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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

PROFECIAS PARA 2015

Por Antonio Carlos Costa

O que profetizar para você em 2015? Posso profetizar? Presbiteriano profetiza? Então vamos lá! Dez profecias!

1. Não cairá um só fio de cabelo da sua cabeça sem a permissão divina.

2. Você vai pecar, mas sempre terá ao seu lado um Deus doce pronto para enxugar suas lágrimas de arrependimento.

3. Você vai enfrentar lutas, mas em nenhuma delas a batalha excederá o suprimento de graça para suportá-las.

4. Cada tribulação que você enfrentar será usada por ele para torná-lo mais parecido com Cristo.

5. Cristo vai bater à porta do seu coração inúmeras vezes, chamando-o para sentar-se com ele à mesa e cear.

6. Será concedida a você muita oportunidade de tornar eternas suas atitudes através da obediência em amor. O que significa na prática -glorificar o santo nome do Deus que não se esquece nem mesmo do copo de água fria que oferecemos aos seus servos.

7. Todos os sóis, galáxias, cometas, estrelas, moléculas e átomos terão que dizer amém ao que rege o universo para a felicidade do seu povo e glória do seu santo nome.

8. Deus o acompanhará mais de perto do que a sua própria sombra! Quando você vir a sua sombra em 2015, procure sempre lembrar-se do fato de que o Senhor é mais presente na sua vida do que a sua própria sombra. Para onde você vai ele vai atrás. Você se lembra de Emaús? Dá glória, mulher! Dá glória, homem! Cala a boca, inferno!

9. Sua redenção final estará mais próxima do que em 2014!

10. O Espírito intercederá pelo que você fará, o Filho intercederá pelo que você fez e o Pai acolherá a intercessão feita pelo Espírito e pelo Filho em seu favor.

"Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém" (Apóstolo Paulo. Efésios 3: 20-21).

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Antonio Carlos é pastor presbiteriano e presidente da Ong Rio de Paz.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

NATAL DO MEU SENHOR

Por Antonio Carlos Costa

Eu amo a Cristo. Na véspera do Natal de 2014 gostaria de falar sobre os motivos do meu amor pelo meu Senhor.

Eu amo a Cristo porque ele me ama. Com 20 anos o conheci. Nada de mais importante aconteceu na minha vida até hoje. Nesses anos de convívio com o meu amado Senhor, percebo o quanto sua mensagem e providência me protegeram. Há uma pergunta que causa perplexidade a todos os cristãos: onde você estaria se não tivesse encontrado a Cristo? Todos, sem exceção, olham horrorizados para as consequências da vida sem luz.

Eu amo a Cristo porque ele ama a verdade. Nem toda verdade tem o mesmo peso de importância para a nossa vida. Há grande diferença entre conhecer muitas coisas e conhecer o essencial. De que vale você e eu sabermos discorrer sabiamente sobre o curso dos astros se ignoramos quem somos, de onde viemos e para onde vamos? Cristo, em toda sua vida pública, chamou o homem para tomar consciência do seu pecado, buscar reconciliação com Deus, receber perdão, aprender a amar e livrar-se da morte eterna. Há verdade mais importante do que essas?

Eu amo a Cristo porque ele ama os pecadores. O tempo inteiro o vemos no evangelho em busca de gente torta e carregada de culpa. Jamais aconteceu de ele não tratar com candura o pecador moído pela dor do arrependimento. Com Cristo aprendemos a confiar mais na misericórdia de Deus do que na nossa inocência.

Eu amo a Cristo porque ele ama o oprimido. Há esperança para todos. Pode-se observar nas Escrituras os mais diferentes tipos de seres humanos encontrando abrigo no coração de Cristo. Observa-se, contudo, o quanto dedicou sua vida aos pobres, aos doentes, aos mentalmente perturbados, aos deficientes físicos, aos solitários, aos que passaram por grandes perdas na vida. Cristo jamais ignorou a dor humana.

Eu amo a Cristo porque ele ama a si mesmo. Todos sabemos do poder corruptor da visão hipertrofiada sobre nós mesmos. Por crermos em algo que não somos enganamos a nós mesmos e menosprezamos pessoas. Cristo tem prazer em si mesmo. Isso fica-lhe bem. Ele é o que diz ser. Nunca o encontramos nas Escrituras se sentindo culpado. O Pai podia dizer a Ele: "Tu és o meu Filho amado, em Ti eu me comprazo". O que quero dizer é que Cristo é excelente. Por isso, nós cristãos adoramos o nosso Senhor -Lírio dos vales e Estrela da manhã.

Eu amo a Cristo porque ele ama o Pai. Num mundo em que todos menosprezam quem criou o universo, passou por este planeta um que podia dizer: "A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra". Ele foi obediente, por amor, até a morte. Nisto consiste a felicidade de Deus, na mútua contemplação da beleza das pessoas da Trindade.

Não dá para ficar calado no Natal. O amado da minha alma nasceu em Belém. A profecia se cumpriu. O amor se manifestou da forma mais sublime.

Que neste Natal você proclame também os motivos do seu amor, tal como o grande apóstolo, que podia dizer, certamente, com lágrimas nos olhos:

"Logo, já não sou em quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim".

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Antonio Carlos Costa é pastor presbiteriano, presidente da Ong Rio de Paz. Fonte: Palavra Plena.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

REFORMA DO DISCIPULADO

Por Antônio C. Costa

Tenho recebido convites das mais diferentes igrejas e cidades brasileiras para falar sobre justiça social. Ontem falei sobre o tema, num auditório lotado de estudantes de teologia, na FAECAD, seminário da Assembléia de Deus, aqui no Rio. No próximo domingo, prego sobre o mesmo assunto na Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte.

A igreja está mudando. Jovens do Brasil inteiro estão consumindo esse tipo de pregação. O processo me parece irreversível. Por que? Porque as Escrituras falam dez vezes mais sobre justiça social do que sobre sexo. Os argumentos dos que pregam a favor do compromisso dos cristãos com os oprimidos são irrefutáveis e facilmente encontrados na Bíblia. Soma-se a isso, o fato de vivermos num país de muita pobreza, com a qual os cristãos se deparam todos os dias. Muitos começam a indagar: o que significa ser cristão num país de miséria?

O que espero que mude nos próximos anos? Espero que a igreja não ponha a causa do pobre à frente da evangelização. Só nós evangelizamos. Ninguém mais. Se a igreja deixar de cumprir sua missão evangelística, quem o fará em seu lugar? Não apenas isso. A maior necessidade do homem é a de reconciliação com Deus. Deixar de proclamar o evangelho por conta do foco exclusivo na justiça social vai representar lá na frente, igreja sem povo, e sociedade de estômago cheio e coração vazio.

O que deve mudar não é o compromisso com a pregação do evangelho. Vamos continuar a investir em missões, abrir grupos pequenos e plantar igreja. O que tem que ser modificado é o discipulado. Lembremo-nos que o chamado é duplo: "Fazei discípulos... ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado". Como o discipulado deveria funcionar?

Penso que deveria ser através de um diálogo franco. Indo direto ao ponto. Papo reto. Algo mais ou menos assim: "Irmão, você agora é discípulo de Cristo, que o chama para imitá-lo. Viver a vida que ele viveu significa acima de tudo amar. Sua missão no mundo a partir de agora é amar. Amar é viabilizar a vida do próximo, libertando-o do que o impede de servir, na plenitude do seu ser, a Deus e ao próximo.

Isso significará para você pregar, porque não há liberdade sem Cristo. Socorrer o pobre, porque a fome, a doença, a desinformação, trazem dor e impedem o ser humano de usar seus dons e talentos na proporção do que poderia fazer. Agir politicamente, porque más políticas públicas matam, boas políticas públicas salvam. Vão cruzar o seu caminho vidas preciosas cuja libertação depende de ação política. Enfim, você nasceu de novo. Recebeu um coração de carne. O evangelho ensina que todo aquele que passou por essa experiência transformadora sofre e chora quando vê o seu semelhante em agonia.

Portanto, se prepare. Porque andar com Cristo a gente sabe como começa, mas nunca, como termina. Esse amor que ele implantou em seu coração poderá levá-lo a cruzar oceanos para anunciar o evangelho e ir para as ruas protestar. O preço é sempre alto".

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Fonte: Palavra Plena.

terça-feira, 1 de julho de 2014

VOTAR COMO UMA ÁGUIA E PROTESTAR COMO UM CORDEIRO


Entre as frases que se tornaram famosas nas manifestações do ano passado, há uma que procura ressaltar a importância do voto consciente: "não adianta protestar como leão e votar como jumento".

Votar bem pode mudar o destino do país. Através dessa arma democrática podemos banir da vida pública homens sem alma e dar oportunidade de governar a homens de espírito público e competentes.

Votar como jumento, portanto, é a jumentice que destrói o país. O oposto, contudo, não pode ser esquecido por nós: "de que vale votar como uma águia e protestar como um cordeiro".

É jumentice também esquecer que o poder corrompe, podendo levar à bancarrota moral homens que entraram na vida pública movidos por bons ideais. É possível este ser engolido pelo sistema, passando a viver em função da sua perpetuação no poder.

Outro dia encontrei um senador no aeroporto de Brasília, que me disse a seguinte coisa: "Assim que cheguei ao Senado Federal, um político experiente falou para mim: 'para chegar ao poder precisamos do povo, mas para permanecermos nele precisamos do capital'. Descobri, na vida política, que o Brasil está nas mãos de 5 mil famílias ricas, que detém mais de 60% da riqueza nacional".

Não sei como ele chegou a essa conclusão. Mas, é certo que ele está falando em parte a verdade. O lobby do rico no Congresso Nacional é poderosíssimo. No Judiciário e no Executivo não é diferente.

O que estou querendo dizer? Precisamos votar com profundo sentimento cívico, ao mesmo tempo, entretanto, compreendendo que sem controle social o poder sempre servirá ao poder.

Estar nas ruas como leão, o que não significa necessariamente cometer atos de selvageria, é uma das formas mais eficazes de combate ao caráter corruptor do poder.

Antônio C. Costa

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Fonte: Palavra Plena.

terça-feira, 24 de junho de 2014

A Copa do Mundo, a brevidade da vida e a felicidade


Antonio Carlos Costa é um teólogo Calvinista, pastor e líder da Ong Rio de Paz. Recentemente tem realizado vários protestos contra a forma como a Copa do Mundo foi realizada no Brasil, e sobretudo questionando o lucro e isenções que a FIFA obteve neste evento. Costa é amante do futebol, botafoguense, portanto sendo razoável diante de tantos protestos que vem realizando, ele compartilhou uma bela reflexão sobre a Copa do Mundo, a brevidade da vida e a felicidade. Leia abaixo:

PASCAL E A COPA

Leia Pascal. Blaise Pascal (1623-1662). Pensador francês. Nenhum outro o ajudará tanto a botar os pés nos chão. Sem paralelo na literatura universal. Não deixa pedra sobre pedra. Veja o que li hoje cedo:

"Nós buscamos repouso por meio de combater certos obstáculos e, uma vez que esses obstáculos tenham sido superados, descobrimos que o descanso é insuportável pelo tédio que isso gera. Decidimos nos livrar do descanso e, assim, saímos a esmo implorando por novas excitações. Não conseguimos imaginar uma condição que seja prazerosa sem que tenha diversão e barulho. Assumimos que qualquer condição na qual podemos desfrutar algum tipo de distração é suportável. Porém, pense que tipo de felicidade é essa que consiste meramente em sermos distraídos, evitando pensar em nós mesmos".

Pensei na Copa. Como os jogos nos são úteis. Que saudade milhares sentirão dessas tardes e noites de transmissão esportiva. Não estou fazendo avaliação moral de um esporte que sempre gostei. É fato, contudo, que ele, como tantas outras coisas na vida, cumpre a função de nos livrar do que grita dentro de nós. Esquecidos de nós mesmos, contemplamos as partidas de futebol.

Feliz o homem que pode ouvir a voz da sua mente e coração sem precisar abafá-la. Bem-aventurado aquele que pode pensar sobre a brevidade da sua existência, a fragilidade da condição humana, as incertezas da vida e a morte sem precisar de narcóticos.

Somente Cristo nos permite gostar da solitude. Nele, temos o que dizer para nós mesmos.

"Por que estás abatida, ó minha alma? por que te perturbas dentro em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu" (Sl 42: 5).

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Via Face de Antonio Carlos.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

CONVULSÃO CALVINISTA


No ano de 2009 conheci a favela. Um menino pobre de apenas quinze anos de idade, que não tinha envolvimento com o tráfico de drogas, havia sido morto com um tiro na testa desferido por um policial do BOPE numa operação na favela Mandela, na Zona Norte do Rio.


Decidi, naquele dia, fazer um protesto dentro da comunidade pobre, numa região que, devido ao histórico de violência, chamava-se Faixa de Gaza. Terror dos policiais cariocas. Conseguimos levar toda a imprensa para lá, procurando dar voz ao pobre e combater o abuso de poder. Não tardou que, após chegarmos ao local, viesse a notícia de que estávamos autorizados a entrar na favela. Naquele dia passei pela minha segunda conversão.


Ao colocar os pés naquela aberração social, infestada de esgoto e ratazana, repleta de crianças vivendo em estado de miséria aviltante, sem mencionar aquilo sobre o que só poderei falar daqui a 20 anos, minha teologia convulsionou. Lá estava eu, -pastor de uma igreja presbiteriana, plantada por mim na década de 90, num bairro de classe média alta do Rio de Janeiro, herdeiro consciente de uma tradição teológica do cristianismo chamada calvinismo, à qual abraçara apaixonadamente na minha juventude-, num mundo novo e perturbador.


Cumpriu-se a profecia. A cabeça pensa a partir de onde pisamos. Perguntas emergiram à minha mente.


1. O que o meu calvinismo tem a dizer sobre essa realidade? Quê leitura fazer sobre a miséria desse povo? Como chegou aqui? O que se pode fazer para livrá-lo dessa condição? Como manter meu antigo modelo ministerial, inspirado na vida de pregadores que até hoje amo, caracterizado pela dedicação à preparação de sermões, aconselhamento pastoral, pregação?


2. Como posso manter-me atrelado a um modelo de ministério pastoral que me impede de viver a vida que o próprio Cristo viveu, que é apresentado na Bíblia, andando? Andando! Estando presente sempre onde mais havia demanda de compaixão. Em busca de gente que gemia de dor sem ser ouvida.


3. Pode-se conceber à luz das Escrituras igreja que não se sinta chamada para cuidar dos miseráveis da terra, para os quais Cristo dedicou quase a totalidade da sua vida? É concebível igreja que não tenha chamado para o pobre?


4. Como resumir o exercício do amor à evangelização e à filantropia nas ocasiões em que a ação política é imprescindível para livrar vidas humanas do seu estado de petição? Qual igreja pode trazer saneamento básico para essa favela? Como evitar que crianças levem tiro na cabeça em tiroteio entre policiais e traficantes? Como reformar esse mar de barracos? Como cuidar das suas doenças respiratórias e de pele? Como manter esses jovens na maior parte do tempo em escolas que os encantem? Deus, existe, portanto, o amor político?


5. O evangelho tem que ser proclamado por um igreja santa. Certo! Mas, o que é ser santo? Pode o santo tomar conhecimento desse cenário de horror na sua cidade e permanecer indiferente? Milhões não ouvem cristãos adúlteros, mentirosos, mercenários. Sabemos disso! Mas, o que falar daqueles que se escandalizam com a omissão da igreja face a tamanha desgraça social?


Nunca mais saí da favela. Meu calvinismo, aquele que procura obediência a Cristo, me fez permanecer ali, assumindo todas as conseqüências da minha decisão.


Ganhei outra Bíblia. Nela, vejo pobre por toda parte. Percebi um novo princípio ético, o amor que antecede a evangelização e a luta pela justiça social. Aprofundei meu conceito de missão. Hoje, entendo que a missão da igreja é amar. Amar com amor simétrico, harmonioso, lindo e santo, no qual todas as virtudes atuem em conjunto.


Procurando compreender a realidade da favela à luz do evangelho, ficou claro para mim que leitura de viés ideológico de esquerda ou de direita não dá conta daquela realidade. Passei a ver as influências do marxismo e do liberalismo econômico dentro da igreja como profundamente deletérias da missão cristã no mundo, uma vez que produzem romantismo e desumanidade. A Bíblia ensina que o homem pode ser tanto responsável pela sua miséria quanto vítima de um modelo político-econômico de opressão.


Em suma, o Brasil deveria levar todos os cristãos a formularem e responderem a seguinte pergunta: o que significa ser cristão num país de miséria e desigualdade social? Na Alemanha de Hitler, a pergunta era outra: o que significa ser cristão no Estado nazista?, nos Estados Unidos de Martin Luther King, o dilema tinha característica bem distinta: como viver num país no qual crianças negras não podem beber água em bebedouro reservado para crianças brancas? O que o Espírito Santo está perguntando hoje aos cristãos brasileiros?


Amigo, quer encontrar a Deus? Encontre-o no pobre.


Antônio C. Costa


Ps. Crianças da favela do Jacarezinho.


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Fonte: Palavra Plena.

domingo, 29 de dezembro de 2013

A falta de Envolvimento Social na Igreja Brasileira e o desabafo deAntonio Carlos Costa

Por Antognoni Misael

Há pouco se cogitou um presidente evangélico, festejou-se o crescimento apontado pelo IBGE em relação ao número de evangélicos na nação, comemorou-se o avanço do segmento gospel na música e sua presença na mídia, assim como andaram dizendo por aí que o país estaria passando por um avivamento.

Pois é, muito se fala ainda em avivamento no Brasil. Mas não passamos nem por perto!

Não há discordância de que almejamos um avivamento no Brasil, assim como uma espécie de Reforma. Entretanto, como bem pensou Francis Shaeffer, esses dois eventos não são isolados um do outro. A Reforma nos propõe um retorno ao ensino da Bíblia e o avivamento nos indica uma relação apropriada com o Espírito Santo. Isto significa dizer que, os grandes momentos da História da igreja vieram quando estas duas qualidades entraram simultaneamente em ação fazendo com que os irmãos experimentassem a doutrina pura e a igreja conhecesse o poder do Espírito Santo.

Falar de avivamento e reforma é falar do padrão ideal que Deus quer de nós: Jesus Cristo. O nosso mestre além de levar nossos fardos de pecados naquela terrível cruz, também passou a maior parte de sua missão aliviando a dor do pobre, do excluído social, do esquecido. Portanto, não temos dúvida de que a igreja brasileira precisa urgentemente despertar neste sentido, a saber que estamos numa nação tida como a 6ª economia do mundo, mas com a maior população carcerária do planeta, o 8º na maior desigualdade social onde o negro é a imensa maioria do pobre, sem falar do altíssimo grau de corrupção enraizado em nossa estrutura política o que faz de nossa saúde, segurança e educação um vexame sem fim.

Meus irmãos como ficar indiferente a essa disparidade econômica brutal de nosso país? Como não nos incomodarmos com a calamidade que assola ao nosso redor? Como haver avivamento sem que de alguma forma sejamos relevantes para esta nação? Se somos mais 22% da população, por que temos sido um fracasso nas áreas da ação social e participação efetiva em questões humanitárias? Como está sendo traduzido este amor que declaramos ter ao próximo?

Amigos leitores, os grandes avivamentos como os ocorridos na Grã-Betanha, Escandinávia, por exemplo, além de redundarem na salvação de milhares culminou na prestação de um socorro ao pobres e aflitos. O teólogo Howard A. Snyder (pesquisador de Estudos Wesley no Seminário Tyndale em Toronto, Ontário 2007-2012) registrou o seguinte a respeito de John Wesley e o avivamento em sua época:

A migração para as cidades criou uma nova classe de moradores urbanos pobres nos dias de Wesley. A Revolução Industrial caminhava a todo vapor, alimentada pelo carvão. Ao pregar para os carvoeiros de Kingswood, Wesley estava alcançando os que foram mais cruelmente vitimados pela industrialização. Porém, a reação dos carvoeiros foi fenomenal, e Wesley trabalhou sem parar para manter o bem estar espiritual e material deles. Entre outras coisas ele abriu clínicas gratuitas, estabeleceu uma espécie de cooperativa de crédito e abriu escolas e orfanatos. Seu ministério se estendeu para incluir os mineiros de chumbo, operários de fundição de indústria siderúrgica, estivadores, peões de fazendas, prisioneiros e mulheres que trabalhavam nas indústrias. [SHAEFFER, Francis. Um manifesto cristão. Pag. 192]

Snyder conclui dizendo que Wesley estava convencido de que “o ato de confrontar publicamente a impiedade e a injustiça, que inundam a nossa terra como um dilúvio, é uma das maneiras mais nobres de confessar Cristo em face de seus inimigos”.

O pastor Antonio Carlos Costa, Reverendo presbiteriano, fundador da Ong Rio de Paz tem trabalhado no sentido de advertir a igreja brasileira para esta realidade. Recentemente ele tem conhecido o que chama de "Rio Underground" e se dedicado a fazer missões nas favelas cariocas dando voz aos que não tem voz e visibilidade aos invisíveis. Para ele, o tripé da igreja é este: reforma, avivamento e envolvimento social – estes não podem estar separados!

Acompanhe abaixo um desabafo de Costa em uma de suas pregações sobre a missão da igreja para o progresso do evangelho em nossa nação.

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Conheça o trabalho do Rev. Antonio Carlos Costa acessando seu site PALAVRA PLENA e informe-se sobre como contribuir com seu trabalho a frente da Ong Rio de Paz, caso deseje.

Arte de Chocar.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Igreja: O Gigante que Não Acordou


Antonio Carlos Costa é Reverendo da Igreja Presbiteriana do Brasil, onde pastoreia na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Além disso se envolveu com o "Rio Underground" desenvolvendo a ideia de que a Igreja precisa ser atuante na cidade e se envolver com as causas sociais. Carlos Costa também é líder da Ong Rio de Paz onde tem desempenhado um trabalho de dar visibilidade aos invisíveis, aliviando a dor do pobre e aflito.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O chamado de Cristo não é para liderarmos, mas para servirmos

Por Antonio Carlos Costa

O chamado de Cristo não é para liderarmos, mas para servirmos. A primeira decisão a tomar é aprender a amar. Amor que se expresse através de serviço que viabilize a felicidade daqueles que a providência divina botou em nosso caminho.

O serviço cristão pressupõe amor. Por que cantamos, ensinamos, pregamos, lideramos? Porque temos interesse pela bem-estar das pessoas. Sem amor o trabalho perde o sentido, a canção o brilho, o serviço a espontaneidade, a pregação a originalidade.

Num certo sentido, não há congresso que ensine a amar. Forjar o ser é obra do Espírito Santo. Podemos falar sobre métodos de liderança, princípios de administração, técnicas de composição musical. Mas, amar vem do céu. Deve ser buscado.

Peça amor. Não queira ser grande pregador, exímio cantor, poderoso líder eclesiástico. Procure amar e servir. Aperfeiçoar seu talento para ser útil, em vez de famoso. Somente assim você não perderá sua alma na religião.

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A reflexão é do Rev. Antônio Carlos Costa, que é presbiteriano e lidera a Ong Rio de Paz.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

No país da copa... CRIANÇA POBRE NADA EM RIO DE ESGOTO NO RIO DE JANEIRO

Estamos há oito meses antes da Copa do Mundo. A corrida para o sucesso deste evento é tão intensa quanto o problema da desigualdade social.

É absurdamente incoerente o que temos vistos em termos de investimentos na nação. Assim como é desesperançosa a nossa redenção no aspecto corrupção. Alguém certa vez me disse que o nosso país só não quebra de vez porque é muito rico; e de fato é riquissimo em todos aspectos: natureza, clima, produção agrícola, energia, etc. Não há dúvidas, a piscina está cheia de ratos, e no mundo onde há enorme demanda de compaixão pelo pobres e injustiçados, os desumanos estão pagando embuste para a humanidade!

Recentemente li no facebook o texto de Antônio Carlos Costa e fiquei chocado com tamanho descaso.

CRIANÇA POBRE NADA EM RIO DE ESGOTO NO RIO DE JANEIRO

Milhares de brasileiros sentiram-se perplexos com fotos publicadas recentemente pelos meios de comunicação, que retratam o drama de crianças pobres catando, dentro de um rio imundo da cidade de Recife, objetos para vender. O triste é saber que o sofrimento das crianças pernambucanas é vivido também por meninos de uma favela da cidade que organizará os Jogos Olímpicos de 2016.

Estávamos ontem concedendo entrevista para uma equipe de jornalistas da Suíça, interessada em conhecer o trabalho do Rio de Paz. Pensando nisso, fomos à favela Mandela, que faz parte do Complexo de Manguinhos, local onde começamos nossas atividades sociais em comunidades pobres do Rio de Janeiro. Mais uma vez, infelizmente, testemunhamos uma das consequências da vida que é vivida por crianças que moram em favelas nas quais não existe acesso a áreas de lazer.

Vimos um menino lançar-se nas águas fétidas e imundas do rio Jacaré, absolutamente impróprio para o banho em razão do altíssimo nível de toda espécie de contaminação da sua água, conforme pode ser atestado pelo INEA -cuja pesquisa feita no ano de 2010 aponta para o alarmante dado de 3 500 000/100ml de coliformes fecais- no rio onde meninos pobres se lançam para brincar.

Gostaríamos muito de conhecer os ganhos sociais para a vida dessas crianças pobres que advirão das competições esportivas que realizaremos no Rio de Janeiro. Quais políticas públicas estão sendo implementadas pelo Munícipio, Estado e União visando diminuir tamanha violação dos direitos humanos e desigualdade social? Estamos diante de evidente problema moral.

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Antônio Carlos Costa é pastor presbiteriano e fundador da ONG Rio de Paz.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A igreja e o progresso do Evangelho


A pregação é do Pastor Antonio Carlos Costa, que além de Teólogo calvinista é fundador do Rio de Paz (Filiado ao DPI da ONU). Para ele é incoerente um Cristão ter contato com a beleza do Evangelho, ser receptor da Graça e misericórdia e viver como um tipo de andróide. "Uma coisa é saber que Deus existe, outra coisa é se deleitar em Deus!"


O vídeo me edificou, me triturou, me queimou os ossos...