquento escutar em meio ao louvor com música, “restitui eu quero de volta o que é meu”, ou ainda “onde colocar as minhas mãos prosperará”. Não suporto mais ver os crentes andando para a direita, ou para esquerda, cantando que por todo lado que é abençoado, ou até mesmo propagando a teologia da vingaça cujo sabor é de mel.

Pois é, boa parte das músicas evangélicas tem pecado pela propagação de heresias e mensagens totalmente contrárias aos ensinamentos bíblicos. Infelizmente muitos hinos e cânticos populares têm ensinado aos cristãos valores e conceitos absolutamente antagônicos as Sagradas Escrituras. Na verdade, nosso cancioneiro está cheio de aberrações teológicas onde mantras repetitivos são entoados em cultos de louvor. Para piorar a situação, algumas destas canções fazem apologia a teologia da prosperidade ou confissão positiva dizendo ao crente que ele vai prosperar. Além disso, inúmeros louvores pedem chuva, fogo, poder , cujo propósito final é não é a glória de Deus e sim satisfação do freguês.

Diante do exposto, visando ajudar os ministros música a não tocarem bobagens em seus cultos, bem como escolherem canções que possam glorificar ao Senhor, resolvi elencar cinco coisas que não podem faltar em um louvor congregacional.

1-) O louvor congregacional deve ser caracterizado por canções cristocêntricas

Um louvor saudável é caracterizado pela centralidade de Cristo, Nessa perspectiva, não há espaços para canções humanistas, de teologia duvidosa, estribada em conceitos de autoajuda ou psicologia.

2-) O Louvor Congregacional deve possuir boa teologia

Esse é um grave problema. Boa parte dos pastores não possuem condições de avaliar se as canções entoadas em suas comunidade locais possuem boa teologia. Nessa perspectiva, por ignorarem as verdades contidas nas escrituras, permitem que aberrações teológicas sejam entoadas em seus pulpitos, proporcionando com isso o adoecimento da igreja que pastoreiam. Uma Igreja saudável pensa no que canta e canta o que pensa, portanto, ela precisa além de conhecer as doutrinas fundamentais das Escrituras, ela precisa fundamentar que canta aquilo numa saudável teologia.

3-) O louvor congregacional deve focar as doutrinas fundamentais das Escrituras

Infelizmente não vemos em boa parte dos louvores modernos ênfases em doutrinas como salvação pela graça mediante a fe, imputação de pecados em Cristo, santificação. exaltação a trindade, volta de Jesus, e outras mais. Na verdade, as canções modernas, falam somente de bênçãos, vitórias, conquistas, milagres e prosperidade o que tem contribuido para o surgimento de um evangelho humanista. Uma igreja que possui um louvor saudável canta as verdades contidas nas Escrituras, não abrindo espaço, nem tampouco permitindo que os louvores centrado dos homens ocupem um espaço que pertence exclusivamente a Deus,

4-) O louvor congregacional deve ser entoado exclusivamente para a gloria de Deus

Tudo na vida deve ser feito para a glória de Deus inclusive, é claro, os louvores entoados em nossos ajuntamentos. O problema é que 90% das canções compostas pelos nossos cantores e compositores estão focadas na satisfação do cliente e não na glória de Deus. Veja por exemplo, quantos hinos são entoados na primeira pessoal do singular ou plural? Muitos não é verdade? Pois é, ao contrário destes, as Escrituras nos ensinam que louvores saudáveis jamais deverão estar centrados em homens e sim na pessoa de Deus.

5-) O louvor congregacional deve ser desprovido de arrogância, proepotência e vanglória

No louvor congregacional não há espaço para glória pessoal. Tudo feito pra Ele, por Ele, por Intermédio dele e para glória dele, o que significa que na adoração não existe a menor possibilidade de que homens sejam glorificados, roubando assim, a glória que somente Ele é digno de receber.

Pense nisso!

Renato Vargens

***

Fonte: Blog do Renato Vargens.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

"DE UNS TEMPOS PRA CÁ" - SOBRE O AMOR ÀS COISAS E O FARDO PRA CARREGAR

Por Antognoni Misael

O consumismo tem sido uma das marcas mais evidentes desta geração. Tristemente a igreja dita evangélica embarcada na teologia da prosperidade e fissurada no “aqui e agora” tem feito jus ao desejo carnal por ter o que a traça e ferrugem corrói e os ladrões roubam.

O anseio pela presença de Deus e o viver para a Sua Glória têm sido substituído pelo compromisso com a própria felicidade e acúmulo de bens materiais.

A canção de Chico César “De uns tempos pra cá” tem me feito refletir sobre o supérfluo amor as coisas, que só são coisas e como ele bem cantou, são fardo pra carregar.

Obviamente não estamos pregando que nossos lares não tenham móveis, que joguemos fora nossos livros, que ao invés de um carro, desejemos um burrinho pra nos locomovermos. Não é isso. Estamos só relembrando, que o amor aos bens materiais, dos mais caros aos mais insignificantes, é uma prova de que não amamos a Deus e não temos compreendido a satisfação em Sua Graça.

Portanto, como sugeriu um nobre amigo meu, troquemos a palavra “você” por "Jesus" na canção abaixo e ela passará a fazer um enorme sentido.

(Na boa, o que tem de cristão que precisa refletir nisso, e não são poucos não...)

Veja:


De uns tempos pra cá
os móveis, a geladeira
o fogão, a enceradeira
a pia, o rodo, a pá
coisas que eu quis comprar
deu vontade de vender
e ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

De uns tempos pra cá
o carro, a casa, o som
tv, vídeo, livros, bom...
o que em tese faz um lar
admito eu quis comprar
começo a me arrepender
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

Coisas são só coisas 
servem só pra tropeçar 
têm seu brilho no começo 
mas se viro pelo avesso 
são fardo pra carregar

De uns tempos pra cá
o pufe, a escrivaninha
sabe a mesa da cozinha?
lençóis, louça e o sofá
não precisa se alterar
pensei em me desfazer
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

De uns tempos pra cá
telefone, bicicleta
minhas saídas mais secretas
tô pensando em deixar
dê no que tiver que dar
seu amor me basta ter
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

Coisas são só coisas 
servem só pra tropeçar 
têm seu brilho no começo 
mas se viro pelo avesso 
são fardo pra carregar

[De uns tempos pra cá - Chico César]

P.S.: Dica do meu amigo subversivo, Marco Telles.

***

Antognoni Misael, professor de história, músico e policial militar. Editor do Arte de Chocar.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Keith Green, compromisso com o Reino com o seu próprio bolso?

"Keith Green estava no auge do seu "sucesso" quando começou a perceber que vender CD com músicas cristãs era comercializar o evangelho.

Ele era músico, vivia disso. Mas chegou um tempo que ele não mais suportou e cancelou o contrato com sua gravadora e resolveu fazer os seus próprios discos e dar ao invés de vender.

Em suas apresentações, ele dizia no final: "Quem quiser o meu CD, deixe o seu nome e seu endereço, que até 6 semanas eles estarão chegando em sua casa." Pela graça de DEUS ele foi sustentado, e não só ele, mas a família dele, e muitos cristãos desabrigados que ele colocava para morar dentro de sua residência. As pessoas ao receberem o CD doavam alguma coisa no que podiam, ou quando podiam. Por um CD do Keith já chegaram a pagar tanto 1 dólar, quanto 5 mil. DEUS o sustentou. DEUS é Fiel e não abandona seus filhos.

Enquanto uns se denominam verdadeiros adoradores dizendo que só canta se pagar 80 mil reais, eu vejo a total confiança de um servo que abriu mão de todo o conforto e segurança do dinheiro que recebia para depender tão somente da providência daquele que o havia chamado. Ele faria 60 anos hoje, mas aprouve Deus levá-lo com apenas 28 anos de idade em 1982, mas ele definitivamente deixou um exemplo a ser seguido.

"Fiel é aquele que vos chama, e ele também o fará." (1 Tessalonicenses 5:24)

(Fonte: Tulipa Reformada via Sinval Júnior)

***

Do Fariseu Sincero, via Zilton Alencar.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

U2 faz música com fé sem rótulo de rock cristão

Fonte: The New York Times

O U2 tem uma carreira admirável no rock ‘n’ roll, tipo de música notório por recompensar artistas que cantam sobre coisas mais simples do que o mundo em que vivemos e o lugar que nele ocupamos.

A banda – ou, em alguns casos, apenas Bono, seu homem de frente – já desempenhou o papel de pop star, pária, filho pródigo e proselitista. Porém, ao longo de seus 30 anos de carreira, a espiritualidade do U2 nunca rotulou sua música como rock cristão - estigma considerado medíocre no circuito comercial da música. O U2 vem mantendo primorosamente tanto seu lado espiritual como seu lado laico - em proporções que não limitariam seu alcance de público.

Greg Garret, professor da Baylor University e autor do livro “We Get to Carry Each Other: The Gospel According to U2” (Nós temos que nos apoiar: o evangelho segundo o U2), afirma que o rock cristão se tornou uma frase tóxica no pop por uma boa razão: “Temos a arte cristã, onde a arte é menos importante do que seu lado cristão. As crenças do U2 são filtradas em seu trabalho, mas nem por isso essa é a razão principal para que eles façam música”.

A reverenda Genevieve Razim, pastora associada da Palmer Memorial Episcopal Church, é quem diz: “Em minha posição episcopal, meu palpite sempre foi de que o moderno e o cristão podem ser compatíveis; e o U2 confirmou isso para mim. São inúmeras as mensagens na mídia de que ser cristão é o mesmo que ser rígido e intolerante, e eis que vem essa banda de rock fazendo perguntas importantes e expressando sua fé”.

Sendo assim, há anos o U2 vem fazendo canções sobre paz, justiça, espiritualidade e mistérios, e sua maneira de fazê-las revela uma inclinação ao que é elevado - seja o uso de salmos no início de sua carreira até sua visão panorâmica do mundo nos dias de hoje.

É importante ressaltar que o som do U2 tem muito a ver com seu sucesso de longa data. A banda Creed, por exemplo, é incessantemente criticada por fazer música copiada. A música do U2, porém, apesar de constantes mudanças, sempre foi imediatamente identificada como sendo única: seja a voz, os efeitos de guitarra ou a marcha militar da percussão. Como a música de Johnny Cash ou Nusrat Fateh Ali Khan, o som do U2, além de espiritual, é uma constante celebração (salvo algumas vezes em que mostra indignação), ao mesmo tempo em que atravessa limitações que alguns venham a encontrar em sua fé.

Fé Particular

A arte de qualidade – seja ela religiosa ou não – deve ser imbuída de uma experiência reveladora para aqueles que a testemunham e a consomem.

Ainda assim, o U2 guarda uma relação tênue com o cristianismo. Os integrantes da banda são de uma época de sangrento conflito religioso em seu país de origem, a Irlanda. Três deles – Bono, o guitarrista The Edge e o baterista Larry Mullen Jr. – eram membros de uma comunidade cristã em Dublin que, segundo consta no livro de Garrett, os levou a acreditar que a vida no rock e a vida seguindo aquela fé não seriam compatíveis.

Garret questiona: “O que você faz quando é ferido pela instituição, mas ainda ama Deus?” Uma reação é abandonar aquela instituição e começar sua própria. De certa forma, foi o que o U2 fez - apresentando ao público uma fé particular. A outra é tentar consertar a instituição já existente, que é o que Bono vem tentando fazer recentemente, proferindo palestras em igrejas por toda a América para estimular o auxílio à África.

Como é evidente no título de um dos maiores sucessos da banda, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” (eu ainda não encontrei o que eu procuro), ele se encontra em uma busca interior, o que pode ter um efeito profundo naqueles que igualmente buscam por algo espiritual - e isso, juntamente com sua música, poderia explicar o extenso poder de atração que o U2 desperta.

Ainda assim, ter certeza de que esse “algo” foi encontrado é anular esse “algo” enquanto fé. Garrett destaca: “Muitos americanos estão comprometidos com uma visão de fé como uma crença absoluta. São pessoas que ficam sentadas olhando para o relógio. E foi para essa tarefa que Bono convocou as igrejas americanas: este modelo de salvação que ignora o fato de que fomos colocados aqui por uma razão especial, além da salvação pessoal. E é isso o que ele tem de mais persuasivo a oferecer: a ideia de que estamos juntos nessa jornada, caímos e nos levantamos juntos, carregamos uns aos outros”.

A faixa título do último álbum da banda, No Line on the Horizon (nenhuma linha no hrizonte) – o álbum mais voltado para a espiritualidade desde os primórdios do U2 – parece ser prova disso. Existe a imagem em si, a ausência de uma linha, um destino final. A canção também trás duas frases que valem ser destacadas: “O infinito é um bom lugar para começar”, e “O tempo é irrelevante, não é linear”.

Razim acha isso parecido com a abertura do Mar Vermelho. “Para mim, é como Deus abrindo um caminho onde parecia não haver caminho algum”. É a visão abrangente do cosmo, e do que está além dele, que não combina bem com a idéia do céu como um final de partida vitorioso. Tanto é que Bono disse à revista evangélica Christianity Today: “Costumo achar que a religião obstrui o caminho de Deus”. E The Edge falou à Hot Press em 2002: “Ainda tenho uma vida espiritual, mas não sou muito fã da religião por si só”.

Turnê eclesiástica

A Christianity Today definiu a turnê de Bono pelas igrejas americanas para incentivar o auxílio à África como “uma experiência de igrejas que deixam Bono com uma eclesiologia tão frágil que mede a missão da igreja quase que exclusivamente em termos geográficos”.

Garrett, porém, vê progressos nos trabalhos não-musicais de Bono. “Acho que hoje em dia mais pessoas acreditam nesta ideia de que a igreja precisa ser mais responsiva às necessidades do mundo e menos focada na salvação pessoal - especialmente entre os cristãos jovens. Acho que eles estavam na linha de frente disso”.

A música da banda encontrou seu caminho nas igrejas americanas através do serviço eucarístico U2charists, que vêm sendo realizado nos últimos seis anos.

Razim supervisionou dois deles na Palmer Memorial Episcopal Church: na passagem do ano de 2008 e no feriado de Juneteenth em 2009 - ambos com capacidade máxima de lotação. Um próximo está programado para o réveillon de 2009. A música de U2 é cantada e o dinheiro é arrecadado para as Metas de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, condição imposta pela banda em troca de permitir que sua música seja veiculada sem royalties.

Ela diz que o U2charist é uma ação genuína, além de apoiar o envolvimento comunitário da igreja.

E, apesar de um relacionamento de certa forma tenso entre o U2 e qualquer organização religiosa em particular, Razim, assim como Garrett, vê afinidade na espiritualidade da banda. “Tem a ver com buscar, procurar”, disse ele. “A primeira vez que ouvi uma canção do U2 eu detectei isso. É uma jornada, com a fé se desenvolvendo e fazendo perguntas difíceis. Acho que a música deles confirma e fortalece isso, ela é uma verdadeira expressão de quem somos neste lugar e neste momento”.

***

CRISTÃO PODE IR A SHOW, OUVIR MUSICA DO MUNDO E TER BANDA SECULAR?

"Existem antigas perguntas que se tornaram onipresentes no mundo da internet, e não existe motivo para ignorá-las neste sucinto canal. No vídeo de hoje, descubra princípios para analisar as letras do axé que você ouve em casa, aprenda a levar seus pais pros shows de rock, encontre base bíblica para ganhar dinheiro tocando na noite e se deleite com o Smoke On The Water mais mal tocado na história das gaitas harmônicas".

Yago Martins

***

Abaixo, o vídeo do Vlog do Yago Martins e Felipe Cruz, onde eles elucidam com muita propriedade sobre o tema. Confira:



***

Arte de Chocar.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Marcos Almeida, o movimento gospel e a arte no mundo

Por Antognoni Misael

Desde a primeira vez que ouvi Marcos Almeida logo percebi que ele não cabia dentro do movimento gospel. Ficava a incógnita em saber como um artista que surgira no palco evangélico citando Keith Green, Rookmaaker, Sartre, Rembrandt e cantando profeticamente “Todos estão surdos” (do Roberto Carlos) se comportaria no desdobrar do tempo perante este segmento. 

Atualmente ficou mais do que claro que o Marcos Almeida está à frente da música gospel. A frente porque entendeu assim como Rookmaaker que “as coisas têm valor por aquilo que são, e não pelas funções que exercem, por mais que estas sejam importantes.” É muito parecido com o conceito de arte de Francis Shaeffer, o qual propõe a arte pela arte, e tendo a mesma como uma dádiva de Deus, faz com que não se rotule o que é essencial, não se “guetifique” o que é livre, e enfim, com que ela não se reduza aos mecanismos de mercado, e ao fim, apenas publicitário e evangelístico. 
“Existe uma outra forma de enxergar a fé, a espiritualidade e a arte no Brasil – e não necessariamente tem uma direção para o consumo interno da igreja (...) pra tocar no culto ou pra fazer um entretenimento religioso. Mas é profundamente cristã, profundamente relacionado com a fé, mas usa outras linguagens. Usa uma linguagem mais poética, não só isso, usa o português (...) e não em (o) ‘evangeliquês’ ”. [Marcos Almeida]
É indispensável compreendermos que devemos usar nossos talentos para a glória daquele que nos presenteou (1Co 10.31). Rookmaaker vem nos dizer que o convite para arte é um chamado aos artistas, artesãos e músicos para que estes esmerem-se no ofício em que foram chamados; que estes chorem, orem, pensem e trabalhem na arte e por ela. Para ele, qualquer discussão sobre o papel dela deve ser precedida por uma afirmação básica: “a arte não precisa de justificativa” — nem por motivos religiosos ou propósitos evangelísticos, nem por fins econômicos ou políticos. A arte é livre e deve ter sua premissa básica de que é um reflexo pleno da criatividade do Criador!

O que temos presenciado nos dias de hoje é um fenômeno de mero mercado com autenticação gospel - é o genérico comercial do “mundo”. Vemos muitos do movimento gospel portando-se como sumos sacerdotes da cultura — os nossos gurus —, ou como celebridades e bobos da corte. Desta forma, como esperaremos uma arte de valor eterno com a versatilidade de temas e validades do nosso tempo atual, quando na verdade o que determina o “sucesso ministerial” é a adesão à um modismo ou a rendição a um apelo comercial?
“Então a fé ela não é um colar que você coloca assim (...) um artefato pra te deixar um pouco mais bonito, pra te tornar mais agradável para um mercado religioso. A fé pra gente é um começo; é aquilo que trabalha lá no coração e ensina a gente a olhar o mundo diferente.” [Marcos Almeida] 
Nesta roda viva é como se a música gospel não parasse de encher sua botija de ouro, contudo, sempre querendo dar justificativas de que o que faz é de Deus apenas por carregar o nome “Cristo” ou “Deus”.

Presumo então que fazer música cristã não significa necessariamente produzir uma música com mensagem bíblica explícita ou com uma experiência de vida, fé ou ato piedoso. A “Paixão de São Mateus”, de Bach, é cristã, os “Concertos de Brandenburgo” o são. Logo, não são apenas as letras das cantatas que são cristãs, mas também toda instrumentação e toda diversidade de temas oportunos. Do contrário, estaremos reduzindo o cristianismo e excluindo do comprometimento com Deus uma grande parte de nossa vida, que deve manifestar o fruto do Espírito.

Que a arte seja a nossa expressão do Cristo todo, da vida toda, para que a vida toda seja compreendida através do Cristo em tudo!

***

Antognoni Misael, editor do Arte de Chocar.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O evangelista Johann Sebastian Bach

Por Gerson Borges

João Sebastião Ribeiro é um dos meus mestres e mentores. Todos os temos. Precisamos tê-los. Não há ninguém que chegue lá (excelência, grandeza, genialidade, relevância, arte, espiritualidade, legado) sem aprender a olhar o horizonte dos sonhos e da realidade por sobre os ombros de algum gigante. É como eu digo na minha canção “Discipulado”1:

Todo mundo imitou todo mundo Um por um se inspirou em alguém Do mais simples ao mais profundo Não há um que não olhe ninguém Do mais raso ao que vai mais fundo Todo artista é aprendiz de alguém

Mas vamos lá. Quem foi “João Sebastião Ribeiro”? Algum sanfoneiro pernambucano, aluno de Luiz Gonzaga ou colega de Dominguinhos? Trata-se de algum artista de cantorias de viola, repentista ou xilogravurista, como o esplêndido J. Borges? “O nome soa por demais nordestino!”, você poderia supor, caro leitor. Mas não, o tal personagem dessa modesta, mas provocativa coluna2, é o grande compositor Johann Sebastian Bach, numa tradução meio livre, meio fanfarrona, do seu nome germânico de batismo.

Bach é demais! Não sei se aprecio mais sua obra ou sua vida. Dúvida cruel. Roberto Minczuk, o estupendo regente da Orquestra Sinfônica Brasileira, com passagem pela OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), considerado uma dos maiores maestros da atualidade - que , assim como eu, iniciou-se na música tocando nos cultos da Assembleia de Deus dos pais - opina sobre o maior gênio da música com muita propriedade:

“Bach representa a perfeição como músico e compositor. Sua genialidade somente pode ser comparada à de Shakespeare, Newton ou Einstein. Ao ouvir sua obra, percebemos o quanto somos pequenos diante de sua música, manifestação clara da glória de Deus”.

Bach, cristão fervoroso, luterano piedoso, começava as suas obras com “J. J.”, “Jesus, ajuda!”3. Ou seja, com a oração mais fundamental, mais precária4. É a expressão mais fundante da oração. É o clamor mais simples da alma que se reconhece carente. Não é algo nobre e virtuoso num artista? Reconhecer que sem o dom/amparo do Criador não podemos criar coisa alguma! Nenhuma beleza! Nenhuma arte! Nada! Sting, o músico inglês tão consagrado por sua mistura felicíssima de pop, jazz, folk inglês, “world music” e música erudita, afirma que um dos exercícios que o mantém musicalmente alerta e em forma é estudar diariamente obras de Bach no violoncelo. Algo que me lembra declarações de mentoria de dois artistas grandiosos que nos deixaram recentemente, empobrecendo a literatura brasileira: João Ubaldo Ribeiro (“Johann Ubaldo Bach”?) e Ariano Suassuna. O primeiro, com Shakespeare, que o escritor lia, quase devocionalmente, todos os dias, antes da labuta da escrita diária. E o segundo com a Bíblia Sagrada, “a maior e melhor de todas a obras da Literatura”.

Ouço Bach enquanto escrevo esse texto. Acho que é um trecho dos Concertos de Brandenburgo. Companhia muito estimulante, tanto espiritual quanto criativamente. E volto à Minsczuk, edificante:

“A cada final de semana, para cada culto, ele tinha de compor uma nova cantata. Apesar de toda a sofisticação de suas obras, elas faziam parte do cotidiano das pessoas. Por vezes, Bach usava hinos conhecidos como temas e em nenhum momento pensava na posteridade ou se gabava de suas habilidades. Ele era servo da música e, principalmente, um servo de Deus por meio da música”.

De Beethoven a Stravinsky, de Mozart a Debussy, de Brahms a Mahler, sem exceção, os grandes da Música (assim, com inicial maiúscula) reconhecem que Johann Sebastian Bach é o maior de todos. “Bach: um gênio esmagador. Se Beethoven é um milagre da humanidade, Bach é um milagre de Deus!”, bradou Claude Debussy, o maravilhoso compositor francês do século XIX (1862-1928). Para mim, o meu querido “João Sebastião” é um grande pregador da Beleza e da Verdade. Veja o que disse Friedrich Nietzsche (1844-1900), para quem a vida sem música era o maior dos erros; ele, um dos críticos e inimigos mais ferrenhos do Cristianismo:

“Esta semana, ouvi três vezes a ‘Paixão Segundo São Mateus’ do divino Bach e a cada vez com o mesmo sentimento de infinita admiração. Quem desaprendeu totalmente a cristandade tem a chance de ouvi-la como a um Evangelho”.

Johann Sebastian Bach, o evangelista. ‘João Sebastião Ribeiro”, meu mentor.

Notas: 
1. A propósito, inspirada no pensamento de Dallas Willard, filósofo e pastor batista por quem nutro grande admiração, a respeito da ideia de “mentoria”.
2. Escrevo aqui à moda de João Ubaldo Ribeiro nas já saudosas colunas dominicais no “O Globo”. Sim, eu o imito. Ele merece emulação.
3. E no fim de cada nova partitura, o compositor escrevia "Soli Deo Gloria" (A Deus toda a glória")!
4. “Prece” vem do latim “precarius”.

Gerson Borges é pastoreador: pastor evangélico, poeta/musico e educador.

***

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Som da Graça: Amor Incondicional

Há quem diga que o amor não existe; o que existe são expressões de amor. Se demasiado humanos, melhor é que da razão fujamos para o abrigo da essência incompreensível do existir (Deus), assim deixaremos o próprio amor suvenir no teatro da vida… Para que aprendamos, mesmo sem que por completo vivamos…o que é o amor.O verdadeiro Amor conhecemos na abnegação de Cristo, mas em nossa vida prática ainda lidamos à base da troca; é o chamado “amor na versão normal”, o amor condicional, que sistematiza reações de afeto e devaneia os surtos de bondade.

Vale a pena se permitir a tirar cinco minutos desse mundo guloso e ser agraciado com esta obra de arte (de chocar), com Jorge Camargo.

***

Jorge Camargo é considerado um dos principais músicos cristãos da atualidade. É mestre em Ciências da Religião pela Universidade Mackenzie, compositor, tradutor e poeta. Possui 7 CDs individuais. Já fez shows no Brasil inteiro, EUA, Europa e África.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Bono Vox é mais relevante do que muitos artistas evangélicos! Saiba o porquê.

A música dita gospel e seus cantores já deram várias demonstrações de irrelevância diante das oportunidades de professarem a Cristo com nitidez e firmeza na mídia televisiva, e ao invés disso se auto promoveram. Daí você vê o Bono Vox, um ícone do Rock, dando um simples exemplo de como ser convicto, direto e relevante.

Veja como ele não se intimida diante das perguntas provocativas do entrevistador do 'The Meaning of Life - são coisas que tem faltado nos representantes do segmento gospel.


Para conhecer melhor a confissão de fé do Bono e sua relação com o cristianismo, sugiro a leitura do livro "Walk On - A jornada espiritual do U2" - Steve Stockman - W4 Editora . Veja algo sobre a obra clicando aqui.

***

Antognoni Misael. Agradeço a Rô Moreira por ter compartilhado no Facebook.

Leia também:



sexta-feira, 18 de julho de 2014

"Lembra-te" - discordando teologicamente dos Arrais

Os-arrais-nos-EStados-UnidosHoje quero falar sobre uma canção do Thiago e André Arrais. Antes de qualquer coisa, destaco a minha admiração musical pela dupla, em virtude de muitas de suas canções serem belas, e acredite, falarem tão bem sobre Graça (apesar de cantarem, ainda, sobre a Lei).


Espero que não me rotulem como “anti-arrais”, mas compreendam que o que hei de fazer é apenas uma análise sobre a letra de uma de suas canções.


A canção abaixo é uma apologética sabática. Nela, a dupla tenta conciliar o amor a Deus com a sustentação da guarda do sábado, e conclama que o ouvinte “Lembre-se” e obedeça a este mandamento.


Bem, não quero ser denso, nem realizar um estudo longo sobre o tema (caso alguém deseje, sugiro a boa leitura do artigo do Rev. Solano Portela, clicando aqui), entretanto desejo comentar as estrofes abaixo. Vamos lá:

Título: Lembra-te


Será que a lei quebrada foi na cruz ou anulada foi, perdeu o valor?
Mas como devo explicar que Deus não muda, que sua palavra é uma?
E como compreender que o Autor de toda a vida, separa o santo dia?


Primeiramente a resposta para a pergunta que inicia a canção é a palavra SIM - digo isto crendo no Cristo e na autoridade de Jesus. A lei foi quebrada e anulada por ter sido cumprida em Jesus e dela fomos libertos, como disse Paulo aos Gálatas 5.1.


A segunda pergunta é facilmente respondida. Deus não muda, óbvio, mas a relação que ele mantém com o seu povo (o Israel de Deus) mudou. Isto se deu por causa do seu eterno plano de redenção quando decidiu descer de sua Glória firmar um novo relacionamento com o homem (Fp 2.7).


Sobre a terceira pergunta da canção, relembremos esta passagem de Paulo aos Colossenses: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl 2.16-17).


A guarda do sábado semanal era sombra do que viria e apontava para Cristo. Veja:


“Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita. Porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei. Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo da lei. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gl 3.19-26)


Sendo assim a lei de Moisés serviu para nos conduzir a Cristo. Paulo é muito claro em sua carta aos Gálatas, por isso entendemos que ao morrermos com Cristo, morremos para a lei, haja vista que a lei não alcança os mortos.


“Agora estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos, a fim de servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da lei” (Rm 7.1,4,6).


Neste viés, sabemos que Jesus cravou na cruz as ordenanças nem nossos pais conseguiram suportar (Atos 15.10). Não obstante, o Apóstolo afirma categoricamente que as antigas ordenanças eram transitórias, e foram abolidas por Cristo (2 Co 3.7-14). Por isso, nós não somos mais guiados pela lei, mas pelo Espírito.


A canção continua:


"Eu sou criatura. Deus é criador
Quem cria e restaura é o Senhor.
Sábado perfeito creio e obedeço
Cravado na pedra para que eu lesse:
Lembra-te" do dia santo e da criação"


Na Nova Aliança os princípios éticos e morais foram ratificados nos Dez Mandamentos, mas, notemos, exceto a guarda do sábado. Se lermos minuciosamente o Novo Testamento não encontraremos em lugar algum a reserva do sábado. O Decálogo que corresponde a instrução na Nova Aliança apresenta-se desta forma:


“Não terás outros deuses diante de mim” (At 14.15); “não farás para ti imagem de escultura” (1 Ts 1.9; 1 Jo 5.21); “não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão” (Tg 5.12); “Lembra-te do dia do sábado para o santificar” (não mencionado no NT); “honra teu pai e a tua mãe” (Ef 6.1); “não matarás” , “não adulterarás”, “não furtarás”, “não cobiçarás” (Rm 13.9); “não dirás falso testemunho” (Cl 3.9).


Portanto, as frases da canção acima, quando confrontadas com os versos bíblica citados, não condizem com a nossa interpretação do “sábado perfeito” cantado.


"Monumento da graça do meu coração
Será que o que eu creio é mera teoria?
Idéias distorcidas?
Mas impossível é negar o que a palavra viva da força que me inspira"


O que a canção diz que Crê não é mera teoria, mas foi real na velha aliança! Ideias distorcidas? Sim, para os dias de hoje, mais ainda.


"E tendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra descansou
E abençoou Deus o sétimo dia...
Lembra-te do dia de sábado para o santificar
Seis dias trabalharás... mas o sétimo dia é o sábado do Senhor...
Aqui está está a perseverança dos santos"


As palavras acima são verdade. Porém, o sábado era um sinal, como o foi a circuncisão, entre Deus e os filhos de Israel, assim como o arco era um sinal do pacto com Noé: “Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: "Certamente guardareis meus sábados, porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações, para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica. Portanto, guardareis o sábado...aquele que o profanar, certamente morrerá” (Êx 31.13-14).


No entanto, não acho difícil notarmos que estamos na Nova Aliança, e nela a nossa aceitação diante do Pai é pela graça, mediante a fé em Jesus (Jo 3.15-18; Rm 10.9; Ef 2.8-9).


"Os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.."
" e disse-lhes Jesus: Se me amares guardareis os meus mandamentos.."


O próprio Jesus sabendo de sua missão em cumprir toda a Lei disse: Tenho-vos dito essas palavras para que a minha alegria permaneça em vós e a vossa felicidade seja completa. E o meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei. (Jo.15:11)


"Me recuso a crer no que os outros dizem, no que o mundo exige
Como no passado, hoje a minoria sustenta essa doutrina
Perfeito dia em meio a lei que é eterna
Descanso na promessa"


Bem, sem mais delongas, para não ser redundante, digo, se porventura você que gosta dos Arrais e quer seguir o conselho dado por eles, não se esqueça que se porventura for guardar o sábado, o faça fielmente aos preceitos do Antigo Testamento, tipo: não saia de casa nesse dia (Êx 16.29); não compre ou venda nada neste dia (Am 8.5) não acenda o fogão (Êx 35.3); não viaje (Ne 10.31); não carregue peso (Jr 17.21), e mais, "Lembra-te" que a violação disso tudo te torna descumpridor da lei, debaixo da maldição dela e apto a pena de morte (Êx 31.15; Dt 27.11-28; Gl 5.1-5; Tg 1.23; 2.10).


***


Antognoni Misael, ao som dos Arrais.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Música e religião na era do pop

livro joezerO gospel é um dos fenômenos culturais mais significativos do início do século XXI. Além de constituir-se em guarda-chuva, que abriga quase todo estilo musical utilizado pelos evangélicos brasileiros, o gospel também representa novas atitudes e posturas evangélicas.


Mais do que música, o gospel passou a ser um modo de produção. O cantor gospel, que alguns chamam de levita ou adorador, tem se tornado não apenas o intérprete musical da mensagem cristã, mas também passou a ser considerado um multiplicador econômico de objetos, acessórios, roupas e eventos.


Em nossa época de entretenimento em escala industrial, a fé é um show e a religião-espetáculo não abdica da música. Nos tempos do triunfo do pop, a música gospel no Brasil demonstra uma forte interação com o mercado da música popular.


Se a mentalidade religiosa ocidental mudou e a fé ajuda a alavancar o consumo, como isso repercute na prática musical dos cristãos? Essa relação entre o gospel e o pop se dá somente no campo da letra e do estilo da canção ou também está nas estratégias de marketing e na performance dos cantores gospel? Afinal, o gospel é pop?


Foi com essas observações e perguntas na cabeça que escrevi o livro "Música e Religião na Era do Pop" (Ed. Appris). No primeiro capítulo - “Cultura pós-moderna e religião”, demonstro como as características da pós-modernidade podem explicar as novas demandas de consumo e as expectativas religiosas dos evangélicos.


No capítulo seguinte, “Os novos evangélicos: modos, mídias e músicas”, focalizo as atividades de mercado e o crescimento midiático das denominações neopentecostais (Igreja Universal, Internacional da Graça de Deus, Renascer, Sara Nossa Terra, Bola de Neve, entre outras).


No capítulo “O gospel é pop?” recupero a trajetória do gospel desde seu surgimento nos Estados Unidos até seu estágio moderno de interação entre a unção religiosa e a bênção do pop.


Em “O evangelho segundo o gospel” faço uma análise da carreira da cantora e pastora Aline Barros, estudando detalhadamente suas canções, sua performance cênica e vocal e também a publicidade comercial das empresas que usam sua trilha sonora de louvor, milagres e curas.


No capítulo “Música para diversão e salvação” abordo estilos musicais que já foram marginalizados, inclusive pela mídia secular, e recentemente foram adotados em produções musicais do gospel no Brasil, como o axé, o funk e o hip hop.


No último capítulo, “O futuro da música gospel”, falo também sobre o futuro do gospel no Brasil e menciono a existência do coro dos contrários, que não participa do cordão da euforia econômico-musical do gospel e tem restrições quanto à combinação de comércio e teologia no mundo da música cristã.


Com esse livro, desejo contribuir para a pesquisa sobre a temática da música cristã praticada no Brasil. Gostaria que os leitores notassem os mecanismos de mercantilização da religião e da música religiosa e também compreendessem o caráter historicamente dinâmico e flexível da música no Cristianismo.


Serviço: o livro “Música e religião na era do pop” pode ser adquirido pelos sites da Editora Appris ou das livrarias Saraiva e Cultura.


***


Joêzer Mendonça é doutor em Musicologia e professor de História da Música na PUCPR. No blog Nota na Pauta escreve sobre arte, mídia e religião.


Fonte: Cristianismo Criativo.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Quando estou em sua presença dá vontade de Morrer

Há alguns anos atrás uma canção tornou-se bastante executada no meio cristão. Com um groove animado e motivador, a letra pede que o Senhor venha “encher este lugar com Sua Glória”. O ápice é alcançado quando no refrão se diz: “Quando estou em sua presença dá vontade de pular, da vontade de dançar, da vontade de gritar, da vontade de correr.”

Em meados do ano de 2012 fui convidado para fazer parte de um evento de Adoração. Neste evento eu e minha equipe de músicos não seriamos os únicos participantes e, como é nosso costume, estivemos presente durante a participação da outra banda. Ali, sentado na primeira fila eu ouvia esta canção ser executada. Não foi a primeira vez que a ouvi. Na verdade eu já estava bastante familiarizada com ela. Mas pela primeira vez me senti extremamente incomodado ao ouvi-la. O refrão foi tocado e, como já era de se esperar, as pessoas freneticamente começaram a pular e gritar. Dançando desconjuntadas e sorrindo "bobamente". Foi então que me ocorreu: Qual a vontade que me invade quando eu estou na “presença do Senhor?”.

Precisamos antes de mais nada conceituar o que seria “Estar na presença do Senhor”. Alguns personagens antes de nós, relatados nas sagradas Escrituras já tiveram esta maravilhosa experiência de estarem diante da presença e Glória de Deus. Vamos observar qual o desejo que lhes invadiu nesse momento?

Quando Moisés esteve na sua presença:

“Então ele(Moisés) disse: Rogo-te que me mostres a tua glória. Porém ele(Deus) disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer.E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá.”(Êxodo 33:18-20)

Este é um dos episódios mais enigmáticos das Escrituras. Existem tantas implicações e questionamentos dentro destes poucos três versículos, que absolutamente não caberia nesta pequena reflexão. Mas podemos observar algumas coisas que cooperam para o tema proposto aqui.

A Glória de Deus é morte para nós. Ele é tão SANTO e PURO que um simples vislumbre de seu caráter resplandecente poderia nos consumir de imediato, pois somos o oposto dEle. Temos tantas falhas e imperfeições quanto se pode ter. Somos vaidosos, orgulhosos e egoístas. Habita em nós uma semente original que torna a nossa essência corrupta. Olhar para a sua Glória “face a face” seria nossa condenação imediata. Pois unido à sua Beleza, Pureza e Santidade está sua JUSTIÇA. E por causa de sua Justiça, o pecador não ficaria impune em sua presença. Seria algo instantâneo e imediato. Por isso Deus “priva” Moisés de encontrar-se face a face com toda a sua essência de Glória. Deus protege Moisés do próprio dEle mesmo.

É importante perceber e pontuar também o respeito e contrição de Moisés durante tudo isso. Manso, humilde e temeroso, ele é escondido em uma fenda. Respirando baixinho e sem escândalos ele espera. Confiante na Misericórdia de Deus em livrá-lo dEle mesmo.

Quando Isaías esteve na sua presença:

“No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e a cauda do seu manto enchia o templo. (...) Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos.“ (Isaías 6:5)

Isaías foi levado de alguma maneira que não podemos explicar ao local onde o Rei se assenta a julgar. Ali, neste exato momento, enquanto ele observa os serafins voando ao redor do trono e as vestes reais enchendo o tempo um terro invade sua alma. Fica claro pra Isaías o quão puro Deus é. Fica exposto a olho nu sua estupidez e maldade. Sua impureza torna-se um câncer. E Ele então clama: “Ai de mim!” Não existem pulos frenéticos nem gritos histéricos. Existe um homem no chão lamentando por sua estupidez e maldade. Chorando seus pecados e amaldiçoando sua maldade nata. Agora observem, se trata de Isaías. Não estamos falando de um criminoso sem escrúpulos. Não estamos falando de um cruel estuprador de crianças. Estamos falando de um profeta. Um homem piedoso. Este homem, considerado íntegro aos nossos olhos, se vê como uma aberração bizarra diante da beleza incandescente do Divino.

Quando Saulo esteve na sua Presença:

“E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:3-6)

O mais curioso acerca deste famoso episódio é o detalhe esquecido por todos. Temos o costume de encarar a conversão de Saulo como a conversão de um pecador maldoso ao Senhor. Nos esquecemos que quem esta se “convertendo” aqui é uma das principais autoridades judaicas no que se refere à lei de Deus. Este homem era zeloso e guardador dos mandamentos. Pagava seus dízimos, frequentava às reuniões na sinagoga, inclusive pregava com frequência a maravilhosa palavra de Deus aos seus irmãos, dava esmolas regularmente e fazia suas orações ao Deus de Abraão. Mas apesar de tudo isso, ao se encontrar com “um resplendor de luz do céu” ele descobre o quão morta era sua religião. Ele se depara com o fracasso de todas as suas boas obras. Ele é visitado por sua crueldade. Ele era perseguidor de Cristo. Perseguidor de Deus. Logo ele que fazia tudo tão “certo”. O exemplo que os pais queriam que seus filhos seguissem. E agora esta diante da presença de Deus e não lhe resta outra alternativa senão cair ao chão.

Conclusão:
Tendo em vista estes poucos exemplos bíblicos, e desconsiderando outros tantos que poderiam somar a esta reflexão, tanto bíblicos como exemplos dos pais da Igreja ao longo dos séculos que também já estiveram em Sua Presença, chegamos à inevitável conclusão de que estar na presença de Deus é Graça. Moisés esteve, pois “achou graça aos olhos de Deus”. Isaías esteve na presença de Deus e seu temor se foi quando, pela Graça e misericórdia divina ele foi tocado por uma “brasa viva tirada do altar”. Paulo não buscou nem pediu pelo Senhor. O Senhor o quis e foi ao seu encontro quando ele nem sonhava que estava em um caminho longe. Enquanto ele pensava que estava perto de Deus e sendo seu mais fiel servo, ele então descobriu que ninguém havia mais longe do que ele dos caminhos verdadeiros de Deus. Graça. Não adianta pedir, nem suplicar, nem mesmo invocar. Não funciona. É Graça. Ele tem que querer nos oferecer tamanha Graça.

Não é o que me propus escrever, mas vale a pena ressaltar que em Cristo, hoje entendemos que Deus quis nos trazer para Sua presença. Esta Graça foi manifesta na pessoa e obra de Cristo.

Em segundo lugar, o que fica claro como o sol ao meio dia para nós é que estar diante da presença manifesta e gloriosa de Deus resulta na mais profunda aquietação da alma. Não se mexem nenhum dos dedos nem mesmo se dá piruetas. O máximo que se consegue fazer é balbuciar algumas poucas palavras como: “ai de mim... quem sou eu... miserável...”

É inquestionável que a Salvação e Graça de Deus derramadas em nós produz um fruto de alegria e gozo. Uma vida regada de satisfação e sorrisos. Contentamento e arte esta presente todos os dias da vida dos eleitos. Fato. Mas o que se questiona nesse momento é o que acontece quando o Deus que nos salvou, o maravilhoso criador do Universo e o Regente de todas as coisas, o Supremo Governador, o Rei dos Reis resolve nos visitar com sua Glória e nos faz encontrar-nos a nós mesmos em sua manifestação pessoal. Não me resta duvidas que neste momento acabam-se as canções. Ou mesmo os argumentos. Só existe temor e respeito profundos.

Quanto a esta canção, me parece óbvio que ela foi feita para que as pessoas descarregassem suas energias e histerismo. Não foi nada pensado (literariamente falando) o que se diz nela poderia ser trocado por qualquer palavra. Não importa, contato que as pessoas se animem e pulem e façam trenzinhos. Ão foi uma tese defendida. Nem tão pouco é fruto de um estudo detalhado e honesto acerca da presença de Deus. É fruto do mercado gospel. Aquele que tirar mais gritos da plateia ganha. Bem, eles ganharam.

Quanto a mim, me unirei a Moisés, Isaias e Saulo e cantarei assim:

“Quando estou em sua presença da vontade de morrer
Dá vontade de chorar
Dá vontade de cair
Dá vontade de sumir
Diante de Ti
Dá vontade de morrer
Dá vontade de chorar
Dá vontade de cair
Dá vontade de sumir”

Porque Ele é mais Santo do que. Mais puro do que eu jamais conheci. Eu não mereço sua presença, se eu a tiver, estarei em contrição e humildemente lançado ao chão. Como alguém que recebe um presente tão maior do que jamais pensou ter condições de receber.

Que Ele seja honrado e respeitado. E que sejam expostos todos os que banalizam o seu santuário.

Em amor,

Marco Telles

***

Marco Telles é líder da Comunidade CRER, é músico com trabalho gravado e dedica-se ao ministério pastoral levando a Palavra também, através da música.

quinta-feira, 27 de março de 2014

“Beijinho no Ombro” e “Sabor de Mel”, rolou um clima #MISERICÓRDIA

Recentemente a funkeira Valeska Popozuda tem destilado seu sucesso maquiavélico com a música “Beijinho no ombro”. Na canção ela demonstra aos inimigos que com "fé" em Deus é possível superar dificuldades e inveja. Vangloriar-se diante das conquistas é o segredo para debochar com glória.




O vídeo abaixo é interessante pois em 2008, a cantora Damares alcançou as paradas do sucesso com algo bem parecido: a canção “Sabor de Mel”.


Diante desta comparação, fico a imaginar: será se foi o "sabor de mel" que inspirou o tal do "beijinho no ombro"? Quem sabe...


Que Deus tenha misericórdia disso tudo. Afinal, a nossa vitória não teve e não tem sabor de mel, mas sim derramamento de sangue; nem beijinho no ombro, mas sim, uma Cruz sem tamanho sobre aquele que levou as nossas dores.


***


Antognoni Misael, editor do Arte de Chocar.



segunda-feira, 17 de março de 2014

Qualidade musical nas igrejas: vamos conversar?

Boa parte das pessoas ligadas ao universo da música cristã brasileira conhece ou já ouviu o Baixo e Voz. Sérgio Pereira e Marivone Lobo formam uma dupla de músicos pra lá de afinada, com a voz suave da Mari e o exigente baixo do Sérgio. Mas agora, o momento da dupla é outro: Sérgio anda inquieto com a falta de qualidade musical em muitas igrejas evangélicas.

“Seria porque boa parte dos pastores não acredita que a música e outras artes como a dança ou teatro influenciam, de fato, na cultura e hábitos dos membros de suas igrejas, utilizando-as apenas como um meio de agregar as famílias da igreja socialmente?

Ou seria por causa dos seminários de teologia que, ao invés de criarem mais cursos sobre música e discussões/seminários sobre arte, cultura, mídia e mercado evangélicos, os etiram definitivamente de suas grades e programações de eventos?

Ou talvez seja culpa dos compositores e músicos acompanhantes que, mesmo conhecendo e apreciando música de qualidade, produzem apenas com vistas ao mercado, sendo seu único critério o que “vende mais”?

Ou ainda seria culpa do governo brasileiro - seja ele de direita ou de esquerda - que continua não investindo o suficiente em educação? Talvez tudo isso e mais”, diz Pereira.

No entanto, mais do que encontrar respostas imediatas, Sérgio quer colaborar com as equipes de música das igrejas locais. As perguntas que intrigam Sérgio - que também é educador e escritor de materiais didáticos - o desafiaram neste início de 2014. Tanto é que ele está colocando-se à disposição das igrejas e comunidades para dialogar sobre o tema, pelo menos uma vez por mês, oferecendo palestras gratuitas para os interessados. O período de realização vai de março de 2014 a fevereiro de 2015.

Veja a entrevista realizada pelo Portal Cristianismo Criativo:

Portal Cristianismo Criativo - O que fez despertar para esta questão num momento em que você está bastante ocupado com o trabalho?
Sérgio - É verdade. Nos últimos anos tenho estado mais ocupado. No entanto, o que mais tenho visto nas igrejas locais (sejam elas reformadas ou pentecostais), nesses quase 20 anos de viagens com o Baixo e Voz, é uma grande confusão musical e teológica praticada em boa parte das equipes. Amo trabalhar com música e servir à Igreja, por isso, essa preocupação. Alguns dos motivos (aqui falo de forma generalizada, mas claro, que há exceções):

1) A igreja evangélica brasileira adotou o gênero rock no estilo pop inglês, para as músicas dos cultos. Quero deixar claro que não tenho nada contra esse ou outros estilos musicais. Mas me incomoda muito as equipes de música negligenciarem que vivem no país que tem a maior quantidade de estilos musicais do planeta (afinal adotam apenas um estilo);

2) Os músicos perderam referenciais como Vencedores por Cristo, Logos, Jorge Camargo, Guilherme Kerr, Nelson Bomilcar e tantos outros que deveriam continuar sendo alicerces; onde essas equipes estão apoiadas? Nos programas de rádio, TV e publicações "gospel"?

3) As equipes não procuram conhecer música de excelência, porque muitos pensam que as escolhas de repertório só devem passar pelo "gosto", o que é um grande equívoco;

4) As equipes não se preparam adequadamente para os ensaios e não se dedicam aos estudos musicais, porque "não têm tempo", o que mostra imaturidade e irresponsabilidade para com o serviço à Igreja;

5) Os seminários não têm disciplinas sobre o assunto (não me refiro à hinologia, mas música popular, mercado gospel e afins) - que, diga-se de passagem, considero um absurdo! - e consequentemente os pastores não veem tanta importância no assunto até se depararem com tantos problemas de ordem relacional na equipe, liderança de músicos profissionais, choques entre letras das canções e as doutrinas da denominação etc. Enfim, são esses e vários outros porquês.

Portal CC - Quais igrejas ou ministérios o chamaram para participar?
Sérgio - Nesse caso das palestras gratuitas, tive convites de denominações pentecostais (como O Brasil para Cristo) e reformadas (como a Presbiteriana). Estou aberto a convites de qualquer denominação evangélica. Sou membro da Igreja Presbiteriana do Brasil. Meu currículo Lattes tem meus dados profissionais e no nosso site (www.baixoevoz.com.br) será lançado na primeira semana de fevereiro), há um breve histórico da minha carreira na música.

Portal CC - Quem deve e pode participar nas comunidades locais?
Sérgio - Quem participa das equipes de música relacionadas ao louvor tem que estar presente. Apesar de não ser o foco da palestra a música coral, os cantores e regentes são bem-vindos, assim como a liderança da igreja local.

Meu único pedido, que na verdade é uma exigência, é que 90% da equipe esteja presente. Peço uma lista de nomes de todos da equipe antecipadamente e farei chamada antes do início da palestra; isso mesmo, "chamada", pois estarei encarando o evento como educação musical e espero que todos entendam da mesma maneira. Do contrário, não vejo como colaborar com uma equipe cujos membros pensam que não precisam se desenvolver musicalmente.

Portal CC - Como fazer?
Sérgio - Entrar em contato pelo e-mail sergioemarivone@hotmail.com, enviando uma data possível (por favor, consulte nossa agenda antes, clicando aqui e lembrando que as despesas (carro/ avião, traslados, alimentação e hospedagem) serão pagas pela igreja anfitriã. Se os valores das despesas estiverem impraticáveis (moro em São Paulo, capital), ofereço uma videoconferência (skype, ou algum outro meio que não gere despesas).

É importante lembrar que, para outros pedidos como conferências, congressos, acampamentos, feiras e outros eventos - não é possível atender gratuitamente, uma vez que isto demanda deslocamento de minha esposa e filha. Nesses casos, vale nos consultar a respeito. Obrigado!


***

Matéria relevantíssima, na minha opinião!! No ano de 2012 tivemos a oportunidade de entrevistar o Sérgio e a Marivone. Acompanhe, ou relembre, aqui a nossa entrevista, abaixo.

sábado, 15 de março de 2014

"Deus não divide a Glória dEle com ninguém"!, exorta Rodolfo Abrantes em relação a idolatria dentro da igreja

Por Antognoni Misael

Não conheço com detalhes a obra do Rodolfo Abrantes, mas confesso que todas as vezes que vejo os seus discursos como um cristão que lida com a música percebo uma validade e comprometimento intensos com o reino de Cristo.

Apesar de ser um vídeo curto, Rodolfo alerta sobre a cultura idólatra existente dentro das igrejas, o inchaço no número de evangélicos e crescimento do mercado gospel. No vídeo ele dá algumas declarações contundentes como:

“Multidão quer o que Deus pode dar, discípulo quer Deus por quem Ele é”.

“Eu peguei birra desse nome gospel (...) mas eu quero me curar disso, porque Gospel significa Evangelho, Palavra de Deus.”

Em relação aos artistas gospel que fazem do seu palco um altar de fama, Rodolfo, que fez caminho inverso, saindo de lá, ele desabafou:

“Não me diz que eu tava certo, e eu to numa roubada hoje tentando ser adorador” (??)

Veja o vídeo:

Rodolfo Abrantes é um dos que tem rejeitado este Evangelho embrulhado de glória, fama, show e grana! Pois então gente, vamos orar por esse cara!

***

Agradeço pela dica do vídeo ao Queiróz Vieira, via Facebook.

Antognoni Misael, no Arte de Chocar.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Tarde Te amei (AGOSTINHO) - Stênio Március e Diego Venâncio

Stênio Márcios e Diêgo Venâncio mais uma vez tecendo o mais belo pano pra aquecer a nossa alma.


Meu amigo Pedro Brilhante compartilhou esta canção. Daí eu fui inventar de ouvi-la. Chorei.
Aos pés do Cristo, chorei.




***

Arte de Chocar.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Quando a brasilidade encontra a nossa música

Por Antognoni Misael

Em 1968 a colonização musical na igreja brasileira dava ensaios de que estava chegando ao fim. Se antes era liturgicamente correto apenas cantar traduções de hinários estrangeiros do século XVIII ao som de órgãos à “moda antiga puritana”, a tradição foi interrompida quando um casal de americanos, Pr. Jaime Kemp e Judith Kemp, chegaram ao Brasil e fundaram um projeto através da Sepal (Serviço de Evangelização para a América Latina) que envolvia músicos universitários para saírem Brasil a fora, utilizando a música como comunicação para falarem do amor de Deus de forma alegre e descontraída. Surgia então o Vencedores Por Cristo, grupo musical vinculado a um projeto missionário de mesmo nome.

O VPC foram os nossos primeiros desbravadores - não é à toa que faço questão de instigar os amantes da música cristã a conhecê-los. Numa época em que não havia uma mídia abrangente e de rápido acesso, somados a facilidade de locomoção através de modernos meios de transporte, diversas equipes saiam pelos quatro cantos do país cantando e falando do amor de Deus. Um trabalho pioneiro, sem luxo, sem hotel pra estrela, sem avião, sem alto cachê, mas com muita vida comprometida. Viagens e mais viagens de carro, cruzando o país, muitas vezes dormindo dentro dos próprios veículos pois o dinheiro não cobria uma hospedagem digna. Digo sem medo de errar: "VPC foi a maior escola musical que a nossa música cristã pôde ter". 

Falar dessa gente é falar de: Nelson Bomilcar, Jorge Camargo, Guilherme Kerr, João Alexandre, Sérgio Pimenta, Aristeu Pires, Jorge Redher, e de tantos que fizeram parte em algum momento desta efervescente época. Em mais de 42 anos foram variadas formações e um total de mais de 40 álbuns.

O texto pode soar “retrô", mas se hoje nossa música brasileira (dividida entre os “do gospel importado” e os “da arte brasileira cristã” – e a segmentação é minha, assumo!) usufrui de total liberdade no uso dos clássicos pianos, órgãos, violões populares, baixos elétricos, guitarras, diversidade de sopros, baterias, percussões, etc., deve-se incontestavelmente a essa quebra de paradigma iniciada no fim de 60 para 70 através do VPC – e isso a nível Sul-Sudeste, já que ainda na década de 80 em algumas regiões do país, ter uma bateria no templo era algo nocivo, desprezível, ou diabólico. 

O dualismo do “sacro x profano” faiscava debates entre líderes, músicos e teólogos. Sendo assim, sacro eram órgão, cítara, harpa, violino e profano eram bateria, violão, guitarra, e mais altamente profano, eram os instrumentos de origem afro: tambor, atabaque, agogô, berimbau, etc. – vira o disco...

Para muitos estudiosos da música evangélica brasileira, o divisor de águas se deu em 1977, quando o VPC lança o LP “De Vento em Popa” - para muitos, e eu sou um destes, um dos maiores discos de nossa história musical. Ao ouvi-lo você logo notará que ali nascia nossa brasilidade vinculada à poesia, recheada de conteúdo bíblico e rica musicalidade. A capa do LP, um barco navegando em alto mar lembrava “O Barquinho” de Roberto Menescal... Citação? Quem se arrisca?! Mas ela por si só já fugia da efígie religiosa e despertava curiosidade quanto a arte contida no áudio, e, aliás, esse era um recurso proposital para que a obra transitasse facilmente no meio secular e fosse consumida naturalmente.

A arte do VPC nitidamente bebeu nos vocais do MPB4, na bossa de Jobim, nos trocadilhos de Chico Buarque, na ousadia de Gil, Caetano, na nordestinidade de Gonzaga, e em toda brasilidade possível.

Como toda mudança bagunça o velho modelo, “De vento em Popa” sofreu rejeição por parte de uma ala da igreja, mas nada que freasse a criatividade áurea da moçada. O padrão sonoro além de sofisticado em textura, instrumentação e vocais em 4 vozes, para alguns de ouvido domesticado despistava o foco que era a "Palavra", o que na verdade mostrou-se grande equívoco, pois em termos de letra, contextualização, cosmovisão bíblica e criatividade, esse disco continha apreciação, problematização e sem dúvida muita evangelização.

Sugiro a todos que escutem e redescubram suas obras, vale apena! Pra quem estranha os sons analógicos de 60 e 70, os charmosos ruídos do vinil, indico que façam caminho inveso, comecem pelo CD/DVD Sem Fronteiras - 2007, neste irão perceber a familiaridade de muitas de suas canções até gravadas nas vozes de outros intérpretes. 

Já quem ainda se sente cativo dos sons gospel do mercado atual e resiste em dar um passeio retrô, até entendo que gosto não se discute, mas só uma dica: nem tudo que é sucesso contém o essencial (principalmente falando-se de arte cristã), assim como nem tudo que é comercial é tratado como arte pela “indústria da fé”. E..., falando-se de VPC, certifiquem-se de que sua qualidade sempre esteve e estará inversamente proporcional a proximidade com o “goxpil” de hoje. Uma boa apreciação a todos.

Pra quem quer conhecer melhor ou adquirir seus produtos, acesse: http://www.vpc.com.br/website/

***

Texto da Série Nossa Arte Cristã postado em 8 e junho de 2011.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

O paradoxo do ser, a oração do Publicano e o Teatro Mágico

Por Antognoni Misael

Vez por outras algumas pérolas da música brasileira marcam um encontro conosco. Aí elas remexem o caldeirão de significados de nossa existência e espiritualidade.

Em “Recombinando Atos”, do Teatro Mágico, trarei três aspectos relevantes na canção “Perdoando o Adeus” que me provocaram reflexão:

a) Arte é um reflexo da criatividade de Deus, uma evidência de que somos criados à imagem de Deus; (Gn 1.26)

b) Todo homem é carente de significados em todos compartimentos do existir, portanto a poesia da dúvida, do incerto, não passam de tentativas de se auto-responder para a vida;(Ec. 3.11)

c) Por crer na Graça Comum, encontramos fragmentos da verdade em discursos poéticos no cancioneiro popular, uma vez que até os que não declaram a fé cristã também são alvos de sabedoria e sensibilidade emanadas do Pai. (Tg 1.17)

Por isso “Perdoando o Adeus” tem, acredito, questionamentos e declarações contundentes que dialogam com a nossa fé. Vamos a música, em seguida para a análise.

1)” Meu Deus! Sei que não sei rezar. Como viver então? Não é só pra pedir por mim e por outros, mas pra confortar e acalentar e agradecer dentro de nós".

- Gratidão. Sempre e constante. É algo que não deve se ausentar de nós. Antes de pedir, agradecer é a sina de quem teve um encontro com o Cristo da Graça.

2) “Dentro de nós [Gritam, lutam, choram, sangram, esquecem], Dentro de nós [Juram, julgam, sonham, ganham, perdem]”.

- O encontro com "Cristo da Verdade'' não resolve definitivamente os nossos conflitos por aqui, pois após a justificação outras estações ainda nos aguardam: santificação e finalmente a glorificação, onde finalmente encontraremos a perfeição de nossa existência.

Sabemos também que o coração do homem é enganoso e a nossa tendência natural é o descaso, e por causa disso, constantemente haverá um paradoxo dentro de cada um  - Paulo fala sobre isso em Romanos 7. Então lutar e perder, sonhar e esquecer, chorar e julgar e tudo quanto representar nossas imperfeitas aspirações na vida, serão de algum forma um discurso válido de quem somos nós.

Diante deste contraste de SER e VIVER o que sempre nos compensará é a presença do Espírito Santo em nós, assumindo o nosso leme e levando-nos à vontade do Pai.

c) “Rogai por mim! Vou tentar rezar agora despudoradamente, em público reclamar da vida o desatino e talvez dizer já seja uma reza...Já seja uma reza. Já seja uma oração: dentro de nós..

- A terrível religiosidade que nos persegue! Este trecho me fez lembrar das orações do fariseu e do publicano (Lc 18:9-14), quando o primeiro em pé, despudoradamente orava para si mesmo, estando mais preocupado em lembrar-se de suas virtudes, e reverberá-las para aqueles que o ouviam, enquanto que o publicano nem sequer teve a coragem de levantar os olhos para o céu, mas antes provoca-o a abaixar a cabeça e apenas declarara com sinceridade: "Ó Deus, sê propício a mim, pecador!"

Apesar dos intensos conflitos que digladiam-se dentro de nós resta-nos o bálsamo da Graça de Deus e o acalanto do seu abraço. Orar!? Não sabemos. Nunca saberemos! Por isso esta reflexão, quiçá, já seja uma reza, uma oração... dentro de nós.

E que dentro de nós, que a morte dê lugar a vida. Abundantemente e sempre.

"A vida anuncia...Que renuncia a morte dentro de nós".

***

Criado pelo músico Fernando Anitelli em 2003 “O Teatro Mágico” se consolidou como um dos principais cases de sucesso da América Latina no uso das redes para formação de público e referência em sua estética na união da música com as artes performáticas. Em comemoração a trupe lançou seu terceiro DVD ao vivo “Recombinando Atos” um apanhado geral da trajetória da banda e inéditas, um belíssimo baú comemorativo.

Informações do site Oficial do Teatro Mágico.