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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Simplicidade é o caminho para Deus

Diferentemente dos religiosos de sua época, Jesus apresentou o Deus acessível e simples, que pode ser encontrado e adorado fora dos lugares e dias especiais. 

Deus não depende de pontes, rituais, sacerdotes, instituições, métodos, shows, pirotecnia, fumaça, portais, templos, luzes, palavras mágicas ou intermediadores para se acomodar no coração dos pequeninos e também daqueles que se sabem menos dignos.

Sim! A grande notícia anunciada em e por Jesus é que Deus construiu uma casa entre nos. É encontrável! E Jesus vai além em sua pregação e ensino: pela primeira vez, Deus é chamado de "paizinho", demonstrando, assim, o grau de relacionamento possível com Ele.

Olhar para Deus como uma entidade distante e inacessível em vez de percebê-lo como um pai atencioso, amigo, presente e amoroso faz toda a diferença no tipo de relação que se constrói a partir daí.

O grande problema é que os atravessadores da fé até hoje fazem muita propaganda e se apresentam como "despachantes do divino" com credencial exclusiva.

O povo, que já não enxerga um palmo à frente, os segue como que se os seguindo estivesse seguindo o próprio Deus.

Eis aí o óbvio motivo do porque as religiões costumam gerar os seres mais alucinados e desconectados das realidades: são seguidores de todas as loucuras humanas, dos egos megalomaníacos dos líderes, da esquizofrenia de tentar se fazer caminho para Deus ao invés de apenas e simplesmente anunciá-lo. Sem curvas, sem desvios e sem letreiros luminosos.

É tudo engano! São cegos guiando outros cegos para a beira do precipício.

Jesus ensina que não existe fórmula mágica, lugar "santo" ou ritual para falar com Deus. É preciso apenas um coração sincero e vontade de aprender.

A gente sabe de tudo isso, mas nossa prática está longe de ser tão simples assim. Somos viciados em rituais, metodologias, altares de pedra, símbolos mágicos e sacrifícios.

Ainda temos medo de olhar o divino de frente sem apresentar uma oferenda, uma galinha ou até dinheiro. Ainda olhamos para Deus e o cultuamos como se ele precisasse dos nossos cânticos e orações para não ficar irado, se saber e se fazer Deus.

Não estou dizendo que cantar, orar e fazer isto ao lado de outros irmãos seja ruim ou desnecessário, muito pelo contrário! Os encontros comunitários, com gente sadia, do bem, são espaços de amadurecimento e crescimento pessoal, mas eu afirmo que um relacionamento saudável com Deus não depende exclusivamente dessas coisas para existir.

Tudo começa na simplicidade. Sem "neuras" e sem ensaios. E o Deus de toda a Paz vai realizando seu trabalho em nós dia a após dia. Limpando o que estiver sujo, curando o que realmente precisar de cura e nos libertando de todos os poderes da morte.

Tudo isso sem ritual agendado e sem magos ou sacerdotes. Sem campanhas, sem encenação, sem "atos proféticos", sem sacrificar animais ou bens. É simples assim. Quem ensinar ou pensar diferente ainda não conheceu Deus de verdade.

O Deus que É te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

***

Fonte: Confeitaria Cristã.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

PROFECIAS PARA 2015

Por Antonio Carlos Costa

O que profetizar para você em 2015? Posso profetizar? Presbiteriano profetiza? Então vamos lá! Dez profecias!

1. Não cairá um só fio de cabelo da sua cabeça sem a permissão divina.

2. Você vai pecar, mas sempre terá ao seu lado um Deus doce pronto para enxugar suas lágrimas de arrependimento.

3. Você vai enfrentar lutas, mas em nenhuma delas a batalha excederá o suprimento de graça para suportá-las.

4. Cada tribulação que você enfrentar será usada por ele para torná-lo mais parecido com Cristo.

5. Cristo vai bater à porta do seu coração inúmeras vezes, chamando-o para sentar-se com ele à mesa e cear.

6. Será concedida a você muita oportunidade de tornar eternas suas atitudes através da obediência em amor. O que significa na prática -glorificar o santo nome do Deus que não se esquece nem mesmo do copo de água fria que oferecemos aos seus servos.

7. Todos os sóis, galáxias, cometas, estrelas, moléculas e átomos terão que dizer amém ao que rege o universo para a felicidade do seu povo e glória do seu santo nome.

8. Deus o acompanhará mais de perto do que a sua própria sombra! Quando você vir a sua sombra em 2015, procure sempre lembrar-se do fato de que o Senhor é mais presente na sua vida do que a sua própria sombra. Para onde você vai ele vai atrás. Você se lembra de Emaús? Dá glória, mulher! Dá glória, homem! Cala a boca, inferno!

9. Sua redenção final estará mais próxima do que em 2014!

10. O Espírito intercederá pelo que você fará, o Filho intercederá pelo que você fez e o Pai acolherá a intercessão feita pelo Espírito e pelo Filho em seu favor.

"Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém" (Apóstolo Paulo. Efésios 3: 20-21).

***

Antonio Carlos é pastor presbiteriano e presidente da Ong Rio de Paz.

O CAJADO OU A ESPADA

Por Rodrigo Ribeiro

Ao assistir o filme Êxodo: Deuses e Reis, do diretor Ridley Scott, fui agraciado com uma bela obra cinematográfica, e que apesar de não ser fiel ao relato bíblico, me trouxe uma reflexão fantástica ao apresentar a história de Moisés sob os olhos de um não-religioso, tentando esvaziar os elementos sobrenaturais. Este exercício foi fascinante, pois podemos analisar o contraste em que há entre a narrativa que procede de Deus e aquele que procede de homens.

O fato mais simbólico desta releitura é a substituição do cajado de Moisés por uma espada. O próprio príncipe do Egito é comissionado como um general para resgatar o povo Hebreu. Esse é o grande contraste, o mundo acredita na força da espada. Mas Deus só convocou Moisés depois de 40 no deserto conduzindo ovelhas. Deus usou o cajado. Ele escolheu o pastor. Este é o método divino de resolver as situações.

Precisamos ter isso em mente, ainda que em alguns momentos os próprios pastores falhem, como é o caso de Ezequiel 34, onde Deus acusa os pastores de estarem apascentado a si mesmo ao invés de cuidarem de suas ovelhas. Mas precisamos perceber que mesmo nesse contexto, Deus não desiste do pastoreio em prol das armas. Ele afirma que condenará os maus pastores, mas ele próprio cuidará das ovelhas, promessa que se cumpre em João 10:11, onde Cristo afirma ser o bom pastor que dá a sua vida pelas suas ovelhas.

Diante disso precisamos rejeitar o impulso do Apóstolo Pedro, de pegar em armas e travar as nossas lutas com base na força, e utilizar-se do método divino, o cajado do pastoreio. Oração, pregação, amor e cuidado. Isso não nos fará ficar calados, pois os profetas não o fizeram. Mas nos deixará distantes de meios carnais, rebeliões, contendas e manipulações. Trilhemos o caminho do pastoreio e não da espada. Se nos tornarmos generais, nos assemelharemos aos incrédulos que eliminam o elemento divino da narrativa do êxodo.

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. Salmos 23:1

***

Rodrigo Ribeiro é presbítero e escreve na UMP da Quarta.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Despeço-me do culto espetáculo

Por Juliano Fabricio

Qualquer prece, com um mínimo de senso ético, deve considerar os mais sofredores. Quem se atreveria a furar a fila da bênção onde esperam africanos exilados e haitianos sem-teto? Um Deus que dispensa bênçãos, prioritariamente, sobre quem tem olhos azuis não merece a atenção de ninguém. Repetir que ele é uma divindade irada, sempre pronta a castigar, não mete medo, apenas aversão. Se existe um Deus que na hora de distribuir maldições começa pelos mais miseráveis, ele deve ser tratado como um demônio. Não desejo continuar com uma fé que espera milagre de um Deus tribal. A divindade que fazia chover apenas no quintal dos seus queridos, não faz sentido para mim. A noção primitiva de um Deus que afugenta gafanhotos quando vê obediência e que destrói plantação e causa fome diante do erro, não me seduz. Benção e maldição retributivas não condizem com o amor gratuito de Deus em Jesus. Deus jamais se valeria do papel do bedel indignado que abandona bilhões à míngua.

Sem instrumentalizar a espiritualidade, desejo transubstanciar fé em ações; desde o silêncio contemplativo, cumprir a missão de incluir o marginalizado, valorizar o desprezado e cuidar do esquecido. O seguimento - do verbo seguir – de Jesus nasce de corações calmos. Um cristianismo existencial se tornou a melhor expressão para a minha piedade. Noto que liturgias centradas em emocionalismo desmerecem a tradição profética dos dois Testamentos.

Desde Isaías, cultuar só tem sentido se a justiça é protegida. Deus não tolera ajuntamentos e cerimônias autocentradas. Fazer culto para buscar o seu favor agride os céus. A verdadeira adoração disponibiliza pessoas para cuidar de órfãos e de viúvas. A verdadeira religião, segundo Tiago, consiste em cuidar dos mais esquecidos. Qualquer verticalização de louvor só tem sentido quando promove a horizontalização do serviço. Espiritualidade cristã autêntica reconhece Deus no rosto do pobre, do nu, do faminto, do desterrado. Tudo o mais não passa de individualismo travestido de religião piegas.

Despeço-me do culto espetáculo.

Não quero estar em ambientes frenéticos. Anseio por reuniões que celebrem a graça sem paranóia, sem alguém tentando infundir culpa. Quero participar de comunidades leves, sem a afetação do glamour do mundo; uma igreja onde os sorrisos sejam gratos e os abraços, sinceros. O caminhar de Jesus não combina com espaços espetaculosos. Os valores do Reino prescindem dos holofotes.

*** 

Fonte: Blog do Juliano Fabricio.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

"DE UNS TEMPOS PRA CÁ" - SOBRE O AMOR ÀS COISAS E O FARDO PRA CARREGAR

Por Antognoni Misael

O consumismo tem sido uma das marcas mais evidentes desta geração. Tristemente a igreja dita evangélica embarcada na teologia da prosperidade e fissurada no “aqui e agora” tem feito jus ao desejo carnal por ter o que a traça e ferrugem corrói e os ladrões roubam.

O anseio pela presença de Deus e o viver para a Sua Glória têm sido substituído pelo compromisso com a própria felicidade e acúmulo de bens materiais.

A canção de Chico César “De uns tempos pra cá” tem me feito refletir sobre o supérfluo amor as coisas, que só são coisas e como ele bem cantou, são fardo pra carregar.

Obviamente não estamos pregando que nossos lares não tenham móveis, que joguemos fora nossos livros, que ao invés de um carro, desejemos um burrinho pra nos locomovermos. Não é isso. Estamos só relembrando, que o amor aos bens materiais, dos mais caros aos mais insignificantes, é uma prova de que não amamos a Deus e não temos compreendido a satisfação em Sua Graça.

Portanto, como sugeriu um nobre amigo meu, troquemos a palavra “você” por "Jesus" na canção abaixo e ela passará a fazer um enorme sentido.

(Na boa, o que tem de cristão que precisa refletir nisso, e não são poucos não...)

Veja:


De uns tempos pra cá
os móveis, a geladeira
o fogão, a enceradeira
a pia, o rodo, a pá
coisas que eu quis comprar
deu vontade de vender
e ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

De uns tempos pra cá
o carro, a casa, o som
tv, vídeo, livros, bom...
o que em tese faz um lar
admito eu quis comprar
começo a me arrepender
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

Coisas são só coisas 
servem só pra tropeçar 
têm seu brilho no começo 
mas se viro pelo avesso 
são fardo pra carregar

De uns tempos pra cá
o pufe, a escrivaninha
sabe a mesa da cozinha?
lençóis, louça e o sofá
não precisa se alterar
pensei em me desfazer
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

De uns tempos pra cá
telefone, bicicleta
minhas saídas mais secretas
tô pensando em deixar
dê no que tiver que dar
seu amor me basta ter
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

Coisas são só coisas 
servem só pra tropeçar 
têm seu brilho no começo 
mas se viro pelo avesso 
são fardo pra carregar

[De uns tempos pra cá - Chico César]

P.S.: Dica do meu amigo subversivo, Marco Telles.

***

Antognoni Misael, professor de história, músico e policial militar. Editor do Arte de Chocar.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

NATAL DO MEU SENHOR

Por Antonio Carlos Costa

Eu amo a Cristo. Na véspera do Natal de 2014 gostaria de falar sobre os motivos do meu amor pelo meu Senhor.

Eu amo a Cristo porque ele me ama. Com 20 anos o conheci. Nada de mais importante aconteceu na minha vida até hoje. Nesses anos de convívio com o meu amado Senhor, percebo o quanto sua mensagem e providência me protegeram. Há uma pergunta que causa perplexidade a todos os cristãos: onde você estaria se não tivesse encontrado a Cristo? Todos, sem exceção, olham horrorizados para as consequências da vida sem luz.

Eu amo a Cristo porque ele ama a verdade. Nem toda verdade tem o mesmo peso de importância para a nossa vida. Há grande diferença entre conhecer muitas coisas e conhecer o essencial. De que vale você e eu sabermos discorrer sabiamente sobre o curso dos astros se ignoramos quem somos, de onde viemos e para onde vamos? Cristo, em toda sua vida pública, chamou o homem para tomar consciência do seu pecado, buscar reconciliação com Deus, receber perdão, aprender a amar e livrar-se da morte eterna. Há verdade mais importante do que essas?

Eu amo a Cristo porque ele ama os pecadores. O tempo inteiro o vemos no evangelho em busca de gente torta e carregada de culpa. Jamais aconteceu de ele não tratar com candura o pecador moído pela dor do arrependimento. Com Cristo aprendemos a confiar mais na misericórdia de Deus do que na nossa inocência.

Eu amo a Cristo porque ele ama o oprimido. Há esperança para todos. Pode-se observar nas Escrituras os mais diferentes tipos de seres humanos encontrando abrigo no coração de Cristo. Observa-se, contudo, o quanto dedicou sua vida aos pobres, aos doentes, aos mentalmente perturbados, aos deficientes físicos, aos solitários, aos que passaram por grandes perdas na vida. Cristo jamais ignorou a dor humana.

Eu amo a Cristo porque ele ama a si mesmo. Todos sabemos do poder corruptor da visão hipertrofiada sobre nós mesmos. Por crermos em algo que não somos enganamos a nós mesmos e menosprezamos pessoas. Cristo tem prazer em si mesmo. Isso fica-lhe bem. Ele é o que diz ser. Nunca o encontramos nas Escrituras se sentindo culpado. O Pai podia dizer a Ele: "Tu és o meu Filho amado, em Ti eu me comprazo". O que quero dizer é que Cristo é excelente. Por isso, nós cristãos adoramos o nosso Senhor -Lírio dos vales e Estrela da manhã.

Eu amo a Cristo porque ele ama o Pai. Num mundo em que todos menosprezam quem criou o universo, passou por este planeta um que podia dizer: "A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra". Ele foi obediente, por amor, até a morte. Nisto consiste a felicidade de Deus, na mútua contemplação da beleza das pessoas da Trindade.

Não dá para ficar calado no Natal. O amado da minha alma nasceu em Belém. A profecia se cumpriu. O amor se manifestou da forma mais sublime.

Que neste Natal você proclame também os motivos do seu amor, tal como o grande apóstolo, que podia dizer, certamente, com lágrimas nos olhos:

"Logo, já não sou em quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim".

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Antonio Carlos Costa é pastor presbiteriano, presidente da Ong Rio de Paz. Fonte: Palavra Plena.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Eu e os meus defeitos. Quer conhecê-los?

Por Geremias Couto

"Viver pela graça significa reconhecer toda a minha história de vida, o lado da luz e da escuridão. Ao admitir o meu lado escuro, eu aprendo quem eu sou e o que a graça de Deus signfica", Brennan Manning

Há algum tempo, não sei precisar os anos, um jovem conversava comigo e manifestou um desejo que, até certo ponto, me surpreendeu. Disse-me então que gostaria de passar pelo menos 24 horas comigo para me conhecer mais de perto. Minha resposta saiu com bastante naturalidade. Afirmei-lhe que ele não ganharia muita coisa, senão perceber que eu era uma pessoa de carne e osso, com virtudes, mas também cheia de defeitos. Sempre que o encontro, ainda hoje, lembro-me desse dia. Sua pergunta era apenas um verniz para um conceito que as pessoas constroem acerca de quem exerce algum tipo de liderança: o da perfeição quase beirando à infalibilidade. Mas de lá para cá não mudei nada. Continuo a ter virtudes, mas os defeitos permanecem.

Como qualquer outro cristão, lido com todas as ambiguidades inerentes à natureza humana. Aprendi muito cedo a lidar com o orgulho, mas vez ou outra ele põe as unhas de fora, tenho momentos em que a ira quer assumir o controle de minhas ações e em outras horas vivo a agonia da incerteza, das frustrações, das decepções, e acabo também sendo um agente de incerteza, frustrações e decepções para outras pessoas. Lembro-me das diferentes ocasiões em que fui precipitado e das vezes em que deixei passar tanto o tempo que perdi a "grande" oportunidade da vida.

Se você tinha outras expectativas a meu respeito, faço questão de descontruí-las. Já passei da idade de viver de fachada, embora sempre tenha procurado expor a minha vida do avesso. Não sou nem a primeira, nem a do meio e nem a "última coca-cola do deserto". Sou um errante maltrapilho que tateia neste mundo conturbado diante do pecado que tão de perto nos rodeia. Já errei bastante querendo acertar. Já sofri sérias consequências pela teimosia em fazer escolhas, que, depois, vi serem erradas. Já me vi profundamente envergonhado por não conseguir cumprir compromissos em virtude de minhas limitações. Já me senti em completo desânimo sobre que direção seguir. Enfim, sou necessariamente humano!

Mas aprendi algumas lições. Descobri, por exemplo, que Deus é especialista em pôr as coisas em seus devidos lugares, mesmo quando tudo pareça sem qualquer controle. Aprendi tambem que não adianta usar a carne para tentar dominar a carne. É uma luta inglória, um esforço vão, pois ambas são da mesma natureza. A carne jamais se subjugará à carne. Em outras palavras, só o Espírito pode dominá-la e só teremos como vencê-la em nossa luta diária contra o pecado, se andarmos em Espírito e deixar que ele se esforce em nosso lugar e em nosso favor.

Mas a grande descoberta é que, mesmo miserável (não foi esse o sentimento de Paulo?), maltrapilho, errante, sujeito aos sentimentos mais primitivos, quando me sinto injustiçado, ainda assim, tenho um espinho extremamente desconfortável na carne, pelo qual não adianta orar, a me lembrar todas as horas que a graça de Deus me é suficiente, plena, doce e surpreendente no mais tenebroso dos dias.

Bendita graça que me vence e me tira do pó para manter-me assentado nas regiões celestiais em Cristo Jesus... porque sou necessariamente humano!

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Fonte: Blog do Geremias Couto.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

CARTA DE UM PASTOR PROTESTANTE À PRESIDENTE ELEITA

Por Antonio Carlos Costa

Excelentíssima Senhora Presidente da República Dilma Rousseff,

cerca de 54 milhões de brasileiros acabaram de elegê-la presidente do Brasil. Entre esses, número incontável de pobres, que escolheram a senhora e o seu partido em razão do serviço que prestaram à nação, ao fazerem correção histórica de iniquidade com a qual a maioria de nós brasileiros convivíamos sem nos perturbar: a miséria de homens, mulheres e crianças deste país, que desde o período da sua colonização sempre viu com naturalidade pobres invisíveis fazendo o papel de coadjuvantes da vida do rico, servindo-o mediante sistema de exploração descarada, sem falar naqueles que nem ser explorados puderam, por viverem completamente à margem da vida, mendigando o pão.

Na condição de amante da democracia, que representa o estágio mais avançado das concepções políticas da humanidade, uma vez que ainda não foi demonstrado modelo político que mais dignifique o homem do que o governo com o consentimento do governado, assumo o compromisso de estar ao lado de todo aquele que tenciona apoiá-la, torcer pelo seu sucesso e honrá-la na condição de presidente democraticamente eleita.

Considero, contudo, que não seja desrespeitoso e antidemocrático falar do que me causa angústia, perplexidade e apreensão quando penso no país que Vossa Excelência e o seu partido governam há 12 anos. Passo a responder ao convite que a sua coordenação de campanha me fez na semana passada, chamando-me para apresentar as propostas do movimento social que presido.

Presidente Dilma, em seu governo e no do seu antecessor mais de 600 mil pessoas -a maioria esmagadora, pobres-, tiveram a vida interrompida pelo crime. Números de guerra civil. Milhões de brasileiros olham diariamente para o porta retrato de parentes amados que foram arrebatados do seu convívio por terem nascido num país que deixa matar.

Jazem em nossas prisões quase 600 mil seres humanos, vivendo em masmorras medievais, com características de campo de concentração nazista, num país cuja presidente afirma conhecer a dura realidade do cárcere, por já ter passado por ele.

A maior parte do povo brasileiro não passa mais fome, entretanto, vive muito mal. Morando em ruas encardidas e imundas, com esgoto banhando os pés de meninos e meninas pobres, que jogam bola e brincam de boneca disputando espaço com ratazanas. Crescimento econômico não é tudo. Carecemos daquela espécie de desenvolvimento que amplia a liberdade humana, propiciando a parcelas cada vez mais amplas da sociedade poder contribuir para a arte, ciência, literatura, política, esporte. Como alcançar essa plenitude de vida se, por falta de hospitais e médicos, doenças deformam o corpo; e, por falta de acesso a educação de qualidade, a desinformação atrofia o intelecto?

A classe média, que banca o "Bolsa Família" e o "Minha Casa, Minha Vida", trabalha oito, dez, doze horas por dia seis vezes por semana; mas não sem passar quatro horas do seu tempo em trânsito infernal, para ganhar pouco e viver sem razão. Milhões e milhões trabalham apenas para manter a vida biológica, uma vez que não têm tempo para a leitura de bons livros, para o amor, para o contato com a natureza, para o engajamento político, para a prática de um hobby, para o investimento na sua própria vida visando sua ascensão social.

Presidente Dilma, quando será implementando plano visando a queda progressiva de investimento em programas assistencialistas? Não estou pregando o fim do Estado do bem-estar social. O que preocupa aos milhões que não votaram em Vossa Excelência é o fato de a esmola que é oferecida a gente saudável humilhar o pobre, expor seu caráter a deformidades e impedir que contribua para o embelezamento, desenvolvimento e aperfeiçoamento da vida em sociedade. Presidente, quando o pobre encontrará a porta de saída do bolsa família?

Presidente Dilma, não estou aqui para apresentar um programa de governo. Não tenho competência para isso, embora a experiência de campo em trabalhos nas favelas do Rio de Janeiro, no sistema prisional, no sertão nordestino, nos cemitérios levando consolação para parentes de vítima da violência, permita-me expor as falhas do Governo Federal, que reputo como inaceitáveis e desnecessárias, porque temos recursos financeiros, talentos humanos e democracia para sairmos desse estado de pobreza que nos humilha perante os demais povos.

O maior sinal da nossa patologia em termos de políticas públicas -o que precisa ser humildemente reconhecido pelo seu governo-, é, sem sombra de dúvida, o fato de sermos a sétima economia do mundo e o 79º país do planeta em Índice de Desenvolvimento Humano.

Apesar de toda essa sorte de graves problemas sociais, que geram sofrimento para milhões e instabilidade política num país agora bastante dividido, reportagem recente da Folha de S. Paulo (29/09) prova que mais de 40% das promessas que Vossa Excelência fez em 2010 não foram cumpridas até hoje.

Faço um apelo à Vossa Excelência. Apresente ao país -de modo claro que até o brasileiro mais humilde possa entender-, suas metas de governo e prazos para a realização do que foi prometido. Presidente, é fato, provado pela falta de infraestrutura que esteja à altura do poder econômico do nosso país, que o Estado brasileiro precisa ser gerido com mais eficiência -princípio constitucional basilar da administração pública. Como haver eficiência sem mecanismos de avaliação do desempenho do governo? Como fazer aferição do que não pode ser medido? Qual cobrança, contudo, pode ser efetiva se ministros e seus subordinados permanecem nos seus cargos apesar da sua ineficiência?

Assumo o compromisso, perante o meu país, minha família e o Deus a quem sirvo, revelado no evangelho de Cristo, de celebrar cada conquista do seu governo, e apoiá-la em todo esforço de viabilizar a vida humana no Brasil, mas não me calar se o seu governo se resumir a dar comida ao pobre, sem garantir ao todo da população, a começar pelos excluídos, o direito à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à segurança e à vida.

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Antonio Carlos Costa é pastor presbiteriano, presidente da Ong Rio de Paz.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O megafone de Deus - Por C.S. Lewis

C.S. Lewis

O espírito humano não tentará entregar a sua vontade própria enquanto tudo parecer estar em ordem com ela. Agora, tando o erro quanto o pecado têm essa característica: quanto mais profundos, menos as suas vítimas suspeitarão da sua existência; trata-se de maldades mascaradas. O sofrimento é uma maldade sem máscara, inconfundível; toda pessoa sabe que há algo de errado quando está sendo machucada. [...] Contudo, o sofrimento não é só imediatamente reconhecível, mas também um mal impossível de se ignorar. Podemos até nos contentar com nossos pecados e nossa estupidez; qualquer pessoa que já tenha observado glutões engolin do as mais exóticas especiarias, como se não soubessem o que estão comendo, admitirá que é possível ignorar até mesmo o prazer. Porém, o sofrimento insiste em que nos ocupemos dele. Deus sussurra em meio aos nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita por meio do sofrimento. O sofrimento é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo.

- de The Problem of Pain [O Problema do Sofrimento]

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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Diz que é predestinado, mas vive uma graça capenga?

Por Antognoni Misael

Apesar do grande inchaço da igreja evangélica no Brasil e proliferação de diversos movimentos neopentecostais e teologias que confrontam a verdade do Evangelho, temos notado uma crescente busca pela teologia reformada e sobretudo pela 'doutrina da eleição'. Isso é muito bom, pois nos remete as bases de nossa fé, a suficiência de Cristo e a exclusividade das Escrituras, que são determinantes para uma igreja saudável.

O que há de preocupante nisso? O perigo da ausência da ortopraxia! Ou seja, o encantamento pela teologia a ponto de estacionar-se em uma via de acúmulo de conhecimento na literatura cristã, na palavra de Deus, mas sem compunção e transpiração de uma vida de Graça. No ditado popular, muita teoria e pouca prática!

Obviamente podemos destacar algumas referências da popularização de uma teologia equilibrada e sadia como John Piper e Paul Washer, dentre outros. Notar jovens assistindo vídeos, compartilhando mensagens, e experimentando um intenso desejo por Deus não tem preço. Mas ao mesmo tempo também preocupa-nos notar que parte desse mesmo público tão encantado com a doutrina da eleição e super abastecido de literatura e mídia cristã, pouco leu e conhece a Bíblia.

Pensando nesse tema, resolvi comentar um trecho da carta de Paulo aos Efésios, a saber que a carta é divida em duas partes, a primeira sobre nosso chamado e a nossa nova identidade em Cristo, e a segunda sobre as implicações práticas desse chamado. Ou seja, "se sou predestinado não devo viver uma vida anarquizada de Deus", caso contrário, é como diz o adágio popular: "a cruz nos peitos, e o diabo nos feitos".

Vejamos o capítulo 4.1-3, e diante da temática que, farei alguns apontamentos que contribuirão relativamente para a compreensão do que quero concluir. O apóstolo inicia com:
1 Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados,
Lembremos que após Paulo elucidar sobre a doutrina da eleição no primeiro capítulo de Efésios, a nossa nova identidade, a união com os judeus em um só corpo, agora ele vai direto para ortopraxia. Ao iniciar com um “Rogo-vos pois”, o autor leva em consideração tudo aquilo que disse aos seus leitores a respeito da Graça de Deus. Relembremos alguns tópicos que Paulo destacou:

1) Demonstrou que a nossa nova identidade é planejada por Deus, conquistada por Cristo e aplicada pelo Espírito Santo (Ef. 1.2-14).

2) Paulo orou para que os crentes gentios soubessem de forma PLENA e por compunção a vontade do mistério de Deus - isto é, atentassem a antiga condição diante de Deus, o incompreensível amor elegível na revelação de Cristo e o futuro glorioso separado para os eleitos no senhor. (Ef. 1.16-23)

3) Ele retratou de forma dramática a condição individual de judeus e gentios como MORTOS em delitos, separados do Senhor e debaixo da ira de Deus. Desta feita, é determinante que se perceba que, para que entendamos a dimensão imensurável da Graça de Deus é necessário que tenhamos o conhecimento do pecado. (2.1-3)

Portanto, é como se, uma vez cientes de que estávamos debaixo da ira de Deus, devemos entender que pela misericórdia dEle e por causa do grande Amor com que nos amou fomos feito um Novo Homem criados em Cristo Jesus para boas obras (Ef. 1.10). Assim, concluímos que a doutrina da eleição, diferentemente do que alguns maus entendedores o fazem, nos impulsiona a uma vida ativa, comprometida e piedosa diante do Senhor e dos homens, não acomodada, mórbida, apegada na certeza da soberania sem que haja responsabilidade humana, morte e sacrifício, ou, como Dietrich Bonhoeffer chama de uma vida vivida sob uma Graça “Barata”.

Diante da compreensão da predestinação o que nos chama atenção não é o fato de já estarmos prontos e resolvidos diante de Deus, mas sim de buscarmos autenticar nossa vida em Cristo nos tornando santos e irrepreensíveis!

Chamou-nos muita atenção o fato de Paulo se preocupar com o real entendimento dos gentios perante esta rica doutrina. Ao orar por eles ainda no capítulo 3, ele intercede (18-19): “a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus”. Ou seja, era (e é para nós) de extrema relevância compreendermos a profundidade deste mistério e Amor, ainda que não de forma toten, revelado em Cristo, para que sejamos tomados de toda a plenitude em Cristo e andemos nas obras. Ou seja, não basta compreender teologicamente, é preciso compreender de forma plena e ser tomado com certa compulsividade a viver na direção desta Graça.

Andar na vocação em que fomos chamados é viver diante do mesmo peso pelo qual a Graça de Deus fora revelada.

Voltando a citação feita acima sobre Bonhoeffer, em seu livro Discipulado o autor leva-nos a compreender que este “andar” requer uma compreensão de que a Graça de Deus é alvo mui valioso, é a nossa pérola de grande valor, e que, o que custou caro para Deus não pode custar barato para a sua igreja:
“A graça barata é a graça que nós dispensamos a nós próprios. A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina comunitária, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.


A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o ser humano sai e vende com alegria tudo quanto tem; a pérola preciosa, para cuja aquisição o comerciante se desfaz de todos os seus bens; o senhorio régio de Cristo, por amor do qual o ser humano arranca o olho que o faz tropeçar; o chamado de Jesus Cristo, pelo qual o discípulo larga suas redes e o segue.” (BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. Pág. 10)
Em suma, o que Bonhoeffer vem nos ensinar é que o convite de Cristo nos implica a toda uma vida de discipulado, seguindo-o e andando de modo digno pelo qual fomos chamados.

Conhecer um predestinado não tem tanto a ver com o discurso teológico do irmão, com a erudição de sua homilética ou com as citações reformadas que ele o faz, mas sim, pelo modo digno com o qual ele se apresenta ao mundo, ao seu próximo e como ele projeta a sua fé.

Ainda, no capítulo 4.2-3, Paulo continua discorrendo como deve ser o “andar” correspondente da vocação: “com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.

Ou seja, auto-intitulado eleito primeiramente deve viver em unidade com seus irmãos apesar das divergências, e mais, deve expressar os acessórios desta unidade através da humildade (como a de Cristo), mansidão (gentileza) e a paciência. Para tanto, a força motriz e reguladora do convívio e conduta deste eleito é AMOR -  por isso suportamos, e isso requer esforço, e sacrifício para manutenção da paz entre os irmãos.

Por fim, ratificamos, o crente eleito em Cristo tem esta maior marca: o amor. E ele simetricamente deve ser distribuído para Deus e para com o próximo como resultando da compreensão relevante da nossa nova identidade.

Dizer que é predestinado e viver uma vida "capenga" indigna da vocação pela qual foi chamado, sinceramente, não dá. E lembrem-se, teologia sem piedade pode nos tornar cínicos religiosos, e dos piores.

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Antognoni Misael, buscando a cada dia andar na vocação digna pela qual foi chamado.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Som da Graça: Amor Incondicional

Há quem diga que o amor não existe; o que existe são expressões de amor. Se demasiado humanos, melhor é que da razão fujamos para o abrigo da essência incompreensível do existir (Deus), assim deixaremos o próprio amor suvenir no teatro da vida… Para que aprendamos, mesmo sem que por completo vivamos…o que é o amor.O verdadeiro Amor conhecemos na abnegação de Cristo, mas em nossa vida prática ainda lidamos à base da troca; é o chamado “amor na versão normal”, o amor condicional, que sistematiza reações de afeto e devaneia os surtos de bondade.

Vale a pena se permitir a tirar cinco minutos desse mundo guloso e ser agraciado com esta obra de arte (de chocar), com Jorge Camargo.

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Jorge Camargo é considerado um dos principais músicos cristãos da atualidade. É mestre em Ciências da Religião pela Universidade Mackenzie, compositor, tradutor e poeta. Possui 7 CDs individuais. Já fez shows no Brasil inteiro, EUA, Europa e África.

A TRAIÇÃO DO SER

Por Antonio Carlos Costa 

O homem pode negar a origem divina do seu ser, o que não pode é matar aquilo que Deus imprimiu no seu espírito no ato da criação. Aqui e ali ele se trai, vivendo como se Deus existisse e fazendo coisas de crente.

Ele pode chamar o amor de fenômeno químico-biológico, mas não consegue deixar de fazer seus poemas e chorar quando retoma nos braços o filho que julgava ter perdido para sempre. Ele pode declarar que não nasce definido. Primeiro, vem a existência e, depois, sai em busca da sua definição. Por isso, tudo é relativo e mera construção social da realidade.

Não são poucas as vezes, contudo, que nós cristãos damos graças a Deus pela sua vida, por o vermos fazendo exatamente aquilo que faríamos se estivéssemos em seu lugar, ou, até mesmo, o que é humilhante para a igreja, o encontramos lutando por aquilo que a igreja deixou de lutar. Nessas ocasiões, o vemos agindo como se tivesse lido o decálogo e dito amém para o nosso Deus.

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Antonio Carlos Costa é pastor presbiteriano e presidente da ONG Rio de Paz. Escreve no Palavra Plena.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Parábola do bom palestino

Eis que dentre a multidão, se levantou certo sionista e perguntou a Jesus: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

Jesus lhe disse: “Que está escrito na lei? Como você a interpreta?”

Ele respondeu: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças, com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo”. E o Senhor lhe disse: “Você respondeu corretamente, faça isso e você viverá”. Mas ele, querendo justificar a si mesmo, perguntou novamente: “Mas quem é o meu próximo?” Então Jesus contou-lhes uma parábola que dizia:

Certo homem saia de Jerusalém e se dirigia à Faixa de Gaza, quando caiu na mão dos salteadores. Estes roubaram tudo o que ele tinha, lhe deram uma surra e o deixaram quase morto. Ocasionalmente, passava por ali um sionista estadounidense, o qual vendo-o, passou de longe. Depois disso, passou por ali um pastor dispensacionalista, que vendo o homem ferido, se afastou dele. Finalmente apareceu um palestino, o qual vendo-o, se moveu de íntima compaixão. Aproximando-se, prestou-lhe os primeiros auxílios, limpou-lhe as feridas, colocou o desconhecido em seu carro e o levou à casa de uns amigos. Tendo cuidado dele toda a noite, como precisava partir, entregou 3 mil shaqalins ao dono da casa e lhe disse: “Por favor, cuide dele, e se você tiver alguma outra despesa, te pagarei quando voltar”.

Então Jesus, dirigindo-se a multidão que estava composta por sionistas, evangélicos dispensacionalistas, membros do conselho da ONU, e muitos judeus, perguntou: “Qual destes parece que foi o próximo do homem que foi assaltado?”

Então o sionista, bastante contrariado, disse: “Foi o palestino”.
Jesus então lhe disse: “Vai e faça da mesma maneira!”

Neste momento os sionistas que estavam entre a multidão começaram a gritar: “Os palestinos são todos terroristas! Eles devem ser eliminados da face da Terra!”. Os pastores dispensacionalistas alçaram seus mapas do “plano divino” e começaram a dizer: “Israel é o dono legitimo desta terra! Eles tem o direito divino de expulsar seus inimigos”. Os membros da ONU, por sua vez, fizeram caso omisso a tudo o que estava acontecendo.

E foi então que os judeus começaram a dizer: “Quem é este que diz blasfêmias? Crucifiquem-no! Crucifiquem-no! Crucifiquem-no!”

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Do Púlpito Cristão.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O Corte ao Hino Nacional Brasileiro e o Culto Evangélico no Brasil

bandeiradobrasil

Em tempos de Copa do Mundo de futebol, e, sobretudo, acontecendo no Brasil, os brasileiros se tornam mais patriotas do que nunca. Independente dos motivos que levam tantos a quererem deixar o país e os problemas crônicos que nos rodeiam nas mais diversas áreas, tal patriotismo se evidencia na hora de se cantar o hino nacional. É o nosso nacionalismo, que tantos afirmam não existir como em outros países, mas que é presente - sim - num país de geografia continental, beleza fenomenal, rico em criatividade e expressões culturais, povoado por gente amável e acolhedora, e de forte tradição no futebol - o que tanto nos enche de orgulho.


Quando chega a hora de se cantar o hino nacional num estádio, esse orgulho bem motivado transparece das mais diversas formas, com brilho nos olhos, emoção no coração, empenho e força, além dos diversos erros de pronúncia, por um povo sem conhecimento e educação necessários para se cantar um hino com letra tão rebuscada e fora da usualidade da atual língua portuguesa, o que provoca até boas piadas; aliás, outra excelente característica do nosso povo, que simplesmente sabe desfrutar das coisas da vida.


É nesse momento cheio de bons motivos, quando num ato, não se sabe de inteligência ou inconsciência, mas certamente de espontaneidade, se testemunha uma espécie de protesto coletivo pelos “filhos deste solo”, que, além de tudo, vê o seu hino sendo cortado a menos de um terço e resolve cantá-lo à capela até o final da primeira parte... “és mãe gentil, pátria amada, Brasil!” Na realidade, só a introdução do hino já é grande, e por outro lado, talvez nem todos os brasileiros saibam cantar a primeira parte, quanto mais a segunda, mas de qualquer forma, não deixa de ser um desrespeito como a qualquer outra nação.
Imediatamente, a mídia de plantão se aproveita para fazer daquilo algo que nem sei explicar o quê, mas que simplesmente transforma o espontâneo no previsível, manipulável, e, agora, acompanhado de novas ações (de marketing) com os mais diversos objetivos e intenções.


Simplesmente a espontaneidade passa a dar lugar a um comportamento pensado, calculado e talvez até teatralizado por parte de quem está no foco das câmeras. Por outro lado, a expressão sincera de um povo precisa ser preservada e priorizada, mesmo que as cifras em jogo e o tempo de transmissão pelos meios de comunicação bancados pelos patrocinadores não concordem.


Mas, e o que o corte ao hino nacional brasileiro em eventos internacionais, tais como Copa do Mundo FIFA ou Fórmula Um, tem a ver com os cultos evangélicos no Brasil, como sugere o título? – Isso é realmente algo para se pensar com muito cuidado!


Um povo sincero e cheio de reais motivos tem se reunido historicamente para expressar adoração ao Pai. Não apenas a verdade, mas a espontaneidade deve ser fator presentes nessas reuniões. No entanto, diante da falta de consciência (leia-se entendimento ou educação) do que representa adoração para Deus, conseqüência da falta de leitura da Palavra, e de uma liderança composta por homens cada vez mais cheios de interesses pautados no poder econômico e político, e menos cheios do Espírito como orienta o ensino bíblico Neo Testamentário, logo surgem os que vão, ao invés de conduzir, induzir; ao invés de ensinar (ou instruir), manipular; ao invés de depender, controlar.


Outro dia, um amigo convidado para ministrar louvor numa igreja histórica de evidência e renome nacionais, foi convocado a participar da reunião de organização do culto com um gestor de marketing. Outro que também vivencia bastidores no meio pentecostal ficou surpreso com o fato de uma equipe de “ministério de recepção” ser habilmente treinada para identificar pessoas mais efusivas no momento de louvor para sentarem-se em posições estratégicas em relação às câmeras de vídeo. Sem dúvida, em nome de um “ministério” e do próprio Deus, equívocos como esses serão cometidos com as melhores das intenções, pois o importante não é pensar, mas obedecer e cumprir. Talvez por isso, vários das novas gerações nunca venham a entender os movimentos ocorridos nos tempos de ditadura nacional e engessamento na liturgia dos cultos, mas de espontaneidade nas atividades alternativas, sem que nem se percebesse ou até se categorizasse como tais. Ao contrário dos dias atuais, qualquer rejeição era rapidamente superada pelo fruto explícito da ação do Espírito. Basta lembrar, por exemplo, dos efeitos dos acampamentos e equipes missionárias através da música que cruzavam o país.


Com isso, não quero dizer que o Espírito não seja livre para agir na vida de qualquer pessoa, em qualquer situação e em todo o tempo. Mas parece que, na era da imagem e do som na internet, vale muito mais o exposto nas redes sociais do que o secretamente revelado na intimidade com o Pai, que, diga-se de passagem, deveria ser o motivo do culto, inclusive coletivo. É como se o que conta não fosse mais a espontaneidade de expressão de um povo grato, que, com sinceridade de coração se junta para reconhecer a Deus como Misericordioso e Gracioso, passando a depender d'Ele e proclamando-O. Basta simplesmente aparentar isso! As imagens de uma igreja rica e triunfante são mais interessantes do que de uma igreja pobre, sacrificada e sofrida por amor ao evangelho. Mas de que evangelho, se o muitas vezes pregado sequer fala de arrependimento, condição sine qua non para sermos verdadeiramente cristãos? Talvez seja por isso que o que tem valido mais no nosso meio evangélico brasileiro dos dias atuais seja que camisa religiosa estamos vestindo, ao invés de necessariamente não ter camisa, mas ser do Reino.


Que aprendamos a cantar os nossos hinos, preferencialmente os nacionais, de coração aberto e numa conexão sincera e profunda com o Pai, como expressão de um culto coletivo, mas fruto de um culto cotidiano pessoal, consequência de uma relação de dependência focada na pessoa dEle, ao invés dos olhos fitos no telão para tentar ver-se como se está sendo transmitido ao mundo nos seus possíveis poucos segundos de glória.


Àquele que conhece os corações além das câmeras, a vida além do tempo, e que no final de qualquer jogo será O vitorioso, seja a glória!


***


O texto é de Augusto Guedes, um dos fundadores e Diretor Executivo do Instituto Ser Adorador, pastor, líder de adoração, empresário no ramo de imóveis na cidade de Fortaleza-CE, mas prefere se apresentar como alguém que continua encantado com o chamado de simplesmente seguir a Jesus.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ser Discípulo de Cristo

discipulosSeguir a Jesus não é para desavisados, não é para quem quer, não é para quem quer vida boa. Mas também não é para quem não tem esperança. No capítulo 10 do evangelho de Mateus, vemos todas estas ações, todas partindo de Jesus. Vejamos, de maneira resumida, estes registros. Nos próximos textos, querendo Deus, trabalharemos pormenorizadamente cada um destes tópicos.


1) A escolha, o chamado e o envio.


Dos versos 1 a 4, vemos Jesus escolhendo e chamando aos discípulos. Não há registro nenhum de seus méritos para isto, mesmo porque eles não o tinham. Cristo é quem lhes dá autoridade. Seguir a Jesus, ser seu discípulo não é para quem quer, mas para quem o Senhor chama.


2)As Instruções


Nos versos de 5 a 15 aparecem as instruções. Como eles deviam viver, como eles deviam apresentar o Evangelho. Ou seja, seguir a Jesus não é pra despreparado. Quanta diferença de muitos hoje que pensam que ser e viver cristão não exige estudo, esmero e preparo para testemunhar da Graça de Deus nesse mundo.


3) As admoestações


Versos 16 a 23. Seguir a Jesus não é pra desavisado. Cristo deixa bem claro o ambiente aonde os discípulos estariam. Ambiente corrompido pelo pecado, hostil ao Evangelho e aos seguidores de Jesus.


4) Os estímulos


Versos 24 a 33. O maior estímulo é o cuidado de Deus conosco. Mesmo num mundo hostil ao evangelho, onde podemos padecer perseguições, restrições e mesmo até a própria morte por amor a Cristo, devemos descansar sabendo que nossa vida está nas mãos de Nosso Senhor.


5) As dificuldades


Nos versos 34 a 38 Cristo mostra as dificuldades pelas quais seus discípulos passam e para enfatizar esta verdade, exemplifica as dificuldades no nível mais pesado e que possam acontecer, que é no âmbito familiar, mostrando assim que , nem mesmo os vínculos mais caros de nossas vidas estão acima do amor e devoção a Cristo.


6) As recompensas


Os discípulos de Cristo não trabalham em vão. Não são pessoas desesperadas. Pelo contrário, tem sua esperança muito bem posta nAquele que os chamaram. Mais do que recompensas terrenas, o discípulo de Cristo tem o foco no futuro, na consumação de todas as coisas. Naquele dia em que os valores do reino que ele hoje vive e testemunha serão estabelecidos absolutamente. O ainda não cessará. Teremos o agora, a glória com Cristo.


Pois bem, tendo feito esse rápido panorama sobre o discipulado, os convido, a nos próximos meses a estudarmos este tema e estes textos, aprendendo cada vez mais o que realmente significa ser discípulo de Cristo.


***


Texto do Presb. Cícero Pereira - UMP da Quarta.

terça-feira, 24 de junho de 2014

A Copa do Mundo, a brevidade da vida e a felicidade


Antonio Carlos Costa é um teólogo Calvinista, pastor e líder da Ong Rio de Paz. Recentemente tem realizado vários protestos contra a forma como a Copa do Mundo foi realizada no Brasil, e sobretudo questionando o lucro e isenções que a FIFA obteve neste evento. Costa é amante do futebol, botafoguense, portanto sendo razoável diante de tantos protestos que vem realizando, ele compartilhou uma bela reflexão sobre a Copa do Mundo, a brevidade da vida e a felicidade. Leia abaixo:

PASCAL E A COPA

Leia Pascal. Blaise Pascal (1623-1662). Pensador francês. Nenhum outro o ajudará tanto a botar os pés nos chão. Sem paralelo na literatura universal. Não deixa pedra sobre pedra. Veja o que li hoje cedo:

"Nós buscamos repouso por meio de combater certos obstáculos e, uma vez que esses obstáculos tenham sido superados, descobrimos que o descanso é insuportável pelo tédio que isso gera. Decidimos nos livrar do descanso e, assim, saímos a esmo implorando por novas excitações. Não conseguimos imaginar uma condição que seja prazerosa sem que tenha diversão e barulho. Assumimos que qualquer condição na qual podemos desfrutar algum tipo de distração é suportável. Porém, pense que tipo de felicidade é essa que consiste meramente em sermos distraídos, evitando pensar em nós mesmos".

Pensei na Copa. Como os jogos nos são úteis. Que saudade milhares sentirão dessas tardes e noites de transmissão esportiva. Não estou fazendo avaliação moral de um esporte que sempre gostei. É fato, contudo, que ele, como tantas outras coisas na vida, cumpre a função de nos livrar do que grita dentro de nós. Esquecidos de nós mesmos, contemplamos as partidas de futebol.

Feliz o homem que pode ouvir a voz da sua mente e coração sem precisar abafá-la. Bem-aventurado aquele que pode pensar sobre a brevidade da sua existência, a fragilidade da condição humana, as incertezas da vida e a morte sem precisar de narcóticos.

Somente Cristo nos permite gostar da solitude. Nele, temos o que dizer para nós mesmos.

"Por que estás abatida, ó minha alma? por que te perturbas dentro em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu" (Sl 42: 5).

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Via Face de Antonio Carlos.

domingo, 20 de abril de 2014

Voando na gaiola

1985, a palavra liberdade flui dos lábios selados por 21 longos anos. A expressão de pensamentos e ideologias vão ser novamente bradadas aos quatro ventos, tudo isso somado com alívio político e esperança social. Toda essa exasperação é embalada ao som de Cazuza, no primeiro Rock in Rio, Pro dia nascer feliz.


Bom, mas o que isso tem a ver com o tema a ser abordado? foi o que minha esposa perguntou em tom irônico e desconfiado.


O tema principal talvez seja o sentimento de liberdade em um ''país-igreja'' escravo. Grande avanço já tivemos? Isso é bem verdade. Muito ainda vamos ter? Isso depende do ponto de vista.


Afinal, de qual liberdade estamos falando? Será que liberdade é mesmo tudo?


Presos comemoram banho de sol, escravos celebram o fim do dia e trabalhadores o horário de almoço. São como nós, nos vislumbramos com a liberdade de falar e pensar, estando presos na libertinagem do pensar e falar.


A grande verdade é que nascemos presos em nossos delitos e pecados, fomos gerados assim, escravos do pecado adâmico, o livre arbítrio não nos livrou na verdade de nada, mas nos imergiu em um complexo e profundo mundo de pecado distante de Deus. O que falo não é coisa nova, Lutero publicou seu primeiro texto, discutindo esse assunto, em 1525 (A Escravidão da Vontade).


A liberdade é umas das melhores coisas que um ser vivo pode ter ou almejar, pergunte isso ao carcerário, ou abra a gaiola de um pássaro. Porém, o que quero alertar é o perigo inerente a ela. Ou melhor, as consequências dessa pseudo-liberdade na igreja moderna.


Em tempos hodiernos, a grande palavra nas canções dos movimentos evangélicos é Liberdade, Sou livre pra pular, livre pra dançar, a liberdade será a canção do meu coração e por ai vai. As vezes isso tudo bagunça a nossa concepção de liberdade e qual liberdade foi conquistada na cruz.


Não fomos livres pra fazer o que nos vem à mente, muito menos pra ir onde queremos, mas ao ganhar a liberdade da morte, causada pelo pecado, rasgamos nossa carta de alforria e nos entregamos a um novo senhor de escravos. Ele, porém, não poderia ser melhor Senhor. Somos escravos de Cristo!


A falsa liberdade tem sido embalada em nosso meio pela tão antiga e desapercebida vaidade. Liberdade no vestir, liberdade no comportamento, afinal , cada um tem seu jeito, seu estilo. O que poucos querem é se moldarem ao jeito e ao estilo de cristo, que é a simplicidade e humildade. A moda tem lugar certo nos cultos, chegando até ao púlpito. Mas o que é a moda se não a ditadura do mundo sobre nossas vontades, pensamentos e gostos. Qual a nossa ideia de belo hoje se não o que a moda prega?! Muitos estão completamente cegos, desapercebido e escravos desse cruel senhor "Mundo"!


Uma grande mentira tem se instalado contrapondo romanos 12 : A conformidade geral legaliza más atitudes.


Erroneamente também tem se crido: Tudo é lícito e "tudo me convém". A conveniência virou parâmetro de vida. De repente, as coisas se tornam lícitas por nos convir, quando os pensamentos supremos de Deus sobre nós não tem licitude.


A pior prisão é a falsa liberdade, pois nela não há força para quebrar grilhões. Achamos que estamos em um país democrata e não lutamos para que de fato o seja; Estamos em uma igreja liberta e não buscamos para que de fato seja. É bem verdade que temos grande tendência ao desacerto, mulheres conquistando alvedrio cada vez mais se parecem com os homens presos à imoralidade, jovens querendo ser livres, se aprisionam nas drogas, pais querendo ter liberdade prendem seus filhos nos vícios midiáticos e por ai vamos nós, enclausurando a liberdade nos dada de Graça.


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O texto é de Natan Viana Mota, colaborador do Arte de Chocar.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Um paralelo entre o crente inglês do século XIX e a igreja brasileiraatual

Por Antognoni Misael

Em um dos livros da coleção ‘A formação da classe Operária Inglesa’, especificamente no de Volume três, o autor E.P.Thompson, famoso por uma cosmovisão neomarxista, discorre sobre a formação da consciência da classe de trabalhadores ante o analfabetismo existente entre os ingleses do século XIX.

O que me chamou muita atenção em sua obra foi encontrar registros de que os protestantes daquela época exerceram um papel fundamental na construção do conhecimento, desenvolvimento do senso crítico social, e mais que isso, no processo de alfabetização de parte da população.

Havia uma grande busca pelo crescimento intelectual dentre os cristãos daquela época. Thompson ainda registra que era comum um trabalhador analfabeto andar quilômetros para ouvir um sermão de um pregador cristão. A ideia da obra de Thompson tem a premissa de que o analfabetismo de grande parte daquela massa, cujos cristãos eram maioria, não determinou que o nível de consciência política e social fosse comprometido. Eu vou mais além, digo que não comprometeu a sede em conhecer mais a Deus e que tipo de cosmovisão condizia com os valores dEle.

Thompson ainda relata que os cristãos que abandonavam o analfabetismo o faziam por insistentes leituras na Bíblia Sagrada aliadas as aulas informais solidarizadas por outros operários, enquanto que as suas crianças tinham o privilégio de serem logo cedo, veja:
Se as Sociedades Bíblicas e as sociedades da Escola Dominical não foram frequentadas para nenhum outro bem, pelo menos produziram um efeito benéfico – foram o meio de ensinar muitos milhares de crianças a ler” (Thompson, E.P., p. 308)
Apesar de relatos como estes não serem novidades, a saber que a Inglaterra pós-avivamento ainda aspirava busca pelo conhecimento sobre Deus, o mais interessante aqui é observar os registros de um historiador secular neomarxista a respeito dos hábitos protestantes.

Estamos no Brasil, século XXI. Em nossas igrejas é raro que nas Escolas Bíblicas Dominicais se alfabetize alguém, assim como dificilmente algum irmão andaria quilômetros para ouvir um sermão reformado! Estamos na era moderna, do evangelho moderno!

Mas o que me não me deixar parar de refletir é avaliar que se lemos a Bíblia, não primordialmente para aprender gramática... se nossas Escolas Bíblicas não, necessariamente, alfabetiza nossas crianças, mas as ensinam sobre o caminho; e se não precisamos andar quilômetros para ouvir um bom sermão na igreja, haja vista termos acessibilidade geográfica, de transporte e/ou mídia, me surpreende a situação a qual nos encontramos.

É como se atualmente grande parte de nossas igrejas fosse analfabeta em relação ao Evangelho; nossas Escolas Bíblicas fossem irrelevantes (a saber, que em muitas igrejas elas nem existem mais), e que as pessoas hoje em dia podem até andar quilômetros e mais quilômetros, só que, não para ouvir um bom sermão, mas para receber alguma cura, milagre ou benção material.

Reler estas passagens da oba de Thompson me deu vergonha de parte da igreja contemporânea, aliás, é esta dita parte que ao receber o fermento religioso e mercadológico inchou a ponto de tornar-se uma ofensa ao próprio Evangelho.

Portanto, sugiro que aprendamos um pouco com os operários da Inglaterra do século XIX - conscientes, questionadores, andarilhos em busca de sermões, profissionais que faziam de seus ofícios um culto a Deus. É a prova de que a igreja brasileira pode até ter um bom currículo, mas isto não a exime de ser analfabeta biblicamente, "desconsciente", dicotomizada, burrificada, porém alegando ter a mente do Cristo. #SQN!

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Antognoni Misael, editor do Arte de Chocar.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Quando estou em sua presença dá vontade de Morrer

Há alguns anos atrás uma canção tornou-se bastante executada no meio cristão. Com um groove animado e motivador, a letra pede que o Senhor venha “encher este lugar com Sua Glória”. O ápice é alcançado quando no refrão se diz: “Quando estou em sua presença dá vontade de pular, da vontade de dançar, da vontade de gritar, da vontade de correr.”

Em meados do ano de 2012 fui convidado para fazer parte de um evento de Adoração. Neste evento eu e minha equipe de músicos não seriamos os únicos participantes e, como é nosso costume, estivemos presente durante a participação da outra banda. Ali, sentado na primeira fila eu ouvia esta canção ser executada. Não foi a primeira vez que a ouvi. Na verdade eu já estava bastante familiarizada com ela. Mas pela primeira vez me senti extremamente incomodado ao ouvi-la. O refrão foi tocado e, como já era de se esperar, as pessoas freneticamente começaram a pular e gritar. Dançando desconjuntadas e sorrindo "bobamente". Foi então que me ocorreu: Qual a vontade que me invade quando eu estou na “presença do Senhor?”.

Precisamos antes de mais nada conceituar o que seria “Estar na presença do Senhor”. Alguns personagens antes de nós, relatados nas sagradas Escrituras já tiveram esta maravilhosa experiência de estarem diante da presença e Glória de Deus. Vamos observar qual o desejo que lhes invadiu nesse momento?

Quando Moisés esteve na sua presença:

“Então ele(Moisés) disse: Rogo-te que me mostres a tua glória. Porém ele(Deus) disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer.E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá.”(Êxodo 33:18-20)

Este é um dos episódios mais enigmáticos das Escrituras. Existem tantas implicações e questionamentos dentro destes poucos três versículos, que absolutamente não caberia nesta pequena reflexão. Mas podemos observar algumas coisas que cooperam para o tema proposto aqui.

A Glória de Deus é morte para nós. Ele é tão SANTO e PURO que um simples vislumbre de seu caráter resplandecente poderia nos consumir de imediato, pois somos o oposto dEle. Temos tantas falhas e imperfeições quanto se pode ter. Somos vaidosos, orgulhosos e egoístas. Habita em nós uma semente original que torna a nossa essência corrupta. Olhar para a sua Glória “face a face” seria nossa condenação imediata. Pois unido à sua Beleza, Pureza e Santidade está sua JUSTIÇA. E por causa de sua Justiça, o pecador não ficaria impune em sua presença. Seria algo instantâneo e imediato. Por isso Deus “priva” Moisés de encontrar-se face a face com toda a sua essência de Glória. Deus protege Moisés do próprio dEle mesmo.

É importante perceber e pontuar também o respeito e contrição de Moisés durante tudo isso. Manso, humilde e temeroso, ele é escondido em uma fenda. Respirando baixinho e sem escândalos ele espera. Confiante na Misericórdia de Deus em livrá-lo dEle mesmo.

Quando Isaías esteve na sua presença:

“No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e a cauda do seu manto enchia o templo. (...) Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos.“ (Isaías 6:5)

Isaías foi levado de alguma maneira que não podemos explicar ao local onde o Rei se assenta a julgar. Ali, neste exato momento, enquanto ele observa os serafins voando ao redor do trono e as vestes reais enchendo o tempo um terro invade sua alma. Fica claro pra Isaías o quão puro Deus é. Fica exposto a olho nu sua estupidez e maldade. Sua impureza torna-se um câncer. E Ele então clama: “Ai de mim!” Não existem pulos frenéticos nem gritos histéricos. Existe um homem no chão lamentando por sua estupidez e maldade. Chorando seus pecados e amaldiçoando sua maldade nata. Agora observem, se trata de Isaías. Não estamos falando de um criminoso sem escrúpulos. Não estamos falando de um cruel estuprador de crianças. Estamos falando de um profeta. Um homem piedoso. Este homem, considerado íntegro aos nossos olhos, se vê como uma aberração bizarra diante da beleza incandescente do Divino.

Quando Saulo esteve na sua Presença:

“E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:3-6)

O mais curioso acerca deste famoso episódio é o detalhe esquecido por todos. Temos o costume de encarar a conversão de Saulo como a conversão de um pecador maldoso ao Senhor. Nos esquecemos que quem esta se “convertendo” aqui é uma das principais autoridades judaicas no que se refere à lei de Deus. Este homem era zeloso e guardador dos mandamentos. Pagava seus dízimos, frequentava às reuniões na sinagoga, inclusive pregava com frequência a maravilhosa palavra de Deus aos seus irmãos, dava esmolas regularmente e fazia suas orações ao Deus de Abraão. Mas apesar de tudo isso, ao se encontrar com “um resplendor de luz do céu” ele descobre o quão morta era sua religião. Ele se depara com o fracasso de todas as suas boas obras. Ele é visitado por sua crueldade. Ele era perseguidor de Cristo. Perseguidor de Deus. Logo ele que fazia tudo tão “certo”. O exemplo que os pais queriam que seus filhos seguissem. E agora esta diante da presença de Deus e não lhe resta outra alternativa senão cair ao chão.

Conclusão:
Tendo em vista estes poucos exemplos bíblicos, e desconsiderando outros tantos que poderiam somar a esta reflexão, tanto bíblicos como exemplos dos pais da Igreja ao longo dos séculos que também já estiveram em Sua Presença, chegamos à inevitável conclusão de que estar na presença de Deus é Graça. Moisés esteve, pois “achou graça aos olhos de Deus”. Isaías esteve na presença de Deus e seu temor se foi quando, pela Graça e misericórdia divina ele foi tocado por uma “brasa viva tirada do altar”. Paulo não buscou nem pediu pelo Senhor. O Senhor o quis e foi ao seu encontro quando ele nem sonhava que estava em um caminho longe. Enquanto ele pensava que estava perto de Deus e sendo seu mais fiel servo, ele então descobriu que ninguém havia mais longe do que ele dos caminhos verdadeiros de Deus. Graça. Não adianta pedir, nem suplicar, nem mesmo invocar. Não funciona. É Graça. Ele tem que querer nos oferecer tamanha Graça.

Não é o que me propus escrever, mas vale a pena ressaltar que em Cristo, hoje entendemos que Deus quis nos trazer para Sua presença. Esta Graça foi manifesta na pessoa e obra de Cristo.

Em segundo lugar, o que fica claro como o sol ao meio dia para nós é que estar diante da presença manifesta e gloriosa de Deus resulta na mais profunda aquietação da alma. Não se mexem nenhum dos dedos nem mesmo se dá piruetas. O máximo que se consegue fazer é balbuciar algumas poucas palavras como: “ai de mim... quem sou eu... miserável...”

É inquestionável que a Salvação e Graça de Deus derramadas em nós produz um fruto de alegria e gozo. Uma vida regada de satisfação e sorrisos. Contentamento e arte esta presente todos os dias da vida dos eleitos. Fato. Mas o que se questiona nesse momento é o que acontece quando o Deus que nos salvou, o maravilhoso criador do Universo e o Regente de todas as coisas, o Supremo Governador, o Rei dos Reis resolve nos visitar com sua Glória e nos faz encontrar-nos a nós mesmos em sua manifestação pessoal. Não me resta duvidas que neste momento acabam-se as canções. Ou mesmo os argumentos. Só existe temor e respeito profundos.

Quanto a esta canção, me parece óbvio que ela foi feita para que as pessoas descarregassem suas energias e histerismo. Não foi nada pensado (literariamente falando) o que se diz nela poderia ser trocado por qualquer palavra. Não importa, contato que as pessoas se animem e pulem e façam trenzinhos. Ão foi uma tese defendida. Nem tão pouco é fruto de um estudo detalhado e honesto acerca da presença de Deus. É fruto do mercado gospel. Aquele que tirar mais gritos da plateia ganha. Bem, eles ganharam.

Quanto a mim, me unirei a Moisés, Isaias e Saulo e cantarei assim:

“Quando estou em sua presença da vontade de morrer
Dá vontade de chorar
Dá vontade de cair
Dá vontade de sumir
Diante de Ti
Dá vontade de morrer
Dá vontade de chorar
Dá vontade de cair
Dá vontade de sumir”

Porque Ele é mais Santo do que. Mais puro do que eu jamais conheci. Eu não mereço sua presença, se eu a tiver, estarei em contrição e humildemente lançado ao chão. Como alguém que recebe um presente tão maior do que jamais pensou ter condições de receber.

Que Ele seja honrado e respeitado. E que sejam expostos todos os que banalizam o seu santuário.

Em amor,

Marco Telles

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Marco Telles é líder da Comunidade CRER, é músico com trabalho gravado e dedica-se ao ministério pastoral levando a Palavra também, através da música.

domingo, 23 de março de 2014

Contentamento? Você só pode tá brincando...

“porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.” (Filipenses 4.11b)


Primeiro fato desse texto: não é nem um pouco fácil escrever sobre contentamento, porque essa é um 'coisa' que luto todos os dias, mas por lutar “com” ela todos os dias foi que quis escrever sobre esse assunto. Segundo, comecei a escrever esse texto há mais ou menos duas semanas, nunca tenho costume de escrever muito tempo antes o texto, mas dessa vez foi assim. Foi exatamente em um Domingo que comecei a escrever e nesse mesmo dia fui “assaltada” por um sentimento horrível de ingratidão e angústia diante de algumas coisas. Depois na Sexta seguinte perdi o meu avô por causa de uma doença súbita, um derrame que trouxe várias complicações, o qual deixou toda a família abalada. Meu pensamento logo após tudo isso, ao retornar para escrever o texto foi: “Iai Laryssa, como continuar escrevendo sobre Contentamento assim diante disso tudo?”. Mas, isso só me fortaleceu, e aqui estou.


“Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” (Hebreus 13.5).


Esse versículo não se refere a nenhuma outra coisa a não ser a uma promessa do nosso Deus. Em sua Palavra temos várias referências sobre o ‘não abandonar’ de Deus para nós. J. C. Ryle em seu livro diz: “A fonte do contentamento é a comunhão íntima com o Deus Todo Suficiente. ‘Contentamento é uma das graças mais raras’. Como toda coisa preciosa, ela é mais incomum.”.


Tenho percebido que pouco se é falado sobre Contentamento, não Contentamento de ser estar contente, mas Contentamento de se estar satisfeito. Mas satisfeito em quem? Em nós mesmos? Não. Em Deus.


Muito ouvimos sobre sermos cristãos felizes, cristãos sem pecado, cristãos obedientes, mas e sobre sermões cristãos contente com o que temos, quanto você ouve ou pensa sobre?


O descontentamento leva o cristão a um grande número de pecados, enganos de corações e distorções de caráter. São estados de alma corrompidos, pecaminosos e muito perigosos. Eis alguns exemplos: Murmuração, insatisfação, pessimismo, ambição, avareza, ingratidão, inquietação, irritação, desânimo, engano, endurecimento, inveja, auto piedade, cobrança, julgamento, amargura, ressentimento, rebeldia e descontrole.


Ser Contente hoje em dia é algo difícil, somos tentados sempre a querer mais e mais. Queremos aquele carro novo, aquela roupa nova, aquele celular novo, queremos aquela pessoa para suprir nossa carência e nos fazer sentir amado, queremos aquele curso que nos vai trazer bom retorno financeiro. Queremos cultos cheios de Palavras sobre prosperidade, benção, paz e conforto. Não que isso não seja Bíblico, mas devemos ser conscientes de que Deus, o justo Pai, nos dará tudo àquilo conforme Sua Santa Vontade, não por nosso próprio merecimento, mas por sua grande Misericórdia. Por sermos pecadores e miseráveis sempre caímos na nossa própria ambição. J. C. Ryle mais uma vez nos diz algo importante: "Um espírito desse tipo é o segredo de um coração luminoso e uma mente limpa.".


Ter Contentamento é crer na promessa e confiar inabalavelmente no Deus que é Soberano, que cuida, guarda, protege, abençoa e prover aos seus Filhos suas bênçãos. Se formos Filhos o que o mais não fará por nós? “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades.” (Filipenses 4.19).


Seremos abençoados, cuidados e supridos em Cristo Jesus, no nosso Senhor e Salvador. O contentamento nos leva a lidar de modo saudável com as situações nas quais não podemos ter controle, as fatalidades, situações nas quais nada pode ser feito para voltar atrás, ao invés de se ficar choramingando e murmurando acerca delas.


Vemos o verdadeiro Contentamento retratado na vida de José, filho de Jacó (Gênesis 37). Sem ter feito nada de errado, ele foi submetido a diversas dificuldades. Mas ele não fraquejou, permaneceu fiel a Deus, mesmo quando foi falsamente acusado e encarcerado durante anos. Então, no tempo devido, Deus o usou para livrar e proteger os irmãos, que o tinham traído antes. Portanto, mesmo no meio de provas e tribulações, José demonstrou contentamento e continuou sua cainhada na fé.


Romanos 12.12a diz: "Alegrem-se na Esperança.".


Lições práticas:


*Contentamento não é algo que surge do nada, é algo que se aprende a ter, que se busca orando, meditando e confiando nas promessas de Deus descritas nas Sagradas Escrituras;


*Contentamento é demonstração de inteira confiança no Deus Eterno;


*Contentamento é uma das virtudes de um Cristão genuíno;


*Contentamento é entender que mesmo que o mundo lhe falte, mesmo que seus amigos lhe faltem, e mesmo que parece que Deus não o escuta, nada está perdido, nem você está sozinho, Deus nunca nos desempara;


Para se chegar ao contentamento é preciso aprender a renunciar o provisório com a finalidade de obter o Eterno, aprender com as provações, estar disposto a servir ao Senhor com humildade e graça, a viver o caminho da simplicidade, da santificação, da intimidade com Deus, adoração, meditação, recolhimento e desprendimento.


"Se os homens realmente soubessem que eles não merecem nada, e são devedores da misericórdia de Deus a cada dia, logo cessariam de se queixar." (J. C. Ryle).


Que o Senhor nos ajude a ficar Contentes em todas as situações, desde uma perda de emprego, até a morte de um parente querido. Estar assim, não é simplesmente ignorar o mundo ao redor e viver “ao léu” esperando algo bom acontecer não, mas é estar com a vida diante de Deus todos os dias, confiando em seu imenso poder e na sua Maravilhosa Graça disposta a nós pobres pecadores. Que o Contentamento faça parte de nossa caminhada todos os dias. Fé, Força e Esperança em Cristo, amém.


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O texto é de LARYSSA LOBO, colunista do UMP da Quarta.