Mostrando postagens com marcador Apologética. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Apologética. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Crentes Camaleões, um tributo à covardia e ao medo de perder

Por Ruy Cavalcante

Já escrevi algumas vezes aqui no blog sobre as características de nossa geração e resolvi voltar a este tema hoje. Desta vez falarei sobre um crescente grupo de evangélicos, que pessoalmente considero talvez piores até mesmo que os falsos profetas, se isso for possível.

Refiro-me àqueles que, pela necessidade de serem aceitos por todos e/ou pelo desejo de fazerem sucesso, agem como verdadeiros camaleões espirituais, modificando-se constantemente a fim de se adaptarem em qualquer ambiente, mesmo que para isso necessitem mudar, mais do que as roupas, até mesmo suas bases de fé.

Estes sem nenhum constrangimento declaram-se reformados quando estão numa igreja reformada, concordando com tudo, dizem que aquilo é maravilhoso, declaram amor pela escritura e dizem estar tristes pela situação de parte da igreja que abandonou a palavra de Deus para crer em fábulas.

Mas se visitam uma igreja neopentecostal (e estas constantes visitas em diferentes igrejas acontecem muito, especialmente com pregadores, grupos de louvores e grupos de jovens), entram no clima, testemunham que estão sentido algo tremendo, profetizam e determinam, fazem de tudo para se parecer com eles e para mostrar que concordam com tudo que ocorre lá dentro. Temem parecer frios aos olhos daqueles crentes “avivados”, e dessa forma jamais serem convidados novamente.

Fazem a mesma coisa em cada igreja que visitam, independente do que se pratique lá dentro, pois a necessidade e o desejo de "vencer" é maior que tudo. Há tempos estes irmãos foram contaminados com a semente da confissão positiva e da teologia da prosperidade, com suas atraentes promessas de triunfo nesta terra, e com medo de não alcançarem estes frutos desejosos, ou por pura necessidade psicológica de atenção, relativizam a verdade, omitem-se dela ou simplesmente a ignoram.

Na verdade são uma legião de covardes e não se importam com nada além deles mesmos, não se importam nem mesmo com Deus.

Preciso falar algo a estes irmãos: Paulo alertou Timóteo de que todos os que desejam, e vivem, piamente em Cristo, ou seja, de forma verdadeira, justa e fiel a Cristo, sofrerão perseguições (2 Tm 3:12), e isto inclui não serem bem recebidos em muitos lugares e, infelizmente, em muitas igrejas (aqui me refiro a igreja física, organizada).

Isso não é motivo de vergonha, mas sim de intensa felicidade! O próprio Senhor Jesus afirmou isso, quando diante de uma multidão declara: “Bem-aventurados serão vocês, quando os odiarem, expulsarem e insultarem, e eliminarem o nome de vocês, como sendo mau, por causa do Filho do homem. Regozijem-se nesse dia e saltem de alegria, porque grande é a recompensa de vocês no céu. Pois assim os antepassados deles trataram os profetas”. (Lc 6:22-23)

Não tenham medo, não sejam covardes, não temam perder! Nossas aparentes derrotas ocasionadas pela firmeza na verdade do Evangelho são um acúmulo de vitórias onde de fato elas fazem sentido, no Reino de Deus!

Não se trata de saírem por aí contendendo com todos por discordâncias teológicas, se trata de agir sempre em conformidade com a verdade, mesmo que a dano próprio. Ninguém normal deseja ser perseguido, não conheço cristãos genuínos que busquem perder amigos ou anseiam por ouvir uma congregação dizer que eles não são bem vindos por lá. Certo é que, no que depender de nós, devemos ter paz com todos (Rm 12:18). Mas a verdade não depende de nós, não temos escolha diante dela, ou pregamos e vivemos a verdade, ou toda nossa vida é uma farsa, e no último dia daremos conta de toda mentira e falsidade que praticamos. Agir assim, com tanta inconstância, omissão e dissimulação é pecado.

Mantenha-se firme na verdade, seja ela qual for. E que Deus tenha misericórdia de todos nós.

***

Ruy Cavalcante é parceiro de blog, parceiro de profissão, "apóstolo herege" que unge os locais mais inusitados do Brasil, e edita o Blog Intervalo Cristão.

sábado, 3 de janeiro de 2015

BATALHA ESPIRITUAL - POR JOAQUIM ANDRADE



Vivemos uma intensa batalha em nosso dia-a-dia. E a culpa é de quem? Não podemos tentar justificar nossos erros culpando exclusivamente o Diabo. Sabemos sim, que muitas vezes ele é o grande culpado, mas, nem todo o mérito é dele. Se estamos em Cristo somos novas criaturas e propriedade de Deus e morada do Altíssimo. 

Joaquim Andrade 

*** 

Arte de Chocar.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

CRER NA BÍBLIA NÃO É UMA ATITUDE IRRACIONAL


Por Leonardo Gonçalves

Em nosso tempo, os teólogos e “novos pensadores” do cristianismo têm arvorado diversas bandeiras diferentes. O cenário teológico está cada vez mais conturbado, e movimentos estranhos surgem com uma rapidez nunca vista. As linhas que regem as crenças do “nova espiritualidade” são as mais diferentes possíveis, podendo variar do marxismo teológico à espiritualidade medieval, ou mesmo do neoliberalismo ao teísmo aberto. Contudo, parece haver um ponto em que os novos pensadores estão de acordo: Todos eles, em maior ou menor proporção, duvidam que toda a bíblia seja a Palavra de Deus inspirada, e alegam que o texto original foi modificado. Ao que parece, a tendência é conservar o elemento místico do cristianismo, sem contudo submeter-se à autoridade da Bíblia como regra de fé.

Na contramão deste movimento está o filósofo, teólogo e fundador do Southern Evangelical Seminary, dr. Norman L. Geisler. Em seu livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu” (Ed. Vida), ele afirma que 99,9% do conteúdo do NT é livre de real preocupação, e que nenhuma doutrina central do cristianismo repousa sobre um texto duvidoso. J. B. Payne em sua obra “Enciclopédia de profecias bíblicas” apresenta 191 profecias relacionadas ao esperado Messias e Salvador judeu, e mostra como todas foram cumpridas literalmente na vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus de Nazaré. Também Josh McDowell, um dos mais importantes apologistas contemporâneos, fala de mais de 300 referências ao Messias contidas no Antigo Testamento, as quais se cumpriram em Jesus. Todos estes fatos somados compõem um forte argumento em favor da autoridade e inspiração das Escrituras.

Até mesmo o agnóstico e crítico do Novo Testamento, Barth Ehrman admite que “na verdade, a maioria das alterações encontradas no início de manuscritos cristãos nada tem a ver com teologia ou ideologia”. Segundo ele, tais alterações em muitos casos não passam de “erros ortográficos e acidentais”. Considerando que o NT possui cerca de 5.700 manuscritos, conclui-se que é possível reconstruir o texto à partir da comparação das cópias existentes, de modo a afirmar que o texto atual é bastante fiel ao que foi o texto original, descartando a hipótese de que o texto foi gravemente modificado para servir aos interesses da religião, teoria que quando avaliada à luz de argumentos sólidos mais se assemelha àquelas esdrúxulas teorias conspiratórias que circulam na internet.

Estas e tantas outras evidências que são apresentadas em favor do cristianismo são suficientes para dizer que o texto da bíblia conserva todas as idéias originais do cristianismo, sendo totalmente digno da nossa apreciação e crença. O argumento dos neoliberais brasileiros, no entanto, carece de confirmação e está baseado em falácias óbvias que já foram amplamente desmascaradas ao longo da história.

Por isso, e por muitos outros fatos que não caberiam neste breve artigo, afirmo sem nenhum receio minha crença na Bíblia. Não crer em tantas evidências seria o mesmo que pecar contra minha própria consciência.


***
Leonardo Gonçalves é blogueiro, missionário em Piura - Peru, e editor do Púlpito Cristão


Nota: Em 2015, o apologista Josh McDowell, um dos maiores apologistas da atualidade, autor de dezenas de livros na área de teologia e apologética, entre eles "Evidencias que Exigem um Veredito I e II", e "Mais que um Carpinteiro" estará palestrando na VINACC, um dos maiores eventos cristãos de sã doutrina da América Latina. A conferencia será gratuita, como sempre! Clique no banner e saiba mais:

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PASTORES, LÍDERES E EDITORAS: PRECISAMOS DE UMA TEOLOGIA APOLOGÉTICA TUPINIQUIM

Por Leonardo Gonçalves

A apologética cristã – um discurso em defesa das doutrinas cristas - é talvez um dos tópicos mais negligenciados pelos nossos estudiosos. Raramente consta no currículo de algum seminário e comumente se confunde com a heresiologia. No entanto, o atual quadro do cristianismo me faz pensar que poucas vezes ela foi tão necessária. Em tempos difíceis como os nossos, em que evangélicos estão dando as mãos aos católicos, espíritas e budistas em nome do “diálogo inter-religioso” e em que despontam novas espiritualidades, algumas estranhas e avessas ao evangelho de Jesus, é preciso que a liderança séria do nosso país se desperte para a necessidade de elaborarmos uma sólida apologética com a qual possamos combater as doutrinas modernas, geralmente diluídas entre filosofias ocas e relativizantes.

Uma das razoes porque defendo que a teologia brasileira deve ter ênfase apologética, vem do nosso contexto histórico-cultural. Os portugueses trouxeram o catolicismo romano. Os africanos arribaram suas crenças em espíritos orixás. Os nativos contribuíram com suas crenças animistas. Isso sem falar no êxodo que houve por ocasião das guerras mundiais, quando japoneses, italianos, poloneses, alemães aportaram por aqui, cada grupo trazendo sua própria cultura religiosa, a qual se misturaria com as crenças já diluídas dos brasileiros. A verdade é que vivemos em uma nação continental onde credos e raças se confundem e exercem influencia sobre a sociedade e a religião, demandando dos pastores e pesquisadores um constante raciocínio apologético.

A segunda razão porque defendo a tese de que a teologia brasileira deve ser apologética, é a nossa obstinação em importar tendências. Historicamente acostumados a toda sorte de crenças estrangeiras, o povo brasileiro tem como praxe a “tolerância”. Na verdade, a nossa cultura se parece mais com uma grande esponja, a qual tudo absorve e incorpora, e esta tendência também pode ser vista nas igrejas. Assim, em um mesmo segmento evangélico é possível encontrar conceitos que variam da Teologia da Prosperidade ao Teísmo Aberto, e do Neopentecostalismo ao Liberalismo Teológico. É necessário que a liderança séria do nosso país seja revestida de uma percepção apologética e através de meditação e submissão à Palavra, comece a separar os alhos dos bugalhos.

A terceira razão porque defendo a elaboração de uma teologia apologética nacional é que ninguém conhece melhor a igreja brasileira do que os crentes brasileiros. Obviamente que, como muito do que acontece no cenário teológico é um déjà vu de alguma teologia que surgiu lá fora, a produção de apologistas estrangeiros é de grande importância para nós. Não podemos, porém, negligenciar o fato de que nosso país tem uma problemática própria e muitas das nossas inquietudes não perturbam os grandes mestres da apologia internacional. Lá, fala-se muito em ateísmo e evidências da ressurreição, mas aqui no Brasil o numero de ateus e de pessoas que não crêem na ressurreição é consideravelmente menor, sendo este assunto, em certo sentido, menos relevante para nós. Por outro lado, o brasileiro convive com espiritismo, reencarnacionismo e ritos africanos que se misturam com crenças cristas, mas pouca gente lá fora está preocupada com isso. Assim, ao importar todos os livros de apologética estrangeira, memorizar seus jargões e despejar aquele “grande conhecimento” sobre nossos ouvintes, corremos o risco de ser supérfluos ao ponto de responder perguntas que ninguém está fazendo.

Creio que o momento é oportuno para implantar a apologética em nossas escolas teológicas, dando a ela não um papel secundário, mas essencial na formação dos nossos teólogos e líderes eclesiásticos. Também penso que as editoras evangélicas não perderiam em investir em apologistas nacionais tanto ou até mais do que investem na tradução de obras estrangeiras, pois o que percebo é uma grande carência de estudos especializados voltados para nossa realidade nacional. Penso ainda que a popularidade dos blogs e sites que se dedicam à defesa do cristianismo em um contexto tupiniquim é a prova cabal de que jamais houve momento melhor para se investir nos apologistas nacionais.

É tempo de investir numa teologia com sotaque nordestino, mineiro, paulista e paraibana; uma teologia verde-amarela, indigena, mameluca, curiboca, teologia mulata, robusta, com cara de Brasil.

***
Leonardo Gonçalves é pastor, missionário, e escreve no Púlpito Cristão

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Crente, Cristo e a Criatividade

Por Antognoni Misael
A igreja como um organismo vivo, composto por diversas pessoas com diferentes dons e talentos, contém em sua estrutura normal um ambiente propício a criatividade. Embora sendo isso um fator favorável, não nos garante resultados reais na vida comum da igreja.
A contextualização da igreja de Deus é algo imprescindível para o alcance da comunidade, e para isso é necessário fazer-se uso das mais variadas formas de arte – e quando menciono a arte, refiro-me a toda capacidade de improvisar, impressionar e criar.
A Bíblia nos mostra em Gênesis 2.19 que Deus se agradava dos atos criativos de Adão, e com certeza se agrada dos nossos. Sendo assim, advirto aqui a necessidade da igreja institucional abraçar a ideia de incentivos na área da música, teatro, artes plásticas, literatura, quadrinhos, dança, como também na vida pessoal. Estas áreas, embora aparentemente não propondo algo de espiritual, trazem em seu meio a possibilidade de aproximação da igreja com a comunidade, seja em amostras, exposições, e em seu fim, a adoração a Deus em muitos aspectos da vida, e detalhe, com excelência.
Incomoda-me notar obras de arte de boa qualidade em seus aspectos técnicos na arte secular em detrimento de obras medíocres representadas pela arte cristã. Penso que como filhos da redenção deveríamos buscar mais capacidade de expressar nossa criatividade do que os que são apenas filhos da criação.  Acontece que é mais fácil se anular culturalmente e apenas limitar-se em reproduzir o que a Indústria evangélica propõe em termos de “arte”, em troca de investir tempo, estudo, e dedicação a serviço da igreja. “Uma igreja que não cria, anula sua própria identidade e criatividade”.
Quero deixar claro que não refiro somente a criatividade como geradora de um produto de arte, mas também como um “modo de ser” partindo numa perspectiva de constante diálogo com o meio, com próximo e consigo mesmo. Uma pessoa que se empenha, por exemplo, em ser mais criativa lendo um bom livro, assistindo um bom filme, escutando uma boa música, (requisitos estes abalizados em Filipenses 4.8) com certeza terá bons recursos para lidar com a sociedade e glorificará a Deus com sua vida.
Jesus em seu ministério usou muito da criatividade. As palavras mais conhecidas Dele tornaram-se importantes por aquilo que chamamos de técnicas literárias. No Sermão do Monte Ele usou o aforismo (“Onde está o teu tesouro aí estará o teu coração”, Mt 6.21), a anáfora (a repetição de “Bem-aventurados os”, Mt 5.3-11), a metáfora (“Vós sois o sal da terra”, Mt 5.13), a personificação (“O amanhã trará seus cuidados”, Mt 6.34, a analogia (“Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis”, Mt 7.19-20), e a hipérbole (“Hipócrita! Tira Primeiro a trave do teu olho”, Mt 7.5). Claro que Jesus não dependia de técnica alguma, mas mesmo assim, tornando-se homem como nós, fez questão de ser tão humano que se apropriou da criatividade inerente ao meio.
Um organismo criativo gera pessoas melhores em seus aspectos sociais e culturais, gera o engrandecimento do reino em qualidade, em destreza e em habilidade naquilo que executam. Logo, pessoas criativas tornam-se adoradores dinâmicos.
Posso até trazer nesse artigo um pouco de utopia, mas oro para que possamos oferecer a Deus nossa criatividade nas diversas manifestações das artes, nos relacionamentos de família ou com os amigos, nas horas de lazer, no tédio do dia-dia, no ambiente de trabalho, enfim, penso que ser criativo tem tudo haver com ser alegre, contagiante, pensante, inteligente, diferente. Que isso seja uma realidade na nossa igreja.

***

Por Antognoni Misael.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

SOBRE APOLOGÉTICA: O ponto mais positivo (talvez o único) do filme DeusNão Está Morto

Você com certeza já deve ter escutado alguém falar "Deus não precisa ser defendido". É bem comum ouvir isso quando se fala de apologética nas igrejas. Muitos olham para a apologética como uma prática teológica prepotente que tenta defender a Deus e a fé através de raciocínios humanos. Argumentam que Deus é maior e não precisa ser defendido por homens pequenos. Nesse sentido, Deus Não Está Morto fez um grande serviço ao que pensam dessa maneira ao despertar um interesse pelo assunto. Na verdade, ao fazer apologética estamos apenas cumprindo o chamado de 1 Pedro 3:15:

"Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês."

Creio que esse é um chamado para todos e quero, rapidamente, desmitificar alguns conceito e dar alguns conselhos sobre nossa defesa da fé. Vamos começar pelos mitos:

Mito 1: Apologética é somente para pastores, teólogos e cientistas cristãos. Não, o chamado de Pedro é para todos. Como você tem respondido aos que pedem a razão da sua esperança?

Mito 2: Eu preciso estudar filosofia, biologia, física quântica e evolucionismos para ser um apologeta. Não, o conhecimento bíblico é suficiente. Não devemos desprezar o conhecimento, mas é somente na Escritura que encontramos a razão da nossa esperança.

Mito 3: Apologética é feita apenas nos seminários teológicos, nas universidades e debates científicos. Não, a defesa da fé deve ser feita em todo lugar que existir um cristão. Nossa esperança deve ser explicada em cada casa, rua, empresa e colégio desse mundo.

Mito 4: Apologética atrapalha o evangelismo. De maneira nenhuma, uma boa defesa da fé trabalha junto com o evangelismo para ganhar almas. Ao defender estamos apresentando o evangelho.

Entendo que apologética também é tarefa nossa e que deve ser feita em todos os lugares, vamos aos conselhos simples e práticos:

1. Estude a palavra. Esse é o único conhecimento que, no final das contas, importa. Uma apologética vencedora é aquela que apresenta o evangelho fielmente.

2. Não vise ganhar debates. O mundo é hostil ao evangelho e a tendência é que mesmo ganhando nós saiamos deles derrotados. Uma apologética vencedora não ganha debates, ganha corações.

3. Não deixe de orar. Só se ganha corações através da obra do Espírito que chama pessoas através da proclamação do evangelho. Defenda a fé na dependência do Espírito e em oração.

4. Não caia no discurso da neutralidade. Não existe ambiente religiosamente neutro, nem mesmo o científico ou acadêmico. Quando alguém te convida para um debate neutro geralmente está te convidando para um debate segundo pressupostos do ateísmo. Fique com os seus pressupostos, use a palavra, não tente fazer apologética apenas com argumentos humanos (neutros). É aqui que começo nossa derrota.

5. Identifique os elementos da sua cultura que apontam para uma necessidade de Deus e vazio existencial. Use sua cultura para apresentar a Deus de uma forma mais ilustrativa com Paulo vez em Atenas em Atos 17.

6. Não faça isso apenas pela internet. Apologética pessoal é muito mais eficaz, pois podemos demonstrar nossas emoções, sentimentos e cuidado para com o outro.

E pra finalizar, antes que saiamos por ai defendo fielmente nossa fé, lembremo-nos do versículo seguinte de 1 Pedro 3:15:

"Contudo, façam isso com mansidão e respeito, conservando boa consciência, de forma que os que falam maldosamente contra o bom procedimento de vocês, porque estão em Cristo, fiquem envergonhados de suas calúnias." (1 Pedro 3:16)

Que nossa fé seja defendida e proclamada em todos os lugares por todos os cristãos! #SolaScriptura

***

Pedro Pamplona, via Ump-da-Quarta.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Bono Vox é mais relevante do que muitos artistas evangélicos! Saiba o porquê.

A música dita gospel e seus cantores já deram várias demonstrações de irrelevância diante das oportunidades de professarem a Cristo com nitidez e firmeza na mídia televisiva, e ao invés disso se auto promoveram. Daí você vê o Bono Vox, um ícone do Rock, dando um simples exemplo de como ser convicto, direto e relevante.

Veja como ele não se intimida diante das perguntas provocativas do entrevistador do 'The Meaning of Life - são coisas que tem faltado nos representantes do segmento gospel.


Para conhecer melhor a confissão de fé do Bono e sua relação com o cristianismo, sugiro a leitura do livro "Walk On - A jornada espiritual do U2" - Steve Stockman - W4 Editora . Veja algo sobre a obra clicando aqui.

***

Antognoni Misael. Agradeço a Rô Moreira por ter compartilhado no Facebook.

Leia também:



terça-feira, 22 de julho de 2014

Eu também mudei

pastotrSeria uma grande tolice da minha parte negar que as pessoas mudam no decorrer dos anos. Eu mesmo já mudei de opinião em questões teológicas algumas vezes.


Quando me converti, pela graça de Deus, aos 22 anos, era um zeloso arminiano dispensacionalista. A leitura de Spurgeon dois anos mais tarde me curou do arminianismo e o seminário em Recife, no ano seguinte, se encarregou do dispensacionalismo. Durante o mestrado na África do Sul, quando eu já tinha 31 anos, mudei de opinião quanto ao papel do Espírito Santo no Antigo Testamento – passei a crer que Ele também habitava nos crentes da antiga dispensação da mesma forma que hoje habita nos crentes da nova. E foi nesta época que passei a acreditar na possibilidade de reavivamentos espirituais hoje. Nos próximos anos, algumas outras mudanças no entendimento de algumas passagens difíceis aconteceram.


Todavia, nenhuma destas mudanças me levou para fora do círculo do Cristianismo histórico. Nunca mudei naquelas coisas que consideramos como o núcleo essencial do Cristianismo bíblico, como a doutrina da Trindade, a plena divindade e humanidade de Cristo, a personalidade do Espírito, os atributos clássicos de Deus – imutabilidade, onipotência, onipresença e onisciência, etc. – a queda e o estado de perdição e pecado no qual se encontra toda a raça humana, a morte sacrificial e expiatória de Cristo e a salvação pela graça mediante a fé no Salvador, a sua ressurreição literal e física de entre os mortos, sua segunda vinda, o céu e o inferno como realidades pós-morte e a autoridade e infalibilidade das escrituras – para mencionar algumas. Sempre cri nestas coisas. Nunca mudei quanto a isto. Considero as mudanças que passei como progressos e um melhor entendimento de determinados pontos teológicos.


Portanto, como disse no início, eu seria um tolo em pensar que as pessoas não mudam. Só que, na minha opinião, nem sempre estas mudanças teológicas são salutares. Em muitos casos, as pessoas mudaram tanto a ponto de não poderem mais ser identificadas, a não ser remotamente, com o Cristianismo bíblico. É isto que a Bíblia chama de apostasia.


Jesus falou daqueles que crêem por um tempo, mas depois se desviam (Lc 8.13). Conheci vários assim. Eles mudaram. Um caso em particular, que me lembro, foi de um jovem cristão ardoroso que depois da leitura de livros de autores ateus e agnósticos mudou de opinião quanto ao Cristianismo, alegando ter recebido novas luzes da ciência e da razão. Largou definitivamente a fé cristã e virou agnóstico.


Paulo adverte Timóteo contra aqueles que se desviam do “amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia,” e que se perdem “em loquacidade frívola” – isto é, em discussões inúteis (1Tm 1.5-6). A referência é provavelmente a falsos mestres que estavam ensinando doutrinas erradas nas igrejas, de onde haviam saído, após mudarem de opinião sobre o Evangelho. É a estes mesmos que o apóstolo se refere, quando menciona os que "apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência” (1Tm 4.1-2). Eram pessoas que haviam começado como cristãs, mas mudaram com o tempo, a ponto de não poderem ser mais considerados como tais. Paulo ainda menciona mulheres que haviam se desviado da fé e seguido a Satanás – certamente não uma mudança para melhor (1Tm 5.15), obreiros que se desviaram da fé por amor ao dinheiro (1Tm 6.10) e outros que se desviaram por professar a gnose, o saber mundano (1Tm 6.21). Talvez Paulo se refira ao mesmo grupo de pregadores itinerantes que havia antes pertencido às igrejas cristãs.


Ele cita especificamente dois líderes cristãos, Himeneu e Fileto, e os considera como apóstatas, por professarem e ensinarem contrariamente ao ensino apostólico da ressurreição (2Tm 2.18). O perigo da apostasia e do desvio doutrinário – acarretados pelas mudanças – é motivo de alerta de outros escritores neotestamentários, como Tiago (Tg 5.19) e o autor de Hebreus (Hb 2.1 e 12.25).


Todas estas pessoas acima mudaram. Do ponto de vista delas, provavelmente, esta mudança representou uma liberação, uma melhora, um crescimento, um progresso. Libertaram-se das antigas peias da fé e da ética. Sem restrições impostas pela teologia, sentiam-se agora livres para pensar da maneira que achavam melhor e agir de acordo.


Conhecemos vários casos de pessoas que mudaram em nossos dias. Recentemente a imprensa noticiou, se baseada em fatos reais ou não, não sabemos - a mudança ocorrida com o pastor João de Deus, da Assembléia de Deus, na Paraíba, que virou muçulmano. Faz três anos fomos surpreendidos com a mudança ocorrida com Francis Beckwith, pastor evangélico americano, presidente da Evangelical Theological Society, que mudou e virou católico. Outra mudança que surpreendeu o mundo evangélico foi do famoso estudioso evangélico conservador Bill Barclay, autor de renomado comentário do Novo Testamento, um clássico usado por gerações de seminaristas e pastores – mudou e virou universalista ao final de sua vida, afirmando que todos os homens, no fim, seriam salvos. Como eu disse, algumas das mudanças acontecidas com líderes cristãos acabam empurrando-os para fora do Cristianismo bíblico, ou deixando-os bem em cima da risca.


Acho que devemos estar sempre abertos para mudar. Todavia, precisamos fazer a diferença entre mudança e apostasia. Nem toda mudança representa apostasia e desvio da fé. A Reforma protestante, sem dúvida, começou com uma grande mudança no coração de Lutero e representou uma enorme mudança dentro do Cristianismo - para melhor, assim entendemos. Longe de ser uma apostasia, representou um tremendo retorno às Escrituras. Mas toda apostasia, sem dúvida, começa com uma mudança na mente e no coração, que durante anos vai corroendo as convicções, minando as resistências mentais e espirituais, até que uma mudança completa – e para fora da fé – venha a ocorrer. Nesta fase, o apóstata se justifica de todas as maneiras, desde apelando para as mudanças como algo natural e desejável, como rompendo abertamente com alguns pontos centrais do Cristianismo histórico nos quais antes acreditava. O próximo passo, por coerência, é assumir um estado perpétuo de mudança, sem poder afirmar absolutamente nada com convicção, e impondo-se uma existência de metamorfose eterna.


Eu prefiro ficar com o lema da Reforma, que a Igreja sempre está se reformando e com ela, seus membros –, mas sempre à luz da Palavra de Deus. Aqui Lutero nos é útil mais uma vez. Como ele, estamos prontos a mudar, desde que convencidos pela luz que emana da Palavra de Deus, sem nos desviarmos dela nem para um lado nem para o outro.


***


Via Fan Page de Augustus Nicodemus.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

"Lembra-te" - discordando teologicamente dos Arrais

Os-arrais-nos-EStados-UnidosHoje quero falar sobre uma canção do Thiago e André Arrais. Antes de qualquer coisa, destaco a minha admiração musical pela dupla, em virtude de muitas de suas canções serem belas, e acredite, falarem tão bem sobre Graça (apesar de cantarem, ainda, sobre a Lei).


Espero que não me rotulem como “anti-arrais”, mas compreendam que o que hei de fazer é apenas uma análise sobre a letra de uma de suas canções.


A canção abaixo é uma apologética sabática. Nela, a dupla tenta conciliar o amor a Deus com a sustentação da guarda do sábado, e conclama que o ouvinte “Lembre-se” e obedeça a este mandamento.


Bem, não quero ser denso, nem realizar um estudo longo sobre o tema (caso alguém deseje, sugiro a boa leitura do artigo do Rev. Solano Portela, clicando aqui), entretanto desejo comentar as estrofes abaixo. Vamos lá:

Título: Lembra-te


Será que a lei quebrada foi na cruz ou anulada foi, perdeu o valor?
Mas como devo explicar que Deus não muda, que sua palavra é uma?
E como compreender que o Autor de toda a vida, separa o santo dia?


Primeiramente a resposta para a pergunta que inicia a canção é a palavra SIM - digo isto crendo no Cristo e na autoridade de Jesus. A lei foi quebrada e anulada por ter sido cumprida em Jesus e dela fomos libertos, como disse Paulo aos Gálatas 5.1.


A segunda pergunta é facilmente respondida. Deus não muda, óbvio, mas a relação que ele mantém com o seu povo (o Israel de Deus) mudou. Isto se deu por causa do seu eterno plano de redenção quando decidiu descer de sua Glória firmar um novo relacionamento com o homem (Fp 2.7).


Sobre a terceira pergunta da canção, relembremos esta passagem de Paulo aos Colossenses: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl 2.16-17).


A guarda do sábado semanal era sombra do que viria e apontava para Cristo. Veja:


“Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita. Porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei. Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo da lei. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gl 3.19-26)


Sendo assim a lei de Moisés serviu para nos conduzir a Cristo. Paulo é muito claro em sua carta aos Gálatas, por isso entendemos que ao morrermos com Cristo, morremos para a lei, haja vista que a lei não alcança os mortos.


“Agora estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos, a fim de servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da lei” (Rm 7.1,4,6).


Neste viés, sabemos que Jesus cravou na cruz as ordenanças nem nossos pais conseguiram suportar (Atos 15.10). Não obstante, o Apóstolo afirma categoricamente que as antigas ordenanças eram transitórias, e foram abolidas por Cristo (2 Co 3.7-14). Por isso, nós não somos mais guiados pela lei, mas pelo Espírito.


A canção continua:


"Eu sou criatura. Deus é criador
Quem cria e restaura é o Senhor.
Sábado perfeito creio e obedeço
Cravado na pedra para que eu lesse:
Lembra-te" do dia santo e da criação"


Na Nova Aliança os princípios éticos e morais foram ratificados nos Dez Mandamentos, mas, notemos, exceto a guarda do sábado. Se lermos minuciosamente o Novo Testamento não encontraremos em lugar algum a reserva do sábado. O Decálogo que corresponde a instrução na Nova Aliança apresenta-se desta forma:


“Não terás outros deuses diante de mim” (At 14.15); “não farás para ti imagem de escultura” (1 Ts 1.9; 1 Jo 5.21); “não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão” (Tg 5.12); “Lembra-te do dia do sábado para o santificar” (não mencionado no NT); “honra teu pai e a tua mãe” (Ef 6.1); “não matarás” , “não adulterarás”, “não furtarás”, “não cobiçarás” (Rm 13.9); “não dirás falso testemunho” (Cl 3.9).


Portanto, as frases da canção acima, quando confrontadas com os versos bíblica citados, não condizem com a nossa interpretação do “sábado perfeito” cantado.


"Monumento da graça do meu coração
Será que o que eu creio é mera teoria?
Idéias distorcidas?
Mas impossível é negar o que a palavra viva da força que me inspira"


O que a canção diz que Crê não é mera teoria, mas foi real na velha aliança! Ideias distorcidas? Sim, para os dias de hoje, mais ainda.


"E tendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra descansou
E abençoou Deus o sétimo dia...
Lembra-te do dia de sábado para o santificar
Seis dias trabalharás... mas o sétimo dia é o sábado do Senhor...
Aqui está está a perseverança dos santos"


As palavras acima são verdade. Porém, o sábado era um sinal, como o foi a circuncisão, entre Deus e os filhos de Israel, assim como o arco era um sinal do pacto com Noé: “Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: "Certamente guardareis meus sábados, porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações, para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica. Portanto, guardareis o sábado...aquele que o profanar, certamente morrerá” (Êx 31.13-14).


No entanto, não acho difícil notarmos que estamos na Nova Aliança, e nela a nossa aceitação diante do Pai é pela graça, mediante a fé em Jesus (Jo 3.15-18; Rm 10.9; Ef 2.8-9).


"Os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.."
" e disse-lhes Jesus: Se me amares guardareis os meus mandamentos.."


O próprio Jesus sabendo de sua missão em cumprir toda a Lei disse: Tenho-vos dito essas palavras para que a minha alegria permaneça em vós e a vossa felicidade seja completa. E o meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei. (Jo.15:11)


"Me recuso a crer no que os outros dizem, no que o mundo exige
Como no passado, hoje a minoria sustenta essa doutrina
Perfeito dia em meio a lei que é eterna
Descanso na promessa"


Bem, sem mais delongas, para não ser redundante, digo, se porventura você que gosta dos Arrais e quer seguir o conselho dado por eles, não se esqueça que se porventura for guardar o sábado, o faça fielmente aos preceitos do Antigo Testamento, tipo: não saia de casa nesse dia (Êx 16.29); não compre ou venda nada neste dia (Am 8.5) não acenda o fogão (Êx 35.3); não viaje (Ne 10.31); não carregue peso (Jr 17.21), e mais, "Lembra-te" que a violação disso tudo te torna descumpridor da lei, debaixo da maldição dela e apto a pena de morte (Êx 31.15; Dt 27.11-28; Gl 5.1-5; Tg 1.23; 2.10).


***


Antognoni Misael, ao som dos Arrais.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Refutando Nietzsche: Bendito Deus que dança!

"Se eles querem que eu acredite no seu deus,
eles vão ter que cantar comigo melhores músicas.
Eu só poderia acreditar em um deus que dança."

- Friedrich W. Nietzsche (1844-1900)
Filósofo alemão

Por Wilma Rejane


Com a frase acima o filosofo Nietzsche, desafia o Deus dos cristãos em sua obra “Assim Falou Zaratustra” . Segundo ele, e revestido de um personagem do zoroastrismo, o cristianismo era a maior desgraça da humanidade e uma “muleta” para os fracos. O homem deveria decretar a morte de Deus para se tornar enfim um “super-homem”, confiando em seu potencial interior para ser vitorioso (?). Ironicamente, Nietzsche, havia nascido em lar protestante , seus avós eram pastores luteranos. Ele ingressou na teologia, mas abandonou a fé ao se aprofundar na Filosofia.

O pensamento de Nietzsche, influenciou significativamente o mundo moderno - infelizmente – e continua fazendo adeptos até nossos dias. Pobre Nietzsche, viveu de forma miserável , convalescendo de tantos males que peregrinou por diversos lugares na tentativa de que em alguns deles, o clima lhe fosse favorável: Veneza, Gênova, Turim , Nice... até terminar seus dias em um sanatório em Basileia. Ele não sabia, mas desconfio – tenho fortes motivos para isso - que padecia de infelicidade crônica. A falta de fé no Deus que dança esvaziou seu ser e para onde se movesse não encontrava paz. Ele a procurou em muitos lugares, mas ao matar dentro de si, o Deus que poderia salvá-lo , morre ele.

O Deus que dança é tão latente que é impossível torna-Lo ausente. Ele dança nas nuvens, na natureza, nos homens. Através do movimento dos dias dos poentes e nascentes quando o céu muda em cores e luminosidade. Deus dança nas folhas das árvores que balançam pela força do vento, que se umedecem pelas 'lágrimas” do orvalho. Deus dança na brisa que nos acaricia, na lua que ora é cheia, nova, minguante, crescente. A lua dança com as estrelas, com a noite que chega, que se vai. Deus dança no mar quando rugem as ondas, bravas e mansas, “varrendo” a areia, emprestando movimento aos navegantes de um país a outro. Deus dança e canta por todos os dias pois sem Sua “batuta”, Sua harmonia, Sua voz, nem vida existiria.

Sofonias 3:17 diz: “O Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso para te salvar, Ele se deleitará em ti com alegria, calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo”. Alegria = Rinnah (Stong 07440) significa “dar brados de júbilo, aclamar, aplaudir fortemente com triunfo; cantar”. Literalmente: Deus dançara sobre o seu povo, jubilara, dará brados de vitória com alegria”.

Esse é o Deus dos cristãos, que dançou com seu povo ao abrir o mar vermelho, recolhendo as ondas como em espelhos para libertá-los do Egito. Rinnah foi a música que embalou as vitórias de Abraão, Isac e Jacó. O Isac, batizado riso, porque Deus dançou com o tempo grávido de promessas para uma mãe estéril e um pai de quase 100 anos. Deus dançou com os antigos profetas e suas visões precisas do futuro que anunciavam o Messias Salvador nascido em Belém da Judéia, porque O Espírito Santo dançou no ventre de uma virgem, chamada Maria, obedecendo a melodia de Deus Criador.

Deus dança através do tempo e faz natureza cantar, diz o Salmo 65:8-13: “Tu visitas a terra, e a refrescas; tu a enriqueces grandemente com o rio de Deus, que está cheio de água; tu lhe preparas o trigo, quando assim a tens preparada. Enches de água os seus sulcos; tu lhe aplanas as levas; tu a amoleces com a muita chuva; abençoas as suas novidades. Coroas o ano com a tua bondade, e as tuas veredas destilam gordura. Destilam sobre os pastos do deserto, e os outeiros os cingem de alegria. Os campos se vestem de rebanhos, e os vales se cobrem de trigo; eles se regozijam e cantam. “

Quem, a não ser um Deus que dança, desceria do céu para festejar com os homens a morte da morte? Quem, a não ser um Deus que dança se ofereceria em sacrifício de morte pela humanidade para ressurgir vivo ao terceiro dia? Oh, poderosa melodia do Deus que dança!!! Aleluia é o Teu cântico preferido, a Ti entoamos louvores de gratidão por ter vindo dançar com teu povo! Por todos os lugares se ouve a Tua voz, ainda no silêncio Te ouvimos. O que seria de nós, não fora um Deus que dança e que nos convida para dançar com Ele, no banquete celestial onde já não haverá lágrima, nem pranto, nem qualquer dor?

Bendito esse Deus que não se cansa de dançar nos corações que se transformam pela obediência a canção da Cruz, entoada aos quatro cantos da terra: Jesus, Jesus, Jesus! Amo esse Deus que nos faz dançar de alegria por ouvir Sua voz de Pai amoroso.

Nietzsche só poderia estar aturdido, embriagado por canções infernais vindas de um mundo onde não se pode dançar. É isso, prisioneiros não dançam. Escravos não podem dançar. Só mesmo a misericórdia de um Deus que dança para o libertar. Jamais ele ou algum outro incrédulo poderia encontrar paz e felicidade não fora nos braços do Cristo ressuscitado que se move em dança para perdoar e amar.

***

Wilma Rejane é Jornalista, Bacharel em Teologia, Filosofa, educadora, e colunista do blog Confeitaria Cristã.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

EXISTE UM ARGUMENTO PARA A EXISTÊNCIA DE DEUS?

Pergunta: "Existe um argumento para a existência de Deus?"

Resposta:A questão de se existe um argumento conclusivo a favor da existência de Deus tem sido debatida ao longo da história, com pessoas extremamente inteligentes defendendo ambos os lados da disputa. Nos últimos tempos, os argumentos contra a possibilidade da existência de Deus têm assumido um espírito militante que acusa qualquer pessoa que se atreva a acreditar em Deus como sendo delirante e irracional. Karl Marx afirmou que alguém que acredita em Deus deve ter um distúrbio mental que invalidou sua capacidade de pensar. O psiquiatra Sigmund Freud escreveu que uma pessoa que acredita em um Deus Criador é delirante e agarra-se a essas crenças devido a um fator chamado "desejo de realização" que produz o que Freud considerava uma posição injustificável. O filósofo Friedrich Nietzsche disse sem rodeios que a fé equivale a não querer conhecer a verdade. As vozes destas três figuras históricas (juntamente com outros) são agora simplesmente repetidas por uma nova geração de ateus que afirma que a crença em Deus é intelectualmente injustificável.

É este realmente o caso? É a crença em Deus uma posição racionalmente inaceitável de se manter? Existe um argumento lógico e sensato a favor da existência de Deus? Além de citar a Bíblia, pode-se fazer um caso a favor da Sua existência que refute as posições de ambos os ateus antigos e novos e que realmente justifique acreditar em um Criador? A resposta é sim, pode. Além disso, demonstrar a validade de um argumento para a existência de Deus mostra como o ateísmo é de fato intelectualmente fraco.

Argumentar a existência de Deus torna necessário fazer as perguntas certas logo no início. Começamos com a pergunta metafísica mais básica: "Por que temos algo ao invés do nada?" Esta é a questão básica da existência -- por que estamos aqui; por que a terra está aqui; por que o universo existe ao invés do nada? Ao comentar sobre este ponto, um teólogo disse: "Em certo sentido, o homem não faz as perguntas sobre Deus, sua própria existência é que as provoca".

Ao considerar esta questão, há quatro possíveis respostas a por que temos algo ao invés do nada:

1. A realidade é uma ilusão.
2. A realidade é/foi auto-criada.
3. A realidade é auto-existente (eterna).
4. A realidade foi criada por algo que é auto-existente.

Então, qual é a solução mais plausível? Vamos começar com a realidade simplesmente sendo uma ilusão, pois várias religiões orientais acreditam assim. Esta opção foi descartada há séculos pelo filósofo René Descartes, famoso pela frase "penso, logo existo". Descartes, um matemático, argumentou que se ele pensa, então ele deve "existir". Em outras palavras "Penso, portanto não sou uma ilusão." As ilusões exigem que algo as experimente e, além disso, você não pode duvidar da sua própria existência sem ao mesmo tempo prová-la; acreditar que a realidade seja uma ilusão é um argumento auto-destrutivo e deve ser eliminado.

Em seguida temos a opção da realidade sendo auto-criada. Quando estudamos filosofia, aprendemos de afirmações "analiticamente falsas", o que significa que são falsas por definição. A possibilidade da realidade ser auto-criada é um desses tipos de declarações pela simples razão de que algo não pode existir antes de si mesmo. Se você criou a si mesmo, então você deve ter existido antes de se criar, mas esse não pode ser o caso. Na evolução, às vezes esse conceito é mencionado como "geração espontânea" - algo vindo do nada - uma posição que poucas pessoas sensatas (talvez nenhuma) continuam a defender simplesmente porque não se pode obter algo do nada. Até mesmo o ateu David Hume disse: "Nunca confirmei uma proposição tão absurda como afirmar que algo possa surgir sem uma causa." Já que algo não pode vir do nada, a alternativa da realidade sendo auto-criada tem que ser descartada também.

Agora ficamos com apenas duas escolhas: uma realidade eterna ou a realidade sendo criada por algo eterno: um universo eterno ou um Criador eterno. Jonathan Edwards, teólogo do século 18, resumiu esta encruzilhada:

• Algo existe.
• O nada não pode criar alguma coisa.
• Portanto, "algo" necessário e eterno tem que existir.

Observe que devemos voltar a um eterno “algo”. O ateu que ridiculariza aquele que crê em Deus por acreditar em um Criador eterno tem, ao invés, que aceitar um universo eterno; essa é a única outra porta que pode escolher. Entretanto, a pergunta agora é: até onde as provas nos levam? Será que a evidência aponta à matéria antes da mente ou à mente antes da matéria?

Até agora, todas as principais evidências científicas e filosóficas apontam menos a um universo eterno e mais a um Criador eterno. Do ponto de vista científico, os cientistas honestos admitem que o universo teve um começo e que nada que teve um começo pode ser eterno. Em outras palavras, tudo que teve um início tem uma causa, e se o universo teve um começo, então teve uma causa também. O fato de que o universo teve um início é ressaltado por evidências como a segunda lei da termodinâmica, o eco de radiação do Big Bang descoberto no início de 1900, o fato de que o universo está em expansão e pode ser rastreado a um início singular e a teoria da relatividade de Einstein. Todas elas provam que o universo não é eterno.

Além disso, as leis que rodeiam a causalidade falam contra o universo sendo a causa fundamental de tudo o que conhecemos por esse fato simples: um efeito deve se assemelhar a sua causa. Sendo isto verdade, nenhum ateu pode explicar como um universo impessoal, sem propósito, sem sentido e amoral acidentalmente criou seres (nós) cheios de personalidade e obcecados por propósito, significado e moral. Tal coisa, do ponto de vista causal, completamente refuta a ideia de um universo natural dando origem a tudo o que existe. Assim, no final, o conceito de um universo eterno é eliminado.

O filósofo John Stuart Mill (não um cristão) resumiu o que dissemos até agora: "É auto-evidente que só a Mente pode criar a mente." A única conclusão racional e sensata é que um Criador eterno seja de fato o responsável pela realidade tal como a conhecemos. Ou para explicar através de um conjunto lógico de afirmações:

• Algo existe.
• Você não consegue algo do nada.
• Portanto, um "algo" necessário e eterno existe.
• As duas únicas opções são um universo eterno e um eterno Criador.
• A ciência e a filosofia têm refutado o conceito de um universo eterno.
• Assim, existe um Criador eterno.

Lee Strobel, um ex-ateu que chegou a esse resultado há muitos anos, comentou: "Essencialmente, percebi que para permanecer um ateu eu teria que acreditar que nada produz tudo; não-vida produz vida; aleatoriedade produz sincronização; caos produz informação; inconsciência produz a consciência e a não-razão produz razão. Aqueles saltos de fé eram simplesmente grandes demais para eu tomar, especialmente à luz do caso afirmativo da existência de Deus... Em outras palavras, na minha avaliação, a cosmovisão cristã pôde justificar a totalidade da evidência de uma forma muito melhor do que a cosmovisão ateísta."

No entanto, a próxima pergunta que devemos enfrentar é esta: se existe um Criador eterno (e já mostramos que Ele existe), que tipo de Criador é Ele? Podemos inferir certas coisas sobre Ele com base no que criou? Em outras palavras, podemos entender a causa através dos seus efeitos? A resposta a esta pergunta é sim, podemos, e as seguintes conclusões podem ser tiradas:

• Ele deve ser de natureza sobrenatural (pois criou o tempo e espaço).
• Ele deve ser onipotente (excessivamente poderoso).
• Ele deve ser eterno (auto-existente).
• Ele deve ser onipresente (pois criou o espaço e não é por ele limitado).
• Ele deve ser eterno e imutável (pois criou o tempo).
• Ele deve ser imaterial porque transcende o espaço físico.
• Ele deve ser pessoal (o impessoal não pode criar a personalidade).
• Ele deve ser infinito e singular porque não se pode ter dois infinitos.
• Ele deve ser diversificado e unificado ao mesmo tempo, uma vez que unidade e diversidade existem na natureza.
• Ele deve ser onisciente (supremamente inteligente). Apenas um ser cognitivo pode criar um outro ser cognitivo.
• Ele deve ter propósito pois deliberadamente criou tudo.
• Ele deve ser moral (não se pode ter uma lei moral sem o seu legislador).
• Ele deve ser cuidadoso (ou as leis morais não teriam sido dadas).

Essas coisas sendo verdadeiras, perguntamos agora se alguma religião no mundo descreve tal Criador. A resposta a esta pergunta é sim: o Deus da Bíblia se encaixa perfeitamente nesse perfil. Ele é sobrenatural (Gênesis 1:1), poderoso (Jeremias 32:17), eterno (Salmo 90:2), onipresente (Salmo 139:7), eterno/imutável (Malaquias 3:6), imaterial (João 5:24 ), pessoal (Gênesis 3:9), necessário (Colossenses 1:17), infinito/singular (Jeremias 23:24, Deuteronômio 6:4), diverso e unificado (Mateus 28:19), inteligente (Salmo 147:4 -5), com propósito (Jeremias 29:11), moral (Daniel 9:14) e cuidadoso (1 Pedro 5:6-7).

Um outro ponto a abordar sobre a questão da existência de Deus é a questão de quão justificável a posição do ateu realmente é. Já que o ateu afirma que a posição do crente não é convincente, então é apenas razoável fazer-lhe a mesma pergunta. A primeira coisa a entender é que a afirmação que o ateu faz - "Deus não existe", que é o que a palavra "ateu" significa - é uma posição insustentável de um ponto de vista filosófico. Assim como disse o jurista e filósofo Mortimer Adler: "Uma proposição existencial afirmativa pode ser provada, mas uma proposição existencial negativa – uma que negue a existência de algo - não pode ser provada." Por exemplo, alguém pode afirmar que uma águia vermelha existe enquanto outra pessoa afirme que águias vermelhas não existem. A primeira apenas precisa encontrar uma única águia vermelha para provar a sua afirmação. No entanto, a segunda precisa pesquisar o universo inteiro e literalmente estar em todo lugar ao mesmo tempo para garantir que não deixou de ver uma águia vermelha em algum lugar e em algum momento, o que é impossível de fazer. É por isso que os ateus intelectualmente honestos admitem que não podem provar que Deus não existe.

Em seguida, é importante compreender o problema que rodeia a gravidade das reivindicações sobre o que é verdade e a quantidade de provas necessárias para justificar determinadas conclusões. Por exemplo, se alguém colocasse dois recipientes de limonada na sua frente e dissesse que um talvez fosse mais azedo do que o outro, já que as consequências de beber o mais azedo não seriam graves, não seria necessário considerar uma grande quantidade de provas para fazer a sua escolha. No entanto, se a um copo o anfitrião tivesse adicionado adoçante e ao outro, veneno de rato, então seria bom ter bem mais provas antes de fazer a sua escolha.

Este é o lugar onde uma pessoa tem que parar e decidir entre o ateísmo e a crença em Deus. Já que a crença no ateísmo poderia resultar em consequências eternas irreparáveis, parece ser razoável que o ateu fosse obrigado a apresentar evidências de peso e derrogatórias que apoiassem a sua posição, mas ele não pode. O ateísmo simplesmente não pode apresentar evidências suficientes que corroborem a gravidade de suas acusações. Em vez disso, o ateu e aqueles a quem convence de sua posição entram na eternidade com os dedos cruzados, esperando que não encontrarão a verdade desagradável de que a eternidade realmente existe. Como Mortimer Adler diz: "Mais consequências para a vida e conduta resultam da afirmação ou negação de Deus do que de qualquer outra questão básica."

Então, será que a crença em Deus tem justificativa intelectual? Existe um argumento racional, lógico e sensato a favor da Sua existência? Absolutamente. Embora ateus como Freud aleguem que os que crêem em Deus simplesmente querem o cumprimento de um desejo, talvez Freud e seus seguidores sejam os que realmente sofrem desse mal: a esperança e o desejo de que Deus e qualquer prestação de contas não existam e, portanto, nenhum juízo. No entanto, o Deus da Bíblia é quem refuta Freud ao afirmar a Sua existência e um julgamento vindouro a todo aquele que, no fundo, sabe que Deus existe mas escolhe suprimir essa verdade (Romanos 1:20). Por outro lado, para aqueles que respondem corretamente à evidência de que um Criador realmente existe, Ele oferece o caminho da salvação proporcionado através de Seu Filho, Jesus Cristo: "Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus" (João 1:12-13).

***

O texto foi compartilhado pelo amigo e irmão Rhadamés Moura, – Membro e editor do blog UMP Guarabira; Fonte original: GotQuestions.

sábado, 2 de novembro de 2013

Predestinação ou livre-arbítrio?

A palavra “predestinação” é tida como um opróbrio em muitos rincões. Para muitos é uma noção de que o nosso destino está “escrito nas estrelas”, o que “faz de nós apenas joguetes na mão de Deus”. Protestam muitos dizendo que não somos fantoches. Afinal, Deus nos criou com uma capacidade de decidir, o “livre-arbítrio”. Vão além, dizendo que, ao nos criar com vontade própria, Deus literalmente renunciou o seu direito de decidir o rumo das nossas vidas e da humanidade. “Por amor” alguns dizem que Deus se anula perante a raça humana. Ele “queria” que as coisas fossem diferentes, mas “não pode” ir contra uma liberdade concedida.

O problema dessa visão de Deus se acha no fato de que em nenhum lugar da Bíblia existe uma afirmação da submissão da vontade de Deus à vontade humana. É certo que o homem toma as suas decisões. É igualmente certo que somos chamados para nos arrepender dos nossos pecados. Volição (vontade) humana é clara e evidente nas Escrituras. Mas em nenhum lugar vemos Deus se submetendo, ou se anulando, perante o exercício dessa volição humana.

Aliás, temos mais do que suficiente evidência sobre o soberano exercício da volição divina, que não pode ser frustrada. Mais: essa vontade divina subjuga a vontade humana. Vejamos alguns exemplos:

Jó 42.2 diz: “Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado”.

Já nos Salmos, Davi disse: “O Senhor desfaz os planos das nações e frustra os propósitos dos povos. Mas os planos do Senhor permanecem para sempre, os propósitos do seu coração por todas as gerações” (Sl 33.10,11).

Salomão, em toda a sua sabedoria, afirmou: “Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor” (Pv 19.21).

No que se refere à salvação, Paulo destacou: “Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou” (Rm 8.29,30).

Como também em Efésios ele disse: “Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado” (Ef 1.5,6).

Até Judas fez o que fez seguindo um propósito eterno de Deus. Jesus disse isso em João 17.12, na oração sacerdotal: “Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei no nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura.” De fato em João 13.2 vemos que Judas agiu por sua própria vontade. E a sua vontade foi resultado da vontade de Satanás que o induziu a trair Jesus.

Para toda questão difícil, há uma explicação simples, rápida e errada. Quase todos se limitam a perguntar: “Então é Deus quem decide ou nós?” A explicação tem que ser um ou outro. Essa é a solução mais simples. Mas é a errada. A solução de qualquer problema requer uma compreensão de tudo o que está em jogo. Qualquer equação de matemática só terá uma solução – um número final, se todos os elementos forem mensuráveis. Mas este não é o caso. Nas equações entre Deus e o homem, só o último é mensurável, é compreensível. Deus não é. Ele é infinito, eterno, insondável e, consequentemente, temos que nos limitar ao que a Bíblia diz a seu respeito. Afinal, sou eu que exercito o meu livre-arbítrio ou é Deus quem determina tudo? A resposta é “sim” para ambos. Literalmente tanto eu quanto Deus agimos no pleno exercício das nossas faculdades. Mas o que prevalece é a vontade de Deus.

No caso de Judas, os propósitos de Deus requeriam um traidor. Deus determinou. As Escrituras (inspiradas por Deus) previram a vinda desse “filho da perdição”. Mas, na hora “H”, Judas também quis trair, sendo que a vontade de Satanás o induziu a tanto. Literalmente a volição dos três personagens fluiu como um rio só. Essa volição confluente não anulou Judas nem tampouco Satanás. Mas a vontade de Deus foi a mais perfeita. Os dois agiram com um propósito momentâneo. Mas realizaram a vontade eterna de Deus. Foi por meio da ação, nascida da vontade de Satanás e Judas, que os Seus propósitos eternos foram cumpridos. Como dois rios pequenos que se juntaram a um rio grande e forte, confluíram na mesma direção.

Há outro exemplo em José, achado em Gênesis 45. Quando José finalmente se revelou a seus irmãos, disse: “Eu sou José, seu irmão, aquele que vocês venderam ao Egito! Agora não se aflijam nem se recriminem por terem me vendido para cá, pois foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês (…) Assim, não foram vocês que me mandaram para cá, mas sim o próprio Deus” (Gn 45.4b-5, 8a). Mas os irmãos de José agiram com “livre-arbítrio” ou não? Claro que sim. Mas o seu “livre-arbítrio” confluiu com a vontade de Deus, que não pode ser resistida.

E por que Deus faz isso? Paulo diz em Romanos 9: “Pois a Escritura diz ao faraó: ‘Eu o levantei exatamente com este propósito: mostrar em você o meu poder, e para que o meu nome seja proclamado em toda a terra’” (Rm 9.17). Ele segue no versículo 19: “Mas algum de vocês me dirá: ‘Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?’ Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim?’ O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso?” (até v.21).

As verdades bíblicas não nos exaltam. A Bíblia não é um manual para você se sentir poderoso e independente. Pelo contrário. A Bíblia nos põe em nosso devido lugar. Somos barro. Somos os vasos que Deus criou para realizar os seus propósitos e, no fim, trazer glória para o seu nome. Aceitando isso ou não, não deixa de ser a mais pura verdade bíblica. Agora, protestar a soberana vontade de Deus com base num argumento de “Ele ou nós”, é um protesto sem fundamento. Pois, Ele usa os nossos planos para realizar os seus propósitos. Nossas vontades confluem para um fim divino.

Na paz,

***

Fonte: Abertos para Reforma, via PCamaral.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Tô perdendo a vida. Tô gastando o corpo. Tô doando o sangue...

Sempre agradecemos a Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vocês, pois temos ouvido falar da fé que vocês têm em Cristo Jesus e do amor por todos os santos, por causa da esperança que lhes está reservada nos céus, a respeito da qual vocês ouviram por meio da palavra da verdade, o evangelho que chegou até vocês. Colossenses 1:3-5

Não sei como você é, mas eis um pouco de mim pra vocês que não me conhecem (as vezes nem mesmo eu sei quem sou) mas eis algo que já entendi sobre mim (com a ajuda de minha preciosa esposa): Eu só faço aquilo que quero fazer. Não adianta me pressionar, tentar me convencer, ou me empurrar. Meu coração se apaixona e eu simplesmente salto das maiores alturas por causa de um desejo. Não faço aquilo que não estou apaixonado por fazer. Se faço algo é por que estou queimando de vontade de fazer isso. Isso pode ser perigoso. Meu coração é enganoso e por vezes me empurrou à coisas que feriram a Santidade de meu precioso Deus. Por outro lado, sou grato a Deus por me fazer desta forma. Isso me torna ousado, persistente e obstinado. O que isso tem haver com o texto? Meus irmãos, a graça de Deus me alcançou ainda muito novo. Aos 14 anos de idade eu já chorava de amor pelas escrituras. Eu tenho mais lembranças de estar abraçado com minha bíblia clamando para ser curado por ela, ensinado por ela e movido por ela do que lembranças de ter jogado algum vídeo game ou de jogar bola. Eu frequentei mais cultos e momentos de profunda adoração do que cinemas ou festas de 15 anos. Por sua Graça tenho crescido dentro dos limites preciosos do cristianismo. De modo que se eu pudesse tirar do meu passado toda relação com Cristo e seu evangelho, não sobrariam mais que poucas lembranças, fracos episódios e cenas minguadas de um passado sem sentido.

Neste texto de Paulo aos irmãos de Colossos ele afirma dar graças a Deus aos irmãos daquela região por sua FÉ e por causa do AMOR que eles alimentavam por todos os santos. O motivo supremo da alegria estava focado no fato de que os irmãos possuíam fé em Cristo Jesus, e por que demonstravam profundo amor aos santos da igreja. Hoje estamos vivendo dias de tanto entretenimento que não se encontra mais cristãos que possuam alguma FÉ. Se questionados acerca de sua fé, a maioria dos cristãos proporcionaria para Paulo profundo desgosto e jamais alegria ou razão para erguer louvores. Me dói tanto ver tanta gente e tão pouca fé. Tanta tecnologia nos locais de reunião dos santos, mas um assustador esvaziamento de FÉ no precioso Cristo Jesus e em seu poderoso evangelho. Tenho deixado que minha juventude se gaste para despertar em alguns Fé no Filho de Deus. Tenho me permitido perder a voz vez após vez com a expectativa de perceber algumas lágrimas arrependidas rolarem diante da cena do calvário, ou mesmo alguns fracos e trêmulos braços apertando suas bíblias contra seu peito com carinho. Desculpem meu desabafo, mas as vezes todo esforço e todos os gritos que ecoam do meu frágil e limitado corpo parecem alcançar tão pouco. Sei que o alcance e obra é de restrita submissão à vontade de Deus e de seu Espirito. É com eles, não comigo. Mas não posso deixar de comentar a tristeza que sinto por ser contado em uma geração de luzes e brilho. Vaidades e superficialidades. Por vezes desejei nascer em uma geração cinza porém verdadeira. Uma geração não tecnológica, porém corajosa e ousada o suficiente para olhar para si mesma. Paulo deixa claro que a FÉ e o amor dos irmãos florescera no meio dos Colossos por causa da “esperança que lhes está reservada nos céus, a respeito da qual vocês ouviram por meio da palavra da verdade, o evangelho que chegou até vocês”. Não há FÉ em Cristo. Nem amor pelos preciosos santos. Preferimos as celebridades e as figuras carnais do que admirar um homem anônimo porém piedoso. Preferimos manter nossos olhos seguindo passo a passo os pés de algum almofadinha irritantemente superficial do que observar o comportamento de santos responsáveis, humildes e amorosos com atenção. Meu Deus! Eu só posso ter nascido no tempo errado. A gente quer imitar o falso e despreza o verdadeiro. A gente quer ser igual aos ímpios e desprezamos a semelhança do santo piedoso. A gente quer mudar a cor do cabelo, a gente quer roupas que diminuam a realidade de nossa “feiura”. A gente se maquia pra tapar nossas “imperfeições” faciais (que na verdade são orgulho pois contam de onde viemos e o que já padecemos). Não há Fé, nem amor aos Santos porque não há ESPERANÇA NO TESOURO ETERNO RESERVADO NOS CÉUS. Uma vida focada no que é efêmero, passageiro e absolutamente sem valor eterno. Uma vida de absoluto desprezo do invisível e do eterno.

Não há esperança no porvir, porque o evangelho não chegou ate os nossos corações. Devemos ser bastante sinceros agora e confessar que o GOSPEL chegou ate nós. O glamour chegou ate nós. A religião com toda a sua podridão chegou ate nós. Mas Cristo e o seu evangelho não. Pelo menos não na “massa”. De fato Ele não esta parado. Seu evangelho não esta preso. Ele floresce sim ainda hoje. Mas não no meio do povão. Antes, ele é visto como uma pérola de muito valor enterrada quase que por completo no meio de um lamaçal terrível. Dói. Ver o evangelho de Cristo ser “confundido” com esta porcaria que a TV, as rádios e os artistas gospel insistem em nos apresentar, dói pra caramba.

Separei esse texto de Paulo pra lhe fazer refletir uma coisa: Será que olhando para o quadro geral do mundo cristão no Brasil hoje, Paulo poderia escrever: “Dou graças a Deus por saber de vossa fé... de vosso amor pelos santos (e desprezo pela impiedade)... de vê-los cheios de expectativas pelo porvir... por causa que o VERDADEIRO Evangelho chegou ate vocês.” ??? Será que essa gratidão poderia se relacionar com nosso Brasil? Avivamento um caramba! O evangelho esta ganhando o Brasil e a mídia esta se rendendo a ele, besteira!! Seja sincero. Seja verdadeiro. Esse texto nasceu quando percebi que meu coração se apaixonou pelo evangelho de Cristo. Faz muitos anos que queimo por causa de Cristo. Choro por causa de sua história cativante. Nada mudou. Eu tô nessa. Tô perdendo a vida. Tô gastando o corpo. Tô doando o sangue. As vezes quis correr da batalha. Me pergunto se vale a pena em certos momentos. Mas pra mim é “game-over”. Ele me quis e pronto.

Se você leu esse texto todo, peço a Deus que lhe conceda a graça de compreender o que estou clamando (mesmo estando absolutamente confuso acerca de qual é exatamente o proposito em me abrir dessa forma). Tenha Fé. Ame os santos. Concentre-se no porvir. Anuncie o Evangelho. Deus te abençoe.

***

O texto é de Marco Telles, ministro do Senhor que lidera a Comunidade CRER- Comunidade Reformada do Evangelho do Reino, assim como seu ministério de louvor e adoração através da música. Conhecer o Marco Telles foi uma dádiva de Deus para mim. E ler este texto foi como ouvi-lo pregar no púlpito, se dilacerando na presença do Pai e gritado para os seus ouvintes sobre as coisas invisíveis, de valor eterno e suficientes para todos nós!

Então Marco, pra mim também é "Game-over"!

Cristo em nós, a esperança da Glória!

Leia ainda [O BARULHO DO ROCK E O GRITO DE MARCO TELLES]

domingo, 4 de agosto de 2013

O manual

o manual"Porque esta palavra não é para vós outros coisa vã; antes, é a vossa vida" Dt 32:47


Sou uma pessoa ligada à tecnologia, até porque minha geração cresceu e sentiu o impacto que esse novo mundo causou e vem causando na humanidade. Por isso computadores, celulares, games sempre me encheram os olhos. (Ainda lembro-me do meu Super Nintendo... Ah bons anos!).


Com o passar do tempo essas novas máquinas ganharam funções específicas e se tornaram mais e mais complexas, exigindo um mínimo de habilidade para operá-las. É ai onde entram os manuais de instruções. Páginas e mais páginas em que o fabricante do produto lhe explica como manuseá-lo; se for elétrico, qual a corrente certa; o que ele é, ou não, capaz de fazer. Além de especificações técnicas de tamanho, potência e outras coisas. A menos que você queira um mini incêndio, jamais ligaria um aparelho 110v em 220v!


E onde quero chegar com isso tudo... dicas de segurança? Não, não é isso. Você já pensou que quase nunca lemos manuais de instruções? Achamos algo fútil e, em certos momentos, inútil. “Ah, o cara quer me ensinar como instalar a minha Tv?!”. E fica ele lá, abandonado dentro de caixas. Mas, e se nos tivéssemos um manual? E se nosso fabricante o tivesse escrito, especificando quem somos e o que podemos ou não fazer? E se além de um manual de instruções ele fosse um guia de sobrevivência? Tenho duas notícias pra lhe dar - uma boa e uma ruim. A boa é que SIM, temos um manual. E a má é que SIM, também o esquecemos em estantes empoeiradas, mesas de cabeceira e dentro de nossos carros. Fazemos questão de mantê-lo longe de onde ele precisa estar, no coração e na mente.


A Bíblia é o manual deixado pelo fabricante (Deus) para seu projeto (nós), escrita por vários autores guiados pelo Espirito Santo. Ela é a palavra de Deus, nela descobrimos quem somos e o que Ele espera de nós. Nas escrituras está o plano da nossa redenção em Cristo, o Salvador que, com seu sangue, iria justificar o seu povo (Isaías 53). Como também a condição em que nós encontrávamos, filhos da ira (Fp 2:3). E como por sua graça, “...nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor (Cl 1:13). Agora servos, temos um chamado de ser como Jesus, guiados por seu exemplo e seguindo seus passos (I Pe 2:21). Sendo assim, a Bíblia precisa nortear e permear todas as áreas da nossa vida.


Então, querido leitor, o que fazer em resposta a isso tudo? Afinal esse livro não é amuleto para fica aberto na sala da sua casa, impedindo coisas ruins, nem uma caixinha de promessas com bênçãos e mais bênçãos, muito menos um biscoito da sorte que lhe dá o horóscopo do dia. Ele é vivo e eficaz (Hb4:12). Jamais passará, pois é eterno (Mt 24:35). Precisa ser o nosso deleite e meditação (Sl 119:97). É um tesouro inestimável que não mensuramos o seu valor. Quantos morreram pra que o tivéssemos em mãos? Em países onde há perseguição a cristãos, há um mercado negro onde pessoas “traficam” bíblias, correndo risco de serem apanhadas e mortas. Enquanto a temos e a desprezamos, pessoas dariam tudo por alguns dias de leitura. Qual o valor que tem palavra do Senhor na sua vida? O quanto ela é importante? Ela que lhe guia ou é seu coração? Será que muitos erros cometidos poderiam ser evitados se atentássemos para o que nela está escrito?


O que Deus disse a Josué também serve pra nós: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.” (Josué 1:8). Que o Senhor produza em nós o desejo de ler e estudar Sua palavra, que nossos passos sejam firmados nesse livro e que arda em nós um amor por Ele. Pois por meio das escrituras conhecemos ao Criador e a nós mesmos.


O vídeo abaixo mostra o primeiro contato de alguns cristãos com a Bíblia. Olhe a reação deles! A emoção ao segurar o livro sagrado! Se você puder “perder” 1 minuto do seu dia com esse vídeo, não se arrependerá.



Que o Pai das Luzes, em sua graça e misericórdia, encha nossos corações e mentes com seus juízos.


***


O texto é de Isaque Jr., escreve no blog da 'UMP Guarabira' e me fez chorar com o texto e com o vídeo.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Série - "O PESO DA VERDADE" #1


"O Peso da Verdade" é um programa produzido pela Comunidade CRER (João Pessoa - PB) que tem o objetivo de promover a mensagem do evangelho a partir dos temas corriqueiros e atuais de nossa sociedade. Com um pouco de humor, teologia e espontaneidade. É dica especial do ARTEDECHOCAR!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O cristão e a cultura - Por Franklin Ferreira



[Ótima dica de Quézia Monteiro]

***

Franklin é Bacharel em Teologia pela Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Mestre em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. É diretor e professor de teologia sistemática e história da igreja no Seminário Martin Bucer, em São José dos Campos, São Paulo, e consultor acadêmico de Edições Vida Nova. Autor de, entre outros, dos livros Teologia Cristã e Teologia Sistemática (este em coautoria com Alan Myatt), publicados por Edições Vida Nova.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Arte Sacra e a Bíblia dos Ignorantes

Por Rodrigo Ribeiro

O grito de Sola Scriptura cursou muito caros aos reformadores, e alguns homens considerados pré-reformadores como John Huss, que foi morto em razão de não arredar os pés das preciosas verdades bíblicas. Este lema, um dos cinco solas, é basilar no protestantismo, pois trata sobre a autoridade final em todas as questões, sobre o instrumento que valida as práticas e experiências, nos diz respeito sobre quem somos, quem cremos e o que devemos ou não fazer. Tudo isto está na escritura, a norma maior que nos guia (Gl 6.16), a verdade que nos habilita para toda boa obra (2 Tm 3.16-17).

No entanto a religião majoritária da Europa do Século 16, o catolicismo romano, não creditava um valor tão elevado as Sagradas Escrituras, e a colocava em um verdadeiro cativeiro, pois a afastava do povo, deixando distante dos leigos, trancafiadas nas mãos do clero. Para as pessoas comuns, que não tinha acesso à Bíblia, tão pouco sabiam ler em latim, o pensamento católico medieval reservava um pequeno paliativo: a arte sacra compreendia como a Bíblia dos ignorantes. [1] É neste sentido que podemos vislumbrar a efusiva produção artística e sacra do período, pois as esculturas, imagens e demais manifestações gráficas serviam como alento para os iletrados.

Tal postura foi rejeitada pelo protestantismo, que ainda entendo o valor das artes, não aceitava a existência de “Bíblias para os ignorantes” e sempre se propôs a investir de maneira árdua na tradução das Escrituras para a língua original de cada povo, e também atuou de forma diligente na educação das pessoas, a fim de que se tornassem capazes de por si próprios, com o auxílio do espírito, recorrer à revelação divina para se alimentarem e encontrarem a correta orientação a respeito do modo que deveriam viver.

Observando o rico legado protestante, é inevitável a perplexidade diante dos rumos que o evangelicalismo contemporâneo tem tomado, assumindo posturas que são evidentes regressos à teologia e prática romana medieval. Os cristãos têm se mantidos distantes das Escrituras, seja por compreensões equivocadas ou por mera preguiça espiritual, e tem sido sutilmente doutrinados por melodias belas, mas de conteúdo sofrível e que ferem a sã doutrina. É bastante verdadeiro o comentário do Pr. Paul Washer a esse respeito, quando diz que a maior parte do nosso cristianismo vem de músicos e não da bíblia. Com isso não estou criticando a arte sacra, tão pouco a arte como um tudo. Mas sim o uso indevido desta. A sua supervalorização em detrimento da fonte segura e imutável de fé e prática: as Escrituras Sagradas. Temos resgatado o conceito de “Bíblia dos ignorantes”, nos alimentando de remendos, desprezando a comida que nos alimenta (Jó 23:12).

É por falta de uma base solida calcada na palavra que muitos formam suas teologias em canções, que são muitas vezes compostas por hereges, ou no mínimo, por homens de pouco conhecimento bíblico e até mesmo neófitos. Precisamos lembrar-nos sempre que, ainda que existam excelentes canções, complemente afinadas com os ensinamentos bíblicos, também existe muita heresia envolvida numa melodia bonita e agradável sendo vendida por ai, tal qual nos dias de Ário [2]. É arriscado demais entregar-se cegamente às partituras, sem o prévio confronto com as verdades bíblicas. Podemos acabar trocando o Deus da bíblia por um outro que vive a levar portas na cara, enquanto tem "flash backs" alucinógenos e lamenta pelas promessas arquivadas. [3]

E a principal questão é que não precisamos de “Bíblias para ignorantes”! Todo cristão, por mais humilde que seja, tem acesso à Deus, por intermédio do Espírito e da mediação de Cristo, e pode encontrar as respostas e direções na Bíblia Sagrada. Não precisamos depender do clero, e ficar contentes com as migalhas da arte sacra. Podemos e devemos ir direto a fonte. É conhecimento que nos falta? Que sejamos instruídos pelos mestres e pastores fiéis à palavra, mas que acima de tudo, possamos recorrer diretamente à escritura, confiando no poder do Espírito, o que de modo nenhum anula nosso dever de estudar com dedicação a fim de compreender cada vez melhor a revelação de Deus para nossas vidas.

Como protestantes devemos zelar pela “sola scriptura”, não aceitando as muletas do mundo gospel com sua teologia fajuta, que coloca palavras na boca de Deus a quais ele nunca disse. Que possamos investir na educação, a fim de que libertemos a Escrituras do exílio da ignorância e da letargia espiritual.

***

Rodrigo Ribeiro, @rodrigolgd, é bacharel em direito, estudante de teologia e colunista da Ump da Quarta e Arte de Chocar.