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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Despeço-me do culto espetáculo

Por Juliano Fabricio

Qualquer prece, com um mínimo de senso ético, deve considerar os mais sofredores. Quem se atreveria a furar a fila da bênção onde esperam africanos exilados e haitianos sem-teto? Um Deus que dispensa bênçãos, prioritariamente, sobre quem tem olhos azuis não merece a atenção de ninguém. Repetir que ele é uma divindade irada, sempre pronta a castigar, não mete medo, apenas aversão. Se existe um Deus que na hora de distribuir maldições começa pelos mais miseráveis, ele deve ser tratado como um demônio. Não desejo continuar com uma fé que espera milagre de um Deus tribal. A divindade que fazia chover apenas no quintal dos seus queridos, não faz sentido para mim. A noção primitiva de um Deus que afugenta gafanhotos quando vê obediência e que destrói plantação e causa fome diante do erro, não me seduz. Benção e maldição retributivas não condizem com o amor gratuito de Deus em Jesus. Deus jamais se valeria do papel do bedel indignado que abandona bilhões à míngua.

Sem instrumentalizar a espiritualidade, desejo transubstanciar fé em ações; desde o silêncio contemplativo, cumprir a missão de incluir o marginalizado, valorizar o desprezado e cuidar do esquecido. O seguimento - do verbo seguir – de Jesus nasce de corações calmos. Um cristianismo existencial se tornou a melhor expressão para a minha piedade. Noto que liturgias centradas em emocionalismo desmerecem a tradição profética dos dois Testamentos.

Desde Isaías, cultuar só tem sentido se a justiça é protegida. Deus não tolera ajuntamentos e cerimônias autocentradas. Fazer culto para buscar o seu favor agride os céus. A verdadeira adoração disponibiliza pessoas para cuidar de órfãos e de viúvas. A verdadeira religião, segundo Tiago, consiste em cuidar dos mais esquecidos. Qualquer verticalização de louvor só tem sentido quando promove a horizontalização do serviço. Espiritualidade cristã autêntica reconhece Deus no rosto do pobre, do nu, do faminto, do desterrado. Tudo o mais não passa de individualismo travestido de religião piegas.

Despeço-me do culto espetáculo.

Não quero estar em ambientes frenéticos. Anseio por reuniões que celebrem a graça sem paranóia, sem alguém tentando infundir culpa. Quero participar de comunidades leves, sem a afetação do glamour do mundo; uma igreja onde os sorrisos sejam gratos e os abraços, sinceros. O caminhar de Jesus não combina com espaços espetaculosos. Os valores do Reino prescindem dos holofotes.

*** 

Fonte: Blog do Juliano Fabricio.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Fragmentos de uma velha “igreja” que ama o legalismo, as heresias, e ainda é Gospel

Por Antognoni Misael

Primeiro eles pregavam sempre desmascarando a idolatria da Igreja Católica, #só que depois perceberam que havia também muitos ídolos no meio deles.

Depois, uma onda legalista tentou moldar a aparência da igreja, #só que Cristo não agia conforme a estética do homem - o mestre sempre ia no coração e nas intenções, então ir julgar pela aparência deu no que deu...

Mesmo assim eles disseram como era a forma correta de se vestir, #só que então perceberam que tudo acabava em vaidade.

Daí privaram as ‘irmãzinhas’ da maquiagem, corte de cabelo, brinco e calça comprida, #só que a vaidade proibida no vestir sempre era transferida para vícios como novelas, consumismo, senso de superioridade ou até mesmo, inveja.

O legalismo chegou a dizer que jogar futebol era pecado, #só que em época de Copa do Mundo, até o pastorzin proibicionista cantava “voa canarinho voa...”.

Depois eles proibiam alguém de ir a determinado local para não se contaminar com o mundo, #só que então perceberam que o mundo já estava dentro da igreja.

Depois eles baniram da pauta relacionamento e sexualidade a fim de que jovens fossem puros por mero desconhecimento, #só que então viram que a pornografia e o sexo há tempos se instalaram no meio deles.

Depois eles acusaram o rock como um estilo diabólico, #só que posteriormente, para nossa tristeza admitiram o bolero, o brega e por fim, até o pagode.

Depois eles disseram que cinema era do capeta, #só que a grande maioria hoje são cinéfilos e ainda possuem um telão flúor HD, uma Sky recheada de canais HBO, pipoca e muito guaraná.

Depois eles disseram que o vinho da Bíblia não tinha teor alcoólico (era um suco) a fim de proibir o uso pelos fiéis, #só que tempos depois se convenceram que era ‘vinho mesmo’ e voltaram atrás quando leram um trecho na Bíblia que dizia “não vos embriagueis com vinho”.

Depois, para tentar expulsar o “mundanismo” já instalado na igreja, eles sacralizaram o lugar do culto (a igreja) ao afirmarem que Deus só operava naquelas quatro paredes, #só que depois se viram em crise quando leram que Deus não habita mais em templos feito por mãos, mas em gente.

Passada a polêmica do rock no culto, surgiu a ideia de hierarquizar os fiéis, daí para reconquistar, inventaram que os músicos eram levitas, #só que esqueceram que o porteiro também deveria ser, o zelador, etc. e tal...no final, até hoje eles levitam nessa ideia.

Depois de dado privilégios aos “levitas”, continuaram hierarquizando... surgiram os “ungidos”, sobretudo apóstolos, #só que eles não se deram conta de que ainda há gente que lê as escrituras, desmascara e expõe ao ridículo os pseudo-apóstolos -> isto até parece ser um ato de maldade, mas pelo contrário, faz bem e é bíblico!!

Então, se sentindo ameaçados, eles tiraram Cristo do centro do culto, desmotivaram a igreja a ler as Escrituras afirmando que a letra mata e a teologia enterra, #só que esqueceram de que Deus fala través das Escrituras e não das curas, milagres ou depoimentos pessoais.

Outros, já escrachadamente, esconderam a Bíblia, ocultaram Jesus, fizeram sua própria cartilha de fé e puseram uma foto enorme de si mesmos na frente da igreja vendendo curas e milagres, #só que esses vão pagar com a alma, vamos só aguardar o cumprir-se de Mateus 7.15-19.

O outro, bem mais esperto, e por pura persuasão passava (e ainda passa) os seis dias da semana usando a Bíblia nos seus discursos, ganhando espaço na mídia, defendendo a família, a moralidade, mas no sétimo dia trazia um impostor internacional pra liberar unção financeira e cobrar sua “indulgência”, #só que cuidado! esse é muito mala, a muitos enganará ainda...se possível até os escolhidos.

Então, já nos ditames do século XXI, eles transformaram a igreja tradicional em igreja gospel e o resultado foi um estrondo de adesões e “sucessos” nos cultos geridos por shows e manifestações de poder, #só que não perceberam que a “modernidade gospel” continuou expulsando Cristo e a suficiência das Escrituras em detrimento do homem e suas habilidades.

Então voltaram a tentar desembelezar a vida e a dizer que ouvir música do mundo era pecado, #só que onde se encontra a música de Marte, Vênus, Plutão? 

Por isso então eles reinterpretaram a vida entre Deus e o diabo, sagrado e profano, batalha espiritual, teísmo aberto, cobertura espiritual, maldição hereditária, lagoas, vales, sapos, vasos... #só que eles não conhecem a canção que diz “é que o sagrado se tornou hilário” (o resto deu preguiça de cantar...digita essa frase no youtube e escuta lá -> #FICADICA)

Daí, o mercado gospel fez com que a igreja ficasse feliz ao se ver lá na Globo, #só que eles não perceberam que a Globo não queria nem o Evangelho para si e nem tampouco para transmiti-lo ao mundo – aliás, eu ainda me pergunto: mas quando a Globo ouviu do Evangelho? Quem falou dele lá?

Então... a grande maioria continuou enganada (vida de gado, povo marcado, povo feliz...) e continua ainda dizendo que os “crentes” vão ganhar a nação para Cristo, #só que eles parecem idiotas ao ignorarem a lógica do reino, onde estreita é a porta que leva a salvação e onde poucos acertarão (sim, e Marina Silva perdeu  hein– registrado!).

Ainda no meio de tanta confusão, continuaram surgir mais “astros gospel” para fazer festa em meio ao caos e enriquecer em meio a miséria social, #só que livrar a “igreja” da depressão da irrelevância de só ‘inchar, inchar, inchar,’ tornou-se só mais um indício de que ela respira com ajuda de aparelhos – e quem desligará? (sugestões??)

Então meus amigos leitores....veja só, em meio a isso tudo, uma grande minoria ainda se levanta para denunciar todos equívocos, heresias, e irrelevâncias dessa “igreja” que por tantas fases estranhas passou (e ainda passa, por constantemente revisitar cada situação comentada), #só que ela infelizmente ainda ignora a preciosidade do Evangelho, uns por serem idólatras de fato, outros por serem iscas de ratos. Contudo, note, de lá se ouve as seguintes acusações em relação aos subversivos como eu e, quem sabe você:

- de serem divisores do reino

- de tocarem no ungido do Senhor

- de não entenderem que o movimento gospel é parte do avivamento da igreja

- de serem libertinos quanto à cultura

- de não entenderem o poder sobrenatural de Deus

- de serem céticos quanto a curas e milagres

- e, até de serem falsos profetas.

#só que eu não tô nem aí!

Vou continuar a denunciar e a conclamar a necessidade do retorno às Escrituras, a preciosidade do Cristo e a simplicidade do Evangelho. Se é pra rachar, que rache!! Pois o que rachar, não é Igreja, e não era Evangelho!!

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Arte de Chocar.

domingo, 16 de novembro de 2014

O templo sagrado e o areópago pagão da minha cidade

Por Antognoni Misael

Toda cidade tem uma espécie de areópago. Algumas têm vários, outras não. Mas toda cidade tem. O areópago era uma parte da Acrópole em Atenas que servia para reunião de conselheiros, educadores, cientistas, políticos, poetas e pensadores, de uma forma geral.
Sobre o mesmo chão está o Muro/ E o Lado de lá, que você esqueceu” [1] 
Ontem eu vi um areópago no meio da praça da minha cidade, tudo bem que não houve discurso político nem algum poeta grego foi mencionado, mas houve discurso poético, sincrético, existencialista e tantos outros. De certo aquele areópago era principalmente musical - pois a música também discursa – e o palco era livre, democrático, e pronto pra que algum súdito subisse ali e fizesse a sua arte.
Evento - Café com Poeira (Guarabira-PB)

Por um instante tive um vislumbre. Felicidade, frustração, não sei bem. “Viajei”... e tal “viajem” me trouxe a memória alguns fatos: 1) que o número de evangélicos tem crescido, ou inchado; 2) a cada esquina uma garagem estreia mais um púlpito (quase sempre um palco para ‘stand up’ para todas as demandas, mais de loucuras que lisuras); 3) quanto mais eles crescem, se espalham, se dividem por distanciarem-se abissalmente da Palavra; 4) sendo assim, o movimento evangélico fragmenta a cruz, e cada pedaço vai pra um lado. Triste né? Destarte, é bom que se perceba que tal fenômeno não abarca absolutamente todas igrejas - claro!

Aqui onde moro, e falando ainda de “igrejas”, eu começaria pelas mais ridículas, tipo: IURD, Mundial, Show da Fé. Essas marqueteiras estão alojadas aqui pra cumprir seu papel mercadológico de franquia. Elas disputam praticamente o mesmo público. Mas além delas há dezenas tipicamente evangélicas, mas nem todas genuinamente cristãs.

Contudo, voltando ao vislumbre, este me fez pensar em dois aspectos: a estandardização das “sagradas igrejas” e o desprezo pelo “areópago pagão”.
“Me apontaram as cercas e os muros /Eu quis o caminho, Roguei pela vida” [2]
Olha só, certa vez ouvi de um artista cristão que igreja é como o estrume (o popular cocô de gado) o qual precisa ser espalhado pra dar vida a terra, pois uma vez amontoado num só local, fede. Apesar de ser um exemplo, quase esdrúxulo, tem sua verdade. Igreja que vive pra dentro tende a feder. Logo, se igreja deve ser reunião de discípulos, discípulos são como seu mestre, e o mestre não vivia dentro do “templo”, o mestre vivia no mundo. Portanto, igreja é feita pra servir na rua, na praça, nas escolas, hospitais, enfim, igreja é feita, também, pra subir em areópago e discursar.

O mundo - cuja Bíblia nos ordena não amar - é um sistema de princípios e valores; e não a criação, lugares e gente.

A triste realidade é que muitos líderes não entendem isso. Igreja, para tais, é propriedade sua. É franquia em constante disputa no “mercado de deus”, é campo murado dentro da cidade, é cerca, é “santo lugar” que ninguém pode se sentir livre e como se estivesse em casa.

Portanto, assim não é surpresa que esses sistemas eclesiásticos sendo projetados para dentro de si mesmos, ou, quando direcionados para fora – seja como num culto de rua com amplificadores às alturas, entrega de folhetos descontextualizados no meio da praça, ou por alguma “marcha pra jesus” - , contudo, sendo estes feitos para dentro, ou adaptavelmente para fora, o que ocorre é que ambos  os sistemas caem no comodismo de fabricar os seus próprios areópagos dentro de si mesmos. Já imaginou, uma igreja com o areópago (simbolicamente) no lugar do púlpito? (isso, para que ninguém se “contamine” ao ir discursar lá na praça, na universidade, no teatro, ou em qualquer outro lugar)

Relembremos do evento narrado em Atos 17, onde Paulo sobe ao areópago e discursa para os gregos. Ali, com naturalidade apóstolo apresentou o pensamento cristão de uma forma que os atenienses puderam facilmente entender. Ou seja, ele apresentou o cristianismo no nível dos atenienses fazendo uma ponte apologética com o altar ao Deus desconhecido: “(…) esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio”.
“E vou subvertendo o mundo / Amando a esperança que salta os muros” [3]
É interessante notar nesta passagem que Paulo não chegou a ter êxitos no mesmo instante quanto a conversão dos seus ouvintes, no entanto esta sem dúvida alguma foi uma das maiores apresentações cristãs da história. Talvez, muitos achem desperdício subir nos areópagos e com singeleza se “misturarem” com os súditos e discursarem sobre o “Deus desconhecido”, de repente esta não é a forma estatisticamente eficaz para os métodos de enchimento de igreja... Entretanto, é muito importante considerar que ao ir ao areópago não vamos convencer ninguém a aceitar a Verdade – esta parte não pertence a nós. Assim sendo, ser sal e luz não significa utilizar métodos para alcance de não-cristãos; ser sal e luz é “ser”, “ir”, “ficar”, “andar”, “demonstrar”, “dizer”...é um estilo de vida!

Um dos exemplos que devemos tirar em Atos 17 é o amor cujo Paulo imprime em seu discurso. É preciso que aprendamos com a apologética paulina neste sentido. Além disso é preciso entender o Senhorio de Cristo em todas as áreas da vida! O Cristo Todo para Vida Toda em todos os seus aspectos!

O areópago de minha (ou sua) cidade está pronto, seu público está no local, alguém vai subir lá e discursar, muitos irão subir e discursar... e os cristãos? Onde estão? – Já sei! Do outro lado do muro! Bem longe do areópago da minha (ou sua) cidade.

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[1], [2] e [3], trechos da canção Sobre o Mesmo Chão - Palavrantiga.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A QUEDA DE MARK DRISCOLL E A MORTE DA MARS HILL

Por Alessandro Brito

Talvez a notícia de maior repercussão das redes de comunicação gospel, em 2014, seja a saída de Mark Driscoll da mega igreja Mars Hill e o anuncio do fechamento de todas as suas igrejas “satélites”. O que me chama atenção é o fato de que o próprio pivô das manchetes já havia deixado claro que isso tudo um dia aconteceria. Em 2012, Driscoll publicou um artigo intitulado, The 9 Seasons of a Church’s Life (As 9 Estações da Vida de uma Igreja), onde apresentou a morte da igreja local como parte natural de seu ciclo de vida:

Quando uma igreja não é saudável, ela morre. Uma igreja não é saudável quando não mais experimenta o crescimento por meio da conversão ou atrai jovens líderes. Neste ponto a igreja enfrenta um dilema fundamental. Um, ela pode negar a sua morte iminente, vender seus ativos para prolongar a sua morte, redefinir sua missão a fim de defender-se da sua morte, e simplesmente sobreviver à medida que de forma lenta e dolorosamente morra e reescrever os melhores anos de sua história para se sentir importante e bem sucedida. Dois, ela pode abraçar a sua morte iminente como uma oportunidade para ressuscitar.[1]

O que as igrejas e líderes eclesiásticos podem aprender com essa experiência? Existe uma forma de se evitar a queda e o fechamento de uma igreja local? Quero responder a estas perguntas destacando duas grandes lições do ocorrido utilizando o próprio ensino de Driscoll.

A primeira lição é que uma igreja ou sua liderança quando enfermas morrem. A doença que levou a queda de Driscoll, de acordo com Tim Keller, pastor da Igreja Presbiteriana Redeemer em Nova York, foi: “… a arrogância e a grosseria nas relações pessoais, que ele mesmo confessou várias vezes…”.[2]

A própria Mars Hill reconheceu isso ao dizer em seu web site que: “…o Pastor Mark tem, às vezes, sido culpado de arrogância, respondendo a conflitos com um temperamento explosivo e fala dura, e liderado a equipe e os anciãos de uma forma dominadora”.[3] Claro que várias outras acusações foram feitas em relação ao ministério de Mark Driscoll, porém é obvio que a raiz de sua queda e consequentemente de sua igreja foi a arrogância, ou seja, orgulho. O mesmo mal que levou Satanás e Adão a se rebelarem contra Deus e consequentemente caírem.[4]

A questão é que todos nós somos participantes da queda, pois somos pecadores, e tão culpados quanto Driscoll, a final de contas, somos todos orgulhosos, mesmo quando não admitimos isso.[5] Se perguntarmos, por exemplo, a vários líderes qual é o propósito de seus ministérios ou de suas igrejas, as respostas certamente serão bíblicas, porém ao observaremos as suas atitudes chegaremos a conclusão de que estão de forma orgulhosa colocando toda glória devida a Deus em segundo plano.

Não tem como negar que uma infinidade de igrejas e pastores evangelizam para aumentar o número de membros e não para ver mais pessoas refletindo os atributos de Deus. Que discipulam para dominar seus membros por meio de doutrinas humanas e não para ensinar pessoas a refletirem a Deus corretamente. Que fazem justiça social para atrair os holofotes para si mesmos e não para glorificar a Deus por meio de boas ações mesmo que ninguém venha a ficar sabendo. O resultado deste desvio de propósito ministerial e eclesiástico é o que faz com que muitos vivam como se o tempo não tivesse um fim, assim como diz a Bíblia: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.”[6]

A segunda está relacionada ao tempo, pois uma igreja ou sua liderança fatalmente morrerão um dia. Mars Hill, por exemplo, será uma das mais de 4.000 igrejas que, segundo as estatisticas, fecham a cada ano Estados Unidos.[7] O problema é que vários líderes na busca de imortalizarem as suas igrejas não levam em consideração o ciclo natural da vida. Várias igrejas e líderes no intuito de prolongarem seus ministérios e a vida de suas igrejas dedicam tempo e recursos financeiros em suas suntuosas construções ou ministérios, ao invés de focarem naquilo que Jesus deixou como comissionamento.

Quando entendemos que somos limitados pelo tempo e espaço mudamos as nossas perspectivas e atitudes. Passamos a encarar a vida com um senso de urgência missionário e nos desprendemos das coisas terrenas. Isso acontence, pois a iminente certeza da morte nos faz repensar sobre a razão de nossa existência e levanta questionamentos do tipo: o que eu faria se hoje fosse o meu último dia de vida?

Steve Timmis, atual presidente da Acts 29 (Rede de plantação de igrejas fundada por Mark Discoll), encara o declínio das igrejas da seguinte forma:

É fácil, para nós, cristãos, desanimar quando lemos sobre a diminuição da frequência na igreja ou sobre a secularização da nossa cultura. Mas nós nos empolgamos com o futuro… A perda de frequência na igreja se deu em grande parte por causa da saída de cristãos nominais. Como resultado, o que sobrou pode estar mais sadio. Agora temos a oportunidade de nos tornarmos comunidades focadas em Jesus e a sua missão.[8]

John Piper diz que: “Nossa missão jamais deve ser apenas uma missão de ‘venha e veja’. Ela tem de ser missão de ‘Vá e fale’”.[9] Para Deus são justamente as nossas ações que abrirão a porta do Espírito Santo e logo determinarão o tempo de vida de nossas igrejas e ministérios. Para Deus o problema não está no fim da vida de uma congregação, mas em uma congregação morta ainda que aparentemente viva. As cartas enviadas para as sete igrejas da Ásia não foram escritas com a promessa de eternidade para as mesmas, mas um lembrete de que tinham uma missão a cumprir enquanto vivas.

Espero que Driscoll abrace a aparente morte da Mars Hill e seu ministério na expectativa de um renascimento tendo em mente que sem a morte não há ressurreição. Assim como também espero que nós, líderes e igrejas, não venhamos a ter a arrogante atitude de que somos indestrutíveis, mas que nossos dias se prolonguem por meio de uma mansa e humilde atitude que vise somente a glória de Deus.

Notas:

[1] http://theresurgence.com/2012/06/11/the-9-seasons-of-a-churchs-life
[2] http://www.nytimes.com/2014/08/23/us/mark-driscoll-is-being-urged-to-leave-mars-hill-church.html?smid=tw-share&_r=2
[3] https://marshill.com/2014/10/15/pastor-mark-driscolls-resignation
[4] Isaías 14:12-14; Ezequiel 28:12-15
[5] Romanos 3.23
[6] Eclesiastes 3.1,2
[7] WIN Arn, The Pastor’s Manual for Effective Ministry. Monrovia, CA, Church Growth, 1988, p.16
[8] CHESTER, Tim; TIMMIS, Everyday Church: Gospel Communities on Mission. Nottingham, UK: IVP, 2011, p.11
[9] Piper, John Evangelização e Missões: Proclamando o Evangelho para a Alegria das Nações. São José dos Campos: Editora Fiel, 2011, p. 77

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Fonte: Gospel Prime, via Púlpito Cristão.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

CARTA DE UM PASTOR PROTESTANTE À PRESIDENTE ELEITA

Por Antonio Carlos Costa

Excelentíssima Senhora Presidente da República Dilma Rousseff,

cerca de 54 milhões de brasileiros acabaram de elegê-la presidente do Brasil. Entre esses, número incontável de pobres, que escolheram a senhora e o seu partido em razão do serviço que prestaram à nação, ao fazerem correção histórica de iniquidade com a qual a maioria de nós brasileiros convivíamos sem nos perturbar: a miséria de homens, mulheres e crianças deste país, que desde o período da sua colonização sempre viu com naturalidade pobres invisíveis fazendo o papel de coadjuvantes da vida do rico, servindo-o mediante sistema de exploração descarada, sem falar naqueles que nem ser explorados puderam, por viverem completamente à margem da vida, mendigando o pão.

Na condição de amante da democracia, que representa o estágio mais avançado das concepções políticas da humanidade, uma vez que ainda não foi demonstrado modelo político que mais dignifique o homem do que o governo com o consentimento do governado, assumo o compromisso de estar ao lado de todo aquele que tenciona apoiá-la, torcer pelo seu sucesso e honrá-la na condição de presidente democraticamente eleita.

Considero, contudo, que não seja desrespeitoso e antidemocrático falar do que me causa angústia, perplexidade e apreensão quando penso no país que Vossa Excelência e o seu partido governam há 12 anos. Passo a responder ao convite que a sua coordenação de campanha me fez na semana passada, chamando-me para apresentar as propostas do movimento social que presido.

Presidente Dilma, em seu governo e no do seu antecessor mais de 600 mil pessoas -a maioria esmagadora, pobres-, tiveram a vida interrompida pelo crime. Números de guerra civil. Milhões de brasileiros olham diariamente para o porta retrato de parentes amados que foram arrebatados do seu convívio por terem nascido num país que deixa matar.

Jazem em nossas prisões quase 600 mil seres humanos, vivendo em masmorras medievais, com características de campo de concentração nazista, num país cuja presidente afirma conhecer a dura realidade do cárcere, por já ter passado por ele.

A maior parte do povo brasileiro não passa mais fome, entretanto, vive muito mal. Morando em ruas encardidas e imundas, com esgoto banhando os pés de meninos e meninas pobres, que jogam bola e brincam de boneca disputando espaço com ratazanas. Crescimento econômico não é tudo. Carecemos daquela espécie de desenvolvimento que amplia a liberdade humana, propiciando a parcelas cada vez mais amplas da sociedade poder contribuir para a arte, ciência, literatura, política, esporte. Como alcançar essa plenitude de vida se, por falta de hospitais e médicos, doenças deformam o corpo; e, por falta de acesso a educação de qualidade, a desinformação atrofia o intelecto?

A classe média, que banca o "Bolsa Família" e o "Minha Casa, Minha Vida", trabalha oito, dez, doze horas por dia seis vezes por semana; mas não sem passar quatro horas do seu tempo em trânsito infernal, para ganhar pouco e viver sem razão. Milhões e milhões trabalham apenas para manter a vida biológica, uma vez que não têm tempo para a leitura de bons livros, para o amor, para o contato com a natureza, para o engajamento político, para a prática de um hobby, para o investimento na sua própria vida visando sua ascensão social.

Presidente Dilma, quando será implementando plano visando a queda progressiva de investimento em programas assistencialistas? Não estou pregando o fim do Estado do bem-estar social. O que preocupa aos milhões que não votaram em Vossa Excelência é o fato de a esmola que é oferecida a gente saudável humilhar o pobre, expor seu caráter a deformidades e impedir que contribua para o embelezamento, desenvolvimento e aperfeiçoamento da vida em sociedade. Presidente, quando o pobre encontrará a porta de saída do bolsa família?

Presidente Dilma, não estou aqui para apresentar um programa de governo. Não tenho competência para isso, embora a experiência de campo em trabalhos nas favelas do Rio de Janeiro, no sistema prisional, no sertão nordestino, nos cemitérios levando consolação para parentes de vítima da violência, permita-me expor as falhas do Governo Federal, que reputo como inaceitáveis e desnecessárias, porque temos recursos financeiros, talentos humanos e democracia para sairmos desse estado de pobreza que nos humilha perante os demais povos.

O maior sinal da nossa patologia em termos de políticas públicas -o que precisa ser humildemente reconhecido pelo seu governo-, é, sem sombra de dúvida, o fato de sermos a sétima economia do mundo e o 79º país do planeta em Índice de Desenvolvimento Humano.

Apesar de toda essa sorte de graves problemas sociais, que geram sofrimento para milhões e instabilidade política num país agora bastante dividido, reportagem recente da Folha de S. Paulo (29/09) prova que mais de 40% das promessas que Vossa Excelência fez em 2010 não foram cumpridas até hoje.

Faço um apelo à Vossa Excelência. Apresente ao país -de modo claro que até o brasileiro mais humilde possa entender-, suas metas de governo e prazos para a realização do que foi prometido. Presidente, é fato, provado pela falta de infraestrutura que esteja à altura do poder econômico do nosso país, que o Estado brasileiro precisa ser gerido com mais eficiência -princípio constitucional basilar da administração pública. Como haver eficiência sem mecanismos de avaliação do desempenho do governo? Como fazer aferição do que não pode ser medido? Qual cobrança, contudo, pode ser efetiva se ministros e seus subordinados permanecem nos seus cargos apesar da sua ineficiência?

Assumo o compromisso, perante o meu país, minha família e o Deus a quem sirvo, revelado no evangelho de Cristo, de celebrar cada conquista do seu governo, e apoiá-la em todo esforço de viabilizar a vida humana no Brasil, mas não me calar se o seu governo se resumir a dar comida ao pobre, sem garantir ao todo da população, a começar pelos excluídos, o direito à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à segurança e à vida.

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Antonio Carlos Costa é pastor presbiteriano, presidente da Ong Rio de Paz.

sábado, 25 de outubro de 2014

O que aconteceu com os evangélicos?

Por Augustus Nicodemus Lopes

Quando Paulo Romeiro escreveu Evangélicos em Crise em meados da década de 90, ele apenas tocou em uma das muitas áreas em que o evangelicalismo havia entrado em colapso no Brasil: a sua incapacidade de deter a proliferação de teologias oriundas de uma visão pragmática e mercantilista de igreja, no caso, a teologia da prosperidade.

Fica cada vez mais claro que os evangélicos estão atualmente numa crise muito maior, a começar pela dificuldade – para não falar da impossibilidade – de ao menos se definir hoje o que é ser evangélico.

Até pouco tempo, “evangélico” indicava vagamente aqueles protestantes de entre todas as denominações – presbiterianos, batistas, metodistas, anglicanos, luteranos e pentecostais, entre outros, que consideravam a Bíblia como Palavra de Deus, autoritativa e infalível, que eram conservadores no culto e nos padrões morais, e que tinham visão missionária.

Hoje, no Brasil, o termo não tem mais essa conotação. Ele tem sido usado para se referir a todos os que estão dentro do cristianismo em geral e que não são católicos romanos: protestantes históricos, pentecostais, neopentecostais, igrejas emergentes, comunidades dos mais variados tipos, etc.

É evidente a crise gigantesca em que os evangélicos se encontram: a falta de rumos teológicos definidos, a multiplicidade de teologias divergentes, a falta de uma liderança com autoridade moral e espiritual, a derrocada doutrinária e moral de líderes que um dia foram reconhecidos como referência, o surgimentos de líderes totalitários que se auto-denominam pastores, bispos e apóstolos.

A conquista gradual das escolas de teologia pelo liberalismo teológico, a falta de padrões morais pelos quais ao menos exercer a disciplina eclesiástica, a depreciação da doutrina, a mercantilização de várias editoras evangélicas que passaram a publicar livros de linha não evangélica, e o surgimento das chamadas igrejas emergentes. A lista é muito maior e falta espaço nesse post.

Recentemente um amigo meu, respeitado professor de teologia, me disse que o evangelicalismo brasileiro está na UTI. Concordo com ele. A crise, contudo, tem suas raízes na própria natureza do evangelicalismo, desde o seu nascedouro.

Há opiniões divergentes sobre quando o moderno evangelicalismo nasceu. Aqui, adoto a opinião de que ele nasceu, como movimento, nas décadas de 50 e 60 nos Estados Unidos. Era uma ala dentro do movimento fundamentalista que desejava preservar os pontos básicos da fé (veja meu post sobre Fundamentalismo), mas que não compartilhava do espírito separatista e exclusivista da primeira geração de fundamentalistas.

A princípio chamado de “neo-fundamentalismo”, o evangelicalismo entendia que deveria procurar uma interação maior com questões sociais e, acima de tudo, obter respeitabilidade acadêmica mediante o diálogo com a ciência e com outras linhas dentro da cristandade, sem abrir mão dos “fundamentos”.

Eles queriam se livrar da pecha de intransigentes, fechados, bitolados e obscurantistas, ao mesmo tempo em que mantinham doutrinas como a inerrância das Escrituras, a crença em milagres, a morte vicária de Cristo, sua divindade e sua ressurreição de entre os mortos. Eram, por assim dizer, fundamentalistas esclarecidos, que queriam ser reconhecidos academicamente, acima de tudo.

O que aconteceu para o evangelicalismo chegasse ao ponto crítico em que se encontra hoje? Tenho algumas idéias que coloco em seguida.

1. O diálogo com católicos, liberais, pentecostais e outras linhas sem que os pressupostos doutrinários tivessem sido traçados com clareza. Acredito que podemos dialogar e aprender com quem não é reformado. Contudo, o diálogo deve ser buscado dentro de pressupostos claros e com fronteiras claras. Hoje, os evangélicos têm dificuldades em delinear as fronteiras do verdadeiro cristianismo e de manter as portas fechadas para heresias. 

2. A adoção do não-exclusivismo como princípio. Ao fazer isso, os evangélicos começaram a abrir a porta para a pluralidade doutrinária, a multiplicidade de eclesiologias e o relativismo moral, sem que tivessem qualquer instrumento poderoso o suficiente para ao menos identificar o que estivesse em desacordo com os pontos cruciais.

3. O abandono gradual da aderência a esses pontos cruciais com o objetivo de alargar a base de comunhão com outras linhas dentro da cristandade. Com a redução cada vez maior do que era básico, ficou cada vez mais ampla a definição de evangélico, a ponto de perder em grande parte seu significado original.

4. O abandono da confessionalidade, das grandes credos e confissões do passado, que moldaram a fé histórica da Igreja com sua interpretação das Escrituras. Não basta dizer que a Bíblia não tem erros. Arminianos, pelagianos, socinianos, unitários, eteroteólogos, neopentecostais – todos afirmarão isso.

O problema está na interpretação que fazem dessa Bíblia inerrante. Ao jogar fora séculos de tradição interpretativa e teológica, os evangélicos ficaram vulneráveis a toda nova interpretação, como a teologia relacional, a teologia da prosperidade, a nova perspectiva sobre Paulo, etc.

5. A mudança de uma orientação teológica mais agostiniana e reformada para uma orientação mais arminiana. Isso possibilitou a entrada no meio evangélico de teologias como a teologia relacional, que é filhote do arminianismo. Permitiu também a invasão da espiritualidade mística centrada na experiência, fruto do reavivalismo pelagiano de Charles Finney. 

Essa mudança também trouxe a depreciação da doutrina em favor do pragmatismo, e também o antropocentrismo no culto, na igreja e na missão, tudo isso produto da visão arminiana da centralidade do homem.

Mas talvez o pior de tudo foi a perda da cosmovisão reformada, que serviria de base para uma visão abrangente da cultura, ciência e sociedade, a partir da soberania de Deus sobre todas as áreas da vida. Sem isso, o evangelicalismo mais e mais tem se inclinado a ações isoladas e fragmentadas na área social e política, às vezes sem conexão com a visão cristã de mundo.

6. Por fim, a busca de respeitabilidade acadêmica, não somente da parte dos demais cristãos, mas especialmente da parte da academia secular. Essa busca, que por vezes tem esquecido que o opróbrio da cruz é mais aceitável diante de Deus do que o louvor humano, acabou fazendo com que o evangelicalismo, em muitos lugares, submetesse suas instituições teológicas aos padrões educacionais do Estado e das universidades.

Padrões esses comprometidos metodológica, filosófica e pedagogicamente com a visão humanística e secularizada do mundo, em que as Escrituras e o cristianismo são estudados de uma perspectiva não cristã. Abriu-se a porta para o velho liberalismo.

Não há saída fácil para essa crise. Contudo, vejo a fé reformada como uma alternativa possível e viável para a igreja evangélica brasileira, desde que se mantenha fiel às grandes doutrinas da graça e aos lemas da Reforma, e que faça certo aquilo que os evangélicos não foram capazes de fazer:

(1) dialogar e interagir com a diversidade delineando com clareza as fronteiras do cristianismo; 

(2) abandonar o inclusivismo generalizado e adotar um exclusivismo inteligente e sensível;

(3) voltar a valorizar a doutrina, especialmente os pontos fundamentais da fé cristã expressos nos credos e confissões, que moldaram os inícios do movimento evangélico.

Talvez assim possamos delinear com mais clareza os contornos da face evangélica em nosso país.


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Augustus Nicodemus Lopes é um dos mais respeitados teólogos brasileiros. Seus textos podem ser lidos no excelente blog O Tempora, O Mores! Via Púlpito Cristão.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Política e Igreja

Aproximam-se as eleições, e nos mais radicais chega a dar calafrios quando o assunto é política no seio das comunidades evangélicas. As aberrações são tamanhas, que grande parte dos evangélicos têm se fechado para assunto. Até que ponto isso bom? O porquê do descrédito? O que a bíblia diz a respeito?

A Bíblia enfatiza muitos benefícios conquistados pela presença de homens de Deus junto às decisões políticas. Mardoqueu, por exemplo, impediu que muitos “dos seus” fossem mortos nos relatos do Livro de Ester, por que estava lá: no cerne político do Império Persa. E o que dizer de José, que como tantos outros, pôde lutar pelos princípios em que crera, fazendo prosperar um império no primeiro escalão político do Egito Antigo.

Então é bom a igreja envolver-se, certo?! Não exatamente. Muita coisa mudou desde os tempos bíblicos e eu que nasci num lar cristão já presenciei coisas que fariam Mardoqueu se contorcer em seu túmulo (calma xiita, foi só uma figura de linguagem). Bom, eu já vi santinhos (panfletos onde na maioria das vezes o fotografado não tem nada de santo) serem distribuídos na saída do culto; políticos ligados ao ocultismo e a ritos pagãos tomarem lugar no altar como se fossem uma referência eclesiástica a ser seguida; o fato de nos bastidores da política já existirem cotações financeiras (com cifras elevadas) sobre em que líder evangélico “investir” (comprar) para agregar votos da massa gospel.

Estarrecedor ouvirmos o termo “porteira fechada” ao se referirem ao dinheiro pago para se ter o apoio integral de uma igreja. Líderes que abdicam de seus chamados para lançarem-se politicamente, cedendo à pressão de um sistema sujo envolvendo-se em escândalos de corrupção. Eis o porquê do descrédito. Da repulsa de falar em política dentro das igrejas.

Sem generalizações, muitos líderes contemporâneos, se fossem transportados para os tempos bíblicos de José, facilmente fariam acordos escusos com Faraó a fim de calar seus comandados e perpetuarem-se no poder (sei que já viu esse enredo por aí). A representatividade nos tempos bíblicos servia ao povo de Deus e seus princípios, hoje, no entanto, vê-se comumente o povo servindo à representatividade - fiéis como moeda de troca de vantagens financeiras.

Uma coisa é certa, os evangélicos estão mais esclarecidos, mais críticos. As insanidades de outrora já não colam mais, e já é possível acompanhar mais de perto a postura de nossos representantes. Façamos os devidos filtros à luz do evangelho, sem nos esquecermos das consultas acerca da idoneidade pregressa de nossos candidatos. Oremos para que Deus levante “Mardoqueus” nessa geração, pois abster-se da política é mais prejudicial à igreja que aos políticos que queremos punir. Certos ainda, de se fazer real o grito incólume de um Brasil melhor, onde: “Quando o Justo governa o povo se alegra, mas quando o ímpio domina o povo geme.” (Provérbios 29:2)

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O texto é de Júnior Martins, gente inconformada com o sistema e que colaborou com nosso trabalho através desse texto pertinente.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Qual o futuro da igreja evangélica no Brasil?

Quando olho o atual cenário da igreja evangélica brasileira – estou usando o termo “evangélica” de maneira ampla – confesso que me sinto incapaz de prever o que vem pela frente. Há muitas e diferentes forças em operação em nosso meio hoje, boa parte delas conflitantes e opostas. Olho para frente e não consigo perceber um padrão, uma indicação que seja, do futuro da igreja.

Há, em primeiro lugar, o crescimento das seitas neopentecostais. Embora estatísticas recentes tenham apontado para uma queda na membresia de seitas como a Universal do Reino do Deus - que ressurge das cinzas com o "templo de Salomão" - , outras estão surgindo no lugar, como na lenda grega da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que se regeneravam quando cortadas. A enorme quantidade de adeptos destes movimentos que pregam prosperidade, cura, libertação e solução imediata para os problemas pessoais acaba moldando a imagem pública dos evangélicos e a percepção que o restante do Brasil tem de nós. Na África do Sul conheci uma seita que mistura pontos da fé cristã com pontos das religiões africanas, um sincretismo que acaba por tornar irreconhecível qualquer traço de cristianismo restante. Temo que a continuar o crescimento das seitas neopentecostais e seus desvios cada vez maiores do cristianismo histórico, poderemos ter uma nova religião sincrética no Brasil, uma seita que mistura traços de cristianismo com elementos de religiões afro-brasileiras, teologia da prosperidade e batalha espiritual em pouquíssimo tempo.

Depois há o movimento “gospel”, que mostrou sua popularidade ao ter o festival “Promessas” veiculado pela emissora de maior audiência do país. Não me preocupa tanto o fato de que a Rede Globo exibiu o show, mas a mensagem que foi passada ali. A teologia gospel confunde “adoração” com pregação, exalta o louvor como o principal elemento do culto público, anuncia um evangelho que não chama pecadores e crentes ao arrependimento e mudança de vida, que promete vitórias mediante o louvor e a declaração de frases de efeito e que ignora boa parte do que a Bíblia ensina sobre humildade, modéstia, sobriedade e separação do mundo. Para muitos jovens, os shows gospel viraram a única forma de culto que conhecem, com pouca Bíblia e quase nenhum discipulado. O impacto negativo da superficialidade deste movimento se fará sentir nesta próxima geração, especialmente na incapacidade de impedir a entrada de falsos ensinamentos e doutrinas erradas.

Notemos ainda o crescimento do interesse pela fé reformada, não nas igrejas históricas, mas fora delas, no meio pentecostal. Não são poucos os pentecostais que têm descoberto a teologia reformada – particularmente as doutrinas da graça, os cinco slogans (“solas”) e os chamados cinco pontos do calvinismo. Boa parte destes tem tentado preservar algumas idéias e práticas características do pentecostalismo, como a contemporaneidade dos dons de línguas, profecia e milagres, além de uma escatologia dispensacionalista. Outros têm entendido – corretamente – que a teologia reformada inevitavelmente cobra pedágio também nestas áreas e já passaram para a reforma completa. Mas o tipo de movimento, igrejas ou denominações resultantes desta surpreendente integração ainda não é previsível.

O impacto das mídias sociais também não pode ser ignorado. E há também o número crescente de desigrejados, que aumenta na mesma proporção da apropriação das mídias sociais pelos evangélicos. Com a possibilidade de se ouvir sermões, fazer estudos e cursos de teologia online, além de bate-papo e discipulado pela internet, aumenta o número de pessoas que se dizem evangélicas mas que não se congregam em uma igreja local. São cristãos virtuais que “freqüentam” igrejas virtuais e têm comunhão virtual com pessoas que nunca realmente chegam a conhecer. Admito o benefício da tecnologia em favor do Reino. Eu mesmo sou professor a quinze anos de um curso de teologia online e sei a benção que pode ser. Mas, não há substituto para a igreja local, para a comunhão real com os santos, para a celebração da Ceia e do batismo, para a oração conjunta, para a leitura em uníssono das Escrituras e para a recitação em conjunto da oração do Pai Nosso, dos Dez Mandamentos. Isto não dá para fazer pela internet. Uma igreja virtual composta de desigrejados não será forte o suficiente em tempos de perseguição.

Eu poderia ainda mencionar a influência do liberalismo teológico, que tem aberto picadas nas igrejas históricas e pentecostais e a falta de maior rapidez e eficiência das igrejas históricas em retomar o crescimento numérico, aproveitando o momento extremamente oportuno no país. Afinal, o cristianismo tem experimentado um crescimento fenomenal no chamado Sul Global, do qual o Brasil faz parte.

Algumas coisas me ocorrem diante deste quadro, quando tento organizar minha cabeça e entender o que se passa.

1 – Historicamente, as igrejas cristãs em todos os lugares aqui neste mundo atravessaram períodos de grande confusão, aridez e decadência espiritual. Depois, ergueram-se e experimentaram períodos de grande efervescência e eficácia espiritual, chegando a mudar países. Pode ser que estejamos a caminho do fundo do poço, mas não perderemos a esperança. A promessa de Jesus quanto à Sua Igreja (Mateus 16:18) e a história dos avivamentos espirituais nos dão confiança.

2 – Apesar de toda a mistura de erro e verdade que testemunhamos na sincretização cada vez maior das igrejas, é inegável que Deus tem agido salvadoramente e não são poucos os que têm sido chamados das trevas para a luz, regenerados e justificados mediante a fé em Cristo Jesus, apesar das ênfases erradas, das distorções doutrinárias e da negligência das grandes doutrinas da graça. Ainda assim, parece que o Espírito Santo se compraz em usar o mínimo de verdade que encontra, mesmo em igrejas com pouca luz, na salvação dos eleitos. Não digo isto para justificar o erro. É apenas uma constatação da misericórdia de Deus e da nossa corrupção. Se a salvação fosse pela precisão doutrinária em todos os pontos da teologia cristã, nenhum de nós seria salvo.

3 – Deus sempre surpreende o Seu povo. É totalmente impossível antecipar as guinadas na história da Igreja. Muito menos, fazer com que aconteçam. Há fatores em operação que estão muito acima dos poderes humanos. Resta-nos ser fiéis à Palavra de Deus, pregar o Evangelho completo – expositivamente, de preferência – viver uma vida reta e santa, usar de todos os recursos lícitos para propagar o Reino e plantar igrejas bíblicas e orar para que nosso Deus seja misericordioso com os seus eleitos, com a Sua igreja, com aqueles que Ele predestinou antes da fundação do mundo e soberanamente chamou pela Sua graça, pela pregação do Evangelho.

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Augustus Nicodemus é teólogo, pastor, conferencista, escritor e um dos editores do Blog Ó Tempora, ó Mores.

sábado, 9 de agosto de 2014

Dependência Quimíca, Igreja e a cura

Ultimamente tenho trabalhado num projeto de apoio a dependentes químicos na minha cidade. E apesar de já desempenhar algo parecido na área de prevenção às drogas dentro da Polícia Militar, me faltavam experiência e conhecimento a respeito do tratamento na vida do dependente e dos familiares do usuário, também chamados de co-dependentes.

A primeira coisa que nós aprendemos ao se voluntariar num projeto semelhante é saber que a dependência química é uma doença incurável e progressiva. Portanto, há um tratamento para os dependentes que não é, e nem será, substituído por uma “oração poderosa” de cura.

Vários fatores contribuem para que um indivíduo passe a consumir droga, um deles é o aspecto familiar. Por isso, algumas famílias que recorrem à igreja para ajuda, geralmente vislumbram uma cura imediata, e infelizmente alguns crentes alimentam essa esperança talvez por ignorância em relação ao problema (isso não nos impede de acreditar que em casos específicos a cura pode ocorrer, tendo em vista a vontade soberana e poder de Deus).

Ao conceder entrevista a uma rádio local, um ouvinte perguntou: “o que fazer quando alguém se converte, mas por fraqueza, volta a consumir droga (como o álcool) mas não retorna a igreja por vergonha de saber que a maioria dos crentes o discriminarão?” Poxa, fiquei triste com a pergunta pois acredito ser uma grande verdade ainda no meio de nós. Daí, tive que relembrar ao ouvinte e aos demais, que igreja, na verdade, é uma comunidade de “doentes”, não necessariamente ‘doentes químicos’, mas pessoas que precisam se enxergar como gente em constante tratamento (seja em qualquer área da vida), tendo em vista que ainda somos imperfeitos, e apesar de sermos santos (separados), santos também adoecem, fraquejam, vacilam.

A segunda coisa interessante que podemos pontuar a respeito da dependência química é que o problema central dela não é a droga. O problema real dela são os motivos que levam alguém a ‘fugar’ para ela – emoções, frustrações, curiosidade, modismo, depressão, etc. Daí resta-nos a sincera reflexão de que realmente todos, não só o dependente químico, necessitam de um “tratar”, haja vista, muitos são que lotam os templos são eternos viciados dependentes de tantas outras coisas que pouparei de dizê-las.

Aprendi também que o tratamento ideal para a dependência química não é só uma terapia de grupo – não há receita de bolo. Entretanto o mais importante é levar o dependente e a família a perceberem que ele é um doente, que precisa de ajuda, e que em Cristo nós encontramos o maior presente e a maior cura para nossas vidas.

Quanto aos demais aspectos, vertentes, casos específicos, forma de tratamento, a gente conversa em outro local diferente daqui.

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Antognoni Misael

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Para a Igreja Presbiteriana do Brasil, igreja 'Verbo da Vida' temelementos característico de seita

Por Antognoni Misael

Recentemente alguns internautas, cristãos, vinculados a Igreja Presbiteriana do Brasil, divulgaram nas redes sociais um posicionamento da Igreja Presbiteriana do Brasil em relação a igreja “Verbo da Vida”. Tivemos dúvida antes de publicar a matéria, mas após consultar o site se.icalvino.net o colunista do blog UMP da Quarta, Guilherme Barros, confirmou a notícia e nos mandou um print da página a qual teve acesso.

Não é a primeira vez que Igreja Presbiteriana do Brasil emite opinião sobre denominações de teologia duvidosa. Em 2010 ela também se pronunciou em relação as igrejas IURD e Mundial, considerando-as seitas. Agora, novamente depõe em relação a denominação Verbo da Vida, a qual tem estreita ligação com Kenneth Hagim, representante do movimento Palavra de fé, onde a confissão positiva, teologia da prosperidade e outras heresias foram veiculadas dentro do cenário eclesiástico brasileiro. Veja na íntegra o conteúdo.

Posicionamento oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil quanto a Igreja Verbo da Vida.Considerando:

1) Que a Igreja Verbo da Vida é ligada ao Kenneth Hagim Ministries;


2) Que a Igreja é defensora e praticante do "evangelho da saúde e da prosperidade" também conhecido como "Teologia da Prosperidade", "Confissão Positiva", "Palavra da fé" e "Movimento da Fé";


3) Que a igreja verbo da vida foi implantada no Brasil pelo "apóstolo" Bud Wright, e em seu blog existem afirmações que apontam as convicções e ensino da referida igreja;


4) Que a Igreja em seus encontros apresenta práticas muitos similares das que são praticadas na IURD - Igreja Universal do Reino de Deus - fato facilmente constatado nos vídeos espalhados na internet;
O SC/IPB 2014 RESOLVE:

1. Reconhecer que a Igreja Verbo da vida apresenta uma orientação teológica neo-pentecostal e com muitos elementos característicos de seita;

2. Determinar aos concílios inferiores que se abstenham de relações intereclesiásticas com a Igreja Verbo da Vida e só recebam por batismo e profissão de fé;

3. Responder ao concílio consulente que a Igreja verbo da vida não pode ser tratada como igreja co-irmã.


Imagem do texto no site se.icalvino.net.



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Antognoni Misael.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Púlpito Não é Palanque!!

Infelizmente chegou a época onde o púlpito vira palanque, onde o pastor é cabo eleitoral, os obreiros manobras de votos de cabresto, e Deus…? Bem, Deus “incorpora no político”, não é? #SQN

Essa campanha é de utilidade pública e religiosa!!

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Arte de Chocar

sábado, 21 de junho de 2014

A Assembleia de Deus e o Deus da Assembleia

A Assembleia de Deus está completando 103 anos. E, graças ao Deus da Assembleia (cf. Hb 12.23; At 20.28), nessa igreja ainda há líderes compromissados com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra. Por outro lado — para tristeza do Espírito Santo —, a denominação tem sofrido na mão de obreiros que conhecem a Assembleia de Deus, mas não são conhecidos pelo Deus da Assembleia (Mt 7.21-23).


Em algumas Assembleias de Deus divorciadas do Deus da Assembleia, o tempo da exposição da Palavra do Senhor foi suprimido ou reduzido por causa de shows de coreografia ou peças teatrais. E as pregações sobre a obra expiatória do Senhor Jesus e as ministrações do Espírito Santo cederam espaço à falaciosa Teologia da Prosperidade e ao famigerado “reteté”.


A exposição das Escrituras sob a unção do Espírito não é mais suficiente, nas Assembleias de Deus que não têm compromisso com o Deus da Assembleia. E os pregadores (pregadores?) dessas igrejas precisam animar auditório e recorrer a práticas bizarras, como derramar jarras de azeite sobre a própria cabeça e jogar água sobre o público.


Em algumas Assembleias de Deus, o culto não é mais para o Deus da Assembleia e faz-se de tudo um pouco para agradar as pessoas e massagear seus egos (cf. 2 Tm 4.1-5). Capoeira, gospel funk, street dance, festa jesuína e outras formas de entreter o povo têm sido adotadas como estratégias de “evangelização”.


Muitos líderes que se dizem assembleianos já se neopentecostalizaram, a fim de agradarem a uma multidão de interesseiros. Mas o Deus da Assembleia tem as suas “reservas” na terra. Há pastores e expoentes das Escrituras que têm cuidado de si mesmo e da doutrina (1 Tm 4.16) e não se deixaram influenciar pelo místico neopentecostalismo. Quanto a mim, continuo, segundo a graça do Deus da Assembleia, andando pelo caminho estreito (Mt 7.13,14).


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Fonte: Blog do Ciro.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Agora gays podem casar na igreja presbiteriana dos Estados Unidos(PCUSA)


No dia 19 deste mês (Junho de 2014) a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA) aprovou com maioria folgada uma alteração na sua Constituição. Em vez de dizer “o casamento é entre um homem e uma mulher,” a Constituição da PCUSA agora diz “o casamento é entre duas pessoas”. Obviamente, a alteração foi feita para poder acomodar dentro da PCUSA os gays que querem casar na igreja e ter cerimônia religiosa realizada por pastores/pastoras presbiterianos.

Esse é mais um passo na direção da apostasia, desde que a PCUSA entrou pelo caminho do liberalismo teológico. Veja a notícia aqui.

Antes de mais nada, preciso esclarecer que essa denominação norte-americana nada tem a ver com a Igreja Presbiteriana do Brasil. Na verdade, a IPB tem consistentemente rechaçado nas últimas décadas todas as tentativas oficiais de aproximação com PCUSA, feitas tanto das bandas de lá como das bandas de cá. É injusto colocar todos os presbiterianos no mesmo saco em que esta denominação apóstata se meteu. Ela traiu sua herança presbiteriana e o que é mais importante, traiu o Cristianismo bíblico.

Não vou dizer que fiquei estarrecido, surpreso ou chocado com a decisão tomada finalmente pela assembléia geral da PCUSA. Não estou surpreso porque já era de se esperar que tal coisa acontecesse, cedo ou tarde. Afinal, as decisões que vinham sendo tomadas por esta denominação presbiteriana em décadas recentes, não poderiam levar a outra coisa senão a decisões como tais. A decisão de aceitar casamento gay como sendo cristão é o resultado da fermentação de vários conceitos e pressupostos que ao longo do tempo foram lentamente sendo introduzidos na alma da denominação, formando irreversivelmente a sua maneira de pensar e de agir.

Tudo começou quando a PCUSA passou a tolerar que o liberalismo teológico fosse ensinado nas suas instituições teológicas, as quais são responsáveis pela formação teológica, eclesiástica e ministerial dos seus pastores. O liberalismo teológico retira toda a autoridade das Escrituras como palavra de Deus, introduz o conceito de que ela é fruto do pensamento ultrapassado de gerações antigas e que traz valores e conceitos que não podem mais ser aceitos pelo homem moderno. Assim, coloca a Bíblia debaixo da crítica cultural. O passo seguinte foi a aprovação da ordenação de mulheres cristãs ao ministério, em meados da década de 60, com base exatamente no argumento de que os textos bíblicos que impõem restrições ao exercício da autoridade eclesiástica por parte da mulher cristã eram culturalmente condicionados, e portanto impróprios para a nossa época, em que a mulher já galgou todas as posições de autoridade.

O argumento que vem sendo usado há décadas pelos defensores do homossexualismo dentro da PCUSA segue na mesma linha. Os textos bíblicos contrários ao homossexualismo são vistos como resultantes da cosmovisão cultural ultrapassada dos escritores bíblicos, refletindo os valores daquela época. Em especial, os textos de Paulo contra o homossexualismo (Romanos 1 em particular) são entendidos como condicionados pelos preconceitos da cultura antiga e pela falta de conhecimento científico, que segundo os defensores do homossexualismo hoje já demonstra que ser gay é genético, não podendo, portanto, ser mais considerado como desvio moral ou pecado. Já que a cultura moderna mais e mais aceita o homossexualismo como normal, chegando mesmo a reconhecer o casamento entre eles em alguns casos, por que a Igreja, que deveria sempre dar o primeiro exemplo em tolerância, aceitação e amor, não pode receber os homossexuais como membros comungantes e pastores da Igreja? Essa foi a argumentação que finalmente prevaleceu, pois a decisão permite que homossexuais praticantes considerem a sua escolha sexual como uma questão secundária e não como matéria de fé, sujeita à disciplina eclesiástica da denominação.

Não estou dizendo que todos os que defendem a ordenação de mulheres necessariamente são defensores da ordenação gay e do casamento de homossexuais. Tenho bons amigos que defendem um e abominam o outro. Estou apenas dizendo que, em ambos os casos, o argumento usado para sua aprovação dentro da PCUSA foi o mesmo: o que os escritores bíblicos dizem sobre estes assuntos não tem validade para os dias de hoje, e portanto, a Igreja deve se guiar por aquilo que é culturalmente aceitável, politicamente correto e que faz parte do bom senso comum.

Existe uma brava minoria dentro da PCUSA que, de longa data, tem lutado contra a introdução desses conceitos. Agora, assiste com tristeza a derrota bater à sua porta. Desde que a PCUSA aceitou o homossexualismo, mais de 10.000 igrejas já saíram dela. Esta que já foi a maior denominação presbiteriana do mundo hoje está reduzida a 1,8 milhões de membros. E este número cai mais a cada ano.

Não devemos pensar que esse é um problema que se restringe àquela denominação americana. Os mesmos pressupostos que a levaram a tomar essa decisão já estão em operação em nosso país, a começar pelos seminários e instituições de ensino teológico que já caíram vítimas do método histórico-crítico de interpretação, do liberalismo teológico, do pragmatismo e do relativismo. O campo está sendo preparado no Brasil para que em breve evangélicos passem a considerar a homossexualidade como sendo uma questão pessoal e secundária, abrindo assim a porta para ordenação de gays e lésbicas praticantes ao ministério da Palavra e para a realização de casamento gay nas igrejas evangélicas.

Acredito que a única medida preventiva é não abrirmos mão da legitimidade e aplicabilidade dos valores e dos ensinamentos bíblicos para todas as épocas e culturas. Isto nos permitirá sempre fazer uma crítica da cultura a partir do referencial da Palavra inspirada e infalível de Deus. Foi quando a PCUSA subjugou a Bíblia à cultura que a lata de minhocas foi aberta. A Bíblia passou a ser julgada pela cultura. Vai ser difícil para liberais, neo-ortodoxos, libertinos e outros grupos no Brasil, que de maneiras diferentes colocam a cultura à frente da Bíblia, resistir à pressão. Quem viver, verá.

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Fonte: Blog O Temporas, O Mores.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Um paralelo entre o crente inglês do século XIX e a igreja brasileiraatual

Por Antognoni Misael

Em um dos livros da coleção ‘A formação da classe Operária Inglesa’, especificamente no de Volume três, o autor E.P.Thompson, famoso por uma cosmovisão neomarxista, discorre sobre a formação da consciência da classe de trabalhadores ante o analfabetismo existente entre os ingleses do século XIX.

O que me chamou muita atenção em sua obra foi encontrar registros de que os protestantes daquela época exerceram um papel fundamental na construção do conhecimento, desenvolvimento do senso crítico social, e mais que isso, no processo de alfabetização de parte da população.

Havia uma grande busca pelo crescimento intelectual dentre os cristãos daquela época. Thompson ainda registra que era comum um trabalhador analfabeto andar quilômetros para ouvir um sermão de um pregador cristão. A ideia da obra de Thompson tem a premissa de que o analfabetismo de grande parte daquela massa, cujos cristãos eram maioria, não determinou que o nível de consciência política e social fosse comprometido. Eu vou mais além, digo que não comprometeu a sede em conhecer mais a Deus e que tipo de cosmovisão condizia com os valores dEle.

Thompson ainda relata que os cristãos que abandonavam o analfabetismo o faziam por insistentes leituras na Bíblia Sagrada aliadas as aulas informais solidarizadas por outros operários, enquanto que as suas crianças tinham o privilégio de serem logo cedo, veja:
Se as Sociedades Bíblicas e as sociedades da Escola Dominical não foram frequentadas para nenhum outro bem, pelo menos produziram um efeito benéfico – foram o meio de ensinar muitos milhares de crianças a ler” (Thompson, E.P., p. 308)
Apesar de relatos como estes não serem novidades, a saber que a Inglaterra pós-avivamento ainda aspirava busca pelo conhecimento sobre Deus, o mais interessante aqui é observar os registros de um historiador secular neomarxista a respeito dos hábitos protestantes.

Estamos no Brasil, século XXI. Em nossas igrejas é raro que nas Escolas Bíblicas Dominicais se alfabetize alguém, assim como dificilmente algum irmão andaria quilômetros para ouvir um sermão reformado! Estamos na era moderna, do evangelho moderno!

Mas o que me não me deixar parar de refletir é avaliar que se lemos a Bíblia, não primordialmente para aprender gramática... se nossas Escolas Bíblicas não, necessariamente, alfabetiza nossas crianças, mas as ensinam sobre o caminho; e se não precisamos andar quilômetros para ouvir um bom sermão na igreja, haja vista termos acessibilidade geográfica, de transporte e/ou mídia, me surpreende a situação a qual nos encontramos.

É como se atualmente grande parte de nossas igrejas fosse analfabeta em relação ao Evangelho; nossas Escolas Bíblicas fossem irrelevantes (a saber, que em muitas igrejas elas nem existem mais), e que as pessoas hoje em dia podem até andar quilômetros e mais quilômetros, só que, não para ouvir um bom sermão, mas para receber alguma cura, milagre ou benção material.

Reler estas passagens da oba de Thompson me deu vergonha de parte da igreja contemporânea, aliás, é esta dita parte que ao receber o fermento religioso e mercadológico inchou a ponto de tornar-se uma ofensa ao próprio Evangelho.

Portanto, sugiro que aprendamos um pouco com os operários da Inglaterra do século XIX - conscientes, questionadores, andarilhos em busca de sermões, profissionais que faziam de seus ofícios um culto a Deus. É a prova de que a igreja brasileira pode até ter um bom currículo, mas isto não a exime de ser analfabeta biblicamente, "desconsciente", dicotomizada, burrificada, porém alegando ter a mente do Cristo. #SQN!

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Antognoni Misael, editor do Arte de Chocar.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Padre sofre perseguição por negar adoração a Maria

Padre-e-Cantor-Fábio-de-Melo-21O padre Fábio de Melo já começou a sofrer perseguição pelo seu próprio povo.


Depois de fazer algumas declarações polêmicas, Fábio de Melo é vitima de uma petição pública, que exige o afastamento do padre do Programa Direção Espiritual, exibido na Tv Canção Nova.


Depois de vários sites especializados em notícias gospel reproduzirem um vídeo, em que o padre critica a adoração a Maria, alguns católicos passaram a tratá-lo como herege, e passaram a perseguir o padre.


Assista o vídeo que motivou a petição:

Veja o fundamento do pedido, apresentado a AVAAZ


Padre Fábio de Melo nega a natureza divina da Igreja, dizendo que Cristo queria implantar o Reino de Deus na Terra. Isso é Teologia da Libertação já condenada pela Sé Apostólica, com a nuança de que a Igreja foi criação de homens e não de Cristo, Literalmente o padre disse:


"Jesus não queria a Igreja, queria o Reino de Deus, mas a Igreja foi o que conseguimos dar a Ele".


Ele também relativiza a presença real de Cristo na Eucaristia, dizendo que:


"O que é a presença real?[ ...] O pão e o vinho somente? Não.”


A presença real de Cristo é apenas na Eucaristia, sem embargo à onipresença de Cristo, no entanto, corpo, alma e divindade de Cristo estão presentes apenas na Eucaristia.


O Código de Direito Canônico condena essa relativização com pena máxima:


884. Cân. 2. Se alguém disser que no sacrossanto sacramento da Eucaristia fica a substância do pão e do vinho juntamente com o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo; e negar aquela admirável e singular conversão de toda a substância de pão no corpo, e de toda a substância do vinho no sangue, ficando apenas as espécies de pão e de vinho, que a Igreja com suma propriedade (aptissime) chama de transubstanciação — seja excomungado [cfr. n° 877].


Também faz apologia ao Socialismo, como na entrevista ao Instituto Humanitas Unisino:


“A proposta de Jesus é socialista, né? O socialismo tem sido mal interpretado. Bem aplicada, sem os exageros da antiga União Soviética, a proposta socialista só edifica.”


Ocorre que desde Pio X, passando por Leão XII, PIo XII, Paulo VI, João XXIII, dentre outros, o comunismo e Socialismo sempre foram doutrinas condenadas, de modo que JOão XXIII disse que ao católico não é admitido "nem o socialismo moderado".


Outor ponto que merece ser observado é a falta de zelo pelo sacerdócio, de modo que, tanto em apresentações, quanto no dia-a-dia, quanto em programas de TV, o sacerdote não usa vestes clericais. Ocorre que é norma disciplinar que obriga o sacerdote a se vestir de forma diferente da dos leigos, utilizando a batina, ou camisa com colarinho romano, sendo utilizado o clergyman em qualquer situação. Não é norma facultativa, mas obrigatória a utilização de roupa distinta da que os leigos utilizam. Isso não é observado e é pregado abertamente que "o hábito não faz o monge", mas a falta de clergyman, com certeza, faz um sacerdote desobediente.


Enfim, por todos os danos causados à Igreja, pregando abertamente a Teologia da LIbertação, necessário que seja afastado do programa Direção Espiritual, bem como cesse de pregar o que a Igreja não ensina, permitir o que a Igreja proíbe, voltando à plena comunhão com o Papa, com os bispos do mundo inteiro, fazendo aquilo que a Igreja do mundo todo faz.


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Fonte: Extremo Gospel.


Gente, sinceramente, eu não tenha nada a declarar sobre essa polêmica. Se vocês quiserem comentar algo, quem sabe eu formule algum conceito.


Antognoni Misael.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Que Deus nos ajude a não jogar a toalha

Por Antognoni Misael

Tenho vivido dias de tempestades. Já são 17 anos de evangelho e o sofrimento parece só ter aumentado. Isto porque me ensinaram precocemente a tal de uma “arte de pensar”. Aí comecei a me achar um “pensador”, principalmente depois que me disseram que tinha recebido a mente de Cristo. Então o que antes era um exercício para auto-edificação, aos poucos foi se tornando o meu próprio fardo -  isto porque limpei as sujeiras de minhas lentes pelas quais via as coisas, mas infelizmente não pude fazer o mesmo com muitos que me rodeiam.

Concordo piamente com o que disseram certa vez: “o mais corajoso dos atos ainda é pensar coma própria cabeça" (Coco Chanel).

Ando pecando muito. Confesso. Por isso estou invejando aquele simples cristão que mora no campo; que passa o dia abraçado com a criação de Deus lidando diretamente com a natureza e as mais variadas formas de plantas, pássaros, riachos, rios, vento, sombra... Quanta simplicidade!

Invejo o cristão humilde daquela igrejinha simples, que a noite se reúne com os irmãos num templo pobre, sem som, iluminação, sem amplificadores, sem instrumentos eletrificados, sem projetores - apenas a Bíblia, a voz, a viola do campo envelhecida e a maravilhosa presença de Jesus.

Invejo o cristão que não sabe nada sobre o academicismo teológico, o qual tem reproduzido gente que diante de tanto conhecimento acaba se desnaturalizando  e perdendo a beleza do ser e existir.

Invejo os que nunca ouviram falar em shows gospel e nunca souberam das falcatruas dos seus astros que, por amor ao dinheiro, têm adorado a falsos deuses, dentre eles, mamom.

Invejo o cristão que nunca acessou uma internet e nunca teve noção do estado da igreja brasileira. Que ele nunca assista a esses vídeo onde cristãos mais parecem insanos, loucos e des-racionalizados. (Sim a loucura do Evangelho, mas nunca a loucura dos evangélicos).

Invejo o cristão que nem sonha que existem milhares de pseudo-líderes escondendo a cruz de Cristo e faturando grana em detrimento de um falso evangelho.

Os invejo porque sei que estão regozijados e satisfeitos plenamente em Cristo e poupados das tantas loucuras deste mundo.

Estamos diante de um conflito sistemático que nos inquieta. Tudo está em cheque: nossa fé, missão e relevância. E ao notar que as engrenagens do sistema o qual estamos inseridos está enferrujada, não nos cabe mais a fuga, mas sim o doloroso enfrentamento por amor a Deus e a sua Igreja. Daí notamos que “pensar” tem nos gerado sofrimento porque automaticamente esta ação faz com que não nos conformemos com a loucura corrupta deste mundo, e isso ao mesmo tempo nos torna perseguidos por uma outra “fé”, outra “missão” e outra “relevância”.

Outra fé. A fé do evangelho conveniente. A fé do mistério, da prosperidade, da cura, do decreto, da barganha.

Outra missão. A missão de ser feliz a todo custo. A missão de ser destaque neste mundo, ser cabeça, ser filho do Rei e ter direito ao melhor desta terra.

Outra relevância. A relevância de ser um povo separado, longe e distante do pecador.

Sendo perseguido por estas “outras” citadas e denunciado-as como incoerentes com os valores do reino, automaticamente tornamo-nos os perseguidores. E neste prisma, alguns embates surgem como proposta para nosso recuo:

1) Somos acusados de dividir o reino

2) Somos acusados de tocar nos "ungidos do Senhor"

3) Somos acusados de rebeldes e intolerantes

4) Corremos o grande risco de que alguns crentes se afastem de nós

5) Corremos o grande risco de nos tornarmos uma espécie de intruso na igreja

Contudo, 'pensar' ainda tem sido uma arma para igreja nestes tempos - por isso é de se estranhar uma igreja que diz ter a mente de Cristo, mas ao mesmo tempo odeia usá-la.

Pensar. Não é proibido pensar. Aliás, "É proibido proibir" de pensar.

Mas vamos logo sabendo que quem pensa muito, descansa menos. Entretanto, o nosso chamado é para não nos conformarmos, mas nos transformarmos pela renovação da mente. Isto é, penso, logo sigo a Jesus, em Rm 12.2.

Termino pedindo misericórdia e Graça a Deus, pois as "invejas" citadas acima, e que tanto sinto, na verdade podem ser uma evidência de que estou cansando. E cansar pode gerar em mim (ou em nós) a covardia de viver um “Let It Be” religioso, como se ter a mente de Cristo não fosse algo honroso, uma vez que nos faz sofrer, ser mal interpretado, injustiçado e perseguido.

Que Deus me (e nos) ajude a não jogar a toalha!

Soli Deo Gloria

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Antognoni Misael, cansando diante de tanto anacronismo evangélico, ou como se disse por aí, em-vão-gélico.