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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Keith Green, compromisso com o Reino com o seu próprio bolso?

"Keith Green estava no auge do seu "sucesso" quando começou a perceber que vender CD com músicas cristãs era comercializar o evangelho.

Ele era músico, vivia disso. Mas chegou um tempo que ele não mais suportou e cancelou o contrato com sua gravadora e resolveu fazer os seus próprios discos e dar ao invés de vender.

Em suas apresentações, ele dizia no final: "Quem quiser o meu CD, deixe o seu nome e seu endereço, que até 6 semanas eles estarão chegando em sua casa." Pela graça de DEUS ele foi sustentado, e não só ele, mas a família dele, e muitos cristãos desabrigados que ele colocava para morar dentro de sua residência. As pessoas ao receberem o CD doavam alguma coisa no que podiam, ou quando podiam. Por um CD do Keith já chegaram a pagar tanto 1 dólar, quanto 5 mil. DEUS o sustentou. DEUS é Fiel e não abandona seus filhos.

Enquanto uns se denominam verdadeiros adoradores dizendo que só canta se pagar 80 mil reais, eu vejo a total confiança de um servo que abriu mão de todo o conforto e segurança do dinheiro que recebia para depender tão somente da providência daquele que o havia chamado. Ele faria 60 anos hoje, mas aprouve Deus levá-lo com apenas 28 anos de idade em 1982, mas ele definitivamente deixou um exemplo a ser seguido.

"Fiel é aquele que vos chama, e ele também o fará." (1 Tessalonicenses 5:24)

(Fonte: Tulipa Reformada via Sinval Júnior)

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Do Fariseu Sincero, via Zilton Alencar.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Dunamis - a geração explosiva de João Batista #CUMA?


Em grego, a palavra dunamys significa 'poder', mas na internet ela ganhou sentido um tanto “moderninho” para falar de um movimento evangélico meio estranho. Um grupo de cristãos de várias denominações se auto intitula pertencer a geração de João Batista.


Com um vídeo de “impacto”, a turma do Dumanis Xperience: Voz Profética usa o Youtube para chamar os jovens para um “poder sobrenatural e transformação”, participando de uma série de congressos promovida pelos criadores.


Tive contato com as primeiras informações sobre o grupo no domingo, quando meu irmão Daniel me chamou no Facebook indignado com o vídeo que acabara de assistir. O primeiro sentimento que tive: o pragmatismo está ganhando um novo integrante.


Em meio a imagens de jovens treinando para uma luta, testando saltos e uma caminhada pelo deserto, o vídeo passa um texto ainda mais estranho. “Existe um anseio pela manifestação do reino de Deus na Terra. Existe um calor que vem do deserto e ecoa pelas ruas da cidade. Existe uma geração de João Batista que prepara a vinda do Rei. Não morrerei, mas viverei e declararei as obras do Senhor. (SL 118;17). Você é a voz que o mundo quer ouvir”.


Na descrição do vídeo no Youtube, mas informações sem sentido. “"Existe uma geração de João Batista que prepara a vinda do Rei. Uma geração está se levantando para proclamar a mente e o coração de Deus e você faz parte disso. Você carrega o Espírito Santo dentro de você, você carrega o poder para trazer vida onde está morto. Junte-se a esse grande exército, junte-se a essa grande Voz Profética que está transformando o Brasil e o mundo! Você é a voz, que o mundo quer ouvir."


Parti para buscar informações no Facebook e já contei com a ajuda de Misa (Antongnoni Misael). Na página do evento havia a informação: “Dunamis é um movimento cristão que instiga e equipa universitários e jovens profissionais a um estilo de vida de avivamento e reforma dentro das esferas da sociedade, causando transformação onde atuarem. O Dunamis entende que a realidade dos céus deve ser levada além das quatro paredes eclesiásticas e por isso enxerga a sociedade como seu campo de atuação. Enfatizando tanto o poder sobrenatural, quanto a formação do caráter de Cristo, o movimento encoraja esses jovens a viver tal caráter, operar as obras de Jesus e ser Sua representação no mundo, trazendo assim a realidade dos céus na terra… Dunamis era um poder que se manifestava em dons, milagres, muitas conversões e um crescimento significativo na igreja… Nós acreditamos que a sociedade se divide em oito esferas: Igreja / Família / Governo/ Educação / Negócios / Comunicação / Ciências / Artes e entretenimento”.


No site do Dunamis, um dos fundadores da ideia, Teófilo Hayashi, diz em vídeo que o objeto é fazer congressos em diversas cidades para levantar jovens “avivalistas”.


Não estou querendo fazer uma crítica sem propósitos, mas sabe o que é estranho nisso tudo? A falta de Bíblia. Pois é, os caras falam coisas soltas, tentando atrair participantes com um ensinamento falho, sem embasamento bíblico. Não posso negar que o grupo faz vídeos bem produzidos, porém, o conteúdo é vazio, apesar de parecer interessante aos olhos ao dizer que vai apresentar um “poder explosivo do Espírito Santo e levar um avivamento ambulante”.


Vamos estudar com calma esse movimento Dunamis. Essas são apenas as primeiras impressões.



Nota do blogueiro: Não entendo o porquê de tanta complicação para se entender o que Jesus quer de cada um de nós. Os vídeos institucionais tentam justificar a marca Dunamis através de uma suposta revelação de Deus. O irmãozinho sonha que Conferências se multipliquem Brasil a fora. Sonha que Pocket's invadam as universidade. O sonho é que o reino de Deus seja implantado através do movimento em busca de que se acelere a vinda de Cristo - sério??


Ao final do primeiro vídeo ele diz: "faça parte desse movimento". Tá explicado!! É só mais um movimento que busca entrar em evidência e reconhecimento.


Acho que se cada um de nós fizer o dever de casa, movimentos, marcas, logotipos, serão mais irrelevantes do que são. Isto é, quando ser discípulo de Jesus parece não ser uma missão natural, ou, quando juntos cada pedra viva que somos não parecer mais ser a Igreja, ou, quando ser enviado a mundo como Cristo veio ao nosso, não parecer mais ter sentido algum, aí sim, infelizmente surgirão centenas de movimentos, redundantes, pragmáticos, e fundamentados em revelações pessoais.


P.S.: Não precisamos de revelações e visões específicas onde Deus revela o que já está revelado em sua Palavra!!


Antognoni Misael


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Mikaella é amiga, jornalista da Gazeta e colunista do Arte de Chocar e Púlpito Cristão.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A Cerveja, o Whisky, o Garçom e o Músico

por Augusto Guedes

Num vôo para Recife-PE, numa das mais recentes idas para rever a família nesses muitos anos de residência em Fortaleza-CE, encontrei no avião um grupo de músicos com seus cases de instrumentos, malas e mochilas. Dentre eles, um músico cristão. Ou será que devemos chamar de... um cristão músico?

Era a banda de um cantor famoso nacional e talvez internacionalmente. Logo começamos a conversar, pois ele sentou na poltrona ao meu lado, do outro lado do corredor, e, embora não nos conhecêssemos pessoalmente, tínhamos amigos comuns e até já ouvíramos falar um do outro. Da conversa, uma experiência vivenciada por ele ficou registrada em minha mente como história a ser recontada face realidades que parecem não deixar de permear a relação desses profissionais com muitos dos cristãos que também compõem a igreja.

Era noite de festa, daquelas, tipo formatura, casamento, enfim, celebração. A primeira banda estava no final da sua parte, e ele, juntamente com os seus companheiros, assumiria o baile a partir da meia-noite. Enquanto esperava na lateral do palco, um garçom se aproximou dele e lhe ofereceu “uma cerveja”. – “Não, obrigado!” Disse ele! A música continuou, a festa continuou, e depois de algum tempo o mesmo garçom lhe retornou... “E Whisky, deseja? – Não, obrigado!” Novamente o músico respondeu. Foi quando surgiu a pergunta: “Você é evangélico?” Ele respondeu: “Sou cristão!” – “De que igreja?” perguntou o garçom. O músico, então, respondeu participar de uma denominação evangélica bem conhecida em nosso país. A partir daí, o semblante e a presteza do garçom mudaram ‘da água para o vinho’ ou “do vinho para a água’ - talvez por ser a sua mesma denominação - e ele perguntou: “Então, o que você está fazendo aqui?” De imediato, a resposta do músico foi... “Vim trabalhar.” O garçom, indignado, afirmou prontamente: “Isso não é trabalho para um cristão! Vai tocar a noite toda para os outros dançarem!”

Essa história por si só já se explica e ensina, no entanto, por ser um assunto tão recorrente nas perguntas que surgem sobre músicos, vida cristã, e suas relações com profissão e “igreja”, nos congressos e palestras de “adoração” e afins, que é melhor caminhar um pouco mais, pois certamente, infelizmente o assunto, para muitos, ainda não está bem resolvido.

Embora alguns nem acreditem, esse não é um posicionamento tão incomum em relação aos cristãos que têm por profissão a música e a exercem atuando em restaurantes, bares ou confraternizações, as mais diversas.

Talvez não seja comum um diálogo como esse, afinal, não é todo dia que um irmão garçom encontra um irmão músico, ambos no exercício das suas profissões e travam esse tipo de diálogo, embora comumente encontremos cristãos se debatendo por causa dos irmãos artistas, principalmente músicos, que exercem as suas profissões ‘na noite’, aliás, na maioria das vezes num tipo de conversa desprovida ‘da graça’ e que acontece muito mais no ambiente do local chamado “igreja” do que nos tidos como “não aconselháveis” para um cristão.

Assim, creio que vale a pena evoluirmos um pouco mais, talvez respondendo franca e responsavelmente para nós mesmos a algumas poucas perguntas:

Será que todos os cristãos músicos profissionais estão preparados para exercerem sua profissão sem se contaminarem com o mal, ou com “as coisas desse mundo”?

Conheço músicos que foram alcançados pelo evangelho, em grande parte, pelo testemunho de companheiros músicos cristãos atuando profissionalmente nos mais diversos locais, influenciando-os positivamente por meio de vidas pautadas por princípios cristãos. Também conheço músicos cristãos que se profissionalizaram e influenciaram negativamente outros músicos, assim como outras pessoas, muitas vezes até da própria igreja. Aí eu me pergunto... Mas isso não é passível de acontecer com todos nós, independente das nossas profissões? Em todas as nossas atividades da vida, e também profissionais, sempre estaremos sujeitos ao risco de tomarmos “a forma do mundo”. Precisamos estar sempre alertas, a fim de “não nos conformarmos com este mundo, mas buscando sempre renovar a nossa mente”, como aconselha Paulo, o Apóstolo, a todos nós, e não apenas aos músicos profissionais que tocam “na noite”. Afinal, o texto de Romanos 12 certamente não inicia com... “Rogo-vos, pois, ‘músicos’, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus...”. Claro que não é assim!

Ah, tá! Talvez o problema esteja “na noite”, ou seja, no turno de trabalho. Mas, então, o que vamos fazer com os taxistas, os médicos, os garçons, os enfermeiros, os pilotos, os policiais, os vigilantes, e tantos outros profissionais que exercem profissões, muitas vezes no turno da noite? Se o problema está no horário de trabalho, e se queremos tratar com justiça, ou pelo menos lógica, seria, então, proibido para o pastor profissional, aquele que é sustentado financeiramente pela igreja, atuar no turno da noite? Jamais estes poderão participar de vigílias em “suas” igrejas?

Claro que não! Claro que não é assim! Talvez o que aflija os corações seja o “ambiente de trabalho” juntamente com “a aparência do mal”. Então, o que vamos fazer com os nossos cristãos advogados que convivem com um sistema judiciário injusto em tantos momentos e situações? Ou com os nossos cristãos funcionários públicos em meio à cultura de ganhar sem produzir e, muitas vezes, sem trabalhar? Ou, ainda, com os cristãos educadores físicos que atuam em tantas academias onde a ênfase maior está no culto ao corpo? Ou com tantas outras práticas certamente não condizentes com o evangelho, mas não tidas como ‘aparência do mal’, sendo o próprio mal com cara de bem. E o que dizer dos policiais, dos políticos ou de tantos outros profissionais a quem a igreja não impõe um padrão de comportamento como faz aos músicos? O que vamos fazer com todos aqueles que se não copiassem as músicas dos cristãos músicos e nem comprassem CDs e DVDs piratas talvez estivessem contribuindo para eles, músicos, estarem talvez uma noite a mais em casa com a sua família, pais, esposas, filhos e filhas?

Será que a igreja (as pessoas) está pronta a reconhecer a profissão do músico como adequada para um cristão?

Lembro da história, como tantas outras que certamente existem, de um músico profissional que se converteu ao evangelho e foi orientado a deixar de tocar onde atuava antes, para “agora trabalhar apenas para o Senhor”. Na cidade do Recife havia poucos bateristas no meio chamado evangélico, o que poderia representar uma oportunidade, tanto para ele como profissional, quanto para a igreja pelo fato de ter alguém competente acima da média da época na atividade. No entanto, a bateria ainda não era um instrumento bem aceito no meio, sobretudo das igrejas históricas. Sua saída foi passar a tocar num grupo chamado “Embaixadores de Sião”, atuando principalmente junto à igreja pentecostal da época, que vale a pena salientar, era bem diferente da dos dias atuais, sustentado na ocasião por um homem rico que bancava toda a produção, desde o micro-ônibus e equipamentos, às gravações e os salários. Felizmente para aquele músico surgiu essa rara oportunidade, ao mesmo tempo, infelizmente para a igreja era a visão e o empenho de um só homem.

Vem-me à mente também o pedido sincero ‘de oração’ de uma querida irmã, no sentido de que o genro do “seu pastor”, que é músico profissional, logo tenha condições de “deixar esse mundo” e passe a “servir ao Senhor” tocando apenas na “igreja”. Surpreendem-me os conceitos equivocados e inocentemente generalizados em nossas igrejas, muitas vezes até por cristãos antigos na carreira da fé. As idéias de que a igreja é um local e o serviço ao Senhor acontece dentro dele, sinceramente me assustam. Não necessariamente as idéias em si, mas o fato delas permearem as mentes da igreja. Novamente eu me pergunto: Mas, o que representa trabalhar para o Senhor? O que, na realidade, significa “servir ao Senhor”? E não devemos fazê-lo junto à sociedade? Ou é pra vivermos uma cultura de gueto em que só podemos viver e conviver com os que são da fé?

Ah, tá! Então, poderíamos pensar em implantar um grande ‘movimento espiritual’, que poderia até ser chamado de ‘Profissão Fidelidade’, em que todos os profissionais deveriam “deixar o mundo” (o que não significa morrer), e trabalhar, “servindo apenas ao Senhor”, ou seja, “no local chamado igreja”. Todos os prestadores de serviços, os profissionais liberais, os empreendedores, e, claro, os investidores, sendo cristãos, também deveriam estar disponíveis e atuando, empreendendo e investindo exclusivamente “na igreja”. Já imaginou um dentista ou um médico? Esses atenderiam toda a população carente chamada cristã e sem cobrar nada. Também os professores, eles só deveriam dar aulas na escola bíblica e sustentarem suas famílias a partir dessa atividade. Ah, sim! Tem também os engenheiros civis e os arquitetos, que atuariam apenas nas construções de edifícios chamados ‘templos’, os motoristas que dirigiriam levando e trazendo os ‘irmãos’ para os locais de cultos, os cozinheiros, chefes, garçons e auxiliares, que preparariam e serviriam a comunidade da fé nas suas refeições, e que tal os atletas? – Mas... ‘igreja’ é lugar de atleta?

Alguém poderia dizer: “Ah, não! Aí já estamos fugindo da essência. Igreja não é lugar para esses profissionais. Aliás, ser atleta não deve ser profissão, mas sim diversão.”

Realmente, é difícil entender algumas profissões como sendo praticadas no ambiente do local que chamamos de igreja. E na realidade, essencialmente igreja não é ambiente para profissionais, nem sequer pastores. Dentro daquilo que vivemos hoje e muitas vezes chamamos de igreja, algumas profissões jamais se encaixariam, outras, no entanto, com perfeição, a exemplo dos professores, que por sinal, mesmo com o explícito reconhecimento da fundamental importância da sua atividade, e mesmo com a base bíblica de que “merecedores de dobrados salários são os que se afadigam na palavra”, a igreja nem recrimina a sua atuação fora dos muros eclesiásticos, nem sequer cogita em remunerar dentro. Já outras atividades são mais facilmente absorvidas no âmbito dos “arraiais do povo de Deus”.

No caso dos músicos, a situação é totalmente atípica. Além de vitrines e, ao mesmo tempo, ‘vivenciadores’ dos bastidores, eles sofrem a cobrança de uma boa performance técnica, quase sempre a exigência de um “bom testemunho de vida com Deus”, muitas vezes desfrutam da excepcional experiência de abençoar a igreja num processo de ‘conexão’ através da música com a pessoa do Pai (o que perigosamente também pode se transformar em manipulação), e, por tudo isso, tornam-se fundamentais nos processos das reuniões comunitárias, ou cultos públicos e serviços, como são mais tradicionalmente chamados. (É difícil, porém não impossível, se imaginar um “culto” sem música). Numa situação similar a dos professores citados acima, os músicos são cobrados a atuarem competentemente (no sentido de estarem habilitados à função) e voluntariamente (no sentido de sem remuneração), contudo, de forma contrária aos professores e de outros cristãos em suas profissões, em muitos casos e por muitas pessoas, são constrangidos e muitas vezes impedidos de exercerem tais atividades de forma profissional junto à sociedade, assim como, absurdamente na própria comunidade. Aí, lembro da ‘agonia’ de alguns deles desejosos de “obedecer”, porém, com as contas no final do mês.

Sei que rapidamente poderão surgir as comparações com os levitas. Realmente, eles são sempre a base para o argumento de que os músicos devam se dedicar ao trabalho exclusivo no templo. Vale salientar, no entanto, que os da tribo de Levi não eram apenas músicos. Eram porteiros, vigias, abatedores de animais, cantores, instrumentistas, sacerdotes, etc. Todos eles tinham sua manutenção a partir das ofertas trazidas como expressão de adoração, o que implicava nos fatos, por exemplo, de que apenas eles podiam se alimentar da carne apresentada para o sacrifício, e, ao mesmo tempo, não possuíam bens. Das tribos de Israel, os levitas eram os únicos não possuidores de terras, e, consequentemente, os únicos a serem beneficiados com objetos e animais apresentados para os sacrifícios. Ou seja, eram mantidos integralmente.

Com base nisso, podemos, então, concluir alguns equívocos naturalmente absorvidos ao longo da história, porém, estranhos aos exemplos bíblicos no que diz respeito às práticas atuais da igreja (que surge no novo testamento). Se a base for o antigo testamento, o caso dos levitas, o músico cristão de hoje deveria ser sustentado pela igreja, tanto quanto o sacerdote (pastor profissional) ou outros profissionais envolvidos. E vale salientar que eles, músicos levitas do AT, segundo o relato bíblico, eram maduros na idade e competentes naquilo que faziam.

Além da hereditariedade, competência e sustento financeiro são características do sistema do antigo testamento para a tribo dos Levitas e que muitos tomam por base para o argumento de que os músicos devem trabalhar apenas ‘na igreja’. No entanto, as duas mesmas características compreendem aquilo que chamamos de ‘profissionalismo’ nos nossos dias. É como se a igreja buscasse usufruir da competência, porém, sem a mínima manifestação de reconhecimento através do sustento financeiro. Vale salientar que tal reconhecimento é o mínimo a ser expresso e que existem outras formas de se reconhecer o trabalho de um trabalhador.

O grande “Q” da questão é que estamos vivendo outra era. Não mais vivemos o contexto do antigo testamento. Vivemos um novo momento. Passamos a estar na presença de Deus cotidianamente, através do último e perfeito sacrifício em favor do pecado do homem. Agir realmente de acordo com os princípios e valores bíblicos significa nos atermos à Nova Aliança implantada com o sacrifício de Jesus, e não utilizarmos a Bíblia de acordo com as nossas conveniências e negando o Seu ministério. (Vale lembrar que essa tem sido uma prática constante na vida da igreja com relação a diversos temas). Nela, na Nova Aliança, Deus não habita mais em templos feitos por mãos de homens; “Sua casa”, o santo dos santos, deixou de ter acesso exclusivo pelo sumo sacerdote apenas uma vez por ano, para ser extensivo ao coração de todos os redimidos; o Espírito Santo deixou de visitar pontualmente o Seu povo, para habitar definitivamente na vida dos que crêem; o povo de Israel deixou de ser o veículo exclusivo de proclamação da grandeza de Deus aos outros povos, surgindo a Igreja com o propósito de adorar o Cristo Vivo em tudo o que faz, comungar da Sua presença em amor, e assim, proclamar a Sua maravilhosa salvação a todos, em todos os lugares, e através de todas as atividades, inclusive através das mais diversas profissões. Fomos “feitos” todos, “reino, sacerdócio real, nação santa... a fim de proclamar as virtudes daquele que nos tirou das trevas...”

Imagine, então, como a igreja poderia ser mais forte e atuante do que pensa que é, e como pode impactar o mundo, não se contaminando e nem se conformando com ele, se cada cristão assumisse a sua posição na sociedade, influenciando-a com princípios e valores cristãos, e não transferindo suas responsabilidades. Tal raciocínio pode ir desde a orientação dos filhos no caminho do evangelho às iniciativas sociais ou missionárias que tantas vezes é terceirizada para a própria instituição. Até quando pensamos em evangelizar alguém, nosso primeiro pensamento atualmente é levá-lo ao culto a fim de ouvir a pregação de um especialista, sem talvez contar que a melhor pregação é a nossa própria vida. Tal raciocínio se aplica também a como e onde exercemos as nossas profissões, se voltadas para dentro dos nossos confortáveis “arraiais do povo de Deus” ou para onde estão todos aqueles que ainda necessitam entender do amor do Pai revelado na pessoa do Filho Jesus. Certamente os músicos estão dentre todos os outros profissionais que podem ser usados por Deus nessa direção, através do cotidiano, contando ainda com o poder da arte em tantos momentos tão eficaz.

Respondendo, então, a pergunta feita, parece que a igreja só estará pronta para reconhecer a profissão do músico como apropriada para um cristão, quando entender muitas outras questões, algumas aqui abordadas, e que revelam a possibilidade do problema não está propriamente nas pessoas dos músicos.

Na nossa mente permeada por valores históricos que, sem dúvida, foram absorvidos pela sociedade em geral, o que inclui a igreja, a idéia de profissionalismo está associada à capacidade de se desenvolver uma determinada atividade e a sua conseqüente remuneração. Mas parece que as únicas atividades profissionais realmente reconhecidas pelas instituições eclesiásticas, ao longo dos anos, são o pastor e o zelador. Mais recentemente, com a proliferação empresarial dos processos por parte da igreja, diferentes profissionais tem sido contratados, e até músicos, considerando-se um verdadeiro segmento de atividade que necessita de planejamento, estratégias, alvos e metas, como numa verdadeira empresa. E aí sim, a igreja perdeu um pouco mais da sua essência. Por outro lado, cada vez mais cristãos músicos tem rompido a barreira da adversidade e passado a atuar profissionalmente.

Mesmo assim, pelo que se vê, ou melhor, se lê, o assunto ainda tem “muitos panos pras mangas”. Infelizmente para alguns, é melhor aceitar a dose de whisky, a fim de esquecer. Para outros, eu gostaria de atuar como garçom e oferecer a possibilidade de embriagar-se com o Espírito, em Quem não há variação ou sombra de mudança.

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Augusto Guedes é um dos fundadores e Diretor Executivo do Instituto Ser Adorador, pastor, líder de adoração, empresário no ramo de imóveis na cidade de Fortaleza-CE, mas prefere se apresentar como alguém que continua encantado com o chamado de simplesmente seguir a Jesus.

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Fonte: Cristianismo Criativo.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Qual é o meu chamado?

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Um sapateiro convertido perguntou a Lutero o que poderia fazer para servir melhor a Deus e ser um cristão melhor. Lutero perguntou: “O que você faz?”. Ao que o sapateiro respondeu: “Eu sou sapateiro”. Lutero então lhe disse: “Pois bem, faça bons sapatos, venda-os por preço justo e você irá servir a Deus e ser um cristão melhor”.


A pergunta do sapateiro é o tipo de pergunta que todo o cristão verdadeiro faz e continua a se fazer. Quem nunca perguntou isto ao seu pastor, algum irmão mais experiente na fé ou até a si mesmo? Para os novos convertidos, isto “martela” o tempo todo em suas cabeças: “Como servir melhor a Deus? O que devo fazer?”


De forma que, a vontade de servir a Deus e ser um cristão melhor, pode estar intrinsecamente ligada a saber se estamos no centro da vontade de Deus, e assim, ter a ciência de qual é Sua vontade para nós. Qual o chamado de Deus para nós?


Não sabemos o pensamento real que estava por trás da pergunta do sapateiro. Chego às vezes pensar em algumas hipóteses, e uma delas é: “Será que o sapateiro esperava ouvir algo do tipo: largue seu ofício de sapateiro, entre para o seminário, torne-se um oficial da Igreja?!”


Bom, não sabemos o certo. Mas, é sobre chamado o assunto de hoje.


Embora este assunto requeira reflexão e análise contínua da vida de cada um (e muito menos se pretende sanar todas as dúvidas, ansiedades e inquietações sobre isto), vamos tentar ao menos ir para um ponto de equilíbrio.


Lembro que na minha adolescência eu escutei diversas pregações sobre chamado. Elas tinham títulos como: “Não negocie seu chamado”; “Não abra mão do seu chamado”; “Invista no seu chamado”; “Deus tem um chamado para você” e etc. No desejo real de despertar seus membros para o trabalho no corpo de Cristo em sua igreja local, muitos líderes buscaram e têm buscado chamar a atenção para este lado da vida cristã. Isso é bom e necessário. Ociosidade não faz parte da vida cristã.


Mas até que ponto, “meu chamado” é de fato “o chamado que Deus tem para mim” para que eu possa compreender que estou na vontade do Senhor? Complexo não é? O fato é que Deus chama homens e mulheres.


O Senhor chama homens e mulheres a se arrependerem, a anunciar o Evangelho, a ser sal da terra e luz do mundo, e é claro, os chama para algo específico. Vemos por exemplo, diversos casos de pessoas nas Escrituras como Abraão, Jacó, Isaque, Moisés, José, Davi, Jeremias, Isaías, Ester, Jonas, João Batista e os apóstolos de Cristo. Sem dúvida, foram homens e mulheres que tiveram um papel a desempenhar em seu tempo. Mas cada um teve um papel diferente.


Ainda parece ser pensamento comum atualmente, que a “obra de Deus” se faz dentro do ambiente que chamamos de igreja, as quatro paredes, ou atividades ligadas diretamente às funções eclesiais. Mas, não. Não é só isso! A fé reformada mostra que tudo em nossa vida é controlado pelo Senhor, é santificado por Ele, afim de quem tudo seja por meio dele, para Ele e por causa dele. Romanos 11:36. Pois, em tudo em nossa vida, desde as atividades mais simples às mais complexas deve ter um único propósito: A glória de Deus Pai, por meio de Jesus Cristo, em todas as coisas. 1 Coríntios 10:31, Colossenses 3:17. Assim, tudo é obra do Senhor; não somente as atividades ligadas à igreja local.


Tenho notado, me parece que há pouca compreensão em diferenciar dons ministeriais com chamado. As Escrituras nos dizem que os dons são dados pelo Espírito Santo a quem quer, de acordo com Sua vontade, e nos instrui também a buscarmos os melhores dons. Dons são para edificação da Igreja, enquanto o chamado, necessariamente não será “executado” no contexto eclesial. Pode até ser no meio secular. Estas questões merecem reflexão, muita oração e estudo da Palavra. Afinal, o Senhor não descerá num cavalo branco, ou aparecerá novamente em uma sarça ardente bradando: “Eiiiiiiiiiiiiiiiiiiis queeeee te digoooooo servo/serva minha…”.


Quantas pessoas, eu já vi desistirem do sonho de ser o que queriam, mas porque ouviram um dia que precisavam estar no centro da vontade de Deus (o que é certo sim); e confundiram a mensagem achando que ser músico, médico, advogado não era bem o centro da Sua vontade. Afinal, só se está no centro se for obreiro da igreja, diácono, pastor, bispo, ou tiver algum cargo.


Há diferentes tipos de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.”1 Coríntios 12:5


“Se o pé disser: “Porque não sou mão, não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de fazer parte do corpo. E se o ouvido disser: “Porque não sou olho, não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de fazer parte do corpo.Se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição? Se todo o corpo fosse ouvido, onde estaria o olfato?De fato, Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade.Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, há muitos membros, mas um só corpo.O olho não pode dizer à mão: “Não preciso de você! “Nem a cabeça pode dizer aos pés: “Não preciso de vocês! “Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis,1 Coríntios 12:15-22


Uma vez ouvi um pastor dizer que queria que todos os membros da sua igreja fossem pastores. Ele sonhava com isto e estava trabalhando para isto. Mas, o que a Bíblia diz é que pastor está na lista de dons ministeriais da Igreja, ou de governo:


“E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,” Efésios 4:11


Nos estudos de teologia, atualmente estou lendo o segundo volume da Série Lições aos meus Alunos – Homilética e Teologia Pastoral, de Charles H. Spurgeon, Editora PES. Para compreensão e reflexão mais aprofundada sobre o que foi dito nos parágrafos acima, veja algumas coisas que ele disse aos alunos da escola de pastor que ele fundou:


“Ora, nem todos de uma igreja podem superintender ou governar; alguns têm que ser dirigidos ou governados. E cremos que o Espírito Santo designa na Igreja de Deus alguns para agirem como superintendentes, e outros para se submeterem à vigilância de outros, para o seu o próprio bem. Nem todos são chamados para trabalhar na palavra e na doutrina, ou para serem presbíteros, ou para exercerem cargo de bispo. Tampouco devem todos aspirar essas obras, uma vez que em parte nenhuma os dons necessários são prometidos a todos. Mas aqueles que, como o apóstolo, crêem que receberam “este ministério” (2 Co. 4:1) devem dedicar-se a essas importantes ocupações”. pg. 32


“‘Não entre no ministério se puder passar sem ele’, foi o conselho profundamente sábio de um teólogo a alguém que procurou sua opinião. Se alguém neste recinto puder ficar satisfeito sendo redator de jornal, merceeiro, fazendeiro, médico, advogado, senador ou rei, em nome do céu e da terra, siga o seu caminho”. pg. 38


Neste caso, ser chamado pelo Senhor para ser um pastor é uma responsabilidade enorme. É entender que exige certos sacrifícios, que é necessário uma vida de dedicação superior ao normal. É dedicar-se aos estudos com o objetivo de alimentar bem o rebanho. É ter uma vida de oração por si mesmo primeiramente, conservando-se na doutrina, para depois cuidar rebanho que Deus colocou aos seus cuidados. É dar conforto a alguém que perdeu um ente querido durante a noite, enquanto muitos já começaram a dormir; é chorar com os que choram e alegrar-se com os que se alegram. É estar disponível para orar, para aconselhar, dar prioridade à vida do outro. É muitas vezes sair para visitar alguém e partilhar da mesma mesa, mesmo não sendo farta e buscar meios para suprir a mesa dos que precisam. É dizer a verdade, mesmo que fira, em amor, para que possa produzir vida eterna. É estar sob direção do Espírito e ter uma consciência constante da Sua dependência, pois ele também é humano, tem família, tem lutas, vitórias e derrotas. É um pecador miserável, pobre, cego e nu, que se não fosse a Graça de Deus para salvá-lo, seu destino não seria nada bonito.


Só que nem todos são pastores. Como igualmente, nem todos são profetas, nem todos são evangelistas, nem todos são mestres, nem todos são apóstolos, como disse o apóstolo Paulo na carta aos Coríntios.


Nem todos são médicos, nem todos são administradores, nem todos são engenheiros, nem todos são engraxates, nem todos são cobradores de ônibus, nem todos são professores. Nossa compreensão de chamado começa por uma profunda dependência do Senhor em guiar nossa vida, pela instrução da Suas Sagradas Escrituras. Deixando o Senhor conduzir sua vida.


Somos muitas vezes levados a pensar que chamados são somente aqueles que foram tremendamente usados por Deus. Quando lemos as histórias da Bíblia e vemos, por exemplo, a galeria da fé no livro de Hebreus, nós pensamos que somente homens e mulheres como eles tinham realmente um “chamado pra valer”.


Mas o que não levamos em conta é que o fato da Bíblia não relatar a vida de outras pessoas da comunidade de Israel, do povo de Deus no AT e NT, não significa que estes homens e mulheres não foram chamados por Deus ou que não trabalharam para Ele e edificaram a Igreja de alguma maneira.


Certa vez ouvi um líder responder sobre chamados, dons, ministérios da seguinte forma: “O que você tem prazer em fazer?”, “O que você quer fazer?”. Deixe Cristo guiar sua vida naturalmente.


Meu irmão, minha irmã, você gosta de medicina e percebe que tudo na sua vida caminha para este lado? Você tem se dedicado ao estudo da medicina? Sente que este é o caminho que o Senhor escolheu para você? Teu chamado é este. E seja em qual área for, sendo cristão, deve fazer tudo para a Glória de Deus. Lá, naquele local, no ambiente de trabalho do seu chamado, ali se deve proclamar as boas novas do evangelho.


Há pessoas que no contexto eclesial talvez nunca cheguem a serem diáconos, pastores, evangelistas, mestres. Mas terão outros dons e serão chamados a atuarem não diretamente na igreja local, mas no secular com o seu chamado. Por que estou fazendo esta distinção entre chamado eclesial, secular?


Um exemplo que acho bastante esclarecedor é do músico. Uma profissão que para muitas pessoas, após a conversão, vira uma polêmica. Às vezes a pessoa abandona tudo, uma carreira brilhante, porque acha que seu chamado era outro e não a música.


Mas, música pode executar na igreja também. Ok! Mas e outras atividades? O artista plástico? O engenheiro? Não são chamados também? O pintor?


Em resumo, o que quer que façamos, devemos fazer para a Glória de Deus. Se você irmão, irmã, tem um sonho de ser alguém um dia, e tudo caminha para este sonho, tenha certeza, este é o chamado de Deus em sua vida, independente do dom espiritual que Ele te concedeu.


A intenção não é jogar uma balde de água fria naqueles que sentem um chamado mais forte para os chamados de governo, por exemplo, ou até ter um ministério ou cargo na igreja. Porém nos levar a uma compreensão e contentamento de que fomos chamados por Deus para fazer algo e isto deve e tem que glorificar Seu nome. Seja o que for. Da atividade mais simples à mais complexa e assim, serviremos a Deus. Até mesmo sendo, simplesmente, um sapateiro.


Paz e bem a todos em Cristo.


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Anderson Alcides é tradutor, teólogo, e blogueiro escreve no A Voz no Deserto.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Thalles, Rodolfo e Luo: “Religiosidade atrapalha o gospel”


Três dos maiores nomes da música gospel, Thalles, Rodolfo Abrantes (ex-Raimundos) e Pregador Luo contam como o excesso de religiosidade prejudica a música e aproveitam para afirmar que atualmente muitos têm se aproveitado da onda de sucesso do estilo para ganhar dinheiro e distorcer o evangelho.


Em entrevista ao UOL, os cantores também comentam o crescimento exponencial do estilo em todo território nacional e mostram que querem atingir um público que vai muito além das igrejas.


dica da Rina Noronha


[TV UOL via Pavablog]

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Parafraseando o velho Cazuza, não sei se tais "ideias correspondem aos fatos". Confesso que o Rodolfo Abrantes me pareceu mais coerente em relação a sua cosmovisão e ministério. No mais, oremos pela situação dos astros do Gospel no Brasil.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A propósito da reportagem da Veja-SP sobre a formação de pastores evangélicos



Veja a reportagem aqui!


A formação de pastores é crucial para a saúde da igreja cristã. Maus pastores põem a perder igrejas inteiras e marcam negativamente a vida de centenas e milhares de pessoas, a depender do alcance de seus ministérios.


Desde os seus primórdios, o Cristianismo se preocupou com a preparação e capacitação de seus líderes. O próprio Senhor Jesus, como judeu que era, aos doze anos passou pela iniciação judaica e aprendeu com seus pais e os mestres rabinos a lei de Deus, e nisto os excedeu, conforme lemos no episódio em que ele ficou no templo discutindo com os mestres da lei.


Os apóstolos que ele chamou foram submetidos a três anos de rigoroso treinamento. Ouviram a exposição da mensagem do Antigo Testamento feita pelo Senhor, fizeram perguntas e tiveram respostas, discutiram entre si as coisas de Deus, fizeram vários estágios ao serem mandados pregar e exercitar o poder do Reino nas cidades e conviveram com o mestre, aprendendo de suas atitudes. E mesmo assim, depois de três anos de seminário com Jesus, ainda não estavam totalmente prontos, como os Evangelhos nos dizem!


Mais adiante, surge Paulo, cujo treinamento anterior à conversão consistiu do aprendizado durante anos aos pés de um dos melhores rabinos da época, Gamaliel, afora seu treinamento em sua cidade natal, Tarso, que era rival de Atenas em intelectualidade e cultura.


Ao colocar os requerimentos para o pastorado, Paulo exige que o que aspira ao episcopado (outro nome para presbiterato=pastorado) deve entre outras coisas ser "apto para ensinar" (1Tim 3:2), "apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem" (Tit 1:9). Ou seja, de acordo com a Bíblia os pastores têm que ser teologicamente capazes, apologeticamente argutos e hábeis no ensino. Quer dizer, eles têm que ser mestres da Palavra. Não é à toa que ao elencar os dons básicos para a edificação da Igreja que Paulo coloca "pastores e mestres" como se fossem uma mesma coisa (Ef 4:10).


Agora me expliquem como é que se formam líderes assim nos dias de hoje? O instrumento de trabalho deles será a Bíblia, que foi escrita a mais de 2 mil anos em grego, hebraico e aramaico numa cultura diferente da nossa. Um livro que tem sofrido nas mãos dos intérpretes durante milênios. Um livro que é reivindicado como a base de toda sorte de heresias e ensinamentos estranhos que aparecem por ai. Como alguém pode querer hoje cumprir os requerimentos de Paulo para a liderança sem treinamento, estudo, discipulado, confronto, comparações, leituras, coisas que demandam tempo, bastante tempo, para não falar de maturidade, humildade, santidade, oração e submissão a Deus?


É ingenuidade pensar que basta ler a Bíblia e pronto - se for homem de oração, piedoso e espiritual, está pronto para liderar o povo de Deus. É desconhecer a história bíblica e da Igreja achar que o treinamento teológico intenso é bobagem. É por isto que está esta confusão toda aí, denunciada pelas revistas seculares inclusive.


Não estou dizendo que somente seminários com cursos completos de teologia é que preparam bons pastores. É evidente que não. O que estou dizendo, todavia, é que não se pode hoje dispensar o treinamento teológico intenso na boa teologia e na sã doutrina. As igrejas têm seus próprios mecanismos e meios para isto. Não me importo quais sejam, desde que cumpram o que Paulo disse.


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Augustus Nicodemus, via perfil no Facebook. Compartilhado do Púlpito Cristão.