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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Crentes Camaleões, um tributo à covardia e ao medo de perder

Por Ruy Cavalcante

Já escrevi algumas vezes aqui no blog sobre as características de nossa geração e resolvi voltar a este tema hoje. Desta vez falarei sobre um crescente grupo de evangélicos, que pessoalmente considero talvez piores até mesmo que os falsos profetas, se isso for possível.

Refiro-me àqueles que, pela necessidade de serem aceitos por todos e/ou pelo desejo de fazerem sucesso, agem como verdadeiros camaleões espirituais, modificando-se constantemente a fim de se adaptarem em qualquer ambiente, mesmo que para isso necessitem mudar, mais do que as roupas, até mesmo suas bases de fé.

Estes sem nenhum constrangimento declaram-se reformados quando estão numa igreja reformada, concordando com tudo, dizem que aquilo é maravilhoso, declaram amor pela escritura e dizem estar tristes pela situação de parte da igreja que abandonou a palavra de Deus para crer em fábulas.

Mas se visitam uma igreja neopentecostal (e estas constantes visitas em diferentes igrejas acontecem muito, especialmente com pregadores, grupos de louvores e grupos de jovens), entram no clima, testemunham que estão sentido algo tremendo, profetizam e determinam, fazem de tudo para se parecer com eles e para mostrar que concordam com tudo que ocorre lá dentro. Temem parecer frios aos olhos daqueles crentes “avivados”, e dessa forma jamais serem convidados novamente.

Fazem a mesma coisa em cada igreja que visitam, independente do que se pratique lá dentro, pois a necessidade e o desejo de "vencer" é maior que tudo. Há tempos estes irmãos foram contaminados com a semente da confissão positiva e da teologia da prosperidade, com suas atraentes promessas de triunfo nesta terra, e com medo de não alcançarem estes frutos desejosos, ou por pura necessidade psicológica de atenção, relativizam a verdade, omitem-se dela ou simplesmente a ignoram.

Na verdade são uma legião de covardes e não se importam com nada além deles mesmos, não se importam nem mesmo com Deus.

Preciso falar algo a estes irmãos: Paulo alertou Timóteo de que todos os que desejam, e vivem, piamente em Cristo, ou seja, de forma verdadeira, justa e fiel a Cristo, sofrerão perseguições (2 Tm 3:12), e isto inclui não serem bem recebidos em muitos lugares e, infelizmente, em muitas igrejas (aqui me refiro a igreja física, organizada).

Isso não é motivo de vergonha, mas sim de intensa felicidade! O próprio Senhor Jesus afirmou isso, quando diante de uma multidão declara: “Bem-aventurados serão vocês, quando os odiarem, expulsarem e insultarem, e eliminarem o nome de vocês, como sendo mau, por causa do Filho do homem. Regozijem-se nesse dia e saltem de alegria, porque grande é a recompensa de vocês no céu. Pois assim os antepassados deles trataram os profetas”. (Lc 6:22-23)

Não tenham medo, não sejam covardes, não temam perder! Nossas aparentes derrotas ocasionadas pela firmeza na verdade do Evangelho são um acúmulo de vitórias onde de fato elas fazem sentido, no Reino de Deus!

Não se trata de saírem por aí contendendo com todos por discordâncias teológicas, se trata de agir sempre em conformidade com a verdade, mesmo que a dano próprio. Ninguém normal deseja ser perseguido, não conheço cristãos genuínos que busquem perder amigos ou anseiam por ouvir uma congregação dizer que eles não são bem vindos por lá. Certo é que, no que depender de nós, devemos ter paz com todos (Rm 12:18). Mas a verdade não depende de nós, não temos escolha diante dela, ou pregamos e vivemos a verdade, ou toda nossa vida é uma farsa, e no último dia daremos conta de toda mentira e falsidade que praticamos. Agir assim, com tanta inconstância, omissão e dissimulação é pecado.

Mantenha-se firme na verdade, seja ela qual for. E que Deus tenha misericórdia de todos nós.

***

Ruy Cavalcante é parceiro de blog, parceiro de profissão, "apóstolo herege" que unge os locais mais inusitados do Brasil, e edita o Blog Intervalo Cristão.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

"DE UNS TEMPOS PRA CÁ" - SOBRE O AMOR ÀS COISAS E O FARDO PRA CARREGAR

Por Antognoni Misael

O consumismo tem sido uma das marcas mais evidentes desta geração. Tristemente a igreja dita evangélica embarcada na teologia da prosperidade e fissurada no “aqui e agora” tem feito jus ao desejo carnal por ter o que a traça e ferrugem corrói e os ladrões roubam.

O anseio pela presença de Deus e o viver para a Sua Glória têm sido substituído pelo compromisso com a própria felicidade e acúmulo de bens materiais.

A canção de Chico César “De uns tempos pra cá” tem me feito refletir sobre o supérfluo amor as coisas, que só são coisas e como ele bem cantou, são fardo pra carregar.

Obviamente não estamos pregando que nossos lares não tenham móveis, que joguemos fora nossos livros, que ao invés de um carro, desejemos um burrinho pra nos locomovermos. Não é isso. Estamos só relembrando, que o amor aos bens materiais, dos mais caros aos mais insignificantes, é uma prova de que não amamos a Deus e não temos compreendido a satisfação em Sua Graça.

Portanto, como sugeriu um nobre amigo meu, troquemos a palavra “você” por "Jesus" na canção abaixo e ela passará a fazer um enorme sentido.

(Na boa, o que tem de cristão que precisa refletir nisso, e não são poucos não...)

Veja:


De uns tempos pra cá
os móveis, a geladeira
o fogão, a enceradeira
a pia, o rodo, a pá
coisas que eu quis comprar
deu vontade de vender
e ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

De uns tempos pra cá
o carro, a casa, o som
tv, vídeo, livros, bom...
o que em tese faz um lar
admito eu quis comprar
começo a me arrepender
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

Coisas são só coisas 
servem só pra tropeçar 
têm seu brilho no começo 
mas se viro pelo avesso 
são fardo pra carregar

De uns tempos pra cá
o pufe, a escrivaninha
sabe a mesa da cozinha?
lençóis, louça e o sofá
não precisa se alterar
pensei em me desfazer
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

De uns tempos pra cá
telefone, bicicleta
minhas saídas mais secretas
tô pensando em deixar
dê no que tiver que dar
seu amor me basta ter
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

Coisas são só coisas 
servem só pra tropeçar 
têm seu brilho no começo 
mas se viro pelo avesso 
são fardo pra carregar

[De uns tempos pra cá - Chico César]

P.S.: Dica do meu amigo subversivo, Marco Telles.

***

Antognoni Misael, professor de história, músico e policial militar. Editor do Arte de Chocar.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Escolhas de Vida

Por Nelson Bomilcar

Nossas escolhas provocam resultados a curto, médio e longo prazo. Prazos que, aliás, nunca sabemos de fato, já que a vida, segundo um escritor bíblico, é como a neblina que por um instante existe e logo se dissipa. A existência humana é curta e efêmera, com o que concordam filósofos, religiosos e pensadores de todas as épocas. A vida requer significados e propósitos para que seja justificada e, de fato, desfrutada no melhor que pode oferecer.

Fazer escolhas, talvez, seja o exercício racional e emocional mais intenso e constante durante nossa jornada como seres humanos. É experiência cotidiana da qual não podemos fugir e não temos como negar. Na infância, recebemos de pais ou responsáveis as referências que tendem a nos acompanhar pela vida afora. A partir dali, o que escolhemos e plantamos trará consequências que irão escrever nossas histórias. Deus já as conhece no tempo e espaço, mas não nos poupa ou priva de tomar as decisões que nos levará ao crescimento como seres humanos e como pessoas, para que vivamos uma fé adulta e responsável.

Fomos criados com consciência, com um mínimo de senso de certo ou errado – como Paulo esclareceu à igreja de Roma –, que ora nos acusa, ora nos absolve. Esta consciência sensibilizada pela ação do Espírito Santo em nós é que nos dá a compreensão do pecado, da justiça e do juízo; do bem e do mal. Ela traz para cada ser humano a capacidade de entender e discernir a vida no seu sentido espiritual e existencial mais profundo, que influencia nossas decisões e os relacionamentos que vamos construindo na família, na profissão, na vida em comunidade e na sociedade.

Para fazer boas e significativas escolhas, precisamos construir uma espiritualidade com raízes, alicerces bem construídos, feita com sabedoria que vem do alto e que está disponível a todos, dada liberalmente por Deus: um Deus que se apresenta, que se revela, que se relaciona, que deseja comungar conosco e partilhar com intimidade e amizade nossa existência. Isso traz repercussões éticas, morais e espirituais em nosso dia a dia, fazendo que o que somos e realizamos repercuta em nós, na nossa família, nas nossas atividades profissionais, em nosso ministério e na sociedade onde vivemos.

Escolher seguir o Deus triúno é a primeira boa escolha, reconhecendo nossa incapacidade de corresponder ao seu amor e conduzir nossa vida refletindo seu caráter, já que compartilhou conosco sua imagem e semelhança. Sem ele, não conseguimos manifestar sua glória, e nada podemos ser e fazer de forma a agradá-lo, principalmente por causa de nossa natureza caída e da nossa desistência de levá-lo a sério, vivendo inicialmente para nós mesmos. Escolher a Cristo como Senhor, Salvador, pastor e amigo é, também, uma escolha vital e inteligente, com repercussões no presente e na eternidade. Conhecer seu Evangelho e sua vontade para nós, como seres humanos, vivendo uma vida de fato significativa e relevante perante o próximo, deixará boas e profundas marcas, cuja magnitude jamais conseguiremos avaliar no todo.

Escolher valorizar a família e sua preservação em aliança, em amor e em perdão, mesmo com todos os fortes ventos contrários e lutas do caminho, é e será sempre uma escolha sábia, madura e com visão de futuro. Por outro lado, não valorizar a família e os absolutos inegociáveis de Deus – verdade, justiça, dignidade, amor e retidão –, é engano que trará tristeza, ruína e morte.

Escolher fazer o bem e o que é certo aos olhos de Deus, isto é, diante de sua Palavra revelada, do Verbo que se fez carne, do Cristo que se identificou conosco como homem, e com todas as implicações radicais de sua mensagem, será uma escolha correta, fascinante, desafiadora e abençoadora. Não nos arrependamos de fazer o bem e o que é certo para Deus; confirmaremos, assim, que estamos dispostos a amá-lo em primeiro lugar, amando ao próximo como a nós mesmos.

Escolhamos, sempre, os caminhos e valores que promovam a vida! Com nossas boas e corretas escolhas, podemos viver com alegria, esperança, profundidade e rico significado, abençoando aos que nos cercam numa saudável dinâmica comunitária. Assim, alinhamos o que somos e fazemos dentro da missão de implantar o Reino de Deus, ajudando as pessoas a seguirem, servirem e amarem o Mestre e doador da vida.

***


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Fragmentos de uma velha “igreja” que ama o legalismo, as heresias, e ainda é Gospel

Por Antognoni Misael

Primeiro eles pregavam sempre desmascarando a idolatria da Igreja Católica, #só que depois perceberam que havia também muitos ídolos no meio deles.

Depois, uma onda legalista tentou moldar a aparência da igreja, #só que Cristo não agia conforme a estética do homem - o mestre sempre ia no coração e nas intenções, então ir julgar pela aparência deu no que deu...

Mesmo assim eles disseram como era a forma correta de se vestir, #só que então perceberam que tudo acabava em vaidade.

Daí privaram as ‘irmãzinhas’ da maquiagem, corte de cabelo, brinco e calça comprida, #só que a vaidade proibida no vestir sempre era transferida para vícios como novelas, consumismo, senso de superioridade ou até mesmo, inveja.

O legalismo chegou a dizer que jogar futebol era pecado, #só que em época de Copa do Mundo, até o pastorzin proibicionista cantava “voa canarinho voa...”.

Depois eles proibiam alguém de ir a determinado local para não se contaminar com o mundo, #só que então perceberam que o mundo já estava dentro da igreja.

Depois eles baniram da pauta relacionamento e sexualidade a fim de que jovens fossem puros por mero desconhecimento, #só que então viram que a pornografia e o sexo há tempos se instalaram no meio deles.

Depois eles acusaram o rock como um estilo diabólico, #só que posteriormente, para nossa tristeza admitiram o bolero, o brega e por fim, até o pagode.

Depois eles disseram que cinema era do capeta, #só que a grande maioria hoje são cinéfilos e ainda possuem um telão flúor HD, uma Sky recheada de canais HBO, pipoca e muito guaraná.

Depois eles disseram que o vinho da Bíblia não tinha teor alcoólico (era um suco) a fim de proibir o uso pelos fiéis, #só que tempos depois se convenceram que era ‘vinho mesmo’ e voltaram atrás quando leram um trecho na Bíblia que dizia “não vos embriagueis com vinho”.

Depois, para tentar expulsar o “mundanismo” já instalado na igreja, eles sacralizaram o lugar do culto (a igreja) ao afirmarem que Deus só operava naquelas quatro paredes, #só que depois se viram em crise quando leram que Deus não habita mais em templos feito por mãos, mas em gente.

Passada a polêmica do rock no culto, surgiu a ideia de hierarquizar os fiéis, daí para reconquistar, inventaram que os músicos eram levitas, #só que esqueceram que o porteiro também deveria ser, o zelador, etc. e tal...no final, até hoje eles levitam nessa ideia.

Depois de dado privilégios aos “levitas”, continuaram hierarquizando... surgiram os “ungidos”, sobretudo apóstolos, #só que eles não se deram conta de que ainda há gente que lê as escrituras, desmascara e expõe ao ridículo os pseudo-apóstolos -> isto até parece ser um ato de maldade, mas pelo contrário, faz bem e é bíblico!!

Então, se sentindo ameaçados, eles tiraram Cristo do centro do culto, desmotivaram a igreja a ler as Escrituras afirmando que a letra mata e a teologia enterra, #só que esqueceram de que Deus fala través das Escrituras e não das curas, milagres ou depoimentos pessoais.

Outros, já escrachadamente, esconderam a Bíblia, ocultaram Jesus, fizeram sua própria cartilha de fé e puseram uma foto enorme de si mesmos na frente da igreja vendendo curas e milagres, #só que esses vão pagar com a alma, vamos só aguardar o cumprir-se de Mateus 7.15-19.

O outro, bem mais esperto, e por pura persuasão passava (e ainda passa) os seis dias da semana usando a Bíblia nos seus discursos, ganhando espaço na mídia, defendendo a família, a moralidade, mas no sétimo dia trazia um impostor internacional pra liberar unção financeira e cobrar sua “indulgência”, #só que cuidado! esse é muito mala, a muitos enganará ainda...se possível até os escolhidos.

Então, já nos ditames do século XXI, eles transformaram a igreja tradicional em igreja gospel e o resultado foi um estrondo de adesões e “sucessos” nos cultos geridos por shows e manifestações de poder, #só que não perceberam que a “modernidade gospel” continuou expulsando Cristo e a suficiência das Escrituras em detrimento do homem e suas habilidades.

Então voltaram a tentar desembelezar a vida e a dizer que ouvir música do mundo era pecado, #só que onde se encontra a música de Marte, Vênus, Plutão? 

Por isso então eles reinterpretaram a vida entre Deus e o diabo, sagrado e profano, batalha espiritual, teísmo aberto, cobertura espiritual, maldição hereditária, lagoas, vales, sapos, vasos... #só que eles não conhecem a canção que diz “é que o sagrado se tornou hilário” (o resto deu preguiça de cantar...digita essa frase no youtube e escuta lá -> #FICADICA)

Daí, o mercado gospel fez com que a igreja ficasse feliz ao se ver lá na Globo, #só que eles não perceberam que a Globo não queria nem o Evangelho para si e nem tampouco para transmiti-lo ao mundo – aliás, eu ainda me pergunto: mas quando a Globo ouviu do Evangelho? Quem falou dele lá?

Então... a grande maioria continuou enganada (vida de gado, povo marcado, povo feliz...) e continua ainda dizendo que os “crentes” vão ganhar a nação para Cristo, #só que eles parecem idiotas ao ignorarem a lógica do reino, onde estreita é a porta que leva a salvação e onde poucos acertarão (sim, e Marina Silva perdeu  hein– registrado!).

Ainda no meio de tanta confusão, continuaram surgir mais “astros gospel” para fazer festa em meio ao caos e enriquecer em meio a miséria social, #só que livrar a “igreja” da depressão da irrelevância de só ‘inchar, inchar, inchar,’ tornou-se só mais um indício de que ela respira com ajuda de aparelhos – e quem desligará? (sugestões??)

Então meus amigos leitores....veja só, em meio a isso tudo, uma grande minoria ainda se levanta para denunciar todos equívocos, heresias, e irrelevâncias dessa “igreja” que por tantas fases estranhas passou (e ainda passa, por constantemente revisitar cada situação comentada), #só que ela infelizmente ainda ignora a preciosidade do Evangelho, uns por serem idólatras de fato, outros por serem iscas de ratos. Contudo, note, de lá se ouve as seguintes acusações em relação aos subversivos como eu e, quem sabe você:

- de serem divisores do reino

- de tocarem no ungido do Senhor

- de não entenderem que o movimento gospel é parte do avivamento da igreja

- de serem libertinos quanto à cultura

- de não entenderem o poder sobrenatural de Deus

- de serem céticos quanto a curas e milagres

- e, até de serem falsos profetas.

#só que eu não tô nem aí!

Vou continuar a denunciar e a conclamar a necessidade do retorno às Escrituras, a preciosidade do Cristo e a simplicidade do Evangelho. Se é pra rachar, que rache!! Pois o que rachar, não é Igreja, e não era Evangelho!!

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Arte de Chocar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Uma geração de crentes com sede de vingança

Por Ruy Cavalcante

O salmo 23 é um dos textos mais lidos de toda a bíblia. Há irmãos que nunca leram um único livro completo, mas já leram o salmo 23. Há outros que sequer abriram a bíblia noutra página, pois ela permanece na estante, aberta no salmo 23.

É muito fácil explicar a razão por este salmo ser tão lido e querido: Ele nos coloca pra cima, nos dá garantia de conforto em Deus, fala de socorro e prosperidade.

Há também algo bem interessante expresso nesse salmo, algo que inspira canções e influencia boa parte da atual geração de crentes. Ele diz assim:
“Preparas um banquete para mim à vista dos meus inimigos. Tu me honras, ungindo a minha cabeça com óleo e fazendo transbordar o meu cálice”. (Sl 23:5 – NVI)
Obviamente a bíblia não se contradiz e esse texto está perfeitamente em sintonia com seu contexto. Em tempos da Lei, como bem sabemos, imperava a justiça, pois a Lei é justa.

Dessa forma, ao ser ferido, era justo que meu agressor sofresse o mesmo dano. Ele que se exilasse caso desejasse livrar-se da minha justa vingança. Olho por olho, dente por dente.

Além disso, os inimigos de Israel, à medida que esta nação permanecia fiel, eram derrotados pelas mãos de Deus, humilhados e despojados. Nisso tudo a Soberania de Deus era revelada, e era justo.

É disso que fala o salmista. Seus inimigos seriam ridicularizados enquanto ele seria abençoado com um banquete e prosperidade. Nesse contexto, seus inimigos estavam em estado de afronta contra Deus, por se levantarem contra seu povo, e por isso recebiam a justa punição.

Esta questão de “amigos” e “inimigos” de Deus, no AT, é mais complexa que isso, mas tento aqui apenas tornar mais claro o que começo a dizer a partir de agora.

Enfim, com Cristo algo acontece. A misericórdia de Deus que sempre foi perfeita, se apresenta encarnada em Cristo. O justo morrendo pelo pecador. Deus perdoando aqueles que não mereciam perdão, pela sua Graça, de graça, por amor incondicional.

Diz a bíblia que:
“Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos”. (Ef 2:4-5 – NVI)
Entenda bem o que isso significa: Nós, que éramos inimigos de Deus, rebeldes, impuros, amantes de tudo que era contrário a Deus, fomos por Ele perdoados sem que déssemos a mínima para isso! Ele não poupou seu Único Filho para que nós, sendo ainda pecadores, pudéssemos ser perdoados e salvos!

E o que Jesus fala a respeito de nossos inimigos? Ele por acaso ensina que reivindiquemos vingança? Ou que oremos a Deus pedindo juízo? Quem sabe um súplica para que Deus os ridicularize em nossa presença, como vemos ensinado em algumas canções? Bem, para tirar a dúvida, Cristo está com a palavra:
"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês". (Mt 5:43-48 - NVI, grifo meu)
“Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam. Se alguém lhe bater numa face, ofereça-lhe também a outra. Se alguém lhe tirar a capa, não o impeça de tirar-lhe a túnica”. (Lc 6:27-29 - NVI, grifo meu)

Paulo acrescenta:
“Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou”. (Cl 3:13 - NVI, grifo meu)
E como foi que o Senhor nos perdoou? Sem merecimento. Nós não merecíamos o perdão de Deus!

Como pode então agora, em plena Graça, tendo recebido tão grande amor, misericórdia e perdão, nós venhamos desejar a ruína de nossos inimigos? Como podemos agora pedir a Deus que faça vingança, que os ridicularize ou que traga juízo sobre suas cabeças?

Não! Esse não é o espírito do verdadeiro cristão! O cristão perdoa! O cristão suplicada a Deus que tenha misericórdia de quem o ofende!

Que parada é essa de eu estar no palco sendo aplaudido pelos meus inimigos? Que história é essa de Deus preparando uma mesa para mim perante meus inimigos? Estamos loucos? Esquecemos como fomos perdoados?

O mínimo que se espera de qualquer cristão é que ele também perdoe seus ofensores. Foi esta a oração que Jesus nos ensinou, que Deus nos perdoe “Assim como perdoamos nossos inimigos”.

Já imaginou se Deus resolvesse nos perdoar conforme nós perdoamos as outras pessoas? Seriamos fulminados!

Irmão, fuja dessa sede de vingança, isso não condiz com o espírito cristão, pois no final de tudo, considerando todas as coisas, o que nos fará sermos reconhecidos como discípulos de Cristo é o amor que temos pelas outras pessoas (Jo 13:35).

Lembre sempre que nossos inimigos não são as pessoas e peça misericórdia, não juízo, e deseje o bem, não o mal, e busque comunhão, não a afronta.

Que Deus continue tendo misericórdia de todos nós.

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Ruy Cavalcante é acreano herege, teólogo, policial, "sambista", ou seja, é uma mistura perigosa mas cheia de graça de Deus. Edita o blog Intervalo Cristão.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Redirecionando a cosmovisão cristã em um mundo pós-moderno #PODCAST

Fala, cabraiada! Você sabe o que é cosmovisão? Você já ouviu falar que vivemos em tempos pós-modernos? Como podemos passar por esse mundo tão diverso sem corromper a nossa cosmovisão? Então, reunidos na Conferência Mundo, em Guarabira-PB, os cabras, Heder Judson e Ivandro Menezes se reuniram a cabruêra e convocaram Antognoni Misael (A arte de chocar) e o Pb. Jofre Garcia (IPB – Guarabira) para discutir como podemos redirecionar a nossa cosmovisão em um mundo de tantos relativismos. Enfim, dê o play (abaixo) e confira:
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 Fonte: Os Cabra Cast.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Crente, Cristo e a Criatividade

Por Antognoni Misael
A igreja como um organismo vivo, composto por diversas pessoas com diferentes dons e talentos, contém em sua estrutura normal um ambiente propício a criatividade. Embora sendo isso um fator favorável, não nos garante resultados reais na vida comum da igreja.
A contextualização da igreja de Deus é algo imprescindível para o alcance da comunidade, e para isso é necessário fazer-se uso das mais variadas formas de arte – e quando menciono a arte, refiro-me a toda capacidade de improvisar, impressionar e criar.
A Bíblia nos mostra em Gênesis 2.19 que Deus se agradava dos atos criativos de Adão, e com certeza se agrada dos nossos. Sendo assim, advirto aqui a necessidade da igreja institucional abraçar a ideia de incentivos na área da música, teatro, artes plásticas, literatura, quadrinhos, dança, como também na vida pessoal. Estas áreas, embora aparentemente não propondo algo de espiritual, trazem em seu meio a possibilidade de aproximação da igreja com a comunidade, seja em amostras, exposições, e em seu fim, a adoração a Deus em muitos aspectos da vida, e detalhe, com excelência.
Incomoda-me notar obras de arte de boa qualidade em seus aspectos técnicos na arte secular em detrimento de obras medíocres representadas pela arte cristã. Penso que como filhos da redenção deveríamos buscar mais capacidade de expressar nossa criatividade do que os que são apenas filhos da criação.  Acontece que é mais fácil se anular culturalmente e apenas limitar-se em reproduzir o que a Indústria evangélica propõe em termos de “arte”, em troca de investir tempo, estudo, e dedicação a serviço da igreja. “Uma igreja que não cria, anula sua própria identidade e criatividade”.
Quero deixar claro que não refiro somente a criatividade como geradora de um produto de arte, mas também como um “modo de ser” partindo numa perspectiva de constante diálogo com o meio, com próximo e consigo mesmo. Uma pessoa que se empenha, por exemplo, em ser mais criativa lendo um bom livro, assistindo um bom filme, escutando uma boa música, (requisitos estes abalizados em Filipenses 4.8) com certeza terá bons recursos para lidar com a sociedade e glorificará a Deus com sua vida.
Jesus em seu ministério usou muito da criatividade. As palavras mais conhecidas Dele tornaram-se importantes por aquilo que chamamos de técnicas literárias. No Sermão do Monte Ele usou o aforismo (“Onde está o teu tesouro aí estará o teu coração”, Mt 6.21), a anáfora (a repetição de “Bem-aventurados os”, Mt 5.3-11), a metáfora (“Vós sois o sal da terra”, Mt 5.13), a personificação (“O amanhã trará seus cuidados”, Mt 6.34, a analogia (“Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis”, Mt 7.19-20), e a hipérbole (“Hipócrita! Tira Primeiro a trave do teu olho”, Mt 7.5). Claro que Jesus não dependia de técnica alguma, mas mesmo assim, tornando-se homem como nós, fez questão de ser tão humano que se apropriou da criatividade inerente ao meio.
Um organismo criativo gera pessoas melhores em seus aspectos sociais e culturais, gera o engrandecimento do reino em qualidade, em destreza e em habilidade naquilo que executam. Logo, pessoas criativas tornam-se adoradores dinâmicos.
Posso até trazer nesse artigo um pouco de utopia, mas oro para que possamos oferecer a Deus nossa criatividade nas diversas manifestações das artes, nos relacionamentos de família ou com os amigos, nas horas de lazer, no tédio do dia-dia, no ambiente de trabalho, enfim, penso que ser criativo tem tudo haver com ser alegre, contagiante, pensante, inteligente, diferente. Que isso seja uma realidade na nossa igreja.

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Por Antognoni Misael.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Deus não te quer bem, te quer salvo!


Diferentemente de tempos atrás, hoje vemos pessoas "convertidas" (talvez convencidas) e que, logo após sua imersão “nesse” novo universo, logo após experimentar algo nunca antes sentido, seu primeiro comportamento é olhar em volta e buscar aquilo que lhe foi prometido, por quem lhe apresentou “esseevangelho". É muito interessante observarmos isso pelos “olhos” de Lucas 19:8-9, no qual Jesus ratifica a salvação de um homem em prova de dois fatos que também nos confere salvação: fé e arrependimento. Porém, quero ressaltar o fruto disso, uma prova cabal: amor ao próximo. O mesmo homem queria dividir os seus bens. Seria empolgação de um novo convertido ou evidência que aquilo que o interiorizou lhe havia gerado compaixão e amor como resposta?


Não vemos mais “Zaqueus” sendo gerados (além daquela música que quase “estourou” os nossos tímpanos), afinal, na igreja de hoje não há mais espaço para genuína fraternidade. Textos como Tiago 1:27 não são mais o cerne de sermões nos dias de domingo. Outrora, lugar de revelação da palavra de Deus, pela pregação expositiva, agora é palco do milagre chantagista e da benção gananciosa.


Neste texto quero me ater a um assunto que muito me intriga em especial:riquezas. Boas ou más? Algo mudou? Qual a diferença do rico do antigo testamento para o do novo testamento? Por que é tão procurada nesses dias?


Deus não tem deleite no sofrimento de ninguém, menos ainda em ver o hedonista indo ao inferno. Entretanto, Ele não tem pena de nós. Ele nos enviará como ovelhas a lobos. Alguém com a visão do “todo” não se limita ao momento. Ou será que você se acha mais amado que os discípulos e apóstolos que foram mortos e torturados? E a grande minúcia é que eles não estavam cuidando de suas vidas, não estavam fazendo nada para si. Mas, conosco seria diferente, pois quando algo nos acontece de ruim é porque estamos em pecado ou não demos dinheiro suficiente. Ele não nos promete vida nessa vida!


Em estudos, comparando as bênçãos e riquezas do A.T com N.T, vejo não um Deus com duas personalidades, mas sim com dois propósitos diferentes. Se “torcermos” o evangelho sairá um “suco” de amor ao próximo adoçado com não acumuleis riquezas. Em um novo tempo estamos. Não precisamos nos diferenciar das demais nações em exaltação como foi com Israel.


O Deus, outrora glorificado em seu povo grande e imponente, hoje é muito mais glorificado na renúncia à glória, ao dinheiro e ao conforto, para que outros possam conhecê-Lo. Aquele era um tempo onde não havia a necessidade de expedir missionários, ou de levar uma mensagem, pois o povo de Deus era aquele, separado e único. Agora somos nós, todos nós, do imenso planeta Terra, a sermos alcançados, e isso demanda o dinheiro que dá o luxo a alguns.


Em vista da miragem que essa estória de renúncia financeira é para alguns, qual será o seu pretexto em alcançar as riquezas deste mundo? Se Jesus teve a intenção de dizer o que realmente Ele disse, porque muitos estão querendo empurrar o camelo no fundo da agulha?


É evidente o escândalo abrolhado na igreja pelo amor ao dinheiro em nossos dias. Os homens mais ricos do país são pastores, e sim, são mesmo estes a quem lhes é dito em Timóteo, que se tiverdes o que comer e com que se vestir estejais contentes.


Continuando: "Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição"(Tm 6:9). Será cegueira ou falta de vergonha? Embora não seja impossível (nada é impossível para Deus),com toda certeza ser salvo se torna muito mais difícil sendo rico.


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 O autor do texto é Natan Viana Mota. Obrigado mano. Muito abençoador este seu texto.


O essencial é invisível aos olhos, portanto, às vezes o rico é o pobre, e quiçá, o pobre seja o rico. E neste caleidoscópio humano entre lemas e dilemas, a maior riqueza reservada ao homem é a Salvação.

segunda-feira, 17 de março de 2014

NORMALMENTE DIFERENTES E DIFERENTEMENTE NORMAIS

Quem é diferente e quem é normal? Esta pergunta deve passar pela cabeça de muita gente. Muitos se perguntam: – Eu sou normal ou sou diferente?

Normalmente quando se encontra com alguém que (aparentemente) é diferente de nós, chega-se a conclusão que somos normais e o outro é diferente. Muitas vezes consideramos o outro diferente sem compara-lo às outras pessoas, mas simplesmente por comparar esta pessoa com a gente mesmo.

É muito comum esta análise ser feita com superficialidade, pois geralmente não se conhece a pessoa a fundo e tira-se conclusões precipitadas baseadas na aparência ou no “jeito” da pessoa.

Mas afinal, quem define o que é normal e o que é diferente? Normal em relação a quê? E diferente em relação a quem?

Todo ser humano é diferente um do outro. Cada ser humano é único. Uma pessoa tem sua impressão digital e mais ninguém durante toda a história da humanidade terá igual.

No final das contas somos todos diferentes um dos outros. Podemos nos vestir parecidos, termos ideias e filosofias de vidas semelhantes, termos temperamentos equivalentes e etc, mas nunca seremos exatamente iguais uns aos outros. Nem irmãos e irmãs gêmeos os são.

Quando analisamos pessoas que são diferentes de nós por causa de um piercing, tatuagem, cabelo, terno e gravata, maquiagem e etc é preciso tomar cuidado para não julgarmos o caráter e quem de fato a pessoa é. A aparência de alguém pode dizer muito sobre a pessoa, mas não a define como um ser. Ser alguém é muito mais que seu visual, pois existe uma mentalidade, sentimentos e características que muitas vezes nem nós mesmos nos conhecemos profundamente.

As vezes o comportamento “esquisito” de alguém, o jeito de falar e outras coisas deste tipo faz com que nos afastemos das pessoas por considerar a pessoa “diferente” e concluir que a pessoa não é “normal” como você. Perdemos oportunidades incríveis de conhecer pessoas que poderiam muito bem fazer parte do nosso ciclo de amizade por fazer julgamentos precipitados e preconceituosos em relação ao outro.

Claro que devemos nos preocupar com nossa segurança, com más influências, com pessoas vazias que não acrescentam muito, mas nunca descarta-las. Gente não é descartável. Gente é o bem mais precioso neste mundo físico. Não deixemos nos levar por definições rasas para concluir quem é diferente e quem é normal para conviver comigo, pois no final todos somos NORMALMENTE DIFERENTES E DIFERENTEMENTE NORMAIS.

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O texto é de Mateus Feliciano, que é Graduado em Administração, Bacharel em Teologia (Faculdade Teológica Batista de Campinas) e Coordenador da Seara Urbana (recuperação de moradores de rua), e escreve no Blog Pólis Centro.

quinta-feira, 13 de março de 2014

A INVENÇÃO DA JUVENTUDE

polis1Houve um tempo em que não existiam jovens. Existiam, evidentemente, pessoas na faixa dos 15 aos 30 anos de idade, mas elas não se viam como um grupo que compartilhava valores, códigos de conduta, vestimentas ou dialetos diferentes do restante da sociedade. Nesse tempo, que se estendeu até o final da Segunda Guerra Mundial, a infância era mais longa, interrompida por uma brusca entrada na vida adulta. As meninas eram meninas – ou seja, brincavam de bonecas – até os quinze anos, quando debutavam e começavam a espera, por vezes exasperadora, do pretendente com o qual se casariam. As filhas de famílias de classe média iam cursar a Escola Normal, onde aprimoravam seus dotes de futuras esposas e mães. Os garotos tinham infância um pouco mais longa: os folguedos podiam durar até os dezessete anos, quando a necessidade os empurrava para a rua, para aprenderem uma profissão e ajudar no sustento da casa. Aos mais ricos, que ingressavam nas faculdades, era permitido adiar um pouco mais a entrada no mundo do trabalho.


Essa etapa entre a infância e a adultice – a espera matrimonial das moças, a formação profissional dos rapazes – não era uma “juventude” no sentido que uso aqui, isto é, uma fase diferenciada da vida, durante a qual se compartilha valores, condutas, modas etc., diferentes dos adultos e crianças. O que todos queriam era abreviar, e não prolongar essa fase. Não havia qualquer prazer em ser jovem. A inexperiência era um martírio, motivo de escárnio para os mais velhos. Nos anos 1900, na Bolsa de Café de São Paulo, por exemplo, ridicularizava-se os rapazes que não exibissem vastos bigodes, símbolo de virilidade na Belle Époque. O que os moços e moças mais desejavam era serem valorizados e respeitados, o que só ocorreria com casamento, filhos, experiência profissional e diploma. Os jovens se preparavam arduamente para serem aceitos no mundo dos adultos, e nisso se resumia a juventude.


Tudo isso mudou no pós-guerra. Nos países ricos e, entre nós, nas famílias de classe média e alta das grandes cidades, surgiram condutas, modas, músicas, enfim, um universo de referências culturais identificadas à juventude. Nos Estados Unidos, graças à prosperidade econômica e ao costume dos empregos temporários, os jovens passaram a dispor de mais dinheiro, o que se traduziu na formação de nichos de consumo específicos para essa faixa etária. O nascimento dorock and roll, entre 1951 e 1952, exemplifica bem esse novo comportamento. Naqueles anos, garotos e garotas começaram a sintonizar rádios independentes de rythm and blues negro, a comprar discos desse gênero e a dançá-los, utilizando-se das coreografias do boogie woogie. Artistas como Fats Domino, Chuck Berry e Little Richard logo perceberam que o ritmo e o hedonismo da música negra era o que mais agradava os jovens. Por intermédio de pequenas gravadoras, lançaram composições que fundiam o rythm and blues ao country. Esse novo estilo, batizado de rock and roll, tornou-se um estrondoso sucesso e pegou de surpresa a grande indústria fonográfica. Pela primeira vez, os adolescentes ouviam um tipo de música diferente do que os seus pais gostavam.


Junto com a música, vieram o cinema e a moda. Hollywood logo percebeu que a juventude era um novo filão de consumo, e Juventude Transviada estreou em 1955, com James Dean interpretando Jim Stark, um rebelde agressivo que esbanjava charme e apelo sexual. Marlon Brando, em O Selvagem, lançado no mesmo ano, viveu um jovem líder de uma gangue de motociclistas, vestindo camiseta justa e jaqueta de couro. Dean e Brando tornaram-se os modelos daquela geração: o comportamento rebelde, agressivo e sensual de seus personagens era imitado pelos garotos e arrancava suspiros das moças. Nessa época, formaram-se violentas gangues de jovens em quase todas as grandes cidades do mundo, montados em motonetas scooters e trajando a moda rockabilly: camisetas, jaquetas de couro, calças jeans, costeletas e longos topetes.


Inventava-se, assim, a juventude, identificada pelo comportamento transgressor, pela gíria, pela vestimenta, pela música. Os adolescentes, em qualquer cultura e época, constroem suas identidades ao rejeitar a condição de crianças e romper, às vezes intempestivamente, os vínculos que os mantêm unidos aos pais. A novidade histórica dos anos do pós-guerra foi associar, a essa atitude essencialmente juvenil, dois ingredientes: a idéia de liberdade individual e o consumo. A relação entre esses elementos foi dialética, como diriam os hegelianos e marxistas. A idéia de liberdade como livre arbítrio, herdada das Luzes e fundamental para a concepção ocidental de democracia, foi transformada pelos jovens rebeldes em liberdade para escolher ser diferente dos pais, professores, padres, ou seja, dos adultos. Isso implicava no consumo de bens – músicas, roupas, adereços, filmes, drogas – capazes de defini-los como membros de um grupo que lhes emprestava identidade e, portanto, reforçava a sensação de liberdade.


Hoje, uma das idéias centrais de nossa cultura é a obsessão pela juventude. A infância foi encurtada, pois meninos e meninas querem deixar de ser crianças cada vez mais cedo. A adultice é cada vez mais postergada, pois os adultos relutam em assumi-la e querem permanecer jovens por mais tempo. Se, antes, a juventude era apenas mais um nicho de consumo, hoje se tornou o eixo quase único a orientar a produção da música, moda, cinema e outros.


Via.


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O texto é de Livan Chiroma, que é Comunicólogo, Teólogo e Antropologia Cultural (graduando-Unicamp). Mestre em Ciências da Religião. Áreas: Antropologia, Sociedade, Cultura, Mídia e Religião.


Fonte: Polis Centro.

sábado, 18 de janeiro de 2014

5 Razões Por Que Não Faz Sentido Viver para Acumular Riquezas

riqueza0100409A ambição move as pessoas do mundo. O mercado é o Deus para muitos, que sacrificam até mesmo os relacionamentos nos seus alteres. Famílias abandadonas, casamentos arruinados e filhos órfãos de pais vivos. O alvo da vida de muitos é somente adquirir bens, e por causa disto sacrificam todo o resto de suas vidas. Eles servem ao dinheiro, ao invés de usá-lo para satisfazer as necessidades.


Sabe por que é uma tolice viver a vida toda correndo e se sacrificando para ter riquezas nesse mundo? O homem mais sábio do mundo irá nos ajudar, pois também empreendeu esforços para encontrar significado nas riquezas, assim como no trabalho, nos prazeres e na sabedoria. Ouça o que o velho e atual Salomão tem a nos dizer, tendo sempre em mente a sua famosa máxima "tudo é vaidade".


Aqui estão 5 motivos (Ec. 5.10-17):


01. Os nossos desejos e nossas ambições são ilimitadas, de modo que JAMAIS teremos o suficiente. Sempre estaremos frustados apesar de todos os esforços. Não há satisfação.


02. A alegria de possuir as coisas é pequena comparada aos transtorno de tê-las, pois quanto mais riquezas, mais pessoas irão nos rodear para usufruí-las. Não a alegria.


03. O trabalhador simples pode descansar, mas o rico está sempre com medo de perder seus preciosos bens. Ele mal dorme, pois nunca tem paz. Não há paz.


04. Toda a riqueza adquirida a duras penas pode ser perdida em poucos dias, em apenas um mal negócio ou investimento. Não há segurança.


05. E a pior questão de todas: pra onde vamos, não levaremos nada disso. Tudo que não é eterno torna-se inútil diante da morte. Não há valor eterno!


No fim das contas, as riquezas não irão satisfazer nossas necessidades, seja a alegria, a paz, segurança e etc. É preciso fugir desta armadilha. A cobiça é um caminho de morte. Abandone este modo de vida insano enquanto é tempo!


Que Cristo seja sua maior riqueza, e o alvo de todos os seus esforços seja agradá-lo.


Somente Nele temos a real satisfação, alegria, paz, segurança e valores eternos!


Que o Senhor nos ajude a afastar de nós a mentalidade mundana que nos leva a cobiça as riquezas e os bens supérfluos, nos afadigando por coisas inúteis. Sofrendo a toa, desperdiçando nossa vida na cobiça e no consumismo.


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Rodrigo Ribeiro é advogado, estudante de Teologia, e lá da serra da borborema (Campina Grande-PB) escreve na UMP da Quarta.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Sofrimento - o legado de todo cristão

Sofrimento-01Já nascemos com uma condição certa, o sofrimento. “Tristeza não tem fim, felicidade sim”, disse o poeta Vinícius de Morais, e com sua parcela de razão.


O sofrimento é a humilhação que o pecado nos legou. Sofrimentos psicológicos, físicos e existenciais... Sofrer é algo que o tempo nos ensina, é algo que o corpo sente na pele, no cabelo, nas mãos, nas rugas, nas juntas, nos músculos, no coração...


Os mais estimados filósofos da história fizeram caso dele em busca de uma razão para o existir. Soren Kierkegaard (1813-1855) dizia que a “angústia era a vertigem da liberdade”, isto é, pensar a liberdade humana e a capacidade de fazer escolhas já traria consigo a penumbra do sofrimento presente no pensamento. Que coisa hein?! O fato de lidar com decisões, por mais simples fossem, já gerava um sofrimento para o pensador.


Renato Russo, poeta do rock nacional que marcou a década de 80, também fez caso da dor e contribuiu com a certeza de que todos nós sofremos, em níveis diferenciados, na caminhada do existir.


Mas o maior exemplo de sofrimento humano encontramos em Cristo! Ali temos o exemplo máximo de sofrimento psicológico, físico e espiritual. Psicológico porque ser carpinteiro desde pequeno lidando com pregos, martelo e madeira certamente gerou um drama para um jovem que sabia que iria morrer numa cruz; físico porque os açoites e a crucificação nos revelam um sofrimento sem tamanho para qualquer humano; e espiritual porque sobre ele estavam todos os pecados dos homens.


"Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos." [Isaías 53:4-6]


O maior sofrimento que o homem pode ter nesta vida não está relacionado as suas emoções ou aspectos físicos, mas sim a sua condição espiritual. Estar desconectado de Deus é a pior sensação que o homem pode sentir.


Nos últimos dias de sua existência Renato Russo escreveu “Me fale do sagrado coração porque eu preciso de ajuda”. A sua alma implorava por alívio.




[caption id="attachment_4762" align="alignright" width="200"]c-s-lewis “O sofrimento é o megafone de Deus para um mundo ensurdecido.”
―C. S. Lewis[/caption]

A realidade do século XXI nos apresenta esse quadro: pessoas supridas materialmente, abastecidas em seus laços afetivo-emocionais, porém vagando pelas vielas desta sociedade hedônica e consumista como zumbis existenciais. – “Eles precisam de ajuda; eles precisam saber da VERDADE”! Grita a minha alma em relação ao mundo que observo. Pessoas buscam constantemente fugas, seja nas drogas, no entretenimento e até na religião.


Mas, sofrimento não é só legado do mundo. É legado também da igreja! Se por um lado estamos aliviados das cargas do pecado, e reconciliados em Cristo, ainda temos um caminho estreito a trilhar, pois tomar a Cruz de Cristo significa estar disposto e disponível para andar os passos do mestre. Por isso nossos sofrimentos, sejam físicos, psicológicos, ou de qualquer ordem humana tem um objetivo central: nos identificarmos com Cristo. Glórias a Deus por isso!


A medida que perecemos em corpo, nos regozijamos em saber que teremos um corpo glorificado; a medida que nos frustramos com os nossos sonhos, sabemos que nada se compara ao que Ele preparou para nós; a medida que perdemos a nossa vida em detrimento das glórias deste mundo, nos achamos em Jesus, sendo abraçados por Ele.


Definitivamente, os breves tempos de aflições não podem se comparar com a glória que há de ser em nós revelada!(Rm 8.18)


Pode até soar herético, mas não é querido leitor: “Sofrer também é nossa sina, pois até nele a glória de Deus é revelada!"


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Antognoni Misael, vascaíno sofredor, que pilota o Arte de Chocar e Púlpito Cristão.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Os assassinos da Graça

Por Antognoni Misael

Queria falar um pouco sobre a Graça de Deus e a nossa infeliz tradição legalista religiosa.

A primeira coisa que venho afirmar com plena convicção é que os nossos compartimentos relacionados a tradição, fé e graça parecem ainda estarem confusos, obsoletos, e necessitam sim, entrar na pauta de uma reformalização urgente.

Por que será que é bem mais fácil demarcar cercas na vida do cristão do que ensiná-lo a liberdade em Cristo Jesus? “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Permaneceis, pois, firmes, e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”. (Gálatas 5.1)

Enquanto a liberdade de Cristo está disponível a todos que desejam recebê-la, há muitos agentes do diabo escondendo as cartas de alforrias para seus fieis e os submetendo a um novo jugo de escravidão.

A tradição pesa em nosso desfavor. Vejam só:

- quem nunca ouviu há décadas atrás que televisão era a uma janela do inferno dentro de casa; que mulher de brinco e calça jeans era uma espécie de Jezabel?

- que, crente que usasse bermuda poderia ficar caso Cristo voltasse?

- que jogar futebol era uma atividade profana e que os anjos poderiam ver aquilo e tentar fazer o mesmo no céu?

- que ouvir canção secular era uma porta de entrada para o capeta?

- que ir a praia e curtir o verão era uma prática carnal?

- que tomar uma taça de vinho ou um shop gelado com os amigos era um costume dos escarnecedores?

- que tocar rock no louvor era um culto ao diabo?

- que galinha pintadinha é coisa do capiroto?

E por aí vai tantas e tantas restrições...

Onde estão estes demarcadores hoje? Será se não estão fabricando novas listas de proibições?

Note que por muito tempo se pregou (e infelizmente ainda se prega) o Evangelho de condenação, e não das Boas Novas; se ensinou mais o que não podemos fazer do que o que pode ser salutar e viável para o bom desenvolvimento da vida do cristão, principalmente em seu aspecto humano, social e cultural. Neste sentido, diga-me se não é mais confortável reconstruir regras e demonizar coisas, do que descobrir os panos da religião e proclamar o Evangelho da Cruz?

É bárbaro notar como a "Lei" retorna em formatos modernos!

O perigo de toda essa inversão é que ao invés de se estar instalando o Reino de Deus na terra, esteja se fincando mais uma bandeira religiosa em solo azul anil.

Precisamos repensar muita coisa e a partir dos nossos cenários locais (igreja e comunidades), proclamarmos a Graça, a Cruz, e mais do que isso, lutarmos pela verdadeira liberdade conquistada em Cristo sem dicotomias nem cosmovisão segmentada. Cristo é para toda a vida, e o Evangelho é para a vida toda!

Chega de listas! Chega de Lei disfarçada de novas recomendações, quase sempre impossíveis de serem cumpridas em sua totalidade! Chega de líderes idiotas e crentes idiotizados!

Atente-me! Não estou abrindo a porta para a libertinagem cristã. Estou defendendo que é muito mais importante as orientações para o bom uso da 'chave da vida' do que a construção da porta para o legalismo. Há riscos de que haja más interpretações? Sim claro! Sempre haverá riscos. Mas, não tenhamos dúvida, bem melhor são as quedas no andaime da Graça do que a construção do prédio da religiosidade.

"Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" Rm 6:1-2

Em sua obra “O Despertar da Graça”, o autor Charles R. Swindoll relata a dramática luta pela liberdade dos negros em solo norte-americano no século XIX, o pior derramamento de sangue ocorrido naquela nação. Em um dos capítulos Swindoll compara a luta pela liberdade nacional com a luta pela liberdade de viver a Graça de Deus, libertos do pecado e da culpa pelo pecado. Naquele enredo, o mais triste é que, findada a guerra e a liberdade proclamada, muitos dos donos de escravos inescrupulosamente não repassaram a alforria aos seus servos e os mantiveram por muitos anos sob suas algemas. Comparar esses donos de escravos com alguns ditos crentes de hoje não é nada desconexo! Estes odeiam a Graça de Deus e amam a Lei! Geralmente são aqueles crentes fissurados na teoria que o filósofo Foucaul bem explana -“vigiar e punir” - em prol de suas auto glorificações.

Certa vez, C. S. Lewis Johnson escreveu um artigo intitulado “A paralisia do legalismo”, neste texto ele põe o dedo na ferida:
"Um dos problemas mais sérios que atinge a igreja ortodoxa cristã hoje é a questão do legalismo. Um dos mais sérios problemas que atingia a igreja nos dias de Paulo era o problema do legalismo. Em ambos os momentos ele é o mesmo. O legalismo arranca do crente a alegria do Senhor e, justamente com a alegria do Senhor, sai também seu poder para uma adoração vital e um culto vibrante. Nada é deixado de lado, a não ser uma declaração limitada, sombria, melancólica e apática. A verdade é traída e o glorioso nome do Senhor torna-se sinônimo de um soturno desmancha-prazeres. O cristão debaixo da lei é uma horrível paródia do original."

Fujamos dos assassinos da Graça. Eles são perigosíssimos.

"E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão" Gl 2:4

Eles adoram expiar a vida alheia, saber sobre o que fazemos, por onde passamos, o que comemos, com quem andamos...

Aos que circunstancialmente vestem-se desta capa, tenhamos paciência, e com amor e brandura falemos sobre a mais bela carta de alforria escrita por Jesus Cristo naquela Cruz.

Soli Deo Gloria.

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Antognoni Misael, mais livre do que nunca, na medida em que torno-me preso ao perdão e graça de Jesus.

sábado, 7 de setembro de 2013

O Senhor do Tempo


Mestre, me veja menino
Deixa-me correr com Teus pequeninos
Mestre, de rosto amigável, de sorriso largo, de sereno olhar
Eu fui a Ti criança e me recebeste de braços abertos
Que estranha distância agora
Senhor, lembra do menino que eu fui outrora

Mestre, lembro que eu buscava
E me derramava, choro adolescente
Lembro daquele caderno onde eu anotava minhas orações
Jovem busquei a Ti, o refúgio certo para um moço aflito
Que estranha distância agora
Senhor, lembra do rapaz que eu fui outrora

Mestre, estou bem mais velho
E o amor que eu tinha, onde foi parar?
Mestre, fala a esse homem, que se emocione, vá recomeçar
Faz-me correr e assim retornar ligeiro ao primeiro amor
Deixa-me ver novamente o meu nome
Escrito nas santas mãos do Senhor do Tempo

[O Senhor do Tempo - Stênio Március]

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Há 16 anos atrás Deus me encontrou. Ali começava uma nova vida, ainda menino, 14 anos. Tantas noites lendo a Bíblia, ouvindo canções, e curtindo todos os êxtases  que a vida cristã em comunidade me presenteava. Não havia tantas confusões... Tudo parecia um reflexo da eternidade. Hoje, um pouco mais velho, já trazendo algumas marcas e feridas, penso, ás vezes até angustiado, sobre tudo que vivi - que tempos bons...


A canção de Stênio me remoeu a alma quando disse: "Mestre, estou bem mais velho, e o amor que eu tinha, onde foi parar"?


Só tenho algo a confessar: 'Mestre, me ajuda a te amar, porque sou fraco, pecador e dependente de Ti. Não te amar, me dói, me mata'.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

COMO VOCÊ REPRESENTA CRISTO NO FACEBOOK?


Interessante de se pensar, quando se fala de facebook, é que ele é um meio incrível de comunicação que temos hoje em dia. Mantemos contato com todo o mundo através dele. E assim como diversas outras coisas, ele tem o seu lado bom e o seu lado ruim. O bom é que podemos exaltar o nome de Cristo através dele. O ruim é que, não só, podemos não exaltar o nome de Cristo através dele, como também envergonhar o evangelho ao fazermos seu uso de forma inadequada.


Este vídeo vem a nos fazer refletir em como estamos lidando com este mundo moderno. Além de tudo que o Tim Conway aborda, ele faz-nos pensar se estamos firmes e fortes no Autor e Consumador da nossa fé, ou se estamos sendo levado pelo mundo e suas tecnologias. Temos uma oportunidade incrível de, pela graça de Deus, influenciarmos um grande número de pessoas que se encontram em nossas redes sociais. Podemos propagar o evangelho a diversas partes do mundo! Mas também, pode acontecer o que frequentemente tem acontecido, sermos simplesmente envolvidos de tal forma que o nosso facebook sirva tão somente para ver a vida dos outros, passar o tempo com algum joguinho, termos conversas sem foco, enfim, está lá só pra se sentir englobado pela sociedade, o famoso, “não ficar de fora”.


A palavra de Deus nos convoca a resplandecer neste mundo de trevas: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mt.5:16)


Que o Senhor encontre graça e misericórdia em nós. Que representemos nosso Senhor Jesus Cristo! Que orando sem cessar (1 Ts 5:17) venhamos a manter um verdadeiro diálogo com Deus, para que em todas as nossas ações e em todos os mínimos detalhes de nossas vidas, possamos está exaltando o nome do nosso Deus!


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Texto de Rhadamés Moura, postado no blog da UMP – Guarabira.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A Última “Autoajuda”

auto-ajudaPorque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;


Pois é, esse tempo citado em 2 Timóteo 4:3 chegou. E não é de hoje que cristãos tem dado ouvidos ao entendimento corrompido humano e se deixado levar por esses famosos “passos para a felicidade”; dez fórmulas para o sucesso, vinte e cinco passos para a riqueza, cinquenta e duas maneiras de dizer não, duzentos e setenta e cinco regras para..., um milhão, quinhentos e trinta e sete formas de... e por aí vai... pessoas até bem certas de sua fé, mas que não estão se dando conta de que não tem atentado para a mesma.


Mas qual o problema que há nisso? Será que essas buscas interferem na minha vida cristã? Existe algum problema em buscar soluções em livros de autoajuda? Deus não falaria comigo através dessas mensagens? Será que eu não conseguiria melhorar a autoestima, confiando mais em mim e conquistando um futuro brilhante? Não é a vontade do Pai que eu acredite na minha capacidade e obtenha crescimento?


Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.
Provérbios 3:5


Acho que poderíamos parar por aqui e o entendimento seria claro, o versículo acima faz a gente baixar a cabeça e refletir um pouco sozinho, não é verdade?! Mas tentarei destrinchar um pouco mais a respeito do mal que há na autoajuda.


Autoajuda = Prática baseada na utilização de seus próprios meios intelectuais para obter seus objetivos, metas ou solucionar problemas de cunho emocional, pessoal ou psicológico.


Entenda, a busca dessa autoajuda é uma forma de adquirir confiança, acreditar que você pode, acreditar na sua capacidade de conquistar seus objetivos e extrair o máximo de você em prol de você mesmo, certo?! E pra muitos, até aí não há problema nenhum, mas o problema está exatamente em não enxergar o problema que há aí.


Nós cristãos sabemos da nossa total dependência do nosso Deus, sabemos que um fio do nosso cabelo não cai se não for Sua permissão e sabemos que Ele nos conduz os passos acima de nossos planos. Por que raios querer confiar na nossa capacidade?


O coração do homem propõe o seu caminho; mas o Senhor lhe dirige os passos.
Provérbios 16:9


Geralmente a autoajuda é buscada quando se tem medo de errar, quando se quer acreditar que dentro de você existe uma capacidade que você não encontrou ainda, mas o mal que isso traz é fazer você ter essa autoconfiança e querer tomar as rédias da sua vida, é fazer você achar que consegue se virar sozinho, agir com suas próprias pernas e você sabe que não é assim.


O receio do homem lhe arma laços; mas o que confia no Senhor está seguro. Provérbios 29:25
Então é isso: Entenda que Deus é quem tem a direção certa pra sua vida, o mento certo e da forma certa também, coloque seus planos e sonhos diante de Deus em oração, não tome atitudes pra definir seu futuro sem a orientação do Pai


Aí vai sua última “autoajuda”:


Um passo para a solução de todos os seus problemas:


CONFIE! CONFIE SIM! MAS EM DEUS, NÃO NA SUA CAPACIDADE.


Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.Salmos 37:5


Deus o abençoe!


[Por Karlla Chiristina]

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Fonte: Ump da Quarta.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A Cerveja, o Whisky, o Garçom e o Músico

por Augusto Guedes

Num vôo para Recife-PE, numa das mais recentes idas para rever a família nesses muitos anos de residência em Fortaleza-CE, encontrei no avião um grupo de músicos com seus cases de instrumentos, malas e mochilas. Dentre eles, um músico cristão. Ou será que devemos chamar de... um cristão músico?

Era a banda de um cantor famoso nacional e talvez internacionalmente. Logo começamos a conversar, pois ele sentou na poltrona ao meu lado, do outro lado do corredor, e, embora não nos conhecêssemos pessoalmente, tínhamos amigos comuns e até já ouvíramos falar um do outro. Da conversa, uma experiência vivenciada por ele ficou registrada em minha mente como história a ser recontada face realidades que parecem não deixar de permear a relação desses profissionais com muitos dos cristãos que também compõem a igreja.

Era noite de festa, daquelas, tipo formatura, casamento, enfim, celebração. A primeira banda estava no final da sua parte, e ele, juntamente com os seus companheiros, assumiria o baile a partir da meia-noite. Enquanto esperava na lateral do palco, um garçom se aproximou dele e lhe ofereceu “uma cerveja”. – “Não, obrigado!” Disse ele! A música continuou, a festa continuou, e depois de algum tempo o mesmo garçom lhe retornou... “E Whisky, deseja? – Não, obrigado!” Novamente o músico respondeu. Foi quando surgiu a pergunta: “Você é evangélico?” Ele respondeu: “Sou cristão!” – “De que igreja?” perguntou o garçom. O músico, então, respondeu participar de uma denominação evangélica bem conhecida em nosso país. A partir daí, o semblante e a presteza do garçom mudaram ‘da água para o vinho’ ou “do vinho para a água’ - talvez por ser a sua mesma denominação - e ele perguntou: “Então, o que você está fazendo aqui?” De imediato, a resposta do músico foi... “Vim trabalhar.” O garçom, indignado, afirmou prontamente: “Isso não é trabalho para um cristão! Vai tocar a noite toda para os outros dançarem!”

Essa história por si só já se explica e ensina, no entanto, por ser um assunto tão recorrente nas perguntas que surgem sobre músicos, vida cristã, e suas relações com profissão e “igreja”, nos congressos e palestras de “adoração” e afins, que é melhor caminhar um pouco mais, pois certamente, infelizmente o assunto, para muitos, ainda não está bem resolvido.

Embora alguns nem acreditem, esse não é um posicionamento tão incomum em relação aos cristãos que têm por profissão a música e a exercem atuando em restaurantes, bares ou confraternizações, as mais diversas.

Talvez não seja comum um diálogo como esse, afinal, não é todo dia que um irmão garçom encontra um irmão músico, ambos no exercício das suas profissões e travam esse tipo de diálogo, embora comumente encontremos cristãos se debatendo por causa dos irmãos artistas, principalmente músicos, que exercem as suas profissões ‘na noite’, aliás, na maioria das vezes num tipo de conversa desprovida ‘da graça’ e que acontece muito mais no ambiente do local chamado “igreja” do que nos tidos como “não aconselháveis” para um cristão.

Assim, creio que vale a pena evoluirmos um pouco mais, talvez respondendo franca e responsavelmente para nós mesmos a algumas poucas perguntas:

Será que todos os cristãos músicos profissionais estão preparados para exercerem sua profissão sem se contaminarem com o mal, ou com “as coisas desse mundo”?

Conheço músicos que foram alcançados pelo evangelho, em grande parte, pelo testemunho de companheiros músicos cristãos atuando profissionalmente nos mais diversos locais, influenciando-os positivamente por meio de vidas pautadas por princípios cristãos. Também conheço músicos cristãos que se profissionalizaram e influenciaram negativamente outros músicos, assim como outras pessoas, muitas vezes até da própria igreja. Aí eu me pergunto... Mas isso não é passível de acontecer com todos nós, independente das nossas profissões? Em todas as nossas atividades da vida, e também profissionais, sempre estaremos sujeitos ao risco de tomarmos “a forma do mundo”. Precisamos estar sempre alertas, a fim de “não nos conformarmos com este mundo, mas buscando sempre renovar a nossa mente”, como aconselha Paulo, o Apóstolo, a todos nós, e não apenas aos músicos profissionais que tocam “na noite”. Afinal, o texto de Romanos 12 certamente não inicia com... “Rogo-vos, pois, ‘músicos’, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus...”. Claro que não é assim!

Ah, tá! Talvez o problema esteja “na noite”, ou seja, no turno de trabalho. Mas, então, o que vamos fazer com os taxistas, os médicos, os garçons, os enfermeiros, os pilotos, os policiais, os vigilantes, e tantos outros profissionais que exercem profissões, muitas vezes no turno da noite? Se o problema está no horário de trabalho, e se queremos tratar com justiça, ou pelo menos lógica, seria, então, proibido para o pastor profissional, aquele que é sustentado financeiramente pela igreja, atuar no turno da noite? Jamais estes poderão participar de vigílias em “suas” igrejas?

Claro que não! Claro que não é assim! Talvez o que aflija os corações seja o “ambiente de trabalho” juntamente com “a aparência do mal”. Então, o que vamos fazer com os nossos cristãos advogados que convivem com um sistema judiciário injusto em tantos momentos e situações? Ou com os nossos cristãos funcionários públicos em meio à cultura de ganhar sem produzir e, muitas vezes, sem trabalhar? Ou, ainda, com os cristãos educadores físicos que atuam em tantas academias onde a ênfase maior está no culto ao corpo? Ou com tantas outras práticas certamente não condizentes com o evangelho, mas não tidas como ‘aparência do mal’, sendo o próprio mal com cara de bem. E o que dizer dos policiais, dos políticos ou de tantos outros profissionais a quem a igreja não impõe um padrão de comportamento como faz aos músicos? O que vamos fazer com todos aqueles que se não copiassem as músicas dos cristãos músicos e nem comprassem CDs e DVDs piratas talvez estivessem contribuindo para eles, músicos, estarem talvez uma noite a mais em casa com a sua família, pais, esposas, filhos e filhas?

Será que a igreja (as pessoas) está pronta a reconhecer a profissão do músico como adequada para um cristão?

Lembro da história, como tantas outras que certamente existem, de um músico profissional que se converteu ao evangelho e foi orientado a deixar de tocar onde atuava antes, para “agora trabalhar apenas para o Senhor”. Na cidade do Recife havia poucos bateristas no meio chamado evangélico, o que poderia representar uma oportunidade, tanto para ele como profissional, quanto para a igreja pelo fato de ter alguém competente acima da média da época na atividade. No entanto, a bateria ainda não era um instrumento bem aceito no meio, sobretudo das igrejas históricas. Sua saída foi passar a tocar num grupo chamado “Embaixadores de Sião”, atuando principalmente junto à igreja pentecostal da época, que vale a pena salientar, era bem diferente da dos dias atuais, sustentado na ocasião por um homem rico que bancava toda a produção, desde o micro-ônibus e equipamentos, às gravações e os salários. Felizmente para aquele músico surgiu essa rara oportunidade, ao mesmo tempo, infelizmente para a igreja era a visão e o empenho de um só homem.

Vem-me à mente também o pedido sincero ‘de oração’ de uma querida irmã, no sentido de que o genro do “seu pastor”, que é músico profissional, logo tenha condições de “deixar esse mundo” e passe a “servir ao Senhor” tocando apenas na “igreja”. Surpreendem-me os conceitos equivocados e inocentemente generalizados em nossas igrejas, muitas vezes até por cristãos antigos na carreira da fé. As idéias de que a igreja é um local e o serviço ao Senhor acontece dentro dele, sinceramente me assustam. Não necessariamente as idéias em si, mas o fato delas permearem as mentes da igreja. Novamente eu me pergunto: Mas, o que representa trabalhar para o Senhor? O que, na realidade, significa “servir ao Senhor”? E não devemos fazê-lo junto à sociedade? Ou é pra vivermos uma cultura de gueto em que só podemos viver e conviver com os que são da fé?

Ah, tá! Então, poderíamos pensar em implantar um grande ‘movimento espiritual’, que poderia até ser chamado de ‘Profissão Fidelidade’, em que todos os profissionais deveriam “deixar o mundo” (o que não significa morrer), e trabalhar, “servindo apenas ao Senhor”, ou seja, “no local chamado igreja”. Todos os prestadores de serviços, os profissionais liberais, os empreendedores, e, claro, os investidores, sendo cristãos, também deveriam estar disponíveis e atuando, empreendendo e investindo exclusivamente “na igreja”. Já imaginou um dentista ou um médico? Esses atenderiam toda a população carente chamada cristã e sem cobrar nada. Também os professores, eles só deveriam dar aulas na escola bíblica e sustentarem suas famílias a partir dessa atividade. Ah, sim! Tem também os engenheiros civis e os arquitetos, que atuariam apenas nas construções de edifícios chamados ‘templos’, os motoristas que dirigiriam levando e trazendo os ‘irmãos’ para os locais de cultos, os cozinheiros, chefes, garçons e auxiliares, que preparariam e serviriam a comunidade da fé nas suas refeições, e que tal os atletas? – Mas... ‘igreja’ é lugar de atleta?

Alguém poderia dizer: “Ah, não! Aí já estamos fugindo da essência. Igreja não é lugar para esses profissionais. Aliás, ser atleta não deve ser profissão, mas sim diversão.”

Realmente, é difícil entender algumas profissões como sendo praticadas no ambiente do local que chamamos de igreja. E na realidade, essencialmente igreja não é ambiente para profissionais, nem sequer pastores. Dentro daquilo que vivemos hoje e muitas vezes chamamos de igreja, algumas profissões jamais se encaixariam, outras, no entanto, com perfeição, a exemplo dos professores, que por sinal, mesmo com o explícito reconhecimento da fundamental importância da sua atividade, e mesmo com a base bíblica de que “merecedores de dobrados salários são os que se afadigam na palavra”, a igreja nem recrimina a sua atuação fora dos muros eclesiásticos, nem sequer cogita em remunerar dentro. Já outras atividades são mais facilmente absorvidas no âmbito dos “arraiais do povo de Deus”.

No caso dos músicos, a situação é totalmente atípica. Além de vitrines e, ao mesmo tempo, ‘vivenciadores’ dos bastidores, eles sofrem a cobrança de uma boa performance técnica, quase sempre a exigência de um “bom testemunho de vida com Deus”, muitas vezes desfrutam da excepcional experiência de abençoar a igreja num processo de ‘conexão’ através da música com a pessoa do Pai (o que perigosamente também pode se transformar em manipulação), e, por tudo isso, tornam-se fundamentais nos processos das reuniões comunitárias, ou cultos públicos e serviços, como são mais tradicionalmente chamados. (É difícil, porém não impossível, se imaginar um “culto” sem música). Numa situação similar a dos professores citados acima, os músicos são cobrados a atuarem competentemente (no sentido de estarem habilitados à função) e voluntariamente (no sentido de sem remuneração), contudo, de forma contrária aos professores e de outros cristãos em suas profissões, em muitos casos e por muitas pessoas, são constrangidos e muitas vezes impedidos de exercerem tais atividades de forma profissional junto à sociedade, assim como, absurdamente na própria comunidade. Aí, lembro da ‘agonia’ de alguns deles desejosos de “obedecer”, porém, com as contas no final do mês.

Sei que rapidamente poderão surgir as comparações com os levitas. Realmente, eles são sempre a base para o argumento de que os músicos devam se dedicar ao trabalho exclusivo no templo. Vale salientar, no entanto, que os da tribo de Levi não eram apenas músicos. Eram porteiros, vigias, abatedores de animais, cantores, instrumentistas, sacerdotes, etc. Todos eles tinham sua manutenção a partir das ofertas trazidas como expressão de adoração, o que implicava nos fatos, por exemplo, de que apenas eles podiam se alimentar da carne apresentada para o sacrifício, e, ao mesmo tempo, não possuíam bens. Das tribos de Israel, os levitas eram os únicos não possuidores de terras, e, consequentemente, os únicos a serem beneficiados com objetos e animais apresentados para os sacrifícios. Ou seja, eram mantidos integralmente.

Com base nisso, podemos, então, concluir alguns equívocos naturalmente absorvidos ao longo da história, porém, estranhos aos exemplos bíblicos no que diz respeito às práticas atuais da igreja (que surge no novo testamento). Se a base for o antigo testamento, o caso dos levitas, o músico cristão de hoje deveria ser sustentado pela igreja, tanto quanto o sacerdote (pastor profissional) ou outros profissionais envolvidos. E vale salientar que eles, músicos levitas do AT, segundo o relato bíblico, eram maduros na idade e competentes naquilo que faziam.

Além da hereditariedade, competência e sustento financeiro são características do sistema do antigo testamento para a tribo dos Levitas e que muitos tomam por base para o argumento de que os músicos devem trabalhar apenas ‘na igreja’. No entanto, as duas mesmas características compreendem aquilo que chamamos de ‘profissionalismo’ nos nossos dias. É como se a igreja buscasse usufruir da competência, porém, sem a mínima manifestação de reconhecimento através do sustento financeiro. Vale salientar que tal reconhecimento é o mínimo a ser expresso e que existem outras formas de se reconhecer o trabalho de um trabalhador.

O grande “Q” da questão é que estamos vivendo outra era. Não mais vivemos o contexto do antigo testamento. Vivemos um novo momento. Passamos a estar na presença de Deus cotidianamente, através do último e perfeito sacrifício em favor do pecado do homem. Agir realmente de acordo com os princípios e valores bíblicos significa nos atermos à Nova Aliança implantada com o sacrifício de Jesus, e não utilizarmos a Bíblia de acordo com as nossas conveniências e negando o Seu ministério. (Vale lembrar que essa tem sido uma prática constante na vida da igreja com relação a diversos temas). Nela, na Nova Aliança, Deus não habita mais em templos feitos por mãos de homens; “Sua casa”, o santo dos santos, deixou de ter acesso exclusivo pelo sumo sacerdote apenas uma vez por ano, para ser extensivo ao coração de todos os redimidos; o Espírito Santo deixou de visitar pontualmente o Seu povo, para habitar definitivamente na vida dos que crêem; o povo de Israel deixou de ser o veículo exclusivo de proclamação da grandeza de Deus aos outros povos, surgindo a Igreja com o propósito de adorar o Cristo Vivo em tudo o que faz, comungar da Sua presença em amor, e assim, proclamar a Sua maravilhosa salvação a todos, em todos os lugares, e através de todas as atividades, inclusive através das mais diversas profissões. Fomos “feitos” todos, “reino, sacerdócio real, nação santa... a fim de proclamar as virtudes daquele que nos tirou das trevas...”

Imagine, então, como a igreja poderia ser mais forte e atuante do que pensa que é, e como pode impactar o mundo, não se contaminando e nem se conformando com ele, se cada cristão assumisse a sua posição na sociedade, influenciando-a com princípios e valores cristãos, e não transferindo suas responsabilidades. Tal raciocínio pode ir desde a orientação dos filhos no caminho do evangelho às iniciativas sociais ou missionárias que tantas vezes é terceirizada para a própria instituição. Até quando pensamos em evangelizar alguém, nosso primeiro pensamento atualmente é levá-lo ao culto a fim de ouvir a pregação de um especialista, sem talvez contar que a melhor pregação é a nossa própria vida. Tal raciocínio se aplica também a como e onde exercemos as nossas profissões, se voltadas para dentro dos nossos confortáveis “arraiais do povo de Deus” ou para onde estão todos aqueles que ainda necessitam entender do amor do Pai revelado na pessoa do Filho Jesus. Certamente os músicos estão dentre todos os outros profissionais que podem ser usados por Deus nessa direção, através do cotidiano, contando ainda com o poder da arte em tantos momentos tão eficaz.

Respondendo, então, a pergunta feita, parece que a igreja só estará pronta para reconhecer a profissão do músico como apropriada para um cristão, quando entender muitas outras questões, algumas aqui abordadas, e que revelam a possibilidade do problema não está propriamente nas pessoas dos músicos.

Na nossa mente permeada por valores históricos que, sem dúvida, foram absorvidos pela sociedade em geral, o que inclui a igreja, a idéia de profissionalismo está associada à capacidade de se desenvolver uma determinada atividade e a sua conseqüente remuneração. Mas parece que as únicas atividades profissionais realmente reconhecidas pelas instituições eclesiásticas, ao longo dos anos, são o pastor e o zelador. Mais recentemente, com a proliferação empresarial dos processos por parte da igreja, diferentes profissionais tem sido contratados, e até músicos, considerando-se um verdadeiro segmento de atividade que necessita de planejamento, estratégias, alvos e metas, como numa verdadeira empresa. E aí sim, a igreja perdeu um pouco mais da sua essência. Por outro lado, cada vez mais cristãos músicos tem rompido a barreira da adversidade e passado a atuar profissionalmente.

Mesmo assim, pelo que se vê, ou melhor, se lê, o assunto ainda tem “muitos panos pras mangas”. Infelizmente para alguns, é melhor aceitar a dose de whisky, a fim de esquecer. Para outros, eu gostaria de atuar como garçom e oferecer a possibilidade de embriagar-se com o Espírito, em Quem não há variação ou sombra de mudança.

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Augusto Guedes é um dos fundadores e Diretor Executivo do Instituto Ser Adorador, pastor, líder de adoração, empresário no ramo de imóveis na cidade de Fortaleza-CE, mas prefere se apresentar como alguém que continua encantado com o chamado de simplesmente seguir a Jesus.

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Fonte: Cristianismo Criativo.