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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O evangelista Johann Sebastian Bach

Por Gerson Borges

João Sebastião Ribeiro é um dos meus mestres e mentores. Todos os temos. Precisamos tê-los. Não há ninguém que chegue lá (excelência, grandeza, genialidade, relevância, arte, espiritualidade, legado) sem aprender a olhar o horizonte dos sonhos e da realidade por sobre os ombros de algum gigante. É como eu digo na minha canção “Discipulado”1:

Todo mundo imitou todo mundo Um por um se inspirou em alguém Do mais simples ao mais profundo Não há um que não olhe ninguém Do mais raso ao que vai mais fundo Todo artista é aprendiz de alguém

Mas vamos lá. Quem foi “João Sebastião Ribeiro”? Algum sanfoneiro pernambucano, aluno de Luiz Gonzaga ou colega de Dominguinhos? Trata-se de algum artista de cantorias de viola, repentista ou xilogravurista, como o esplêndido J. Borges? “O nome soa por demais nordestino!”, você poderia supor, caro leitor. Mas não, o tal personagem dessa modesta, mas provocativa coluna2, é o grande compositor Johann Sebastian Bach, numa tradução meio livre, meio fanfarrona, do seu nome germânico de batismo.

Bach é demais! Não sei se aprecio mais sua obra ou sua vida. Dúvida cruel. Roberto Minczuk, o estupendo regente da Orquestra Sinfônica Brasileira, com passagem pela OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), considerado uma dos maiores maestros da atualidade - que , assim como eu, iniciou-se na música tocando nos cultos da Assembleia de Deus dos pais - opina sobre o maior gênio da música com muita propriedade:

“Bach representa a perfeição como músico e compositor. Sua genialidade somente pode ser comparada à de Shakespeare, Newton ou Einstein. Ao ouvir sua obra, percebemos o quanto somos pequenos diante de sua música, manifestação clara da glória de Deus”.

Bach, cristão fervoroso, luterano piedoso, começava as suas obras com “J. J.”, “Jesus, ajuda!”3. Ou seja, com a oração mais fundamental, mais precária4. É a expressão mais fundante da oração. É o clamor mais simples da alma que se reconhece carente. Não é algo nobre e virtuoso num artista? Reconhecer que sem o dom/amparo do Criador não podemos criar coisa alguma! Nenhuma beleza! Nenhuma arte! Nada! Sting, o músico inglês tão consagrado por sua mistura felicíssima de pop, jazz, folk inglês, “world music” e música erudita, afirma que um dos exercícios que o mantém musicalmente alerta e em forma é estudar diariamente obras de Bach no violoncelo. Algo que me lembra declarações de mentoria de dois artistas grandiosos que nos deixaram recentemente, empobrecendo a literatura brasileira: João Ubaldo Ribeiro (“Johann Ubaldo Bach”?) e Ariano Suassuna. O primeiro, com Shakespeare, que o escritor lia, quase devocionalmente, todos os dias, antes da labuta da escrita diária. E o segundo com a Bíblia Sagrada, “a maior e melhor de todas a obras da Literatura”.

Ouço Bach enquanto escrevo esse texto. Acho que é um trecho dos Concertos de Brandenburgo. Companhia muito estimulante, tanto espiritual quanto criativamente. E volto à Minsczuk, edificante:

“A cada final de semana, para cada culto, ele tinha de compor uma nova cantata. Apesar de toda a sofisticação de suas obras, elas faziam parte do cotidiano das pessoas. Por vezes, Bach usava hinos conhecidos como temas e em nenhum momento pensava na posteridade ou se gabava de suas habilidades. Ele era servo da música e, principalmente, um servo de Deus por meio da música”.

De Beethoven a Stravinsky, de Mozart a Debussy, de Brahms a Mahler, sem exceção, os grandes da Música (assim, com inicial maiúscula) reconhecem que Johann Sebastian Bach é o maior de todos. “Bach: um gênio esmagador. Se Beethoven é um milagre da humanidade, Bach é um milagre de Deus!”, bradou Claude Debussy, o maravilhoso compositor francês do século XIX (1862-1928). Para mim, o meu querido “João Sebastião” é um grande pregador da Beleza e da Verdade. Veja o que disse Friedrich Nietzsche (1844-1900), para quem a vida sem música era o maior dos erros; ele, um dos críticos e inimigos mais ferrenhos do Cristianismo:

“Esta semana, ouvi três vezes a ‘Paixão Segundo São Mateus’ do divino Bach e a cada vez com o mesmo sentimento de infinita admiração. Quem desaprendeu totalmente a cristandade tem a chance de ouvi-la como a um Evangelho”.

Johann Sebastian Bach, o evangelista. ‘João Sebastião Ribeiro”, meu mentor.

Notas: 
1. A propósito, inspirada no pensamento de Dallas Willard, filósofo e pastor batista por quem nutro grande admiração, a respeito da ideia de “mentoria”.
2. Escrevo aqui à moda de João Ubaldo Ribeiro nas já saudosas colunas dominicais no “O Globo”. Sim, eu o imito. Ele merece emulação.
3. E no fim de cada nova partitura, o compositor escrevia "Soli Deo Gloria" (A Deus toda a glória")!
4. “Prece” vem do latim “precarius”.

Gerson Borges é pastoreador: pastor evangélico, poeta/musico e educador.

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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Quando a brasilidade encontra a nossa música

Por Antognoni Misael

Em 1968 a colonização musical na igreja brasileira dava ensaios de que estava chegando ao fim. Se antes era liturgicamente correto apenas cantar traduções de hinários estrangeiros do século XVIII ao som de órgãos à “moda antiga puritana”, a tradição foi interrompida quando um casal de americanos, Pr. Jaime Kemp e Judith Kemp, chegaram ao Brasil e fundaram um projeto através da Sepal (Serviço de Evangelização para a América Latina) que envolvia músicos universitários para saírem Brasil a fora, utilizando a música como comunicação para falarem do amor de Deus de forma alegre e descontraída. Surgia então o Vencedores Por Cristo, grupo musical vinculado a um projeto missionário de mesmo nome.

O VPC foram os nossos primeiros desbravadores - não é à toa que faço questão de instigar os amantes da música cristã a conhecê-los. Numa época em que não havia uma mídia abrangente e de rápido acesso, somados a facilidade de locomoção através de modernos meios de transporte, diversas equipes saiam pelos quatro cantos do país cantando e falando do amor de Deus. Um trabalho pioneiro, sem luxo, sem hotel pra estrela, sem avião, sem alto cachê, mas com muita vida comprometida. Viagens e mais viagens de carro, cruzando o país, muitas vezes dormindo dentro dos próprios veículos pois o dinheiro não cobria uma hospedagem digna. Digo sem medo de errar: "VPC foi a maior escola musical que a nossa música cristã pôde ter". 

Falar dessa gente é falar de: Nelson Bomilcar, Jorge Camargo, Guilherme Kerr, João Alexandre, Sérgio Pimenta, Aristeu Pires, Jorge Redher, e de tantos que fizeram parte em algum momento desta efervescente época. Em mais de 42 anos foram variadas formações e um total de mais de 40 álbuns.

O texto pode soar “retrô", mas se hoje nossa música brasileira (dividida entre os “do gospel importado” e os “da arte brasileira cristã” – e a segmentação é minha, assumo!) usufrui de total liberdade no uso dos clássicos pianos, órgãos, violões populares, baixos elétricos, guitarras, diversidade de sopros, baterias, percussões, etc., deve-se incontestavelmente a essa quebra de paradigma iniciada no fim de 60 para 70 através do VPC – e isso a nível Sul-Sudeste, já que ainda na década de 80 em algumas regiões do país, ter uma bateria no templo era algo nocivo, desprezível, ou diabólico. 

O dualismo do “sacro x profano” faiscava debates entre líderes, músicos e teólogos. Sendo assim, sacro eram órgão, cítara, harpa, violino e profano eram bateria, violão, guitarra, e mais altamente profano, eram os instrumentos de origem afro: tambor, atabaque, agogô, berimbau, etc. – vira o disco...

Para muitos estudiosos da música evangélica brasileira, o divisor de águas se deu em 1977, quando o VPC lança o LP “De Vento em Popa” - para muitos, e eu sou um destes, um dos maiores discos de nossa história musical. Ao ouvi-lo você logo notará que ali nascia nossa brasilidade vinculada à poesia, recheada de conteúdo bíblico e rica musicalidade. A capa do LP, um barco navegando em alto mar lembrava “O Barquinho” de Roberto Menescal... Citação? Quem se arrisca?! Mas ela por si só já fugia da efígie religiosa e despertava curiosidade quanto a arte contida no áudio, e, aliás, esse era um recurso proposital para que a obra transitasse facilmente no meio secular e fosse consumida naturalmente.

A arte do VPC nitidamente bebeu nos vocais do MPB4, na bossa de Jobim, nos trocadilhos de Chico Buarque, na ousadia de Gil, Caetano, na nordestinidade de Gonzaga, e em toda brasilidade possível.

Como toda mudança bagunça o velho modelo, “De vento em Popa” sofreu rejeição por parte de uma ala da igreja, mas nada que freasse a criatividade áurea da moçada. O padrão sonoro além de sofisticado em textura, instrumentação e vocais em 4 vozes, para alguns de ouvido domesticado despistava o foco que era a "Palavra", o que na verdade mostrou-se grande equívoco, pois em termos de letra, contextualização, cosmovisão bíblica e criatividade, esse disco continha apreciação, problematização e sem dúvida muita evangelização.

Sugiro a todos que escutem e redescubram suas obras, vale apena! Pra quem estranha os sons analógicos de 60 e 70, os charmosos ruídos do vinil, indico que façam caminho inveso, comecem pelo CD/DVD Sem Fronteiras - 2007, neste irão perceber a familiaridade de muitas de suas canções até gravadas nas vozes de outros intérpretes. 

Já quem ainda se sente cativo dos sons gospel do mercado atual e resiste em dar um passeio retrô, até entendo que gosto não se discute, mas só uma dica: nem tudo que é sucesso contém o essencial (principalmente falando-se de arte cristã), assim como nem tudo que é comercial é tratado como arte pela “indústria da fé”. E..., falando-se de VPC, certifiquem-se de que sua qualidade sempre esteve e estará inversamente proporcional a proximidade com o “goxpil” de hoje. Uma boa apreciação a todos.

Pra quem quer conhecer melhor ou adquirir seus produtos, acesse: http://www.vpc.com.br/website/

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Texto da Série Nossa Arte Cristã postado em 8 e junho de 2011.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SOBRE IRON MAIDEN, ARTE E MÚSICA #MINHA DICA!

Por Antognoni Misael

Esta semana o post do Pr. Márcio de Souza cujo título é IRON MAIDEN É DO CAPETA! causou certa polêmica. Apesar do texto não ser meu, alguns leitores me criticaram bastante. Alguns por acharem que aquelas palavras eram minhas, outros por pensarem que aquela é exatamente a minha opinião.

Vamos deixar acertado o seguinte, nem tudo que eu posto significa que corresponde perfeitamente com o meu pensamento - afinal de contas ARTE DE CHOCAR, é arte de PROVOCAR o seu pensamento, a sua OPINIÃO. Então, quando eu desejo opinar sobre determinado assunto, eu mesmo escrevo ou faço uma nota em baixo do texto.

Quanto ao texto polêmico, de fato, o post do Márcio foi raso, rápido, e ficou claro que ele não quis discutir o assunto de forma alongada, apenas provocou, soltou a bomba e saiu. Até porque, quem acompanha o seu blog sabe que ele já escreveu e reescreveu incansavelmente sobre este tema.

O engraçado é que alguns leitores me pressionaram dizendo: "você fala mal do Thalles e defende Iron Maiden". Não é bem assim! Nunca dediquei um post pra falar mal do Thalles (sua vida particular não me interessa), assim com nunca escrevi sobre o Iron Maiden. Portanto, para por bem os pingos nos "is", e para tornar minhas perspectivas claras em relação a Arte e ao Artista, sugiro que leiam este texto abaixo, relacionado a Série ARTE SÃ que escrevi.

P.S.: Quando vocês lerem "ARTE", entendam também como MÚSICA.

Como avaliar uma obra de Arte?

“QUANDO DEUS NOS SALVA, SOMOS COBERTOS PELO SANGUE DE CRISTO E PRECISAMOS LEVAR A SÉRIO ESSE SENHORIO COMO UM TODO”. Era assim que pensava Francis Schaeffer, teólogo americano que influenciou a cultura cristã de sua época, como ainda hoje o faz.

Pensando a partir desta lógica, desmistificamos a tradição de valorizar apenas os aspectos religiosos da vida e passamos a glorificar a Deus também nas chamadas áreas seculares (1Co 10.31).

Esta cosmovisão estancou no decorrer da história da igreja e produziu um comportamento enrugado onde a cultura religiosa afastou-se e isolou-se da cultura dita secular. O papel de o cristão ser sal e luz chegou então a um nível de hostilidade para com o meio, fortalecendo na segmentação e construções de barreiras e tradições meramente humanas, distanciando-se cada vez mais de uma perspectiva influenciadora, como propôs Cristo. A igreja, despreparada para lidar com o diverso, passou a ver a arte secular como um exercício de desperdício de talentos, ou quiçá, um exercício de louvor ao diabo.

Francis Shaeffer

“Quando Deus nos salva, somos cobertos pelo sangue de Cristo e precisamos levar a sério esse senhorio como um todo”. (Francis Schaeffer)

Diante desse panorama entre cultura, arte e igreja, Francis Shaeffer em sua obra “A arte e a Bíblia”, enumera vários conselhos voltados para o cristão no intuito de redefinir uma relação sadia entre a igreja e a arte. Outra obra relevante trata-se de “A arte não precisa de justificativas” (Hans RookMaaker), cujo autor, de forma madura observa que o mistério da beleza é algo intrínseco a Deus. Foi Ele quem fez a criação com beleza, assim como toda sensibilidade e prazer para com as formas e cores são dádivas dEle.

Não precisamos ir longe pra notar que o belo é nossa sina, as nossas escolhas são cotidianamente deferidas a partir de processos mentais na direção da satisfação do belo. Seja na ornamentação da casa, na cor de um automóvel que se compra, na beleza de um porta-retratos, no design de eletrodoméstico, no modelo de um instrumento musical, na roupa que vestimos, no corte de cabelo, etc. Desejar e definir os padrões de beleza ao nosso redor é um exercício universal do homem. Queremos o Belo. Sempre!

Então você pode me perguntar: por que uma obra de arte tem valor? Eu te digo, porque ela é uma obra de criatividade, e a criatividade tem seu valor porque Deus é o criador. (Jo 1.1-3)

Entretanto, foi pensando neste prisma que Shaeffer nos sugeriu formas de se avaliar uma obra de arte, na tentativa de reatar o relacionamento saudável entre o cristão e as artes. Sendo assim ao nos depararmos com uma obra de arte o autor sugere QUATRO PADRÕES DE JULGAMENTO:

1) Excelência Técnica: na pintura, por exemplo, podemos dizer que não concordamos com a cosmovisão do autor, porém, fincado só a este parâmetro, não podemos dizer que ele não é um grande artista. Isto é, mesmo não concordando com a ideia do autor, não podemos rejeitar sua simetria, precisão dos traços, domínio das técnicas sobre a tela, etc.

2) Validade: é a análise se o artista é honesto consigo mesmo e com sua cosmovisão, ou se só faz arte por dinheiro ou pra ser aceito. Há artistas que tem uma excelência técnica incrível, mas prostituem sua arte, banalizando-a a gosto do freguês a ponto de ele não ter vínculo algum com a verdade do sentimento gerador do resultado belo.

3) Conteúdo / Cosmovisão: é a visão de mundo do artista. Para que esta seja boa, agradável, recheada de virtude, precisa ser respaldada pelas Verdades de Deus, não maculando-as e sendo julgadas sob o crivo das escrituras - e em muitos casos isso independe do lugar religioso do artista. Portanto, assim como reconhecemos que tal obra tem excelência técnica, poderemos também apreciá-la e em seguida dizer que sua cosmovisao é correta ou equivocada. A excelência e validade potencializam a cosmovisão, mas não devem ser jogadas no lixo por causa de algum equivoco.

4) Integração: é a relação entre o conteúdo e veículo. Este item é extremamente importante e requer certo bom senso. No meio musical, por exemplo, há integrações medíocres. Letras alegres em melodias tristes, vice-versa. Este fator é determinante para o sucesso final da obra. Saber temperar bem a integração entre os elementos gerais da arte é dar o carimbo final de seu sucesso.

Gente, encerro esta série de quatro postagens dizendo que no geral precisamos ser pessoas criativas como um todo, ninguém deve buscar ser criativo para ser aprovado por Deus, mas porque tem prazer nEle, quer dar o seu tudo da melhor forma e em todas as áreas.

Contemplando Fé e arte, compreendo cada vez mais que nosso alvo é os céus, nossa gloria é celestial, mas que enquanto estivermos no mundo precisamos viver para adorá-lo em todos os sentidos entendendo que o Seu senhorio não é parte da realidade, mas um senhorio como um todo reconhecendo-o como autor e da criatividade humana!

"Todas as artes procedem de Deus e devem ser consideradas criações divinas" (João Calvino)

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Antognoni Misael

sábado, 21 de setembro de 2013

Os Arrais: nos colocando lá em baixo, aos pés...

arraisA série Nossa Arte Cristã traz para vocês a poesia recheada da Palavra apresentada pela música dos “Arrais”.


Pois é, recentemente ouvi a obra “Mais”, segundo CD da dupla que é formada pelos irmãos Tiago e André e fiquei maravilhado. Chorei, cantei, e pensei em tudo aquilo que tenho vivido como cristão. A música desses caras, com certeza, não nos faz tirar o pé do chão, mas nos coloca lá em baixo, aos pés de Cristo, lugar de onde nunca devemos sair.


A dupla acredita que a música é apenas um meio para conduzir pessoas para Cristo, e por isso, sem rodeios, suas letras trazem clareza e contundência em relação à Graça de Deus, a soberania e a suficiência da pessoa de Jesus.


Os Arrais têm alcançado os ouvidos de muita gente, isso porque recentemente a Sony Music os procurou e lançou o seu último disco. (Desta feita, não pretendo entrar na questão mercadológica. Só o tempo dirá as reais motivações da dupla. Oremos por eles para que não se vendam e continuem neste caminho que professam com desapego a fama)


Conforme eles relatam, tudo foi providência de Deus, veja:


“(...) nosso CD foi gravado de forma independente. Não tinha gravadora, investimento externo, nada. Quando estávamos para lançar o CD de forma independente, a Sony Music Gospel entrou em contato conosco.


Não corremos atrás deste contato, simplesmente aconteceu. E graças ao carinho e apoio da Sony, nossas músicas estão disponíveis em todos os cantos do mundo! literalmente! Deus no controle”.


Mesmo estando nas prateleiras do sucesso, inclusive batendo recordes de audição no Itunes e também sendo indicados ao irrelevante “Troféu Promessas”, a dupla adverte que o que eles mais querem é que Cristo seja conhecido:


“o que verdadeiramente importa nisto tudo é a Palavra de Deus sendo espalhada pelo mundo anunciando o Reino de Cristo que chegou e virá. nosso interesse não é estabelecer o nosso reino aqui, mas anunciar o Reino de Cristo. ponto final.


Nossas músicas falam disso. como poderíamos viver algo contrário do que escrevemos e cantamos? impossível!”


Então gente, não posso compartilhar todas as canções do disco, por isso sugiro que conheçam mais sobre eles clicando aqui, no entanto, quero deixar duas canções que mais me identifiquei.


NÃO FALE


Não fale que o conhece se o esquece em cada esquina
Não fale que o encontra nas suas ondas de fé e não na palavra, não na palavra
Que falta hoje é fé na palavra, que muda quem eu sou não deixa nada
Amando o que é de Deus deixando o mal que tanto amei


Pois se tenho a Cristo tenho a verdade, sim
No 'assim diz o Senhor' e não no 'eu acho que'


Não fale que o conhece se o esquece em cada esquina
Não fale que o encontra nas suas ondas de fé e não na palavra, não na palavra
Que mais há hoje é graça sem juízo, que traga amor e paz sem compromisso
Seguindo tradições de homens não de Cristo


Pois se tenho a Cristo tenho a verdade, sim
No 'assim diz o Senhor' e não no 'eu sinto que'


Não fale que o conhece se o esquece em cada esquina
Não fale que o encontra nas suas ondas de fé e não na palavra, não na palavra


ORAÇÃO


Em oração eu trilho o caminho que Jesus abriu
Até o trono onde sua graça flui como um rio
Santo, santo, anjos cantam, santo


E pela fé caminho até avistar o autor da minha fé
E o que eu posso oferecer para honrar quem ele é
Santo, santo, anjos cantam, santo
E ao partir me vi, eu sou indigno
Mas sua voz me diz não vá meu filho


Torne meu sofrimento em testemunho
E esvazie de mim e desse mundo
E que o meu nome morra com meu corpo
E que o de Cristo permaneça em tudo


Que eu receba aquilo que preciso e nem um pouco mais
Me dê os bens que de imediato eu possa abandonar
Santo, santo, eu canto, santo, santo


Torne meu sofrimento em testemunho
E esvazie de mim e desse mundo
E que o meu nome morra com meu corpo
E que o de Cristo permaneça em tudo
No nome de Cristo, no nome de Cristo
Amém


sábado, 14 de setembro de 2013

Hibernia: "Uma canção de paz pra alma libertar"

hiberniaNosso querido João Alexandre compartilhou o vídeo desta banda: Hibernia. E eu gostei do som. Hibernia é uma banda de Pop rock cristão formada na cidade de Aracaju, Sergipe em 2006. O grupo é formado por Renato Santana (Vocal), Richard Lima (Teclado e Piano), Davi Argolo (Guitarra), Ivan (Baixo), Marcelo Argolo (Baterista).


O nome da banda faz alusão à Irlanda, segundo o líder, Fernando, a ideia surgiu quando no DVD de Michael W. Smith em comemoração na época aos seus vinte anos de carreira, o cantor norte-americano cantou algo sobre Hibernia.


A banda notadamente tem influências intelectuais e musicais vindas de C.S. Lewis, Bono Vox e do Rock Britânico.Seu som é caracterizado por pianos em evidência em quase todas as musicas, guitarras frenéticas e vocais intimistas e intensos. O álbum de estreia é "A Vida como Ela Era ", e contém letras bastante introspectivas, intimistas, promovendo sensações que vão da nostalgia à euforia, sem perder a empolgação.


Ao que parece, a banda não se encaixa no segmento Gospel, e semelhante ao que tentou fazer o ‘Catedral’ nos anos 2000 e o ‘Palavrantiga’ atualmente, a banda situa-se em meio a um movimento de novas bandas alternativas que figuram na cena pop do Brasil e por via dos novos meios de comunicação.


Portanto, deixando um pouco a perspectiva de “louvor” e “adoração” de lado, caso você queira conhecer o Hibernia, vá com outra percepção, encontre neste grupo uma expressão de obra de arte produzido com intenções singulares, sem a preocupação (como diria Franz Rookmaaker) de se justificar!
A música é boa, e a reflexão que ela gera em nós é divina.


"Tudo está fluindo. O homem está em permanente reconstrução; por isto é livre: liberdade é o direito de transformar-se." (Lauro de Oliveira Lima)


Confira abaixo a música "Canção da Liberdade", no youtube o autor relata em que contexto ela surge:


"Em janeiro de 1996, Jabes Santana, Penúltima de 12 filhos de seu Abner e dona Néia, desapareceu sem deixar rastros, informações nem pistas. Esta canção é um memorial, um canto de libertação de um de seus muitos sobrinhos influenciados por seu jeito transgressor e espontâneo."

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Para conhecer o repertório da banda, clique aqui.

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Antognoni Misael.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

AUTO RETRATO DA MÚSICA CRISTÃ BRASILEIRA – POR JORGE CAMARGO

A Mackenzie TV Digital passou a apresentar recentemente o programa Auto Retrato da Música Cristã Brasileira. Pra quem gosta de música boa e inteligente, deixo a dica para apreciação e conhecimento sobre nossas origens musicais verdadeiramente cristãs.

Neste vídeo, temos como personagem do auto retrato o cantor e compositor Jorge Camargo. Certeza é um dos 'dinossauros' da nossa música cristã. Com suas origens passadas pelos grupos Vencedores Por Cristo e Sementes, Camargo, além de músico é teólogo, tradutor e escritor. Ele traz à nossa música um toque observação, poesia, arte sem jamais perder a Graça.

domingo, 18 de agosto de 2013

Paz e Comunhão: Um encontro com Gladir Cabral

Gladir Cabral 1Ele é Gladir Cabral, um emissário da boa arte. Sabe aquela canção “paz e comunhão”, pois então, é a imagem transcrita dele.


Fincado numa concepção de arte longe dos guetos religiosos, Gladir nos apresenta um vasto repertório recheado de leveza e graça. Um poeta nato, este artista cristão nos emociona com tanta percepção relacionada ao mundo (criação), queda e redenção; eu o chamaria de "observador da Graça".


Certa vez adquiri um CD do "Luz para o Caminho”, e lá tinha uma canção do Gladir que dizia:


“O vento varre as velhas ruas
da nossa linda capital,
o vento leva o barco ao longe
e arrasta as folhas no quintal,
pois ele sabe que é outono
e à tarde traz o seu sinal,
desenha um universo novo
nas nuvens brancas do varal”.


O refrão falava:


“Quem sabe de onde vem o vento?
Quem sabe para onde vai?
Assim é todo o que é nascido
Do Eterno Espírito do Pai”.


Foi o suficiente para me fisgar. – “Que linda canção é esta?!” Exclamei. E logo iniciei a busca pelo repertório do Gladir.


Descobri então que ele é um dos grandes expoentes de nossa música, além de pastor presbiteriano. Mas, como um cara calmo, sereno e tranquilo, certamente a sua pressa não pairava na fama, e sim em ser relevante para o Reino e para a arte.


Um dos seus clássicos é a canção “casa nova”, titulo de seu primeiro DVD, cuja produção é simples, sofisticada e com uma fotografia que não deixa a desejar em nada quanto as outras produções do meio cristão e secular. Além desta e tantas como encontramos em suas criações outras parcerias belíssimas com a presença de gente como 'Alma e Lua', Jorge Camargo, Thiago Viana, João Alexandre e outros...


Recentemente Gladir lançou um trabalho não rotulado de evangélico com o Jorge Camargo, o título é "A poesia caminha". O disco fala sobre várias cidades e imprime o olhar de como um cristão observa, ou observaria suas paisagens, ruas, vielas, cotidiano e monumentos. É de fato um trabalho belo e refinado. Um presente para a diversidade artística e uma ponte de diálogo neste quesito, contudo, realizada por cristãos artistas.


Pois é, ontem (dia 17 de agosto) tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, e todas as impressões foram confirmadas. Gladir é um ser humano incrível.
com gladirO encontro se deu através de um evento organizado pelo pessoal da UMP da IV, em Campina Grande-PB, que comemorava 20 anos de organização como mocidade. Durante a tarde tivemos o privilégio de acompanhar um Workshop sobre composição ministrado por ele. Ali ele comentava sobre aspectos importantes sobre a música dentre tantos, a construção de imagens, o endereçamento da canção (Onde? Para quem? Como?), a importância do movimento, da reflexão e a sua clareza e integridade. Ao fim, o desafio de compor uma canção juntos foi o momento mais deslumbrante.


A noite, ele nos conduziu a adoração com várias canções dentre elas a canção “Rei do Universo” (logo abaixo em vídeo), em seguida nos falou sobre “Esperança”, trazendo-nos a memória a segunda vinda de Cristo e encerrou a noite cantando clássicos de seu repertório.


Então gente, só a título de simplicidade, e talvez na tentativa amena de “chocar” positivamente, no citado encontro não houve camarins, contratos, estrelismos, segurança contratado ou coisa assim. Tudo foi simples e lindo assim como Evangelho o é. Jesus Cristo resplandeceu ali pois toda honra e Glória foi para Ele! Encontros como este são valiosos e precisam ser 're-ensinados' à igreja. Precisamos de menos astros e necessitamos de mais comunhão e reconhecimento de que no Reino, não há "grandes", mas sim servos, amigos e irmãos.


Abaixo você encontra vários clássicos do seu repertório:





Outrora, já tivemos a oportunidade de fazer uma ótima entrevista com Gladir, caso queiram ler, basta clicar o título do post abaixo:



Não Estou no Mercado Gospel e não desejo estar - Leia a entrevista de Gladir Cabral ao Arte de Chocar


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Arte de Chocar.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A promessa - Marco Telles (NOSSA ARTE CHOCANTE)



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Marco Telles é mais uma voz que ecoa a Glória de Deus e tem feito diferença aqui na Paraíba. Além de músico, é pastor, e tem estado a frente da Comunidade CRER.


Diante da qualidade desta mensagem cantada, ficamos a pensar: será que algo de bom pode sair daqui desse local pequeno tão longe? Pois é, é claro que a Graça de Deus não se mede geograficamente...mas é perceptível como Deus usado muita gente por aqui - músicos, evangelistas e pastores que tem direcionado nossa nação a resistir aos manjares do suce$$o e do largo caminho em prol de um Evangelho Simples e focado em Jesus. São canções como esta que nos conflitam com a realidade do valor que tem o que é eterno e do desprezo que possui o que é passageiro. Vale a pena conhecer e ouvir suas canções. É dica nossa, do AC.


Em breve, mais vídeos do Marco Telles.

A Arte Sacra e a Bíblia dos Ignorantes

Por Rodrigo Ribeiro

O grito de Sola Scriptura cursou muito caros aos reformadores, e alguns homens considerados pré-reformadores como John Huss, que foi morto em razão de não arredar os pés das preciosas verdades bíblicas. Este lema, um dos cinco solas, é basilar no protestantismo, pois trata sobre a autoridade final em todas as questões, sobre o instrumento que valida as práticas e experiências, nos diz respeito sobre quem somos, quem cremos e o que devemos ou não fazer. Tudo isto está na escritura, a norma maior que nos guia (Gl 6.16), a verdade que nos habilita para toda boa obra (2 Tm 3.16-17).

No entanto a religião majoritária da Europa do Século 16, o catolicismo romano, não creditava um valor tão elevado as Sagradas Escrituras, e a colocava em um verdadeiro cativeiro, pois a afastava do povo, deixando distante dos leigos, trancafiadas nas mãos do clero. Para as pessoas comuns, que não tinha acesso à Bíblia, tão pouco sabiam ler em latim, o pensamento católico medieval reservava um pequeno paliativo: a arte sacra compreendia como a Bíblia dos ignorantes. [1] É neste sentido que podemos vislumbrar a efusiva produção artística e sacra do período, pois as esculturas, imagens e demais manifestações gráficas serviam como alento para os iletrados.

Tal postura foi rejeitada pelo protestantismo, que ainda entendo o valor das artes, não aceitava a existência de “Bíblias para os ignorantes” e sempre se propôs a investir de maneira árdua na tradução das Escrituras para a língua original de cada povo, e também atuou de forma diligente na educação das pessoas, a fim de que se tornassem capazes de por si próprios, com o auxílio do espírito, recorrer à revelação divina para se alimentarem e encontrarem a correta orientação a respeito do modo que deveriam viver.

Observando o rico legado protestante, é inevitável a perplexidade diante dos rumos que o evangelicalismo contemporâneo tem tomado, assumindo posturas que são evidentes regressos à teologia e prática romana medieval. Os cristãos têm se mantidos distantes das Escrituras, seja por compreensões equivocadas ou por mera preguiça espiritual, e tem sido sutilmente doutrinados por melodias belas, mas de conteúdo sofrível e que ferem a sã doutrina. É bastante verdadeiro o comentário do Pr. Paul Washer a esse respeito, quando diz que a maior parte do nosso cristianismo vem de músicos e não da bíblia. Com isso não estou criticando a arte sacra, tão pouco a arte como um tudo. Mas sim o uso indevido desta. A sua supervalorização em detrimento da fonte segura e imutável de fé e prática: as Escrituras Sagradas. Temos resgatado o conceito de “Bíblia dos ignorantes”, nos alimentando de remendos, desprezando a comida que nos alimenta (Jó 23:12).

É por falta de uma base solida calcada na palavra que muitos formam suas teologias em canções, que são muitas vezes compostas por hereges, ou no mínimo, por homens de pouco conhecimento bíblico e até mesmo neófitos. Precisamos lembrar-nos sempre que, ainda que existam excelentes canções, complemente afinadas com os ensinamentos bíblicos, também existe muita heresia envolvida numa melodia bonita e agradável sendo vendida por ai, tal qual nos dias de Ário [2]. É arriscado demais entregar-se cegamente às partituras, sem o prévio confronto com as verdades bíblicas. Podemos acabar trocando o Deus da bíblia por um outro que vive a levar portas na cara, enquanto tem "flash backs" alucinógenos e lamenta pelas promessas arquivadas. [3]

E a principal questão é que não precisamos de “Bíblias para ignorantes”! Todo cristão, por mais humilde que seja, tem acesso à Deus, por intermédio do Espírito e da mediação de Cristo, e pode encontrar as respostas e direções na Bíblia Sagrada. Não precisamos depender do clero, e ficar contentes com as migalhas da arte sacra. Podemos e devemos ir direto a fonte. É conhecimento que nos falta? Que sejamos instruídos pelos mestres e pastores fiéis à palavra, mas que acima de tudo, possamos recorrer diretamente à escritura, confiando no poder do Espírito, o que de modo nenhum anula nosso dever de estudar com dedicação a fim de compreender cada vez melhor a revelação de Deus para nossas vidas.

Como protestantes devemos zelar pela “sola scriptura”, não aceitando as muletas do mundo gospel com sua teologia fajuta, que coloca palavras na boca de Deus a quais ele nunca disse. Que possamos investir na educação, a fim de que libertemos a Escrituras do exílio da ignorância e da letargia espiritual.

***

Rodrigo Ribeiro, @rodrigolgd, é bacharel em direito, estudante de teologia e colunista da Ump da Quarta e Arte de Chocar.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Nossa Arte Cristã: CROMBIE

nossaarte"Nossa Arte Cristã" é um espaço criado para apreciação, divulgação e incentivo a arte cristã. Matérias, vídeos, poemas, músicas, e entrevistas são encontrados por aqui.


Estamos retomando com nossas sugestões. Portanto hoje apresentamos o trabalho do Grupo Crombie. Eles estão juntos desde 2006 e vem fazendo diferença dentro e fora dos muros da Igreja. Já lançaram dois discos: Por Enquanto (2008) e Casa Amarela (2011). Formado por Felipe, Filipe, Gabriel, Leonardo, Lucas e Paulo, o grupo revela um pouco de sua brasilidade, poesia e Graça de Deus.


Guidom (disco Por enquanto - 2008)


Eu sigo certo na contra-mão
do meu desejo equivocado
Passei no meio da confusão
andando sempre orientado


Eu não pedalo sozinho não
quem foi que disse que eu controlo meu guidom?
Quem me guia é quem me fez
e eu vivo um dia de cada vez
Que é pra eu não me perder
nem me equivocar no meu querer


Quem me guia é quem me fez
e eu vivo um dia de cada vez


Deixo pra trás
a vontade de desistir
Trago comigo
a esperança no porvir
e a força pra prosseguir



CONVÍVIO (Casa Amarela - 2011)


Eu me conheço mais
Olhando pra você eu vou
Descobrindo quem eu sou
E penso agora no que você vê


O que me diz de mim?
O que eu não reconheço sem você?
Eu não me enxergo bem
Se vivo a vida sem querer saber de mais ninguém


Pois não há bom proveito nos dias aqui
Quando o coração anda distante, triste, frio e sem amar
Em você eu tenho o que falta em mim
E descubro o que tenho de melhor pra lhe oferecer



Raiar do Sol (Casa Amarela - 2011)

O raiar do sol é recomeço
Clareando a esperança logo de manhã
Abre a janela, deixa o dia amanhecer você
Deixe o dia lhe mostrar...
O raiar do sol é recomeço
Clareando a esperança logo de manhã
Abre a janela, deixa o dia amanhecer você
Deixe o dia lhe mostrar o céu azul
A nuvem cheia vai passar
Tudo vai melhorar
Você vai se encontrar
Não perca tempo
Cante sem titubear

***

Arte de Chocar

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Deus se agrada da Arte

Por Antognoni Misael
Infelizmente muitos cristãos ainda têm dificuldade em lidar com a arte dita secular, pois a tratam como representação de mundanismo. O fato é que a arte está tão presente na vida das pessoas em geral, visto que alguns podem até não ter uma obra de Vivaldi no acervo musical, mas certamente terão um quadro na sala da casa, um jarro de porcelana ou um tapete bordado, enfim, todos terão de alguma forma uma intrínseca concepção de beleza nos seus cotidianos.

Neste primeiro artigo venho tratar deste tema de forma franca, bíblica e sem colocações pessoais ou obsoletas. Basta só se permitir a ver e compreender porque Arte, Vida e Fé são coisas tão naturais e saudáveis para a vida do cristão.

O primeiro aspecto que precisamos aceitar é que a arte tem uma ligação próxima com o campo da fé. Um dos grandes teóricos neste assunto foi o americano Francis Shaeffer, autor de vários livros, e que ratificava que a “Arte é um reflexo da criatividade de Deus, uma evidência de que somos criados à imagem de Deus” e que precisa ser vivida sem dicotomias

Quando lemos Genêsis 1.1 temos ali um relato nu de que ELE criou tudo que existe. Ali se encontra a primeira e maior obra de arte!

Portanto a Palavra nos mostra também que a Glória de Deus se expressa nos céus, obra dEle (Sl 19). Aqui notemos que não há dúvidas sobre a existência dos céus e da terra – a ciência superior ou os próprios processos físicos e reais nos garantem isso, contudo a fé vem cortando a dúvida quando elencamos o próprio DEUS como autor desta obra (Hb 11.3): “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus”. A primeira relação entre fé e arte é esta. Temos a obra/criação, não a vimos sendo feita, mas não temos dúvida de quem a criou.

O que precisamos é ratificar isso em nossos corações: “Deus é o criador, é o arquiteto, é o maior artista que o mundo pode contemplar”!

O segundo e incontestável aspecto é que tanto a fé quanto a arte são dádivas de Deus. Basta tirar toda parcialidade teológica e ler Efésios 2.8 e Tiago 1.17. É dEle que vem a capacidade incrível de crer em Sua existência assim como é dEle que parte toda capacidade de criar as artes, ciências, e tecnologias.

Até aqui tudo bem. Deus parece não interferir nas capacidade dadas por Ele ou talvez expor seus gostos quanto a arte. Mas não, o que mais deve nos impressionar neste tema é que Deus se agrada da Arte! Ele nos ensina a rejeitarmos a mediocridade.

No Velho Testamento temos alguns exemplos envolvendo Deus e a Arte. Se lermos Gênesis 2.19 vemos Deus se agradando da criatividade de Adão em suas primeiras tarefas culturais.

Impressionante é quando lemos no Livro de Êxodo Deus se preocupando com a arte do tabernáculo. Foi Ele que elaborou o modelo do mesmo (Êx 25.9): “SEGUNDO TUDO O QUE EU TE MOSTRAR PARA O MODELO DO TABERNÁCULO E PARA MODELO DE TODOS OS SEUS MÓVEIS, ASSIM MESMO O FAREIS”.

No livro de Crônicas percebemos que o templo também foi planejado por Deus. O relato de 1Cr 28.19 ratifica “TUDO ISSO, DISSE DAVI, ME FOI DADO POR ESCRITO POR MANDADO DO SENHOR, A SABER, TODAS AS OBRAS DESTA PLANTA”.

Você pode estar argumentando que tal preocupação de Deus revelava sua preocupação com a adoração do seu povo – também. Entretanto, Ele dá demonstrações simplesmente estéticas que talvez alguns as vejam como fúteis, a saber expressões artísticas de cunho não religioso.

Deus se agrada do belo. Não há dúvidas. Sua multiforme graça se revela na dinâmica do mundo fazendo com que a história da humanidade tenha um pano de fundo equilibrado. Significa que o mundo não é tão mal a ponto de não podermos viver no meio dele, assim como não é suficientemente bom para nos deleitarmos nele.

O belo é um mistério de Deus. A beleza é sensibilidade e sina do homem. Não há formulas matemáticas nem normas cientificas para estabelecer o que achamos belo, ou não. Por isso a arte faz com que não sejamos robôs na forma de ver as coisas.

Em 2Cr 3.6 temos algo fantástico que Salomão fez por ordem Deus: “TAMBÉM ADORNOU A SALA DE PEDRAS PRECIOSAS”. O verbo adornar deixa claro a preocupação que Deus: deixar o lugar belo.

Deus simplesmente queria beleza no templo assim como quer em nós. Ele é artista e quer que tenhamos uma cosmovisão equilibrada sobre a Sua criação e sobre a criação dos homens.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

'Artistas estão mais preocupados com glória pessoal que com a glória de Deus', afirma fundador do VPC

O pastor Jaime Kemp, fundador do ministério Vencedores por Cristo e do ministério Lar Cristão afirmou no Salão Internacional Gospel, que artistas cristãos estão mais preocupados com a glória pessoal que com a glória de Deus.

No evento que expõe artistas e produtos da música gospel, Kemp disse ao The Christian Post, que no panorama atual da música gospel, muitos dos artistas do segmento, os “artistas” querem viajar em aviões e ficar em hotéis de luxo.

“Não há sacrifício. Minha preocupação é na questão de sermos servos”, diz, e conclui: “acho que hoje muitos desses artistas pensam que a igreja que os chama são seus servos e não se colocam na posição de servir”.

Outro problema que o preocupa é a chamada comercialização do evangelho, comentando sobre os artistas evangélicos que cobram cachês para tocar e priorizam os ganhos financeiros.

Falando especificamente das composições atuais, ele comenta que as letras são muito pobres, não há mensagens sobre itens fundamentais como fidelidade à palavra, arrependimento, entrega total ao senhorio do Cristo.

“Não há esses elementos presentes na moderna música evangélica brasileira”. E se defende, “não faço parte deste movimento pop, cuja tônica é a desorganização e ausência de vida e testemunho cristãos”.

“Realmente não sei se esses jovens que estão hoje nos palcos tem Jesus Cristo como Senhor e Salvador ou se sabem comunicar o evangelho”, enfatiza Kemp.

Vencedores por Cristo

O famoso e ainda hoje muito lembrado conjunto de música evangélica Vencedores por Cristo é considerado um dos precursores da música cristã brasileira.

Segundo o líder cristão, na época da criação do grupo Vencedores por Cristo a música não era o ponto central.

“O ponto central era o discipulado, treinamento e ensino dos jovens. Eles eram ensinados como viver juntos, como dar testemunho, porque parte do ministério era o evangelismo.”

Os critérios para estar no grupo eram, segundo o líder, ser convertido a Cristo, ter um coração de servo e ter o desejo de trabalhar debaixo da estrutura e organização do grupo, além de ser recomendado pelo pastor de sua igreja.

“A idéia era a preparação da juventude para trabalhar na igreja (...) as músicas eram usadas como meio de comunicar e também dar testemunho levando a Palavra de Deus a lugares, os mais diferentes, como igrejas, praças, prisões”.

Por meio do ministério Vencedores por Cristo foi possibilitada a formação de mais de 200 líderes, missionários, pastores e músicos.

Kemp explica que o grupo criado na década de 1970 nunca teve o desejo ou intenção de influenciar a música brasileira.

“Deus direcionou, pois tivemos muitos compositores que foram treinados conosco. A música desenvolvida por eles acabou por transformar a música e o louvor brasileiros”.

Do ministério surgiram proeminentes músicos, hoje muito conhecidos no meio evangélico, como Guilheme Kerr, Nelson Bomilcar, JoãoAlexandre e outros que foram formados nessa época.

O líder disse ainda que teme que os hinos tradicionais da fé cristã se percam, já que eles não são tão populares entre os jovens e nas igrejas atualmente. Segundo ele, isso é preocupante pois há muita teologia e ensinamentos nos hinos tradicionais.

Jaime Kemp e a esposa Judith Kemp, são casados há 47 anos e lideram o ministério voltado à area familiar e são autores de pelos menos 60 títulos literários. O Vencedores por Cristo ainda existe atualmente e seu foco principal é o evangelismo.

***

Direto do CristianPost.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Jorge Rehder: um legado de arte e inspiração nas escrituras

Nossa Arte Cristã destaca o cantor e compositor Jorge Rehder. Nascido em 1956, a partir de 1973 passou a ter contato com a música evangélica quando participava de um grupo musical na Igreja Metodista de São Paulo-SP.

Rehder ganhou notoriedade pelas parcerias que fez com Guilherme Kerr, Jorge Camargo e Nelson Bomilcar e suas canções são encontradas nos álbuns do Vencedores Por Cristo e no da Igreja Batista do Morumbi, ambos lançados na década de 1980.

Canções como “Barnabé”, do LP Missão e Adoração II (1986), “Unidade e Diversidade” (parceria com Guilherme Kerr) são, por assim dizer, duas composições de Jorge que quero destacar, tratando-se de conteúdo e beleza. São canções que dignificam a Palavra de Deus dando-lhe a arte devida junto a riqueza das escrituras. Canções como estas passam longe do modismo musical do gospel anêmico em criatividade de hoje.

Depois de 35 anos de ministério, Jorge Rehder, também pastor e dentista, lançou seu primeiro disco solo intitulado Porto Esperança (2009). Meses depois, precisamente no dia 08 de novembro, vítima de um câncer no estomago, foi promovido para estar junto ao Pai.

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Fonte do Texto: História da Música Evangélica no Brasil. (Salvador de Sousa)

quinta-feira, 15 de março de 2012

"Música cristã tem mais a ver com ministério do que com mercado" - Confira nossa entrevista com Alma e Lua

1) ARTEDECHOCAR: Primeiramente queria que se apresentassem falando um pouco do encontro com Deus na vida de vocês, e o que fazem (além da música) no cotidiano de uma forma geral.

ALMA E LUA: Com certeza, Deus tinha algo preparado pra nós há muito tempo; nos conhecemos em 1976 e vivemos, por dois anos, uma amizade intensa que se transformou em namoro, noivado e casamento. Namoramos e noivamos onze anos e estamos casados há vinte e dois. É verdade que Deus dava sinais de sua presença em nossas vidas desde muito cedo, mas foi em 1987 que se revelou a nós, na época em que estávamos muito envolvidos com o início da carreira musical. Diante das enormes dificuldades, que são comuns a todos que sonham com a profissão artística, nos voltamos para as questões religiosas na esperança de obter aquela ajudazinha sobrenatural, como geralmente acontece com a maioria das pessoas; começamos a estudar a Bíblia e fomos surpreendidos pela Irresistível Graça de Deus, e enquanto progredíamos na carreira, Deus nos fazia progredir também em seus propósitos. Em 1991 nos convertemos e passamos a congregar em uma pequena comunidade neopentecostal de nossa cidade;  iniciou-se o processo de ruptura com os antigos projetos até que, em dezembro de 1995, o ministério absorveu a nossa carreira. No início de 1996 passamos a frequentar a Primeira Igreja Presbiteriana de Casa Branca, da qual somos membros, e com o apoio do pastor Sérgio Paulo Martins Nascimento desenvolvemos o ministério.  
Há quase nove anos eu, Paulinho, trabalho em Campinas, na LPC Comunicações - uma produtora que tem parceria com a Igreja Presbiteriana do Brasil e o Back to God Ministries International, o departamento de mídia da Igreja Cristã Reformada da América do Norte; a Rah cuida das nossas questões pessoais e da parte financeira do ministério, já que fica em Casa Branca durante a semana enquanto eu estou em Campinas. 

2) ARTEDECHOCAR: Com uma relevante caminhada musical, que lições podemos aprender com vocês no que tange a carreira secular e vida ministerial? 

ALMA E LUA: Carreira musical é show business, porque as grandes companhias, as principais emissoras de rádio e televisão e os agentes controlam o mercado, e de arte mesmo sobra muito pouco; o artista, quando tem a simpatia desse sistema, se vê obrigado a cantar o que eles querem, do jeito que eles querem e pelo tempo que eles querem; quando não seguem as regras, sofrem retaliação. Quase tudo é uma grande mentira, e as coisas normalmente acontecem por troca de favores ou propinas - o tal do jabaculê. Somente alguns artistas, geralmente as estrelas da MPB, conseguem utilizar esses meios com alguma autonomia. No que diz respeito ao ministério, uma das questões mais delicadas é encontrar o ponto certo entre o servir e o sobreviver, principalmente quando ministério e profissão se confundem. É preciso investir muito tempo para compor, estudar a Palavra e manter a forma artística com ensaios, estudos, além das questões estruturais como manutenção de veículo, de instrumentos e demais detalhes. Já tentamos desenvolvê-lo sem tocar no assunto "dinheiro", mas tivemos sérios problemas financeiros. Devido a esses problemas é que aceitei, em 2003, o convite do Celsino Gama para trabalhar com produção musical na LPC. 

3) ARTEDECHOCAR: O que mudou substancialmente na vossa cosmovisão quanto a dicotomia secular/cristão? 

ALMA & LUA: Entendemos que as referências Bíblicas nos remetem a questões bem mais relevantes  do que aquelas que a mera religiosidade observa; quando a Palavra ordena separação do mundo, está se referindo ao modelo desse sistema, e não a simples hábitos; o propósito de Deus para nós é que andemos na contramão, longe das vantagens que a desonestidade e os negócios ilícitos nos oferecem. A Palavra está nos dizendo: “O modelo do sistema não serve pra vocês!” e: “Joguem fora seus planos, Deus tem novos planos pra vocês agora!” Assim, é mais fácil para a maioria dos que se dizem cristãos, vender a ideia de que fumar é pecado, por exemplo,  do que abandonar uma carreira profissional onde a transparência e a honestidade não podem conviver com os lucros. A regra destes é bastante simples: Se é bom pra mim, é de Deus, é benção; se não me agrada, é do diabo. Não concordamos com essa visão; entendemos que Deus nos submete a uma profunda mudança de carácter, não de hábitos, para que aprendamos a não utilizar as estratégias que o modelo secular sugere. É mudança de estilo de vida.

4) ARTEDECHOCAR: Vocês se consideram cantores gospel?

ALMA & LUA:  Nos consideramos artistas cristãos, e queremos dizer com isso que acreditamos que nosso papel na Obra é através da música, e que nossos interesses precisam sempre ser submetidos ao propósito de Deus.

5) ARTEDECHOCAR: Apesar do grande conhecimento no meio artístico-musical, vocês optaram por um caminho menos glamoroso em busca de cantar canções mais relevantes, rejeitando de certa forma, por assim dizer, o mero mercantilismo dentro do ministério. Como vocês avaliam a atual situação do mercado musical secular e o dito mercado gospel? Semelhanças e/ou diferenças.

ALMA E LUA: Se o assunto é mercado, o objetivo é vender; entendemos que um artista cristão que faz música direcionada à carteira do seu irmão está, no mínimo, equivocado - estão mais para lobos do que para ovelhas. Não vemos problema algum em um cristão ser um profissional da música secular, contanto que consiga ficar imune às tramoias do sistema;  mas música cristã tem mais a ver com ministério do que com mercado. É evidente que o dinheiro é necessário, mas os excessos, os holofotes, a paixão por fama e fortuna tiram as pessoas do foco, é motivação errada; quando se faz música cristã para vender, além de ter que se adequar à indústria cultural (o tal jugo desigual), é necessário agradar o público, e para agradá-lo, é necessário falar o que querem ouvir, não o que precisam ouvir, e Obra de Deus não é entretenimento, é missão. 

Quanto ao mercado secular, há muito tempo não acompanhamos as coisas de dentro,  mas é evidente que tanta manipulação e interesse econômico resultou em banalidade artística extremada. E quem sofre as piores consequências?...

6) ARTEDECHOCAR: Diante de tanta confusão teológica e crescimento denominacional, pode-se falar de uma igreja brasileira? Como analisar e/ou diagnosticar as vantagens e desvantagens desse crescimento numérico dos evangélicos no país?

ALMA E LUA: Para nós, Igreja é Igreja - o Povo de Deus; não nos engajamos em nenhum movimento de nacionalização cristã porque, pelo menos por ora, não compreendemos nenhuma utilidade nisso. Nosso objetivo é contribuir para que haja qualidade cristã na Igreja, vida com poder e relevância. A Mensagem é adequada para todos os escolhidos de Deus, não importando a nacionalidade. 
Vemos esse tal crescimento evangélico como prejudicial, pois não nos parece genuíno - é onda; são pessoas buscando, preferencialmente, bençãos temporais e resistindo às ideias que traduzem compromisso - que como já dissemos, tem a ver com mudança de planos, não de hábitos. O pior de tudo é que parece não ser apenas um problema nacional, e  prejudica a unidade da Igreja, já que há crescente divergência quanto às interpretações teológicas, algumas vezes por falta de preparo, outras, por mero interesse pessoal.  

7) ARTEDECHOCAR: O último trabalho de Alma e Lua, Vanilla Jukebox (2011) nos apresenta a autenticidade de sempre de vocês. Remete-nos a uma textura recheada de violões, vocais, que nos lembra o country, o rural, anos 70, letras intimistas abordando temas relacionados ao coração do homem, natureza, levando-nos a contemplação e reflexão. Queria que nos falasse mais sobre este disco de uma forma geral. Há alguma autocrítica? E claro, onde e como adquirir?

ALMA E LUA: O Vanilla é resultado de um projeto do Celsino Gama, ex-diretor da LPC Comunicações, que viabilizava nossos lançamentos. A ideia foi somar em um só álbum nossas principais canções que estavam espalhadas em três outros - o “Caras Pintadas” de 1997, o “Desperta, América!” de 1999, e o “Sobrenome: Vento” de 2001, facilitando tanto os investimentos na fabricação, quanto os custos na aquisição. Gostamos muito da ideia, pois havia alguns problemas técnicos nos três primeiros cds que nos incomodava: O “Caras Pintadas” estava tecnologicamente ultrapassado, era muito antigo; com o “Desperta, América!” inauguramos um estúdio próprio e o cd serviu de laboratório para encontrarmos a melhor forma de fazer o nosso som com custo reduzido; o “Sobrenome: Vento” foi o álbum que mais nos agradou, porque conseguimos atingir, em nosso próprio estúdio, um bom nível técnico, mas este acabou ficando muito sofisticado, e nos incomodava tocar ao vivo acompanhados somente ao violão - que é como nos apresentamos - e ver as pessoas levando pra casa um cd todo paramentado com bateria, guitarras, órgãos, pianos, percussão...

No Vanilla, eu, Paulinho, fiz tudo sozinho e busquei fazê-lo com  simplicidade para que se aproximasse ao máximo do som que fazemos ao vivo; foi lançado sem a parte gráfica para destacar o conteúdo, mas é provável que ganhe uma capa simples nas próximas edições. 
Contatos, informações e nossos lançamentos estão disponíveis no nosso site: www.almaelua.com.br

8) ARTEDECHOCAR: Queremos desde já agradecer o contato e dizer que a gentileza e atenção de vocês nos fizeram perceber que estamos em casa. Que Deus possa vos abençoe grandemente.

ALMA E LUA: Mano véio, nós é que agradecemos a oportunidade, pois se não é correto exagerar no marketing de ministérios, também é impossível desenvolvê-los sem nenhuma divulgação. Queremos parabenizá-lo por sua contribuição à Igreja através do ArtedeChocar, pois os artigos que encontramos aqui contribuem muito para o aprimoramento de ideias.
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Muito satisfeito com a entrevista e contato com este casal abençoado. Paulinho você é uma figura, gente de Deus. Abração mano!

"Música cristã tem mais a ver com ministério do que com mercado" - Confira nossa entrevista com Alma e Lua


1) ARTEDECHOCAR: Primeiramente queria que se apresentassem falando um pouco do encontro com Deus na vida de vocês, e o que fazem (além da música) no cotidiano de uma forma geral.


ALMA E LUA: Com certeza, Deus tinha algo preparado pra nós há muito tempo; nos conhecemos em 1976 e vivemos, por dois anos, uma amizade intensa que se transformou em namoro, noivado e casamento. Namoramos e noivamos onze anos e estamos casados há vinte e dois. É verdade que Deus dava sinais de sua presença em nossas vidas desde muito cedo, mas foi em 1987 que se revelou a nós, na época em que estávamos muito envolvidos com o início da carreira musical. Diante das enormes dificuldades, que são comuns a todos que sonham com a profissão artística, nos voltamos para as questões religiosas na esperança de obter aquela ajudazinha sobrenatural, como geralmente acontece com a maioria das pessoas; começamos a estudar a Bíblia e fomos surpreendidos pela Irresistível Graça de Deus, e enquanto progredíamos na carreira, Deus nos fazia progredir também em seus propósitos. Em 1991 nos convertemos e passamos a congregar em uma pequena comunidade neopentecostal de nossa cidade;  iniciou-se o processo de ruptura com os antigos projetos até que, em dezembro de 1995, o ministério absorveu a nossa carreira. No início de 1996 passamos a frequentar a Primeira Igreja Presbiteriana de Casa Branca, da qual somos membros, e com o apoio do pastor Sérgio Paulo Martins Nascimento desenvolvemos o ministério.  

Há quase nove anos eu, Paulinho, trabalho em Campinas, na LPC Comunicações - uma produtora que tem parceria com a Igreja Presbiteriana do Brasil e o Back to God Ministries International, o departamento de mídia da Igreja Cristã Reformada da América do Norte; a Rah cuida das nossas questões pessoais e da parte financeira do ministério, já que fica em Casa Branca durante a semana enquanto eu estou em Campinas. 



2) ARTEDECHOCAR: Com uma relevante caminhada musical, que lições podemos aprender com vocês no que tange a carreira secular e vida ministerial? 



ALMA E LUA: Carreira musical é show business, porque as grandes companhias, as principais emissoras de rádio e televisão e os agentes controlam o mercado, e de arte mesmo sobra muito pouco; o artista, quando tem a simpatia desse sistema, se vê obrigado a cantar o que eles querem, do jeito que eles querem e pelo tempo que eles querem; quando não seguem as regras, sofrem retaliação. Quase tudo é uma grande mentira, e as coisas normalmente acontecem por troca de favores ou propinas - o tal do jabaculê. Somente alguns artistas, geralmente as estrelas da MPB, conseguem utilizar esses meios com alguma autonomia. No que diz respeito ao ministério, uma das questões mais delicadas é encontrar o ponto certo entre o servir e o sobreviver, principalmente quando ministério e profissão se confundem. É preciso investir muito tempo para compor, estudar a Palavra e manter a forma artística com ensaios, estudos, além das questões estruturais como manutenção de veículo, de instrumentos e demais detalhes. Já tentamos desenvolvê-lo sem tocar no assunto "dinheiro", mas tivemos sérios problemas financeiros. Devido a esses problemas é que aceitei, em 2003, o convite do Celsino Gama para trabalhar com produção musical na LPC. 



3) ARTEDECHOCAR: O que mudou substancialmente na vossa cosmovisão quanto a dicotomia secular/cristão? 



ALMA & LUA: Entendemos que as referências Bíblicas nos remetem a questões bem mais relevantes  do que aquelas que a mera religiosidade observa; quando a Palavra ordena separação do mundo, está se referindo ao modelo desse sistema, e não a simples hábitos; o propósito de Deus para nós é que andemos na contramão, longe das vantagens que a desonestidade e os negócios ilícitos nos oferecem. A Palavra está nos dizendo: “O modelo do sistema não serve pra vocês!” e: “Joguem fora seus planos, Deus tem novos planos pra vocês agora!” Assim, é mais fácil para a maioria dos que se dizem cristãos, vender a ideia de que fumar é pecado, por exemplo,  do que abandonar uma carreira profissional onde a transparência e a honestidade não podem conviver com os lucros. A regra destes é bastante simples: Se é bom pra mim, é de Deus, é benção; se não me agrada, é do diabo. Não concordamos com essa visão; entendemos que Deus nos submete a uma profunda mudança de carácter, não de hábitos, para que aprendamos a não utilizar as estratégias que o modelo secular sugere. É mudança de estilo de vida.



4) ARTEDECHOCAR: Vocês se consideram cantores gospel?



ALMA & LUA:  Nos consideramos artistas cristãos, e queremos dizer com isso que acreditamos que nosso papel na Obra é através da música, e que nossos interesses precisam sempre ser submetidos ao propósito de Deus.



5) ARTEDECHOCAR: Apesar do grande conhecimento no meio artístico-musical, vocês optaram por um caminho menos glamoroso em busca de cantar canções mais relevantes, rejeitando de certa forma, por assim dizer, o mero mercantilismo dentro do ministério. Como vocês avaliam a atual situação do mercado musical secular e o dito mercado gospel? Semelhanças e/ou diferenças.



ALMA E LUA: Se o assunto é mercado, o objetivo é vender; entendemos que um artista cristão que faz música direcionada à carteira do seu irmão está, no mínimo, equivocado - estão mais para lobos do que para ovelhas. Não vemos problema algum em um cristão ser um profissional da música secular, contanto que consiga ficar imune às tramoias do sistema;  mas música cristã tem mais a ver com ministério do que com mercado. É evidente que o dinheiro é necessário, mas os excessos, os holofotes, a paixão por fama e fortuna tiram as pessoas do foco, é motivação errada; quando se faz música cristã para vender, além de ter que se adequar à indústria cultural (o tal jugo desigual), é necessário agradar o público, e para agradá-lo, é necessário falar o que querem ouvir, não o que precisam ouvir, e Obra de Deus não é entretenimento, é missão. 



Quanto ao mercado secular, há muito tempo não acompanhamos as coisas de dentro,  mas é evidente que tanta manipulação e interesse econômico resultou em banalidade artística extremada. E quem sofre as piores consequências?...



6) ARTEDECHOCAR: Diante de tanta confusão teológica e crescimento denominacional, pode-se falar de uma igreja brasileira? Como analisar e/ou diagnosticar as vantagens e desvantagens desse crescimento numérico dos evangélicos no país?



ALMA E LUA: Para nós, Igreja é Igreja - o Povo de Deus; não nos engajamos em nenhum movimento de nacionalização cristã porque, pelo menos por ora, não compreendemos nenhuma utilidade nisso. Nosso objetivo é contribuir para que haja qualidade cristã na Igreja, vida com poder e relevância. A Mensagem é adequada para todos os escolhidos de Deus, não importando a nacionalidade. 

Vemos esse tal crescimento evangélico como prejudicial, pois não nos parece genuíno - é onda; são pessoas buscando, preferencialmente, bençãos temporais e resistindo às ideias que traduzem compromisso - que como já dissemos, tem a ver com mudança de planos, não de hábitos. O pior de tudo é que parece não ser apenas um problema nacional, e  prejudica a unidade da Igreja, já que há crescente divergência quanto às interpretações teológicas, algumas vezes por falta de preparo, outras, por mero interesse pessoal.  



7) ARTEDECHOCAR: O último trabalho de Alma e Lua, Vanilla Jukebox (2011) nos apresenta a autenticidade de sempre de vocês. Remete-nos a uma textura recheada de violões, vocais, que nos lembra o country, o rural, anos 70, letras intimistas abordando temas relacionados ao coração do homem, natureza, levando-nos a contemplação e reflexão. Queria que nos falasse mais sobre este disco de uma forma geral. Há alguma autocrítica? E claro, onde e como adquirir?



ALMA E LUA: O Vanilla é resultado de um projeto do Celsino Gama, ex-diretor da LPC Comunicações, que viabilizava nossos lançamentos. A ideia foi somar em um só álbum nossas principais canções que estavam espalhadas em três outros - o “Caras Pintadas” de 1997, o “Desperta, América!” de 1999, e o “Sobrenome: Vento” de 2001, facilitando tanto os investimentos na fabricação, quanto os custos na aquisição. Gostamos muito da ideia, pois havia alguns problemas técnicos nos três primeiros cds que nos incomodava: O “Caras Pintadas” estava tecnologicamente ultrapassado, era muito antigo; com o “Desperta, América!” inauguramos um estúdio próprio e o cd serviu de laboratório para encontrarmos a melhor forma de fazer o nosso som com custo reduzido; o “Sobrenome: Vento” foi o álbum que mais nos agradou, porque conseguimos atingir, em nosso próprio estúdio, um bom nível técnico, mas este acabou ficando muito sofisticado, e nos incomodava tocar ao vivo acompanhados somente ao violão - que é como nos apresentamos - e ver as pessoas levando pra casa um cd todo paramentado com bateria, guitarras, órgãos, pianos, percussão...



No Vanilla, eu, Paulinho, fiz tudo sozinho e busquei fazê-lo com  simplicidade para que se aproximasse ao máximo do som que fazemos ao vivo; foi lançado sem a parte gráfica para destacar o conteúdo, mas é provável que ganhe uma capa simples nas próximas edições. 

Contatos, informações e nossos lançamentos estão disponíveis no nosso site: www.almaelua.com.br



8) ARTEDECHOCAR: Queremos desde já agradecer o contato e dizer que a gentileza e atenção de vocês nos fizeram perceber que estamos em casa. Que Deus possa vos abençoe grandemente.



ALMA E LUA: Mano véio, nós é que agradecemos a oportunidade, pois se não é correto exagerar no marketing de ministérios, também é impossível desenvolvê-los sem nenhuma divulgação. Queremos parabenizá-lo por sua contribuição à Igreja através do ArtedeChocar, pois os artigos que encontramos aqui contribuem muito para o aprimoramento de ideias.



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Muito satisfeito com a entrevista e contato com este casal abençoado. Paulinho você é uma figura, gente de Deus. Abração mano!