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terça-feira, 18 de março de 2014

QUANDO A CERIMÔNIA DE CASAMENTO VIRA UM CIRCO


Não. Eu não creio que a cerimônia de casamento seja um sacramento. Eu não creio como os católicos creem. Eu também não creio que a cerimônia de casamento seja somente uma prestação de contas a sociedade. Eu creio que é bem mais do que isso. Creio que um homem e uma mulher ao contraírem matrimônio o fazem desejosos de que o Eterno abençoe seu relacionamento conjugal. Nessa perspectiva, num lugar definido, diante de um ministro do evangelho , além é claro de amigos e familiares, ambos felizes, porém contritos; alegres, porém temerosos, rogam ao Todo-poderoso que abençoe a nova família que se inicia. Contudo, para nossa tristeza, um número incontável de cristãos transformaram esse momento ímpar na vida de um casal, num grande espetáculo circense.


Ora para piorar a situação, lamentavelmente não são poucos aqueles que vencidos pelo secularismo banalizaram o casamento. Nessa perspectiva , relativizam a cerimônia, ridicularizam os votos diminuindo o valor da aliança bem como o compromisso assumido diante de Deus.


Outro dia participei como convidado de uma cerimônia de um casamento em que em meio a muita bagunça, música, irreverência e algazarra os votos foram "esquecidos".


Votos? Isso é coisa do passado, afirmarão alguns.


Caro amigo, bem sei que os relativistas de plantão vão me apedrejar, mas, os votos são fundamentais a uma cerimônia que pretende diante de Deus unir um casal. Como bem outrora afirmou o meu amigo Solano Portela, o momento dos votos para nós cristãos, envolve mais do que um contrato horizontal fechado entre dois lados – Solano afirma, e eu concordo com ele, que Deus está envolvido na cerimônia e nas promessas proferidas e isso é um pacto solene feito na sua presença (Ml 2.13-16). Nesse pacto, Deus está bem mais comprometido, do que as partes humanas poderiam estar, com o cumprimento do acordo.


Doutra feita assisti um casamento em que a impressão que tive é que aquela cerimônia não focava na aliança e sim na efemeridade da relação. Ora, o casamento é uma aliança. A cerimônia de um matrimônio é a celebração do acordo que um homem e um mulher estão fazendo diante de Deus. O casamento é um compromisso indissolúvel feito por um casal diante do Criador, onde juntos prometem permanecerem firmes mesmo diante das lutas, dificuldades e problemas inerentes ao dia-a-dia.


Isto posto afirmo sem titubeios que casamento é coisa séria. E mais, digo também que o espetáculo circense encontrado em algumas cerimônias de casamento apontam para o fato inequívoco de que a Igreja de Cristo banalizou o que em hipótese alguma deveria ser banalizado.


É o que penso, é que digo!


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Renato Vargens é pastor, conferencista, escritor, além de blogueiro.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Afinal, casamento é de Deus ou apenas uma invenção humana?

namoradosCom a desvalorização do casamento em nossa cultura, junto com a relativização dos valores morais e a tendência contra tudo aquilo que é estabelecido, muitos cristãos nutrem esta ideia curiosa de que a Bíblia não ensina o casamento, o qual se resume num acordo mútuo de duas pessoas viverem juntas. Pronto, estão casadas diante de Deus.


Com isto, não é pequeno o número de evangélicos que têm uma vida sexual ativa com o namorado/namorada.


Alguns anos passados fiquei impressionado com uma estatística publicada por uma revista evangélica após entrevistas feitas com jovens evangélicos de 22 denominações. Estes jovens, a grande maioria composta de solteiros, haviam nascido em lar evangélico e eram freqüentadores regulares de igrejas. De acordo com a pesquisa, 52% deles já haviam tido sexo. Destes, cerca da metade mantinha uma vida sexual ativa com um ou mais parceiros. A idade média em que perderam a virgindade era de 14 anos para os rapazes e de 16 anos para as moças.


Essa reportagem foi publicada em setembro de 2002. Desconfio que os números são ainda mais estarrecedores se forem atualizados para 2012.


Não vou aqui gastar muito tempo defendendo o que, acredito, a maioria dos nossos leitores já sabe que é nossa posição: sexo é uma bênção a ser desfrutada somente no casamento. Namorados que praticam relações sexuais estão pecando contra a Palavra de Deus. Mesmo que não tenhamos um versículo que diga "é proibido o sexo pré-marital" (desnecessário à época em que a Bíblia foi escrita, visto que na cultura do antigo Oriente não existia namoro, noivado, ficar, etc.), é evidente que a visão bíblica do casamento é de uma instituição divina da qual o sexo é uma parte integrante e essencial.


Alguns textos que mostram que contrair matrimônio e casar era uma instituição oficial entre o povo de Deus, e o ambiente próprio para desfrutar o sexo:


"...nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações" (Dt 7.3).


"...Majorai de muito o dote de casamento e as dádivas, e darei o que me pedirdes; dai-me, porém, a jovem por esposa" (Gn 34.12).
"... e lhe dará uma jovem em casamento..." (Dn 11.17).


"... Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles?" (Mt 9.15).


"... nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento" (Mt 24.38).


"... Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, achando-se ali a mãe de Jesus. Jesus também foi convidado, com os seus discípulos, para o casamento" (Jo 2.1-2).


"... Estás livre de mulher? Não procures casamento" (1Cor 7.27).


"... Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento..." (1Tim 4.1-3).


"... Se um homem casar com uma mulher, e, depois de coabitar com ela, a aborrecer, e lhe atribuir atos vergonhosos, e contra ela divulgar má fama, dizendo: Casei com esta mulher e me cheguei a ela, porém não a achei virgem..." (Dt 22.13-14)


"... qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério" (Mt 5.32).


"... Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar" (Mt 19.10).


"... Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado" (1Cor 7.9).


"... Mas, se te casares, com isto não pecas; e também, se a virgem se casar, por isso não peca" (1Cor 7.28).


"... A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor" (1Cor 7.39).


"... ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade" (Jo 4.17-18).


"... alguém (o presbítero e/ou pastor) que seja irrepreensível, marido de uma só mulher..." (Tito 1.6).


"... quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido." (1Cor 7:1-2)


"... Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros" (Heb 13.4).


"... que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador, porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação" (1Tes 4.4-7).


As passagens acima (e haveriam muitas outras) mostram que casar, ter esposa, contrair matrimônio é o caminho prescrito por Deus para quem não quer ficar solteiro ou permanecer viúvo. O casamento era, sim, uma instituição oficial em meio ao povo de Deus. As relações sexuais fora do casamento nunca foram aceitas, quer em Israel, quer na Igreja Primitiva, a julgar pela quantidade de leis contra a fornicação e a impureza sexual e pelas leis e exemplos que fortalecem o casamento como instituição para o povo de Deus em todas as épocas.


O ônus de provar que namorados podem ter relações sexuais como uma coisa normal é dos libertinos. Posso me justificar biblicamente diante de Deus por viver com minha namorada como se ela fosse minha esposa, não sendo casados? Como eu lido com essa evidência massiva de que o casamento é a alternativa bíblica para quem não quer ficar solteiro ou viúvo?


O que existe na verdade é aquilo que Judas menciona em sua carta, sobre pessoas ímpias que transformam a graça de Deus em libertinagem (Judas 4). Os argumentos do tipo, "quem casou Adão e Eva" demonstram o grau de má vontade e a disposição do coração de continuar na prática da fornicação, mesmo diante da resposta: "O caso de Adão e Eva não é nosso paradigma, a não ser que você tenha sido feito diretamente do barro por Deus e sua namorada tenha sido tirada de sua costela. Se não foi, então você deve se sujeitar ao paradigma que Deus estabeleceu para toda a raça humana, para os descendentes de Adão e Eva, que é contrair matrimônio, casar-se, um compromisso público diante das autoridades civis".


Os demais argumentos - "é melhor que os namorados cristãos tenham sexo responsável entre si do que procurar prostitutas, etc." nem merecem resposta. O que falta realmente é domínio próprio, castidade, submissão à vontade de Deus, amor à santificação.


Chegamos ao ponto em que os rapazes e as moças cristãos têm vergonha de dizer, até mesmo em reuniões de mocidade e de adolescentes, que são virgens.


Tenho compaixão dos jovens e adolescentes de nossas igrejas. Mas sinto uma santa ira contra os libertinos, que pervertem a graça de Deus, pessoas ímpias, que desviam nossa juventude para este caminho. "A vingança pertence ao Senhor" (Rom 12.19).


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Fonte: O Tempora, O Mores.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Adolescentes e acesso irrestrito: hora de arrepender-se

As estatísticas foram publicadas, a literatura circulou amplamente, as conversas continuam, mas o assunto ainda parece não ser tratado com a devida vigilância. Estou falando sobre adolescentes com acesso irrestrito em seus smartphones e tablets. Dou um caloroso “Amém!” para o recente tweet de Russell Moore: “Estou chocado com pais que dão aos seus filhos pré-adolescentes iPhones e iPads com acesso irrestrito à Internet”.

Afirmamos corretamente que a pornografia é um vício, mas não parece que estamos desafiando os vendedores dessa droga. Quem são os vendedores? Pais. Pais que tolamente dão aos seus adolescentes (e pré-adolescentes) reinado livre sobre seus smartphones e, ao fazer isso, convidam o mundo para a cama de seus filhos todas as noites.

Alguns de vocês podem pensar que eu estou sendo um pouco exagerado, mas, após considerar outro verão de retiros de jovens, meus olhos foram abertos novamente para essa tolice absoluta (não há uma forma mais branda de colocar isso). As coisas que nossa juventude posta nas mídias sociais provam muitas coisas; uma delas é a ausência parental nessa esfera.

Eu tive muitas conversas com estudantes viciados em pornografia e, igualmente, muitas conversas com pais que não fazem ideia do que os seus filhos estão fazendo na Internet. Não fosse por um Deus todo-poderoso, reinante e soberano, eu estaria ainda mais preocupado com os efeitos dessa negligência sobre o futuro da nossa cultura, incluindo a igreja. Portanto, aqui vão seis conselhos de um pastor de jovens que não reivindica ter todas as respostas para a criação de filhos.

1. Arrependa-se

Deus graciosamente te deu filhos como dádivas maravilhosas. Antes da fundação do mundo, ele te escolheu para ser seus pais. Embora a salvação venha de Deus, ele espera que você cuide dessas crianças para a Sua glória. Por isso, arrependa-se da sua preguiça nessa área. Se você não restringe o uso dos smartphones e não faz ideia do que os seus filhos estão fazendo neles, estou falando com você. Peça perdão ao Deus que te deu filhos e peça perdão às crianças cujo vício você ajudou.

2. Eduque-se

A internet está sempre mudando e é impossível ficar no topo da mais alta tecnologia. Ainda assim, esse não é um motivo para desistir. Você ainda pode aprender sobre a tecnologia que mais consume tempo dos seus filhos. Pegue deles o telefone que você comprou e comece a olhar os aplicativos que eles baixaram. Como pai, você também deve começar a baixar esses mesmos aplicativos e se familiarizar com eles. Se você não puder fazer isso, arranje um amigo que o faça.

3. Peça ajuda ao corpo da igreja

Nas infinitas graça e misericórdia de Deus, ele deu ao corpo de Cristo uma grande variedade de dons e pessoas. Louve a Deus por ele encher a igreja com “nerds”, aqueles que não somente amam aprender sobre as mais variadas tecnologias como também têm paciência para educar outros acerca delas. Encontre aquelas pessoas da sua igreja que têm um dom para informática e pergunte se eles poderiam se reunir para um almoço – talvez eles até desejem dar aulas sobre o assunto. De forma ainda mais simples, comece um grupo de emails com alguns gurus da tecnologia que te alertarão de vários perigos. Conclusão: use os dons da igreja de Deus para o ajudar nessa batalha.

4. Estabeleça limites

Quer você compre ou não os celulares de seus adolescentes ou quer você pague ou não as suas contas mensais, você ainda tem autoridade sobre eles e você precisa exercer essa autoridade para a glória de Deus. Pegue os celulares de seus adolescentes toda noite em um horário específico. Nenhuma mensagem de texto é suficientemente importante para fazer adolescentes ficarem acordados até tarde da noite. As fotos que eles estão tirando nesse horário não são do tipo que você gostaria de emoldurar. Restrinja os aplicativos que eles podem usar.

5. Diga-lhes o porquê

Praticamente todo pai consegue entrar em modo combate e empunhar a pesada mão da autoridade. Mas é preciso graça divina para ser um pai que senta e conversa com sua filha ou filho. Diga aos seus filhos por que você está colocando algumas restrições em seus telefones, converse com eles sobre a variedade de ídolos em seus corações e use esse tempo como uma oportunidade de comunicar o evangelho. Tantas vezes nós queremos falar de forma mais relevante aos nossos adolescentes – essa é sua chance. Ilustre a relevância do evangelho ao aplicá-lo à tecnologia. Finalmente, comunique que qualquer restrição que você impõe a eles é motivada por amor e cuidado. Lembre-os de que você os está protegendo dos males desse mundo.

6. Ore

Enquanto há pais tolos que deixaram seus filhos soltos na Internet, outros pais têm sido responsáveis quanto o uso de smartphones por seus filhos e ainda temem a tecnologia. A esses pais, desejo lembrá-los do seu amável Pai celestial. Muitos de vocês são ótimos pais e mães que estão, pela graça de Deus, tentando cuidar das vidas das preciosas crianças que Deus os deu. Lembre-se de que você tem um Pai que amavelmente cuida de você e de suas crianças. Ele é o melhor Pai que já existiu e deseja ouvir qualquer preocupação que você tenha acerca dos seus filhos. Além disso, ele é o gênio criativo por trás de toda nova criação; portanto, torne a ele em oração e confiança.

[Texto deJohn Perrit, traduzido por Kimberly Anastacio | iPródigo.com]

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sábado, 27 de abril de 2013

Violência e Educação - Uma Visão Cristã

A Carta de Princípios da Universidade Presbiteriana Mackenzie deste ano é Violência e Educação. Infelizmente, é um tema muito atual. Indicadores recentes indicam o crescimento assustador do índice de violência na cidade de São Paulo e em outras capitais. Segue o texto da Carta.

CARTA DE PRINCÍPIOS 2013
VIOLÊNCIA E EDUCAÇÃO

Introdução

A violência está em toda parte. Não podemos passar um dia sem ouvir uma notícia sobre atos violentos nos meios de comunicação. Entretanto, mesmo ocorrendo em nosso país, em nossa cidade, em nosso bairro, a questão pode ficar um pouco distanciada e acadêmica, até que sejamos nós mesmos vítimas da violência, ou até que alguém próximo a nós sofra algum tipo de agressão. Assaltos e sequestros são cada vez mais comuns, deixando de ser um pesadelo apenas para os ricos. Uma estatística recente, na cidade de São Paulo, indica que uma em cada duas pessoas já foi assaltada.[1]

O Dicionário Houaiss define violência como a "ação ou efeito de violar, de empregar força física (contra alguém ou algo) ou intimidação moral contra (alguém); ato de violência, crueldade e força." No aspecto jurídico, é descrita como "constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém, para obrigá-lo a submeter-se a vontade dos outros; coerção." Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) define violência como "a imposição de um grau significativo de dor e sofrimento evitáveis".

De que formas a violência se manifesta?

Seria uma tarefa interminável listar as maneiras pelas quais a violência acima definida se manifesta. O conceito é muito amplo e inclui atentados à vida, propriedade, liberdade de consciência, locomoção e de religião. A lei brasileira tipifica formas de violência como assassinato, sequestro, roubo, estupro e outros crimes contra a pessoa ou contra a propriedade.

Aqui incluímos a agressão física resultante de preconceito racial e de gênero, a violência nas escolas e o bullying, o assédio moral e sexual no trabalho, a violência contra as mulheres - inclusa a violência doméstica - a violência contra crianças e idosos, e mesmo a violência do trânsito nas grandes cidades.

Não poderíamos deixar de mencionar também as guerras e os crimes de guerra que têm acompanhado a humanidade desde tempos imemoriais. E por que não incluir também o aborto, que é responsável pela morte de milhões de seres humanos anualmente?

A violência é um problema moderno restrito a um grupo?

Nenhuma classe social, gênero, raça ou cultura estão isentos da manifestação de atos violentos em todas as formas descritas acima. Temos registro de atos violentos desde as culturas mais antigas até as mais modernas e progressivas em nossos dias. Temos a tendência de sempre olhar o nosso tempo como o pior que já existiu, mas basta um olhar breve pela história para verificarmos que a violência, a crueldade e a impiedade sempre acompanharam o ser humano.

Um dos registros mais antigos de violência é o assassinato de Abel por seu irmão Caim, episódio registrado na Bíblia e que remonta a milhares de anos (Gênesis 4).

Em nossos dias, mesmo que se considere que as periferias das grandes cidades sejam os locais de maior violência, onde os índices de pobreza e de falta de acesso à educação são maiores, não se pode ignorar a manifestação da violência entre os ricos, educados e nobres, bem como nos países mais modernos e desenvolvidos financeiramente.

Por que há pessoas tão violentas?

Há várias teorias sobre as causas da violência. Quase todas elas têm em comum o conceito de que o ser humano é, intrinsecamente, bom e que se torna violento devido a fatores e influências externas. Entre estes, a pobreza, a desigualdade social, o baixo acesso à justiça estatal, a influência do meio e da criação familiar, os grupos sociais a que se pertence, a falta de acesso à educação, além da herança genética. Aqui podemos lembrar também que a sensação de poder, segurança e impunidade de pessoas muito ricas por vezes conduz ao uso da violência.

Uma visão cristã acerca da origem da violência não descarta tais fatores, mas aponta como a causa mais profunda da violência a corrupção do coração humano. Nas palavras de Jesus Cristo,
“Do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez” (Marcos 7.21-22).

De acordo com Tiago, discípulo de Jesus Cristo, as guerras – uma das mais fortes manifestações da violência – têm origem no coração humano:

“De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês?” (Tiago 4.1).

A violência se abriga no coração de cada pessoa e infelizmente pode ser despertada em diferentes graus por diferentes motivos. Pela graça de Deus, fatores externos como o temor das consequências, por exemplo, inibem tais manifestações nas pessoas, de forma que normalmente não somos tão violentos como teoricamente poderíamos ser.

Como já dissemos, a corrupção do coração humano como causa primária não exclui as causas secundárias, mas nos ajuda a entender a origem do problema e a diagnosticá-lo mais precisamente.

Devemos sempre ser contra a violência?

A violência deve ser combatida sempre, em todas as suas formas, pois representa um atentado à vida, dignidade e liberdade humanas. Algumas ideologias baseadas numa visão de mundo materialista e determinista terminaram logicamente no uso da violência como meio para alcançar determinados fins, como o fascismo, o nazismo e governos totalitários. Da mesma forma, conceitos errados sobre Deus e a religião têm sido usados para promover o fundamentalismo religioso e guerras “santas” através dos tempos.

Há ainda a violência contra a religião. Pesquisas recentes identificam o Cristianismo como a religião mais perseguida no mundo, com cerca de 200 milhões de cristãos submetidos a algum tipo de violência.[2] Todas estas manifestações da violência devem ser combatidas pelos meios legais e legítimos.

Qual o papel do Estado no combate à violência?

A violência, em todas as suas formas, produz danos pessoais, psicológicos e morais, muitos deles irreparáveis. Além disto, traz pesados encargos financeiros ao Estado para manter o aparato policial, o sistema carcerário e o processo judiciário, afora o sistema de saúde, pensões e benefícios às vítimas da violência e até para familiares de detentos que a praticaram.

Do ponto de vista cristão a violência está intrinsecamente instalada no coração humano, como a sua universalidade bem o atesta. Todavia cremos que podemos diminui-la e minimizar seus efeitos maléficos tratando as causas externas. Aqui entra a figura do Estado, que, de acordo com a Bíblia, tem um papel importante no combate e no controle da violência:
“Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. A autoridade é serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal” (Romanos 13.3-4).

Como agentes da justiça, divinamente ordenados para este fim, os governos devem tomar medidas visando a diminuir a violência. Isto incluiria aprovar e fazer cumprir leis justas, melhor policiamento, melhores condições carcerárias, aprimoramento do sistema judiciário, combate às drogas e ao tráfico de armas, implantação de projetos sociais e, destacadamente, o acesso à educação, que resultaria em melhor desenvolvimento social e econômico dos cidadãos.

Diante do grande desafio que a violência representa para o Estado, os cristãos deveriam se lembrar da orientação bíblica para que intercedam em oração pelas autoridades governamentais, pelo ideal de uma vida “tranquila e sossegada, em toda a piedade e honestidade” – isto é, sem violência (1Tm 2.2).

As medidas oriundas do Estado deveriam ser acompanhadas de uma mudança interior que produza um novo apreço pela vida e pela dignidade do próximo. E aqui é que entra a educação confessional.

Qual o papel da educação confessional cristã?
A educação confessional cristã é aquela que se processa a partir de valores e princípios éticos, morais e espirituais que têm como fundamento a revelação de Deus na Bíblia. É disto que fala o Artigo III do Estatuto da nossa Universidade:

“A Universidade Presbiteriana Mackenzie tem como característica essencial a adoção de um Código de Ética baseado nos ditames da consciência e do bem, que reflitam os valores morais exarados nas Escrituras Sagradas, voltados para exercício crítico da cidadania”.

Estes valores morais mencionados são o resultado da compreensão cristã de que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus e que, portanto, tem dignidade e valor intrínsecos. Os direitos humanos fundamentais são resultantes desta imagem e semelhança e da nossa crença de que o certo e o errado são realidades externas a nós e que o valor da vida humana não é algo relativo. Além disto, cremos na realidade do juízo de Deus, que um dia haverá de estabelecer a plena justiça no mundo.

Na visão cristã de mundo não cabe ao indivíduo ações violentas como reações à violência. A manutenção da lei e da ordem não pertence a um grupo ilegal de “vigilantes” ou “justiceiros” que massacram indiscriminadamente, sob a cobertura de estarem punindo os criminosos. Cidadãos conscientes não devem apoiar as ações fora da lei, por mais convenientes que elas pareçam e por mais criminosos que sejam os massacrados. O cristão não se gloria na guerra de quadrilhas, nem deve passar pelos seus lábios a famosa frase: “ladrão bom é ladrão morto”. Para o cristão, as autoridades estabelecidas são ministros de Deus para aplicação dos princípios de justiça e proteção dos cidadãos.

Uma educação confessional cristã deve integrar os valores morais bíblicos com o processo educacional de forma a preparar para o mundo pessoas que não somente possam contribuir nas suas áreas de expertise como também fazer a diferença num mundo marcado pela violência. Aqui o papel do professor em sala de aula e a progressiva conscientização do aluno são decisivos.

Conclusão
Podemos começar a diminuir a violência do mundo em nosso próprio ambiente escolar e universitário, enfrentando e combatendo o bullying, o preconceito racial e social, as agressões verbais e físicas e qualquer outra manifestação, aberta ou velada, da violência em nosso meio. A atitude dos estudantes é crucial para isto.

Mas, acima de tudo, busquemos em Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, as forças para perdoar, amar e servir ao próximo. Somente corações em paz podem evitar a guerra, refutando o uso da violência. Disse Jesus:
“Deixo- lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo” (João 14.27).

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Rev. Dr. Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie

A Chancelaria agradece a todos os que contribuíram para a elaboração da Carta de Princípios 2013 com suas sugestões.

[1] Cf. http://educacao.uol.com.br/disciplinas/atualidades/violencia-urbana-homicidios-no-brasil-superam-numeros-de-paises-em-guerra.htm
[2] Veja por exemplo http://www.telegraph.co.uk/news/religion/9762745/Christianity-close-to-extinction-in-Middle-East.html

[Fonte: Blog O Tempora, O Mores]

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Casar é muito Bom, você vai ver!


Apesar de estarmos na "era do ficar" onde o que impera inconscientemente é a regra de curtir, aproveitar e só no fim, talvez depois dos trinta, decidir com quem conferir matrimônio, o casamento está em alta no Brasil. É verdade. Porém muitos não chegam a famosa crise dos 5 anos e outros acabam já na lua de mel. Dá pra crer? Os que duram e perduram podem agradecer a Deus pois em dias de hoje, é vibrante ver esta instituição unida, firme diante da sociedade e de Deus.


Sem propósito algum de discutir a relação pois apesar de casado não sou psicólogo, sexólogo ou pastor relacional, mas com a intenção de contribuir para a reflexão dos casados, e principalmente daqueles que sonham pelo grande dia, indico uma das  canções mais belas e verdadeiras que ouvi sobre o que é realmente um casamento, este verdadeiro presente de Deus (detalhe, não é aquela famosa de Cassiane...rs).



Confira, “Casar” de Atilano Muradas, e contribua com seu depoimento do que achou.