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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

OS PERIGOS NO MAU USO DA DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO

Por Fabio Campos

Há uma vanglória por parte de alguns a despeito da “Doutrina da Predestinação” muito perigosa e nociva à mensagem das “Boas-Novas” em Cristo, O Salvador. Alguns pregadores focam na “eleição”, mas esquecem da “justificação”. A doutrina da predestinação é bíblica, e seu tema encontra-se com contundência em várias passagens das Escrituras sem precisar de muito esforço exegético para o entendimento (At 4.28; Rm 8.29,30; 9.11-13; Ef 1.4-6).

A questão é como pregar e expor estes textos. Precisamos ter discernimento! Não sabemos quem são os “escolhidos” de Deus, e sem a justificação das boas novas, a reprovação fará o ouvinte olhar para si ao invés de olhar para o Salvador. Charles Spurgeon na sua refutação contra o hipercalvinismo disse:
Sou calvinista, gosto do que alguém chamou ‘calvinismo glorioso’, mas ‘hiperismo’ é quente demais para o meu paladar” [1].
A doutrina da predestinação é o baluarte do crente em meio a dificuldades e tentações, lembrando-o constantemente que sua salvação pertence a Cristo que o escolheu e não na da força de seu braço. Este é o contexto que ela deve ser apresentada. Não há como pregar o evangelho por meio da predestinação sem antes falar da graça de Deus disponível a todos os homens [sem entrar no mérito do chamado eficaz e o chamado externo]. Para alguns pregadores a proclamação do evangelho é unicamente o meio para juntar os eleitos de Deus. Uma pregação sem misericórdia e desprovida da graça de salvadora de Deus-Pai.

Precisamos ter outra abordagem para com os de fora. A ministração com a pressuposição de que nossa pregação deve alcançar os “pecadores eleitos” se tornará tendenciosa conspirando aos nossos conceitos e estado de “humor”. Certa vez perguntaram para Spurgeon “como é possível oferecer aos pecadores uma salvação que Cristo não realizou a favor deles”? Iain Murray no seu livro “Spugeon versus hipercalvinismo”, conta que ele pôs de lado essa questão como sendo uma coisa que Deus não quis explicar. Para ele era suficiente saber que o próprio Cristo Se oferece a todos; que o evangelho é para “toda criatura”, que todos os que vierem a Ele serão salvos, e que todos o que rejeitarem estão sem escusa. Ele disse que uma proclamação universal da boa notícia, das boas novas, com uma garantia para toda criatura, está no cerne do seu entendimento das Escrituras. Em acréscimo à argumentação bíblica segundo a qual os convites do evangelho não devem limitar-se aos que possuem certas experiências, Surpegeon adicionou o argumento de que tal limitação está sujeita a confundir almas necessitadas e a pô-las em perigo com uma forma de legalismo.

Spurgeon disse que os homens mais penitentes são os que se consideram os mais impenitentes. Uma exposição da predestinação sem a justificação para os incrédulos é joga-los no inferno com a probabilidade de que Deus já tenha reservado uma morada no céu a eles. O príncipe dos pregadores prossegue neste argumento:
“Se começássemos a pregar aos pecadores que eles precisam ter certo senso de pecado e certa medida de convicção, esse ensino faria com que o pecador fugisse de Deus em Cristo para si mesmo. O homem começaria logo a indagar: ‘Teria eu coração partido, estaria abatido’? Essa é apenas outra forma da pessoa olhar para si mesma. O homem não deve examinar a si mesmo para encontrar motivos para a graça de Deus” [2]
A capacidade de crer pertence unicamente aos eleitos por revelação do Espírito de Deus, e isto tem um tempo determinado; “há tempo para todo proposito debaixo do sol”. Por isso, o pregador que quer chamar seus ouvintes ao imediato arrependimento e fé, tendo isto por base para saber se o mesmo é um predestinado ou não, estará negando tanto a depravação humana como a Soberania de Deus. Um erro grave possa ser cometido neste contexto: “Predestinar um Judas Iscariotes e reprovar um ladrão arrependido nos últimos minutos de sua vida”. A respeito da soberania de Deus e da responsabilidade humana, Spurgeon, introduziu seu assunto com estas palavras:
“O sistema da verdade não é uma linha reta, mas duas. Nenhum homem chegará a ter uma correta visão do evangelho enquanto não souber ver as duas linhas ao mesmo tempo... Ora, se eu declarasse que o homem é tão livre para agir que não há presidência nenhuma de Deus sobre suas ações, eu seria levado para muito perto do ateísmo; e se, por outro lado, eu declarasse que Deus governa de tal modo todas as coisas que o homem não é livre para ser responsável, eu seria levado direto para o antinomianismo ou para o fatalismo. Que Deus predestina e que o homem é responsável são duas coisas que poucos conseguem enxergar. Estas verdades são tidas como incongruentes e contraditórias; contudo não são. É defeito do nosso fraco julgamento... é minha tontice que me leva a imaginar que duas verdades podem, alguma vez, contradizer-se uma a outra”. [3]
A Soberania de Deus não contradiz o seu caráter. Os homens sem ao menos entender a “doutrina da predestinação” imaginam um Deus severo, zangado e feroz, muito facilmente levado à ira, mas não tão facilmente induzido ao amor. O puritano John Owen sempre aconselhava:
“Não enredemos o nosso espírito limitando a Sua graça... Somos aptos a pensar que estamos sempre dispostos a ter perdão, mas que Deus não Se dispõe a concedê-lo”. [4]
O reformador João Calvino, nas últimas edições das Institutas, mudou o seu tratamento da eleição para fazê-lo seguir-se ao ensino da justificação. Ele dizia que quando a eleição é consequentemente introduzida como preliminar em relação a fazer ouvir o evangelho, inevitavelmente será como se fosse designada para limitar ou obstruir a salvação dos homens e das mulheres.

Inain Murray no mesmo livro disse “a conclusão final só pode ser que quando o calvinismo deixa ser evangelístico, quando se torna mais preocupado com a teoria do que com a salvação dos homens e das mulheres, quando a aceitação de doutrinas parece tornar-se mais importante do que a aceitação de Cristo, ele passa a ser, então, um sistema falido e invariavelmente vai perdendo seu poder de atração” [5]

Precisamos chorar pelos perdidos ao invés de ostentar nossa eleição a eles. O sentimento de Cristo a vista de Jerusalém, o de Paulo para com os seus compatriotas e o de Moisés para com o seu povo, este choro e lamento, por aqueles que vão rejeitando a graça rumo ao inferno. A doutrina da predestinação é bíblica e uma segurança para o crente; mas quando contemplamos pessoas que amamos fora do aprisco do “Bom Pastor”, o desespero bate em nossa porta. Isso é um bom sinal! Do contrário seria preocupante.

Que Deus nos dê graça para sermos mais prudentes ao expor essa doutrina tão preciosa dada a nós. Não sejamos inconsequentes ostentando “o saber” atribulando aqueles que ainda não foram iluminados no seu entendimento a respeito da sua salvação.

Fica a frase do reformador inglês John Bradford para o nosso aprendizado:
“Que o homem vá primeiro à escola secundária da fé e do arrependimento, antes de ir à universidade da eleição e da predestinação” [6].
Soli Deo Gloria!

Fabio Campos fabio.solafide@gmail.com

Referência bibliográfica das citações:

[1] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 63

[2] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 94

[3] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 99

[4] Spurgeon Versus Hipecalvinismo,a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 108

[5] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 138

[6] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 134

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Fonte: Blog do Fábio Campos, via Ministério de Beréia.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A igreja e o progresso do Evangelho


A pregação é do Pastor Antonio Carlos Costa, que além de Teólogo calvinista é fundador do Rio de Paz (Filiado ao DPI da ONU). Para ele é incoerente um Cristão ter contato com a beleza do Evangelho, ser receptor da Graça e misericórdia e viver como um tipo de andróide. "Uma coisa é saber que Deus existe, outra coisa é se deleitar em Deus!"


O vídeo me edificou, me triturou, me queimou os ossos...

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O "Mas" de Deus

mas de deus"MAS Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores". (Romanos 5:8)


É comum em nossos dias notícias e mais notícias, de fatos horrendos, de atos grotescos. E coisas desse tipo geram em nós um sentimento, uma reação. Em alguns revolta em outros incredulidade. “Não acredito nisso, eu não acho que ele seria capaz, onde vamos parar?”. Esses pensamentos permeiam nossa mente, a ponto, de em alguns casos, nos deixar mal. Como a investigação dos PMs mortos em SP, em que se suspeita do filho do casal. A nossa mente não consegue assimilar, não queremos acreditar que isso poderia ter acontecido. Não se chegou ao fim das investigações, porém este caso mexeu com o Brasil.


Relutamos em acreditar que uma criança seria capaz disso. Queremos ver que na humanidade ainda resta em certas pessoas o “bem”, que nascemos puros e que o mundo nos macula com o pecado. Seria até legal pensar assim, uma ideia que nos tira responsabilidade. Porém isso não é verdade, é uma visão distorcida que vai de encontro à palavra: “Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe.” (Salmos 51:5 - NVI). Todos pecamos, todos somos maus, somos farinha do mesmo saco! Criamos degraus e colocamos pessoas neles, vemos isso o tempo todo. Um assassino é tratado como alguém desprezível, alguém que não merece ser ajudado, que tem que passar a vida preso. E vemos ladrões e mentirosos em uma condição ruim, mas não tanto quanto o assassino. Isso me leva dizer algo que pode lhe chocar: Adolf Hitler não é em nada diferente de Madre Tereza aos alhos de Deus, em nada! Ambos são pecadores e carentes de Sua obra redentora, ambos feriram a santidade de Deus com seus erros. Aí querido leitor você pode indagar; “Como assim? Madre Tereza era alguém que tinha boas obras sociais, vivia uma vida abnegada em amor aos pobres. Como você pode colocá-la no mesmo patamar do Funhrer?” Simples, perante o Criador “Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo.” (Isaías 64:6 – NVI). Até nossa justiça é desprezível para Deus, se sabemos o que é justiça e ser justo.


"E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,
Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.
Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;
Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus".


[Efésios 2:1-7] 


No texto de Paulo aos Efésios ele fala de um quadro desolador, O HOMEM ESTAVA MORTO NOS SEUS PECADOS! Mortos não falam, não andam, não se mexem, nada desejam. Afinal, ele esta morto! Assim, não havia condição alguma de buscarmos ao Senhor, de querer sua vontade - “a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo.” (Romanos 8:7 – NVI). Vivíamos como esse mundo vive, andávamos no sistema, fazíamos parte dele. Não havia em nós nada de diferente dos demais, Deus não olhou pra mim e disse: “Oh, Isaque é alguém caridoso, ele dá esmola, respeita as leis, é um bom pai, um bom filho, nunca traiu a mulher. Quero-o no meu Céu, ele merece”. Não, terminantemente não! Somos miseráveis pecadores, merecíamos a eternidade distante da presença desse Justo Juiz, a sua ira seria mais que justa. “... éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.” (Ef 2:3 – NVI). Precisávamos que Ele tomasse a iniciativa, que ele nos buscasse indo ao nosso encontro como foi no Jardim. Carecíamos de um Salvador.


Depois de expor a primeira parte do quadro com nossa miserabilidade Paulo usa uma conjunção adversativa, que exprime uma ideia contraria a tudo que foi dito antes. É nessa hora que entra o “MAS”, e essa conjunção faz brilhar uma luz naquelas cores negras e frias, cria se um lindo contraste colorindo a obra, a obra da nossa redenção. Esse é o “MAS” de Deus.


Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou. Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos).”
(Ef 2:4,5 – NVI)


Aleluia! Mesmo com nossos erros e ofensas, mesmo com nossos muitos pecados. Estando mortos, Ele nos vivificou em Cristo. Isso apenas por Sua Graça, Seu favor imerecido de nos dar a vida eterna e por sua misericórdia, que não nos recompensou de acordo com nossas ações. Com a ótica correta, conseguimos ver que não merecemos nada, que nossas obras não compram bênçãos. A medida que o homem conhece ao Senhor através de sua palavra, ele deve se sentir indigno diante do Deus Santo. Não há mérito em nós, tudo é Graça, é sempre Ele estendendo sua mão.


Saber isso não nos deixa confortavelmente deitados em uma rede descansando e aproveitando o momento. Esse conhecimento nos imputa responsabilidades. Se antes éramos escravos do pecado, hoje desfrutamos do privilégio de sermos servos do Rei. Se antes estávamos sobre o julgo de nossos desejos carnais, hoje seguimos o desejo do Nosso Senhor. Saímos de um senhorio e entramos em outro, continuamos sendo escravos! No término da obra, da grande obra, tem um recado deixado pelo Pintor, o propósito daquela tela é “Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.” (Ef 2:7 – NVI). Mais uma vez nós não somos o foco, essa pintura foi feita para a glória do Autor, para Seu próprio deleite.


Que ao olharmos pra esse lindo quadro possamos ver em cores frias e tristes nossas misérias contrastando com os azuis e amarelos da Graça do Senhor. Enxergar na aquarela de cores do Criador os tons que regeram essa pintura. Reconhecer que o autor é Soberano em sua obra cabendo a nós apenas render Glória. E sermos gratos por termos sido alcançados por Sua misericórdia.


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Isaque Pedro, seu texto me jogou lá pra baixo, lugar onde eu devo estar...Mas ao mesmo tempo me fez flutuar pelos céus (Graça). Fica mais do que sugestivo agora, ouvir esta canção abaixo:


[O Tapeceiro -Stênio Március]

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Fonte: BLog da UMP Guarabira.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O Evangelho na Terra da Frustração



Rennan Dias é pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro dos Estados, João Pessoa-PB. Recentemente, Rennam, que também é escritor, lançou seu primeiro livro:
naestradadagraca

Quem desejar adquirir é só clicar no livro acima.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

domingo, 19 de maio de 2013

Ed René Kivitz: “Comercializar religião é melhor que vender droga”


Culpa, medo e ganância são os três principais componentes usados por exploradores da fé. “A religião tem um campo diabólico escravizador e é um instrumento de manipulação especialmente das pessoas que sofrem.”

dica do Gerson Caceres Martins

[Via Pavablog]