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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

8 motivos bíblicos para dizer: “Racismo não!”

No jornal de quarta-feira eu leio as seguintes palavras:

Há forte evidência de que salientar as diferenças pouco trabalha para melhorar as relações raciais, e pode ainda exacerbar as mesmas diferenças.

Por exemplo, os distritos escolares de Minneapolis e St. Paul fizeram da dispendiosa educação de diversidade uma prioridade por décadas. Apesar disso, o distrito de Minneapolis recentemente anunciou que “racismo embutido” continua a permear as suas escolas, enquanto que um estudo de 1994 da People para a American Way descobriu que as “relações raciais e a tolerância” nas escolas de ensino médio de St. Paul estão “desmoronando”. (Katherine Kersten, “‘Diversity Training’ Efforts Proceed from False Premise,” StarTribune, 10 de Janeiro de 1996, p. A13)

E a situação também não é boa nas igrejas. Eu já ouvi observações humilhantes e prejudiciais em nossa própria igreja sobre minorias étnicas. E um pastor negro me disse recentemente que um de seus membros negros se sentiu provocado com um novo frequentador branco e disse: “Eu tenho que me aborrecer com gente branca a semana inteira; eu não quero ter que fazer isso na igreja aos domingos”.

Então já é tempo de a igreja, colocar nova energia nessa questão e trabalhá-la. Para esse fim, eu quero estabelecer um fundamento bíblico na forma de oito teses.

1. Deus criou todos os grupos étnicos a partir de um ancestral humano. Atos 17.26:

[Deus] de um só fez toda a raça humana [pan ethnos = todo grupo étnico] para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação.

Observe duas coisas nesse texto.

Primeiro, observe que Deus é o CRIADOR dos grupos étnicos. “Deus fez de um só toda a raça humana”. Grupos étnicos não simplesmente aconteceram a partir de mudanças genéticas aleatórias. Eles aconteceram pelo desígnio e propósito de Deus. O texto diz claramente: “DEUS criou cada ethnos”.

Segundo, observe que Deus criou todos os grupos étnicos a partir de um ancestral humano. Paulo diz: “Ele fez DE UM SÓ cada ethnos”. Isso tem um murro especial quando você pondera o porquê de ele escolher dizer especificamente isso a esses atenienses no aerópago. Os atenienses apreciavam se vangloriar de que eles eram os autochthones, que quer dizer que eles haviam nascido em seu próprio solo nativo e não eram imigrantes de algum outro lugar ou grupo étnico. (Veja Lenski e Bruce, ad. loc.) Paulo escolhe confrontar esse orgulho étnico logo de cara. Deus criou todos os grupos étnicos — atenienses e bárbaros — e ele os criou a partir de um ancestral comum. Então vocês, atenienses, são feitos do mesmo tecido que os desprezados bárbaros e citas.

2. Todo membro de todo grupo étnico é feito à imagem de Deus. Gênesis 1.27:

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

Quando você coloca esse ensino de Gênesis 1 (que Deus criou o primeiro homem à sua imagem) junto com o ensino de Atos 17.26 (que Deus criou todos os grupos étnicos a partir desse primeiro ancestral), o que surge é que todos os membros de todos os grupos étnicos são criados à imagem de Deus.

Não importa qual a cor da pele, ou as feições do rosto, ou a textura do cabelo, ou outros traços genéticos; todo ser humano em todo grupo étnico possui uma alma imortal à imagem de Deus: uma mente com poderes de raciocínio singulares semelhantes aos de Deus, um coração com capacidade para julgamentos morais e afeições espirituais, e um potencial para relacionamento com Deus que separa completamente cada pessoa dos animais que Deus criou. Todo ser humano, seja qual for a cor, forma, idade, gênero, inteligência, saúde ou classe social, é criado à imagem de Deus.

3. Na determinação do significado de quem você é, ser uma pessoa à imagem de Deus se compara com as diferenças étnicas da mesma maneira que o sol do meio dia se compara com um castiçal.

Em outras palavras, encontrar a sua identidade principal em ser branco ou ser negro, ou em qualquer outro traço de cor étnico, é como se orgulhar de carregar uma luz de vela debaixo do céu sem nuvens ao meio dia. Velas têm seu lugar. Mas não para iluminar o dia. Então cor e etnia têm o seu lugar, mas não como a glória e maravilha principal da nossa identidade como seres humanos. A glória primária de quem nós somos é o que nos une em nossa humanidade semelhante a Deus, não o que nos diferencia em nossa própria afiliação étnica.

Essa é a mais fundamental razão pela qual programas de “treinamento de diversidade” normalmente dão um tiro no pé em sua tentativa de nutrir respeito mútuo entre grupos étnicos. Eles concentram maior atenção no que é comparativamente menor, e virtualmente nenhuma atenção no que é infinita e gloriosamente maior — nossa permanência singular sobre toda a criação como indivíduos criados à imagem de Deus.

Se os nossos filhos e filhas têm cem ovos, vamos ensiná-los a colocar noventa e nove ovos na cesta chamada “pessoa feita à imagem de Deus” e um ovo na cesta chamada “distinção étnica”.

4. A predição de uma maldição que Noé proclamou sobre alguns descendentes de Cam em Gênesis 9.25 é irrelevante na decisão de como a raça negra deve ser vista e tratada.

Ao longo dos séculos algumas pessoas tentaram provar que a raça negra está destinada a ser subserviente por causa das palavras de Noé sobre o seu filho Cam que foi o pai dos povos africanos. Observemos o próprio texto da Escritura, e então eu darei três razões de porque isso não determina como os povos da África devem ser vistos e tratados. Lembre-se que Noé tinha três filhos: Sem, Cam e Jafé.

Gênesis 9.21–25:

Bebendo do vinho, embriagou-se [Noé] e se pôs nu dentro de sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. Então, Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem. Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moço. Então disse: “Maldito seja [ou “será”] Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos”.

Agora observe três coisas:

A Maldição de Noé Cai sobre Canaã 

Primeiro, Noé toma essa ocasião do pecado de seu filho Cam e a usa para fazer uma predição sobre a prosperidade do filho mais novo de Cam, Canaã. Basicamente a predição é que os cananitas eventualmente seriam subjugados pelos descendentes de Sem e Jafé.

Ora, há muitas perguntas a se fazer aqui. Mas eu só tenho tempo para apontar algumas poucas relevantes ao nosso ponto principal. Cam tinha quatro filhos de acordo com Gênesis 10.6. “Os filhos de [eram] Cam: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã”. Ora, em termos gerais, Cuxe é provavelmente o ancestral dos povos da Etiópia; Mizraim é o ancestral dos egípcios; e Pute é o ancestral dos povos do norte da África, os líbios. Mas Canaã é o único dos quatro filhos que não é ancestral de povos africanos. Gênesis 10.15–18 cita os descendentes de Canaã: “Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete, e aos jebuseus, aos amorreus, aos girgaseus, aos heveus, aos arqueus, aos sineus, aos arvadeus, aos zemareus e aos hamateus”. Todos esses povos eram habitantes de Canaã e proximidades, não da África. E a predição de Noé se tornou verdade quando as nações cananitas foram expulsas pelos israelitas por causa de sua perversidade (Deuteronômio 9.4–5). Então a maldição não recai sobre os povos africanos, mas sobre os cananitas.

A Maldição de Noé Não Trata de Indivíduos

Segundo, a nação predita de Noé não dita como o povo de Deus deve tratar cananitas individuais. Por exemplo, cinco capítulos depois, em Gênesis 14.18, Abraão, descendente de Sete, encontra um cananita nativo chamado Melquisedeque, que era homem justo e “sacerdote do Deus Altíssimo”, e que abençoou Abraão. Abraão deu a ele o dízimo dos seus espólios. Então nem mesmo o fato de que Deus ordena julgamento sobre nações perversas dita a nós como devemos tratar indivíduos nas mesmas nações.

Deus Planeja Redenção para Todas as Nações

Terceiro, em Gênesis 12, Deus coloca em ação um grande plano de rendenção para todas as nações, para resgatá-las dessa e de qualquer outra maldição de pecado e julgamento. Ele chama a Abrão para todas as nações e faz uma aliança com ele e promete: Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”. “Todas as famílias da terra” inclui as famílias cananitas.

Então o que vemos é que, com Abraão, Deus está colocando em ação um plano de redenção que derruba cada maldição sobre qualquer pessoa que recebe a bênção de Abraão, a saber, o perdão e a aceitação de Deus que vem através de Jesus Cristo, a semente de Abraão (Gálatas 3.13–14). O que nos leva para a quinta tese:

5. É propósito e ordem de Deus que façamos discípulos para Jesus Cristo de cada grupo étnico do mundo, sem distinção. Mateus 28.18–20:

Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Fazei discípulos de “todas as nações” — isto é, de todo grupo étnico. É a mesma expressão de Atos 17.26, onde diz que Deus de um só criou “toda a raça humana” — todo grupo étnico. Assim como todos os grupos étnicos são criados à imagem de Deus, o objetivo de Deus é redimir pessoas de todo grupo étnico. O fato de sermos feitos à imagem de Deus não significa que somos salvos. Todos somos distorcidos pelo pecado. As singulares maneiras em que fomos criados para refletir a glória e o valor de Deus foram amplamente arruinadas. Então Deus enviou o seu Filho, Jesus, ao mundo para morrer por nós para que possamos crer nele e ser perdoados, limpos e restaurados, para que nos tornássemos troféus da sua graça.

6. Todos os crentes em Jesus Cristo, de todo grupo étnico, são unidos uns aos outros não apenas em uma simples humanidade à imagem de Deus, mas ainda mais, como irmãos e irmãs em Cristo e membros do mesmo corpo. Romanos 12.4–5:

Assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros.

O corpo de Cristo tem uma mão negra, um pulso branco, um braço amarelo e um ombro vermelho. E o pulso branco não pode dizer para a mão negra: “Não preciso de você” (1 Coríntios 12.21). E o braço amarelo não pode dizer ao ombro vermelho: “Por eu não ser um ombro, não sou parte do corpo” (1 Coríntios 12.15).

Outra figura, além de um corpo, é uma família.

1 João 3.1:

Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus.

Em outras palavras, se a nossa identidade como indivíduos humanos criados à imagem de Deus é maior do que todas as diferenças étnicas (visto no ponto no. 3), então a nossa identidade como filhos de Deus renascidos é ainda maior do que todas as diferenças étnicas. Eu diria da seguinte maneira: A glória da nossa semelhança familiar em Cristo é muito maior do que as nossas diferenças étnicas, tanto quanto o oceano é maior do que um dedal.

Antes vimos uma grande verdade — de que somos mais unidos pela nossa humanidade do que separados pela nossa afiliação étnica. Mas essa é uma verdade ainda maior, que em Cristo temos unidade sobre unidade. No topo de uma comum pessoalidade humana à imagem de Deus, temos uma comum pessoalidade redimida à imagem de Cristo. E quão menos devemos ser divididos pelas nossas diferenças étnicas! “[Não há] grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos” (Colossenses 3.11).

7. A Bíblia proíbe casamento entre um crente e um incrédulo, mas não entre membros de diferentes grupos étnicos. 1 Coríntios 7.39:

A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor.

“Somente no Senhor”. A Bíblia nos direciona claramente a não casar com incrédulos. Se já estamos casados com um incrédulo, devemos permanecer casados (1 Coríntios 7.12–13; 1 Pedro 3.1–6). Mas se estamos livres para casar, devemos casar apenas com aquele que compartilha da nossa lealdade a Jesus.

Esse era o ponto principal das advertências do Antigo quanto a casar com aqueles que pertenciam a nações pagãs. Por exemplo, Deuteronômio 7.3–4:

Nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus filhos; pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós outros.

A questão não é mistura de cores, ou mistura de costumes, ou identidade do clã. A questão é: haverá uma lealdade comum ao Deus verdadeiro nesse casamento, ou haverá afeições divididas? A proibição na Palavra de Deus não é contra casamento inter-racial, mas contra casamento entre crente e incrédulo. Isso é exatamente o que esperaríamos se a grande base da nossa identidade não são as nossas diferenças étnicas, mas a nossa comum humanidade à imagem de Deus e a nossa nova humanidade à imagem de Cristo.

8. Portanto, contra o crescente espírito de indiferença, alienação e hostilidade no nosso país, nós abraçaremos a supremacia do amor de Deus para dar novos passos pessoal e coletivamente em direção à reconciliação racial, expressada visivelmente em nossa comunidade e em nossa igreja. Que venhamos a banir cada pensamento de depreciação e falta de amor das nossas mentes.

Expulsemos de nossas bocas cada palavra ou tom de escárnio ou desdém.

Saiamos do nosso conforto para mostrar unidade pessoal e afetuosa com cristãos de todos os contextos étnicos.

Sejamos o sal e a luz da nossa hostil e assustadora sociedade com atos corajosos de bondade e respeito inter-raciais.

Resumindo, olhemos para Cristo e sejamos perdoados, limpos, curados e capacitados ao amor.

[John Piper é um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA desde 1980]

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A loucura do Evangelho sim, a "loucura dos Evangélicos", jamais!

Por Antognoni Misael

Como bem dizia Lutero: “quanto ao amor devemos ser flexíveis como uma cana ou a folha, pois o amor cede, mas quanto à verdadeira fé devemos ser invencíveis, e, se possível, mais duros do que o diamante”.

Portanto, amigos leitores quando posto algum comentário sobre algum vídeo ou notícia relacionada o meio evangélico (com todas suas variedades e esquisitices) não estou falando sobre amor, logo posso não ser flexível como a cana, ou folha. A saber, que o amor não depende de convicções pessoais, o amor é mandamento. Assim, do mesmo modo, para que eu ame não significa que devo me omitir em lançar opinião.

O que ocorre frequentemente nesse espaço é que alguns colegas confundem “defesa de fé” com falta de amor – desta feita, confesso que é muito difícil ser entendível pra estes. Alguns interpretam que estamos dividindo a igreja, ou que estamos provocando a falta de união. Recentemente postei algo relacionado aos Aviva’s, cuja prática está linkada ao modus operandi do suposto avivamento que o Brasil estaria experimentando, vide líderes da Teologia da Prosperidade e alguns artistas do segmento Gospel.

Quero fazer as seguintes considerações:

1) Entendo que a igreja evangélica brasileira de um modo geral está mal nutrida da sua bússola de fé (as escrituras).

2) O movimento gospel, abastecido por alguns astros da música, cujos manjares é idêntico ao dos comerciantes do pop music secular, representa bem mais um mercado do que um reduto de verdadeira adoração ou um campo missionário.

3) Os avivamentos pautados na palavra de Deus ocorreram com o retorno as escrituras sagradas, a auto consciência do estado de pecaminosidade, e não na ênfase de experiências humanas, ou bênçãos materiais.

4) Segundo pesquisa realizada e publicada na obra Reforma Agora, do Pr. Renato Vargens, 50% dos pastores do Brasil nunca leram a Bíblia toda. Ou seja, uma enorme quantidade de igrejas cristãs no Brasil são lideradas por homens despreparados e sujeitos a qualquer vento de doutrina vã.

5) Atualmente você não vê nenhum outro segmento religioso no Brasil nos dando mais indícios de loucura e insanidade do que os "evangélicos" - basta computar as centenas de vídeos insanos, bizarros, forjados e vergonhosos.

Diante disso, quando expomos alguma opinião relacionada a tal quadro, não o faço por desejar desunião ou por falta de amor. Só o faço por democraticamente expor a minha fé; ratificar que isso ou aquilo não representa biblicamente o Evangelho, e acenar para a necessidade de uma “nova reforma”, ou redefinição dos postulados da fé cristã nos dias de hoje.

O que me entristece? O fato de receber ataques Ad Hominem por parte daqueles que acham que tudo está normal e me acusam de “perseguir” o movimento evangélico. O que, sinceramente tenho a dizer é: eu defendo a “Loucura do Evangelho”, e não a “Loucura de alguns Evangélicos”. Note:

a) Somos acusados de dividir o reino

b) Somos acusados de tocar nos “ungidos do Senhor”

c) Somos acusados de não entender as coisas espirituais (principalmente quando não se há respaldo bíblico para elas)

d) Corremos o grande risco de que alguns crentes se afastem de nós

e) Corremos o grande risco de nos tornarmos uma espécie de intruso dentro da igreja

Uma característica do inchaço de muitas igrejas é o pragmatismo, o hedonismo, as ênfase nas bênçãos, o bem estar das coisas de Deus e não o próprio Deus... isso nos lembra os tempos do profeta Jeremias quando o povo de Israel se mostrou tão hedônico, apegado as coisas da terra, fartos porém das coisas dEle e esquecidos do próprio Deus.
“Como, vendo isto, te perdoaria? Teus filhos me deixam a mim e juram pelos que não são deuses; quando os fartei, então adulteraram, e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos. Como cavalos bem fartos, levantam-se pela manhã, rinchando cada um à mulher do seu próximo. Deixaria Eu de castigar por estas coisas, diz o SENHOR, ou não se vingaria a minha alma de uma nação como esta?” (Jeremias 5:7-9)
Portanto, se você querido leitor, hostiliza alguns comentários e críticas relacionadas aos postulados que fiz acima, eu entendo que você:

1) Defende que a igreja evangélica brasileira está crescendo por motivo de um avivamento e está bem nutrida da Palavra.

2) Defende que movimento gospel tem representado o evangelho de Jesus sendo um reduto de verdadeira adoração e um campo missionário.

3) Defende que os avivamentos pautados na palavra de Deus ocorreram na ênfase de experiências humanas, bênçãos materiais e multiplicação do número de igrejas (mesmo aquelas que surgem de rachas, ou por insubmissão).

4) Defende que apesar de 50% dos pastores do Brasil nunca terem lido a Bíblia toda, isso não importa porque “a letra mata e a teologia enterra” – logo, o que vale é ser cheio do Espírito Santo.

5) Defende que o que tem ocorrido no segmento religioso no Brasil não são indícios de loucura e insanidade; boa parte dos vídeos esquisitos que circulam pela net são “mistérios” e devem ser assimilados como um mover de Deus. Isto posto, se você considera corretas estas cinco observações acima, e discorda da crítica relacionada ao nosso panorama geral. E se isso pra você é dividir o reino (embora pra mim não seja). Que este se divida!

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Antognoni Misael

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Uma falha de adoração

Por Tim Challies

Eu acho o vício, e a escravidão ao vício, algo muito difícil de entender. Superar uma dependência me parece que deveria ser algo simples, especialmente para o cristão: em vez de fazer determinada coisa, que tal, da próxima vez, não fazê-la? Em vez de abrir aquela garrafa, deixe-a fechada. Em vez de comprar aquelas pílulas, compre alguns doces. Em vez de digitar aquele site, digite outro site. Em vez de entrar pelas portas do cassino, escolha sequer chegar perto do cassino. Se apenas fosse tão simples assim.

Tratar o vício como algo tão simples é não entender sua natureza. Eu disse recentemente que “Addiction and Virtue” [Vício e virtude], de Kent Dunnington, é, facilmente, um dos livros mais fascinantes que li ultimamente. Nele, o autor nos diz o porquê do vício ser muito mais do que simplesmente fazer uma má escolha em detrimento de uma boa escolha. O vício não é só satisfazer uma necessidade ou seguir um hábito, embora também isso seja verdade. Viciados, na verdade, estão buscando a boa vida e estão convencidos de que podem alcançá-la por meio do vício. Dunnington fala assim:

Nós não somos ensinados nem inclinados a pensar que pessoas viciadas são ativa e apaixonadamente engajadas em conseguir uma boa vida. Nós tendemos a pensar nelas como pessoas que desistiram da brincadeira ou que estão empenhadas positivamente em se destruir. Mas não é assim. Para mim, o comportamento do viciado pode nos dizer mais sobre os mais profundos desejos do ser humano do que a maior parte dos outros comportamentos do homem.

Viciados estão expressando um desejo universal, porém eles o fazem de uma maneira mais “vendida” do que as outras pessoas. Se a maioria das pessoas busca a boa vida de forma comedida, os viciados a buscam com todas as forças.

Vício, então, deve ser entendido como uma questão de… extática intoxicação. A pessoa dependente, reconhecendo a própria insignificância e insuficiência, deseja ser levada a uma experiência que a consuma, espera ser o objeto, ao invés do sujeito e anseia mais por sofrer a felicidade do que produzi-la.

“Intoxicação extática”. É isso o que o viciado deseja, venha a intoxicação por substância ou por experiência, pelo agito da droga ou pela experiência sexual. Em ambos os casos, o viciado deseja por essa experiência consumidora e se convence de que ela pode ser encontrada nas drogas, no jogo, na pornografia ou no que for. Dessa forma, podemos ver que o vício é, na verdade, uma falha de adoração.

Vícios são viciantes apenas na medida em que eles nos tentam com a promessa de uma felicidade perfeita, e escravizam na medida em que imitam e sugerem essa perfeição. A profundidade e o poder do vício se tornam inteligíveis quando começamos a ver o vício como uma falsificação da virtude da piedade. Dessa forma, o vício é apropriadamente descrito como uma falha de adoração, uma potente expressão da idolatria que temos com as coisas que queremos alcançar no plano imanente, mas que só podem ser adquiridas em um relacionamento com o Deus transcendente. A sedução e a astúcia do vício são trazidas para fora na medida em que vemos como, incrivelmente, o vício permite as pessoas alcançarem (imitações de) bens que somente a verdadeira adoração torna possível. Isso demonstra que o vício pode ser adequadamente caracterizado como uma encenação da luta que os seres humanos travam para obter para si florescimento, integridade do ego e prazer extasiante, que só podem ser recebidos por meio do correto relacionamento com Deus.

O vício é adoração, uma falha tentativa de encontrar em substâncias ou experiências aquilo que só pode ser encontrado em Deus. Como podemos ter evidências dessa adoração? Pelo fato de que o vício se torna o meio de se elevar e interpretar qualquer experiência.

O fato de que qualquer coisa poder se tornar uma desculpa para se usar é um poder que o vício tem para incorporar todos os aspectos da vida do viciado dentro do ritmo e razão dessa dependência. É exatamente esse o caso do alcoólatra, para quem os bons momentos são um vácuo sem o álcool. Os momentos difíceis são insuportáveis sem o álcool. A solidão não é tão solitária com o álcool. Os relacionamentos amorosos são mediados pelo álcool. O sucesso só pode ser celebrado com o álcool. Somente o álcool pode isolar a rejeição, e por aí vai. Ser alcoólatra é entrar nesse tipo de relacionamento com o álcool, no qual todo o resto da vida só faz sentido se acompanhado do álcool. O vício transfigura as mais ordinárias atividades em transações maldosas.

Você percebe? A Bíblia nos chama para incorporarmos a adoração a Deus em todos os ritmos e racionalidades da vida. Os momentos difíceis são insuportáveis sem Deus. A solidão não é (tão) só quando andamos perto de Deus. Relacionamentos amorosos são mediados e aprimorados pelo compartilhamento do amor de Deus. A celebração do sucesso é melhor com gratidão a Deus. O relacionamento com Deus nos isola da rejeição, e por aí vai. Ser um adorador de Deus é entrar um relacionamento com Deus em que todo o resto da vida apenas faz sentido se acompanhado por ele.

O viciado não está apenas seguindo hábitos profundamente arraigados e desejos, mas procurando o êxtase da adoração. O problema não é o desejo de adorar – nós somos criados para sermos adoradores -, mas o objeto idolatrado. O viciado olha em outros lugares – em qualquer lugar – por aquilo que só pode ser achado em Deus. A maior falha do viciado é uma falha de adoração.

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Fonte: Reforma 21 via Ministério Beréia.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Diz que é predestinado, mas vive uma graça capenga?

Por Antognoni Misael

Apesar do grande inchaço da igreja evangélica no Brasil e proliferação de diversos movimentos neopentecostais e teologias que confrontam a verdade do Evangelho, temos notado uma crescente busca pela teologia reformada e sobretudo pela 'doutrina da eleição'. Isso é muito bom, pois nos remete as bases de nossa fé, a suficiência de Cristo e a exclusividade das Escrituras, que são determinantes para uma igreja saudável.

O que há de preocupante nisso? O perigo da ausência da ortopraxia! Ou seja, o encantamento pela teologia a ponto de estacionar-se em uma via de acúmulo de conhecimento na literatura cristã, na palavra de Deus, mas sem compunção e transpiração de uma vida de Graça. No ditado popular, muita teoria e pouca prática!

Obviamente podemos destacar algumas referências da popularização de uma teologia equilibrada e sadia como John Piper e Paul Washer, dentre outros. Notar jovens assistindo vídeos, compartilhando mensagens, e experimentando um intenso desejo por Deus não tem preço. Mas ao mesmo tempo também preocupa-nos notar que parte desse mesmo público tão encantado com a doutrina da eleição e super abastecido de literatura e mídia cristã, pouco leu e conhece a Bíblia.

Pensando nesse tema, resolvi comentar um trecho da carta de Paulo aos Efésios, a saber que a carta é divida em duas partes, a primeira sobre nosso chamado e a nossa nova identidade em Cristo, e a segunda sobre as implicações práticas desse chamado. Ou seja, "se sou predestinado não devo viver uma vida anarquizada de Deus", caso contrário, é como diz o adágio popular: "a cruz nos peitos, e o diabo nos feitos".

Vejamos o capítulo 4.1-3, e diante da temática que, farei alguns apontamentos que contribuirão relativamente para a compreensão do que quero concluir. O apóstolo inicia com:
1 Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados,
Lembremos que após Paulo elucidar sobre a doutrina da eleição no primeiro capítulo de Efésios, a nossa nova identidade, a união com os judeus em um só corpo, agora ele vai direto para ortopraxia. Ao iniciar com um “Rogo-vos pois”, o autor leva em consideração tudo aquilo que disse aos seus leitores a respeito da Graça de Deus. Relembremos alguns tópicos que Paulo destacou:

1) Demonstrou que a nossa nova identidade é planejada por Deus, conquistada por Cristo e aplicada pelo Espírito Santo (Ef. 1.2-14).

2) Paulo orou para que os crentes gentios soubessem de forma PLENA e por compunção a vontade do mistério de Deus - isto é, atentassem a antiga condição diante de Deus, o incompreensível amor elegível na revelação de Cristo e o futuro glorioso separado para os eleitos no senhor. (Ef. 1.16-23)

3) Ele retratou de forma dramática a condição individual de judeus e gentios como MORTOS em delitos, separados do Senhor e debaixo da ira de Deus. Desta feita, é determinante que se perceba que, para que entendamos a dimensão imensurável da Graça de Deus é necessário que tenhamos o conhecimento do pecado. (2.1-3)

Portanto, é como se, uma vez cientes de que estávamos debaixo da ira de Deus, devemos entender que pela misericórdia dEle e por causa do grande Amor com que nos amou fomos feito um Novo Homem criados em Cristo Jesus para boas obras (Ef. 1.10). Assim, concluímos que a doutrina da eleição, diferentemente do que alguns maus entendedores o fazem, nos impulsiona a uma vida ativa, comprometida e piedosa diante do Senhor e dos homens, não acomodada, mórbida, apegada na certeza da soberania sem que haja responsabilidade humana, morte e sacrifício, ou, como Dietrich Bonhoeffer chama de uma vida vivida sob uma Graça “Barata”.

Diante da compreensão da predestinação o que nos chama atenção não é o fato de já estarmos prontos e resolvidos diante de Deus, mas sim de buscarmos autenticar nossa vida em Cristo nos tornando santos e irrepreensíveis!

Chamou-nos muita atenção o fato de Paulo se preocupar com o real entendimento dos gentios perante esta rica doutrina. Ao orar por eles ainda no capítulo 3, ele intercede (18-19): “a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus”. Ou seja, era (e é para nós) de extrema relevância compreendermos a profundidade deste mistério e Amor, ainda que não de forma toten, revelado em Cristo, para que sejamos tomados de toda a plenitude em Cristo e andemos nas obras. Ou seja, não basta compreender teologicamente, é preciso compreender de forma plena e ser tomado com certa compulsividade a viver na direção desta Graça.

Andar na vocação em que fomos chamados é viver diante do mesmo peso pelo qual a Graça de Deus fora revelada.

Voltando a citação feita acima sobre Bonhoeffer, em seu livro Discipulado o autor leva-nos a compreender que este “andar” requer uma compreensão de que a Graça de Deus é alvo mui valioso, é a nossa pérola de grande valor, e que, o que custou caro para Deus não pode custar barato para a sua igreja:
“A graça barata é a graça que nós dispensamos a nós próprios. A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina comunitária, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.


A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o ser humano sai e vende com alegria tudo quanto tem; a pérola preciosa, para cuja aquisição o comerciante se desfaz de todos os seus bens; o senhorio régio de Cristo, por amor do qual o ser humano arranca o olho que o faz tropeçar; o chamado de Jesus Cristo, pelo qual o discípulo larga suas redes e o segue.” (BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. Pág. 10)
Em suma, o que Bonhoeffer vem nos ensinar é que o convite de Cristo nos implica a toda uma vida de discipulado, seguindo-o e andando de modo digno pelo qual fomos chamados.

Conhecer um predestinado não tem tanto a ver com o discurso teológico do irmão, com a erudição de sua homilética ou com as citações reformadas que ele o faz, mas sim, pelo modo digno com o qual ele se apresenta ao mundo, ao seu próximo e como ele projeta a sua fé.

Ainda, no capítulo 4.2-3, Paulo continua discorrendo como deve ser o “andar” correspondente da vocação: “com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.

Ou seja, auto-intitulado eleito primeiramente deve viver em unidade com seus irmãos apesar das divergências, e mais, deve expressar os acessórios desta unidade através da humildade (como a de Cristo), mansidão (gentileza) e a paciência. Para tanto, a força motriz e reguladora do convívio e conduta deste eleito é AMOR -  por isso suportamos, e isso requer esforço, e sacrifício para manutenção da paz entre os irmãos.

Por fim, ratificamos, o crente eleito em Cristo tem esta maior marca: o amor. E ele simetricamente deve ser distribuído para Deus e para com o próximo como resultando da compreensão relevante da nossa nova identidade.

Dizer que é predestinado e viver uma vida "capenga" indigna da vocação pela qual foi chamado, sinceramente, não dá. E lembrem-se, teologia sem piedade pode nos tornar cínicos religiosos, e dos piores.

***

Antognoni Misael, buscando a cada dia andar na vocação digna pela qual foi chamado.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A suficiência de Cristo

Por Thiago Zambelli

Infelizmente, não é incomum encontrarmos em nossos dias, cristãos que perderam de vista a suficiência de Cristo em suas vidas. Isso acontece com aquele que pensa que, para abandonar alguns vícios, precisa de Jesus… e de mais algumas coisinhas, como medicação, tratamento psicológico, etc. Ou com aquele outro que acredita em Cristo, mas pensa que Ele pouco pode ajudar na sua depressão, ira, casamento… e assim, busca auxílio em livros de auto-ajuda, escritos por homens e mulheres que não creem em Deus.

Apesar de ser possível encontrar algum tipo de ajuda nestas outras coisas que mencionamos, nenhuma delas pode desviar os olhos do cristão de seu Senhor Jesus. Ele é suficiente para vivermos uma vida que agrada a Deus, e nEle encontramos todos os recursos que precisamos para lidarmos com as adversidades da vida de forma que Deus seja glorificado em tudo.

Vejamos em texto bíblico que pode nos ajudar a perceber isso.

Texto: Efésios 1.3-14
3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, 4 assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor 5 nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, 6 para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, 7 no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, 8 que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, 9 desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, 10 de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra; 11 nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, 12 a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; 13 em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; 14 o qual é o penhor da nossa herança até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.

Este texto nos ensina que:

Em Cristo recebemos toda a bênção espiritual que precisamos.

3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo,

Existem pelo menos 11 referências diretas ou indiretas a Jesus nestes 12 versículos. Isso é uma média de quase uma referência a Jesus por versículo, mostrando aquilo que temos nEle. Dessas 11 referências, 9 usam a preposição “em”, indicando a ideia de lugar e mostrando as riquezas que temos apenas “em Jesus”. Isso nos mostra que Jesus é a fonte de toda a riqueza da vida cristã. É nele que encontramos as preciosas bênçãos de Deus para nós.

Paulo nos mostra que em Cristo temos toda a bênção espiritual. Mas qual é esta bênção espiritual? O texto nos mostra pelo menos três.

1. Eleição (vv. 4-6)

4 assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor 5 nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, 6 para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado,

Uma grande preocupação das pessoas em nossos dias, no aspecto religioso, é sobre o que é preciso fazer para que Deus nos aceite. É preciso ser bom? É preciso realizar boas obras? É preciso ir para a Igreja? A Palavra de Deus nos dá a solução para isso. O texto nos ensina que em Cristo somos eleitos, escolhidos por Deus.

Ser eleito significa ser escolhido para alguma coisa. Um político, por exemplo, quando é eleito, é escolhido para exercer a presidência ou outro cargo. Os cristãos também são escolhidos por Deus para alguns objetivos. Paulo nos mostra dois deles:
a. Santidade (v.4): Em Cristo fomos escolhidos para sermos santos e irrepreensíveis.
4 assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor

O texto nos ensina que Deus nos escolheu para sermos santos, ou seja, para nos afastarmos do pecado e nos dedicarmos exclusivamente a Deus. Mas se o Senhor nos escolheu para sermos santos, isso significa que não preciso ser santo para ser escolhido. Um político não se torna presidente para ser escolhido pelo povo, mas pelo fato de ser escolhido pelo povo ele se torna presidente. O mesmo acontece conosco. Assim, não são nossos esforços que nos colocam numa posição de santidade, mas é a graça de Deus dada em Cristo àqueles a quem Ele escolheu.

Se Deus nos escolheu para sermos santos, e em Cristo nos tornamos santos, então devemos viver em santidade. Por isso, todo cristão deve procurar manifestar em sua vida a santidade para a qual foi eleito.
b. Adoção (vv. 5,6): Em Cristo fomos predestinados para nos tornarmos filhos de Deus.
5 nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, 6 para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado,

O texto ainda nos ensina que somos escolhidos para sermos filhos de Deus, para fazer parte de Sua família. A Bíblia nos ensina que éramos inimigos de Deus, e mesmo assim Ele nos adotou como filhos. Se Deus nos escolheu para sermos filhos, devemos ser obedientes e estar sempre seguros do cuidado e amor de nosso Pai celeste.

Em Cristo somos eleitos para uma vida transformada, na qual nos tornamos filhos de Deus e assim O agradamos com nossas vidas. Em Cristo temos uma posição de santos e filhos perante Deus. Agora, em Cristo, podemos e devemos viver de acordo com esta nova posição que temos.

2. Libertação (vv. 7,8)

7 no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, 8 que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência,

Duas palavras são especialmente importantes neste texto:
a. Redenção (v. 7a): Significa o pagamento do preço para a libertação de um escravo. Na época em que a Bíblia foi escrita, a escravidão era algo comum. E uma das possibilidades de alguém se tornar escravo era por meio de uma dívida. Quando alguém não conseguia pagar um débito que tinha com outro, tornava-se escravo até pagar todo o valor. Mas se alguém pagasse a dívida em seu lugar, ele ficaria livre da escravidão.
Paulo nos mostra que Jesus pagou a dívida por meio de Seu sangue. Isso significa que, quando foi sacrificado na cruz, Cristo estava pagando nossa dívida para que fôssemos libertos da escravidão.
b. Remissão (v. 7b): é perdão de uma dívida. Quando o senhor de um escravo lhe perdoa a dívida, a conseqüência é que a escravidão chega ao fim, e indivíduo se torna uma pessoa livre. Paulo também destaca que em Jesus nós recebemos o perdão de nossa dívida.
Isso significa que aquele que crê em Jesus está livre do poder do pecado e já não é mais escravo. Na prática isso representa a liberdade que o cristão possui de dizer não para o pecado e sim para Deus. Em outras palavras, se no passado você já foi escravo da bebida, da imoralidade, da mentira, enfim, de qualquer pecado, agora você está livre para ter uma vida de obediência a Deus.

3. Segurança (vv. 13,14)

13 em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; 14 o qual é o penhor da nossa herança até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.

Duas palavras são especialmente importantes neste texto:
a. Selo (v. 13): “Selo” não é aquilo que se cola num envelope para se enviar uma carta pelo correio. Naquele contexto, “selo” representava um sinal de autoridade, de poder ou propriedade que alguém exercia sobre alguma coisa.
Um exemplo disso pode ser visto nos evangelhos. Vemos ali que o túmulo de Jesus recebeu um selo do império romano. Isso significava que aquele túmulo estava sob o poder e sob os cuidados do império. Assim, quando as Escrituras nos ensinam que o cristão é selado com o Espírito Santo, podemos concluir que ele está sob o poder e sob os cuidados do próprio Deus. Esta é uma verdade que traz segurança e tranqüilidade para o cristão.
b. Penhor (v. 14): O penhor é uma garantia. Em nossos dias, quando uma pessoa possui alguns bens como jóias, por exemplo, e precisa de “dinheiro vivo”, ela pode ir até uma instituição financeira, realizar um empréstimo e deixar as jóias como penhor, ou seja, como garantia de que irá cumprir com seu compromisso de pagar o empréstimo. Assim, quando a Bíblia afirma que pelo Espírito Santo o cristão tem o penhor da nossa herança, significa que a presença do Espírito no cristão é a garantia dada por Deus de que Ele irá cumprir suas promessas.

Portanto, a habitação do Espírito traz segurança ao cristão. Não importa quais sejam os problemas e as dificuldades que enfrente, aquele que crê em Jesus tem a certeza de estar sob os cuidados de Deus e a certeza de que a herança prometida lhe será entregue. E tudo isso nós temos em Cristo.

Cristo é o centro (vv. 9-12)

9 desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, 10 de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra;

A Bíblia ensina que Jesus é o centro do plano de Deus. É apenas por intermédio dEle que todas estas bênçãos se tornam realidade na vida do cristão. Assim, Cristo é suficiente para recebermos todas as bênçãos espirituais que Deus planejou que tivéssemos. E por meio delas podemos viver uma vida que agrada e glorifica a Deus:

11 nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, 12 a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo;

Nunca perca de vista a centralidade de Cristo. É nEle que o cristão encontra os recursos espirituais para viver uma vida que glorifica a Deus. NEle somos escolhidos por Deus para um vida transformada como filhos. NEle temos vitória sobre o pecado. NEle temos segurança em meio às adversidades. Louvado seja o nosso Senhor Jesus!

***

Thiago Zambelli é missionário, reside nos EUA e é editor do blog Todah Elohim.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A maravilhosa escolha de Deus

Por Antognoni Misael
"E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade" [Efésios 1:5]
Não tenho dúvidas de que a resposta para esta pergunta tem muito a dizer sobre nós, e mais ainda sobre Deus. Quem sabe, a visão de que somos pecadores e de que Deus é gracioso, não seja imensamente fiel quanto ao real estado de pecaminosidade que nos encontrávamos e ao imensurável Amor de Deus por nós.

A religião tem causado um desfavor ao Evangelho. Isto se reflete nas respostas dadas a pergunta do tema. Primeiro por que na perspectiva dela, Deus nos escolheu porque viu em nós um coração sincero ou porque demos um sinal positivo para Deus. Em outras palavras, a religião implica em “nós fazendo algo para alcançar a escolha de Deus”, mas o Evangelho, “Deus se movendo ao nosso favor, e nos alcançando por pura vontade e Graça”.

Por que Deus me escolheu? Por que Ele te escolheu?

O Rev. Rennan Dias em sua obra “Na Estrada da Graça", conjectura um pouco sobre esta pergunta.
Primeiro, ele nos lembra que TUDO começa com a Graça de Deus! Portanto, a escolha de Deus não aponta para um livramento simplista do inferno. Mas, para um relacionamento pleno, que se inicia nesta terra, onde a glória de Deus é revelar Cristo em nós!!

“Na Estrada da Graça” nos apresenta um panorama sobre as promessas de Deus no Gênesis, e especificamente no agir soberano de Deus na vida de Abrão. Sendo assim, desejo conduzir algumas indagações acerca deste tema, inicialmente pensando a respeito de Abrão, e em seguida de maneira mais particular.

Eu pergunto: Por que Deus escolheu Abrão? Rennan amplia a pergunta:
“Por que Deus escolheu um homem que vivia no meio da idolatria? Por que Deus escolheu um homem com seus setenta e cinco anos? Por que Deus escolheu um homem que não podia ter filhos, em razão de sua esposa ser estéril? Por que Abrão foi escolhido para ser parte tão importante da história da redenção?” [DIAS, Rennan. p. 23]
A título de informação, faço lembrar que Abrão não era um bom homem. Ele não era melhor que seus irmãos. Ele não tinha nada de mais especial do que os homens de seu tempo. Assim como o povo de sua época, ele vivia distante do Senhor e em plena desobediência a Deus.

A resposta, Rennan nos oferece ainda no seu capítulo de seu livro:
“A maravilhosa Graça de Deus alcançou Abrão. Deus mergulhou na cidade idólatra de Ur dos Caldeus e, do meio dos idólatras, chamou Abrão para caminhar com Ele. Deus, sem ser chamado por Abrão, resolveu lhe fazer uma visita. Sem aviso prévio. Sem carta pelo correio. Num dia como outro, aconteceu. BUM! Deus apareceu para Abrão. A iniciativa foi de Deus. O primeiro passo foi de Deus.
Glórias a Deus por isso!!

Da mesma forma volto a indagar, agora sobre nós: por que será que Deus me (e te) escolheu?

Ah, meus irmãos, idiotice seria de minha parte tentar justificar de outra forma senão: a MARAVILHOSA GRAÇA DE DEUS!

O pregador C. Spurgeon certa vez disse que “a graça de Deus não viola a vontade humana, mas triunfa docemente sobre ela”. O que posso dizer é que, ela triunfou docemente sobre mim, e certamente em você, isto significa que hoje temos pleno prazer nEle em resposta a sua escolha soberana e doce sobre nós .

A Graça de Deus, portanto, me proporcionou saber cinco conceitos determinantes que me fizeram um tipo de Cristão bem menor do que outrora fui. Espero que lhe ajudar a se tornar mais pequeno diante de Deus e de Sua soberana escolha:

1) O encontro de Deus com os Seus não depende de encontros e métodos que insistimos em tentar manipular. A vontade dEle é perfeita e o seu tempo é oportuno!

2) Quão miserável pecador eu era, e ainda Sou.

3) O que eu fiz e o que eu continuo a fazer não altera em nada o Amor de Deus por mim, nem para mais, nem para menos. Senão, não seria Graça!

4) Jamais olharei para um pecador com olhar de orgulho, intolerância ou soberba por estar perto do Pai. Afinal, a essência dele é o retrato de mim mesmo, ao me ver pelo prisma “sem GRAÇA”.

5) Como bem citou Rennan, “um dia Deus tomou iniciativa e assim como fez com Abrão, Ele visitou nossa Ur, nosso lugar idólatra, e especialmente, sem que O chamássemos, Ele chegou”. Logo, não tenho parte nenhuma neste encontro e escolha!

"Por que Deus me (ou te) escolheu?" Novamente pergunto.

A resposta final e contundente, não tem outra: por pura GRAÇA! 
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, (Ef. 4.4)
Charles R. Swindoll, em sua obra “O Despertar da Graça” contribui dizendo, ao citar um de seus mestres, que “O amor que vai para cima é adoração, o amor que vai para fora é afeição, o amor que se curva é graça.”

Queridos, a escolha de Deus redunda no ato de Ele se curvar, isto é, estender favor ou bondade a alguém que não merece e que nunca poderá fazer nada para ganhá-la.

Por fim, pensemos. A religião ensina: "façamos algo para alcançar a salvação em Jesus".

O Evangelho responde: "a salvação é Deus nos escolhendo, nos encontrando, nos amando e nos atraindo para Si".

Que o Senhor da Graça nos ajude a compreender esta beleza e glória desta escolha soberana através do se filho JESUS!!

***

Rennan Dias é Rev. na Igreja Presbiteriana do Brasil. Atualmente pastoreia na igreja do Bairro dos Estados, João Pessoa-PB. É autor da obra "Na estrada da Graça". É amigo e irmão em Cristo. Caso deseje conhecer a literatura de Rennan, clique aqui.

Charles R. Swindoll é pastor norte-americano, escritor e presidente do Seminário Teológico em Dallas. Autor do Livro "O Despertar da Graça".

Charles Spurgeon, conhecido como o príncipe dos pregadores, o ministro batista viveu no século XIX na Inglaterra e é conhecido pela sua piedade aos homens, devoção a Deus, e suas ferventes pregações.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Conselhos de Francis Shaeffer para combater os teólogos liberais

Recentemente postei, li, discuti a respeito dos polêmicos pastores e seus seguidores que destilam suas teologias, opiniões particulares, que se aproximam ou se igualam ao que conhecemos por teologia liberal.

Alguns blogueiros criticaram sabiamente, outros fuzilaram com boa pontaria e alguns até ousaram usar o título de “encarnação do demônio”.

Eu, como pequeno e leigo que sou. Que nunca fechei as portas para aquela declaração de Blaise Pascal: “Não tenho vergonha de mudar de ideia, porque não tenho vergonha de pensar”, eu que sempre estou em construção, crescendo em graça e conhecimento, resolvi ouvir a opinião do Rev. Francis Shaeffer, em busca de equilíbrio quanto à defesa da doutrina e o amor e respeito à pessoa humana.

Shaeffer viveu intensamente numa época em que a teologia existencial invadiu os púlpitos e seminários. Ninguém melhor do que ele para nos ensinar algo sobre como lidar com este tema.

Em sua obra “A igreja diante do mundo que a observa”, especificamente no capítulo em que fala da prática da pureza na igreja visível, Shaeffer descreve o cenário em que as grandes denominações dos Estados Unidos passaram a ser dominadas pelo liberalismo, dentre elas a Presbiteriana, a qual fazia parte. Ele relata [p.133] uma das tentativas de blindagem que a Presbiteriana do Norte fez ao eleger como presidente um líder conservador, sem, porém, obter êxito. Primeiro porque os liberais continuaram no controle dos seminários e governo da igreja, anulando assim a garantia de que a denominação ficaria protegida dos ventos heréticos; e segundo, porque a igreja apenas focada na guerra teológica, ao que parece, esqueceu da prática amorosa e evidente da igreja visível. O que isto implicou em termos práticos? Implicou na falha do cristão em aprender a demonstrar a santidade de Deus nos assuntos eclesiásticos, praticar a verdade e não apenas falar ao seu respeito.

O verdadeiro cristão, porém, é chamado não apenas para pregar a verdade, mas para praticá-la em meio ao relativismo. Se há um momento em que é necessário praticar a verdade, é o nosso tempo.” [SHAEFFER, Francis. A igreja diante do mundo que a observa. P.133]

Na obra referenciada, Shaeffer não suscita o convívio harmônico nem com os liberais nem com esta corrente teológica. E nem é isto que estou propondo! Shaeffer era radical, para ele a teologia liberal era infidelidade e adultério espiritual com o Noivo divino. Mas o embate não podia se deter apenas a isso, era necessário uma comunicação pautada nos principais atributos divinos de santidade e amor.

Então, se somos cristãos e desejamos servir a Deus zelando pela sua verdade, como devemos lidar com esta situação? Além de combatermos as inverdades explicitas e os posicionamentos que discordamos, o que fazer?

Shaeffer responde escrevendo o seguinte:



“Ao mesmo tempo, contudo, devemos demonstrar o amor de Deus para com aqueles de quem discordamos. Não nos lembramos disso durante a crise da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, na década de 30. Não falamos com amor àqueles de quem discordamos e sofremos as conseqüências até hoje. Precisamos amar as pessoas, inclusive os teólogos existenciais, mesmo quando abandonam todo o conteúdo. Precisamos tratá-los como nossos próximos, pois Cristo nos deu o segundo mandamento de acordo com o qual todos os homens são nossos próximos e, portanto, devemos amá-los.

Precisamos defender claramente o principio da pureza na igreja visível e exigir disciplina apropriada daqueles que assumem uma posição contrária às Escrituras. Ao mesmo tempo, porém, é importante amá-los de modo visível como pessoas ao falarmos ou escrevermos a respeito deles. Devemos demonstrar amor diante da igreja e do mundo. Devemos dizer que os liberais estão extremamente enganados e precisam ser disciplinados pela igreja, mas devemos fazê-lo de modo a mostrar que não estamos sendo dirigidos pela carne. Não temos dentro de nós a capacidade de agir deste modo, mas o Espírito Santo pode nos capacitar. Lamento que, no passado, não tenhamos assumido esta postura na Igreja Presbiteriana. Não falamos sobre a necessidade de demonstrar amor ao nos opormos ao liberalismo. E, uma vez que a Igreja Presbiteriana se perdeu, tivemos de pagar um alto preço”. [SHAEFFER, Francis. P.134-135]


O resumo desta ópera acima é o seguinte: ouvir os mais velhos é sempre bom.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

OS PERIGOS NO MAU USO DA DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO

Por Fabio Campos

Há uma vanglória por parte de alguns a despeito da “Doutrina da Predestinação” muito perigosa e nociva à mensagem das “Boas-Novas” em Cristo, O Salvador. Alguns pregadores focam na “eleição”, mas esquecem da “justificação”. A doutrina da predestinação é bíblica, e seu tema encontra-se com contundência em várias passagens das Escrituras sem precisar de muito esforço exegético para o entendimento (At 4.28; Rm 8.29,30; 9.11-13; Ef 1.4-6).

A questão é como pregar e expor estes textos. Precisamos ter discernimento! Não sabemos quem são os “escolhidos” de Deus, e sem a justificação das boas novas, a reprovação fará o ouvinte olhar para si ao invés de olhar para o Salvador. Charles Spurgeon na sua refutação contra o hipercalvinismo disse:
Sou calvinista, gosto do que alguém chamou ‘calvinismo glorioso’, mas ‘hiperismo’ é quente demais para o meu paladar” [1].
A doutrina da predestinação é o baluarte do crente em meio a dificuldades e tentações, lembrando-o constantemente que sua salvação pertence a Cristo que o escolheu e não na da força de seu braço. Este é o contexto que ela deve ser apresentada. Não há como pregar o evangelho por meio da predestinação sem antes falar da graça de Deus disponível a todos os homens [sem entrar no mérito do chamado eficaz e o chamado externo]. Para alguns pregadores a proclamação do evangelho é unicamente o meio para juntar os eleitos de Deus. Uma pregação sem misericórdia e desprovida da graça de salvadora de Deus-Pai.

Precisamos ter outra abordagem para com os de fora. A ministração com a pressuposição de que nossa pregação deve alcançar os “pecadores eleitos” se tornará tendenciosa conspirando aos nossos conceitos e estado de “humor”. Certa vez perguntaram para Spurgeon “como é possível oferecer aos pecadores uma salvação que Cristo não realizou a favor deles”? Iain Murray no seu livro “Spugeon versus hipercalvinismo”, conta que ele pôs de lado essa questão como sendo uma coisa que Deus não quis explicar. Para ele era suficiente saber que o próprio Cristo Se oferece a todos; que o evangelho é para “toda criatura”, que todos os que vierem a Ele serão salvos, e que todos o que rejeitarem estão sem escusa. Ele disse que uma proclamação universal da boa notícia, das boas novas, com uma garantia para toda criatura, está no cerne do seu entendimento das Escrituras. Em acréscimo à argumentação bíblica segundo a qual os convites do evangelho não devem limitar-se aos que possuem certas experiências, Surpegeon adicionou o argumento de que tal limitação está sujeita a confundir almas necessitadas e a pô-las em perigo com uma forma de legalismo.

Spurgeon disse que os homens mais penitentes são os que se consideram os mais impenitentes. Uma exposição da predestinação sem a justificação para os incrédulos é joga-los no inferno com a probabilidade de que Deus já tenha reservado uma morada no céu a eles. O príncipe dos pregadores prossegue neste argumento:
“Se começássemos a pregar aos pecadores que eles precisam ter certo senso de pecado e certa medida de convicção, esse ensino faria com que o pecador fugisse de Deus em Cristo para si mesmo. O homem começaria logo a indagar: ‘Teria eu coração partido, estaria abatido’? Essa é apenas outra forma da pessoa olhar para si mesma. O homem não deve examinar a si mesmo para encontrar motivos para a graça de Deus” [2]
A capacidade de crer pertence unicamente aos eleitos por revelação do Espírito de Deus, e isto tem um tempo determinado; “há tempo para todo proposito debaixo do sol”. Por isso, o pregador que quer chamar seus ouvintes ao imediato arrependimento e fé, tendo isto por base para saber se o mesmo é um predestinado ou não, estará negando tanto a depravação humana como a Soberania de Deus. Um erro grave possa ser cometido neste contexto: “Predestinar um Judas Iscariotes e reprovar um ladrão arrependido nos últimos minutos de sua vida”. A respeito da soberania de Deus e da responsabilidade humana, Spurgeon, introduziu seu assunto com estas palavras:
“O sistema da verdade não é uma linha reta, mas duas. Nenhum homem chegará a ter uma correta visão do evangelho enquanto não souber ver as duas linhas ao mesmo tempo... Ora, se eu declarasse que o homem é tão livre para agir que não há presidência nenhuma de Deus sobre suas ações, eu seria levado para muito perto do ateísmo; e se, por outro lado, eu declarasse que Deus governa de tal modo todas as coisas que o homem não é livre para ser responsável, eu seria levado direto para o antinomianismo ou para o fatalismo. Que Deus predestina e que o homem é responsável são duas coisas que poucos conseguem enxergar. Estas verdades são tidas como incongruentes e contraditórias; contudo não são. É defeito do nosso fraco julgamento... é minha tontice que me leva a imaginar que duas verdades podem, alguma vez, contradizer-se uma a outra”. [3]
A Soberania de Deus não contradiz o seu caráter. Os homens sem ao menos entender a “doutrina da predestinação” imaginam um Deus severo, zangado e feroz, muito facilmente levado à ira, mas não tão facilmente induzido ao amor. O puritano John Owen sempre aconselhava:
“Não enredemos o nosso espírito limitando a Sua graça... Somos aptos a pensar que estamos sempre dispostos a ter perdão, mas que Deus não Se dispõe a concedê-lo”. [4]
O reformador João Calvino, nas últimas edições das Institutas, mudou o seu tratamento da eleição para fazê-lo seguir-se ao ensino da justificação. Ele dizia que quando a eleição é consequentemente introduzida como preliminar em relação a fazer ouvir o evangelho, inevitavelmente será como se fosse designada para limitar ou obstruir a salvação dos homens e das mulheres.

Inain Murray no mesmo livro disse “a conclusão final só pode ser que quando o calvinismo deixa ser evangelístico, quando se torna mais preocupado com a teoria do que com a salvação dos homens e das mulheres, quando a aceitação de doutrinas parece tornar-se mais importante do que a aceitação de Cristo, ele passa a ser, então, um sistema falido e invariavelmente vai perdendo seu poder de atração” [5]

Precisamos chorar pelos perdidos ao invés de ostentar nossa eleição a eles. O sentimento de Cristo a vista de Jerusalém, o de Paulo para com os seus compatriotas e o de Moisés para com o seu povo, este choro e lamento, por aqueles que vão rejeitando a graça rumo ao inferno. A doutrina da predestinação é bíblica e uma segurança para o crente; mas quando contemplamos pessoas que amamos fora do aprisco do “Bom Pastor”, o desespero bate em nossa porta. Isso é um bom sinal! Do contrário seria preocupante.

Que Deus nos dê graça para sermos mais prudentes ao expor essa doutrina tão preciosa dada a nós. Não sejamos inconsequentes ostentando “o saber” atribulando aqueles que ainda não foram iluminados no seu entendimento a respeito da sua salvação.

Fica a frase do reformador inglês John Bradford para o nosso aprendizado:
“Que o homem vá primeiro à escola secundária da fé e do arrependimento, antes de ir à universidade da eleição e da predestinação” [6].
Soli Deo Gloria!

Fabio Campos fabio.solafide@gmail.com

Referência bibliográfica das citações:

[1] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 63

[2] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 94

[3] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 99

[4] Spurgeon Versus Hipecalvinismo,a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 108

[5] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 138

[6] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 134

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Fonte: Blog do Fábio Campos, via Ministério de Beréia.

domingo, 22 de setembro de 2013

Aceitei a Cristo, estou salvo (parte 1)

certeza-da-salvac3a7c3a3o“Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego.” Romanos 1:16


A cultura do imediatismo e instantaneidade faz parte do século XXI. Se analisarmos com mais calma, veremos que as pessoas andam apressadas; e para sanar as grandes demandas que cada indivíduo possui, seja em qualquer área vida, estes usam ferramentas e artifícios criados pelo desenvolvimento tecnológico para que de algum modo, possam ajudá-los a resolver seus problemas e lidar com sua agenda.


Claro que, não se podem crucificar muitos benefícios que foram desenvolvidos para suprir necessidades reais e verdadeiras da humanidade. Agora mesmo, estou me comunicando via internet. Isto é uma bênção. Imagine se quiséssemos compartilhar algo, como fazer com as redes sociais hoje, nos moldes dos tempos antigos? Sem mencionar o imenso trabalho, tempo investido, com certeza o número de pessoas alcançadas se limitaria não menos do que a nossa cidade. Hoje qualquer um, em qualquer lugar do mundo pode ter acesso a qualquer conteúdo apenas a um clique de distância. É instantâneo, é imediato.


Há muitos anos, ninguém saberia qual seria o sexo da criança que estava no ventre de uma mãe. Era necessário esperar o nascimento para que soubéssemos se era um menino ou menina. Hoje, é possível com o ultrassom, não somente identificar o sexo do bebê, mas também diagnosticar previamente possíveis problemas de saúde ou síndromes que possam afetar a criança. Assim o corpo médico pode providenciar a devida assistência, orientando, acompanhando a gestação da criança, sua saúde, bem como a saúde também da sua mãe.


Se alguém precisa de alguma informação, basta ir ao Google, e em apenas alguns segundos sua requisição será respondida e terá às mãos incontáveis e possíveis informações sobre qualquer assunto. É “num piscar de olhos”.


Semelhante modo, muitos cristãos buscam respostas imediatas para questões espirituais. Respostas instantâneas para questões que levam uma vida inteira. Muitas não se acham explicação. Muitas nunca teremos respostas nesta vida. Alguns querem resolver alguns assuntos, como se fosse passe de mágica, através de uma oração, ou leitura da Bíblia, como se fosse um “manual-de-auto-ajuda-para-isso-e-para-aquilo”. O pragmatismo tomou conta. Muitos líderes têm sido seduzidos por ele, na busca de ganhar almas. Embora, os motivos e as intenções do coração não se podem conhecer, (não está sendo levantada a intenção do coração nem as motivações neste artigo) a responsabilidade pelo uso de métodos para pregação e fidelidade da mensagem é totalmente do cristão.


Pensemos um pouco sobre evangelização nos dias atuais. Certos métodos de evangelização necessitam de algumas observações.


É comum, por exemplo, em alguns locais ao final do culto uma oração de entrega da sua vida à Cristo, confissão de pecados, de renúncia às práticas antigas, ser feita em uníssono; e ao término da oração as pessoas serem questionadas: “Se você fez esta oração pela primeira vez, venha até a frente e oraremos por você”. Muitos nem sabem do que se tratam, não sabem o que fizeram. A responsabilidade da salvação então fica nas mãos do homem, quando na realidade quem salva é apenas Deus e somente Ele. A salvação nestes casos é algo baseada no mérito das pessoas. Dessa forma, a fé não é um dom, e sim, uma obra meritória para levá-las à salvação, o que no fim das contas, não é verdade. A salvação não depende do homem. Não é o homem quem escolhe Cristo. É Cristo quem escolhe o homem. Na nossa experiência, nós achamos que escolhemos a Deus, mas não é verdade.


Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome.” João 15:16


Todo o sistema de apelo por decisões está baseado nestes princípios, de que o homem é quem toma a decisão. Não foi sem razão que Charles Finney (pelagiano declarado) tenha sido o iniciador disto, de convidar as pessoas a virem à frente. Às vezes em nossa evangelização, a primeira pergunta que fazemos é: “Você está salvo?”, ou “Você tem certeza da sua salvação?”. Basta que alguém a conduza a repetir uma oração após alguns minutos de explicação curta do evangelho, e, voilá. Somos tentados muitas vezes a responder a pergunta de alguém se está salvo, pelo imediatismo e instantaneidade de uma oração. “Você foi à frente? Você fez a oração de entrega?”; então se conclui que se alguém fez estas coisas, está salvo.


A certeza da salvação não é algo pura e simplesmente instantânea. Os antigos irmãos puritanos davam muita ênfase nisto, sobre a eleição e busca do saber se alguém realmente foi eleito e salvo por Deus. Porém, não se buscava responder estas coisas por atitudes tomadas pelo homem como uma oração indo à frente da congregação, onde alguém declara que depois de ter feitas estas coisas, se tornou um crente em Jesus, em última análise, nasceu de novo. Os puritanos diriam: “Não! Simplesmente não. Não é assim. Você está equivocado!”. Então como alguém sabe que a fé que tem é a fé salvadora? Como a pessoa tem certeza que está salva?


A Palavra nos diz que o Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (e isso é verdade). Entretanto, esta prova, tem que ser manifesta de alguma forma, e não é meramente algo que se sabe de um dia pro outro, de imediato. É uma questão que pode levar a vida inteira. Observe que Paulo exortou os crentes da igreja de Filipos a buscar a confirmação da eleição.


“Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas em minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor,” Filipenses 2:12


Voltando à questão dos puritanos para exemplificar melhor, se alguém ler suas obras vai perceber como eles mudavam a ênfase da evangelização quanto à salvação. Cito Rev. Augustus Nicodemus discorrendo sobre isso em seu artigo O Pensamento Puritano.


“Você vê que alguns puritanos colocam muita ênfase na questão do raciocínio, do intelecto. Eles estavam lutando contra os místicos, contra aqueles monges, contra aqueles falsos piedosos que falavam de um misticismo extraordinário, mas que não tinha frutos. O puritano dizia: ‘Não, não. Você tem que analisar, você tem que ver a sua vida. Use sua mente. Some um mais um e veja se bate dois, veja se você é crente. ’”


“Quando enfrentavam os intelectuais, os hipócritas, que achavam que estavam salvos só porque tinham a sã doutrina, então a ênfase deles era no testemunho do Espírito Santo. Diziam: ‘Não, não, você tem que vê se tem o testemunho do Espírito Santo no seu coração, se o seu coração está aquecido, se está mudado, de fato transformado.’”


Quantas pessoas nós já vimos entrar na igreja e sair? Quantas já fizeram uma oração, mas não ficaram mais que um ou dois anos congregando? Quanto de nós, achamos que por termos feito apenas uma oração, é certeza para dizer: “Estou salvo”. É claro que, é possível que o crente verdadeiro possa em algum momento da vida se afastar do Senhor por algum período, mas o Espírito de Deus sempre o alcançará de volta e o resgatará, o perdoará, o acolherá, a final o evangelho é poder de Deus para a salvação.


Em relação a isto, à salvação, está relacionada obviamente à evangelização. Pois, alguém é salvo pela graça de Deus, usando a evangelização, usando a pregação para que isso aconteça, já que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir a Palavra de Deus, diz em Romanos 10, versículo 17.


Isto nos faz questionar algumas coisas. Primeiro; se os resultados visíveis (muita gente se dizendo evangélica) se dão ao fato da evangelização brasileira estar fundamenta em méritos humanos?


Segundo; se é Deus quem chama o homem, porque insistimos ainda em chamar os homens a virem à frente?


Terceiro; será que não cremos piamente no poder do Evangelho para salvar que é necessário às vezes ficar ao lado de alguém no culto, na hora do apelo, ficar chamando a pessoa ir à frente (às vezes muitos deles nem sabem o que fazem) para “aceitar Jesus”, e queremos dar uma mãozinha a Deus para isso?


À Luz da Palavra, Deus salva. A Bíblia diz que somos salvos pela graça, por meio da fé, e ela (a fé), não vem de nós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Certeza da salvação não é baseada em ações como ir à frente da igreja, ter se batizado, ter crescido na igreja, ser filho de pastor, diácono, etc.


Ela não pode ser respondida de forma imediata e nem instantânea. Esta certeza pode levar uma vida inteira. É necessário crescer a cada dia, na fé, na vida cristã até alcançar esta certeza.


Mas será que para por aí? Continua…


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Anderson Alcides é pastor com visão reformada, tradutor, colunista do Arte de Chocar, colaborador do Púlpito Cristão, e escreve no blog A voz no deserto.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O "Mas" de Deus

mas de deus"MAS Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores". (Romanos 5:8)


É comum em nossos dias notícias e mais notícias, de fatos horrendos, de atos grotescos. E coisas desse tipo geram em nós um sentimento, uma reação. Em alguns revolta em outros incredulidade. “Não acredito nisso, eu não acho que ele seria capaz, onde vamos parar?”. Esses pensamentos permeiam nossa mente, a ponto, de em alguns casos, nos deixar mal. Como a investigação dos PMs mortos em SP, em que se suspeita do filho do casal. A nossa mente não consegue assimilar, não queremos acreditar que isso poderia ter acontecido. Não se chegou ao fim das investigações, porém este caso mexeu com o Brasil.


Relutamos em acreditar que uma criança seria capaz disso. Queremos ver que na humanidade ainda resta em certas pessoas o “bem”, que nascemos puros e que o mundo nos macula com o pecado. Seria até legal pensar assim, uma ideia que nos tira responsabilidade. Porém isso não é verdade, é uma visão distorcida que vai de encontro à palavra: “Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe.” (Salmos 51:5 - NVI). Todos pecamos, todos somos maus, somos farinha do mesmo saco! Criamos degraus e colocamos pessoas neles, vemos isso o tempo todo. Um assassino é tratado como alguém desprezível, alguém que não merece ser ajudado, que tem que passar a vida preso. E vemos ladrões e mentirosos em uma condição ruim, mas não tanto quanto o assassino. Isso me leva dizer algo que pode lhe chocar: Adolf Hitler não é em nada diferente de Madre Tereza aos alhos de Deus, em nada! Ambos são pecadores e carentes de Sua obra redentora, ambos feriram a santidade de Deus com seus erros. Aí querido leitor você pode indagar; “Como assim? Madre Tereza era alguém que tinha boas obras sociais, vivia uma vida abnegada em amor aos pobres. Como você pode colocá-la no mesmo patamar do Funhrer?” Simples, perante o Criador “Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo.” (Isaías 64:6 – NVI). Até nossa justiça é desprezível para Deus, se sabemos o que é justiça e ser justo.


"E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,
Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.
Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;
Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus".


[Efésios 2:1-7] 


No texto de Paulo aos Efésios ele fala de um quadro desolador, O HOMEM ESTAVA MORTO NOS SEUS PECADOS! Mortos não falam, não andam, não se mexem, nada desejam. Afinal, ele esta morto! Assim, não havia condição alguma de buscarmos ao Senhor, de querer sua vontade - “a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo.” (Romanos 8:7 – NVI). Vivíamos como esse mundo vive, andávamos no sistema, fazíamos parte dele. Não havia em nós nada de diferente dos demais, Deus não olhou pra mim e disse: “Oh, Isaque é alguém caridoso, ele dá esmola, respeita as leis, é um bom pai, um bom filho, nunca traiu a mulher. Quero-o no meu Céu, ele merece”. Não, terminantemente não! Somos miseráveis pecadores, merecíamos a eternidade distante da presença desse Justo Juiz, a sua ira seria mais que justa. “... éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.” (Ef 2:3 – NVI). Precisávamos que Ele tomasse a iniciativa, que ele nos buscasse indo ao nosso encontro como foi no Jardim. Carecíamos de um Salvador.


Depois de expor a primeira parte do quadro com nossa miserabilidade Paulo usa uma conjunção adversativa, que exprime uma ideia contraria a tudo que foi dito antes. É nessa hora que entra o “MAS”, e essa conjunção faz brilhar uma luz naquelas cores negras e frias, cria se um lindo contraste colorindo a obra, a obra da nossa redenção. Esse é o “MAS” de Deus.


Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou. Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos).”
(Ef 2:4,5 – NVI)


Aleluia! Mesmo com nossos erros e ofensas, mesmo com nossos muitos pecados. Estando mortos, Ele nos vivificou em Cristo. Isso apenas por Sua Graça, Seu favor imerecido de nos dar a vida eterna e por sua misericórdia, que não nos recompensou de acordo com nossas ações. Com a ótica correta, conseguimos ver que não merecemos nada, que nossas obras não compram bênçãos. A medida que o homem conhece ao Senhor através de sua palavra, ele deve se sentir indigno diante do Deus Santo. Não há mérito em nós, tudo é Graça, é sempre Ele estendendo sua mão.


Saber isso não nos deixa confortavelmente deitados em uma rede descansando e aproveitando o momento. Esse conhecimento nos imputa responsabilidades. Se antes éramos escravos do pecado, hoje desfrutamos do privilégio de sermos servos do Rei. Se antes estávamos sobre o julgo de nossos desejos carnais, hoje seguimos o desejo do Nosso Senhor. Saímos de um senhorio e entramos em outro, continuamos sendo escravos! No término da obra, da grande obra, tem um recado deixado pelo Pintor, o propósito daquela tela é “Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.” (Ef 2:7 – NVI). Mais uma vez nós não somos o foco, essa pintura foi feita para a glória do Autor, para Seu próprio deleite.


Que ao olharmos pra esse lindo quadro possamos ver em cores frias e tristes nossas misérias contrastando com os azuis e amarelos da Graça do Senhor. Enxergar na aquarela de cores do Criador os tons que regeram essa pintura. Reconhecer que o autor é Soberano em sua obra cabendo a nós apenas render Glória. E sermos gratos por termos sido alcançados por Sua misericórdia.


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Isaque Pedro, seu texto me jogou lá pra baixo, lugar onde eu devo estar...Mas ao mesmo tempo me fez flutuar pelos céus (Graça). Fica mais do que sugestivo agora, ouvir esta canção abaixo:


[O Tapeceiro -Stênio Március]

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Fonte: BLog da UMP Guarabira.