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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A ostentação Gospel e o estilo de vida proposto por Cristo

Por Antognoni Misael

Amiguinho, você que acha tudo normal no mundo dos evangelicos, inclusive os cachês dos pregadores e cantores gospel; que acha que nasceu pra ser cabeça e não cauda; que simpatiza com o “deus” que quer lhe promover a classe dos ricos; que põe adesivo no carro novo “foi Deus quem me deu” e ostenta... Você que foi ensinado que ser evangélico é sinônimo de receber “bênçãos”, tenho algo a lhe dizer: você está tremendamente enganado!
"Embaixo da ponte as pessoas roubando e matando... em cima da ponte...crentes tranquilamente se achando no direito de ficar descontentes com Deus, não comprou carro novo não?” [Janires, Rebanhão]
A primeira coisa que precisamos pontuar é a seguinte: quando recebemos a dádiva do favor imerecido do Pai, sendo então nós promovidos de, filhos da ira de Deus (Ef 2.3) - em virtude dos nossos pecados - para filhos da redenção (Gl 4.6), por Graça e misericórdia, não há absolutamente mais nenhum direito de esperarmos algo vindo da parte de Deus em nosso favor. Como disse o apóstolo Paulo, agora o morrer é lucro!

“Salvos pela Graça”! Se esta é a melhor notícia que alguém poderia ouvir, o que mais se pode aguardar de Deus que nos cause maior felicidade do que tal boa nova?

Mas, mesmo assim, sendo Deus rico em bondade e em amor, Ele ainda nos garantiu provimento de nossas necessidades básicas (Fp 4.6); que estaríamos sempre sob a sua proteção, e como ovelhas cuidadas pelo bom pastor, ninguém as arrebataria de Sua mão. (Jo 10.14)

Desta feita, mais uma vez ficamos constrangidos. Ou não? Além de sermos alvos do seu infindo amor, ainda somos cuidados e guiados por Ele. Que mais podemos querer ou exigir de Deus? Sendo assim, qualquer acréscimo e provisão que temos em vida, entendemos como graça e bondade de Deus para conosco. Por isso também nos consideramos mordomos de Deus. Afinal, tudo é dEle!!

Infelizmente não é esta compreensão que temos visto e ouvido na grande fatia dos evangélicos do Brasil. Eles querem ostentar!! Perceba, não que estejamos fazendo algum discurso “franciscano” ou de "auto-pobreza”. Mas o que fica-nos como base de semelhança com Cristo são três coisas importantes para vivermos santidade proposta por Ele: a humildade, a simplicidade e o contentamento.

Vejamos que dados alarmantes: mais de 800 milhões de pessoas encontram-se na mais absoluta pobreza, e 10 milhões morrem de fome todos os dias. E eu e você? Do que temos reclamado? Que tijolo a mais tanto almejamos no nosso castelo de luxuria?

Enquanto alguns missionários dentre nós foram chamados a viver entre os pobres, e outros a abrir seus lares aos necessitados, pergunto: - nós estamos pelo menos dispostos a viver um estilo de vida simples? Ou você tem cantado “Restitui” ou “Ressuscita os meus sonhos” na mais audaciosa intensão de acumular a riqueza que você não precisa, ou galgar o status social que perante Deus não significa absolutamente nada?

Será se temos reexaminado nossa renda e nossos gastos a fim de que possamos doar mais aos que precisam? Estamos dispostos a renunciar o desperdício e nos opormos a extravagancia de nosso estilo de vida em matéria de roupas, moradia, viagens e aquele smartphone (fora de moda)?

O Dr. John Stott na obra Discípulo Radical menciona (p. 64), de forma bem prática, sobre o cuidado de fazermos a distinção entre: 

1) necessidade X luxo; 
2) “hobbies” criativos X símbolos de status vazio;
3)  modéstia X vaidade; 
3) celebrações ocasionais X o nosso dia-dia; 
4) serviço a Deus X a escravidão à moda.

Talvez você pense que viver em santidade só esteja relacionado aos mesmos temas da estante legalista, como apenas ter cuidado com pornografia, com os lugares que vai, com a roupa do “crente”, a frequência dos cultos que não pode diminuir, enfim, os velhos “pecados sociais e morais”...

Contudo, fica-nos claro que santidade também tem tudo a ver com o “ser” e a “andar” como Cristo andou. Daí você começa entender que não precisa só receber e ostentar, ser santo como Cristo foi, tem tudo a ver com doar, com a simplicidade do viver e com o contentamento.

Em outras palavras... não amar ao seu próximo a ponto de querer viver ostentando para si próprio e não doar-se para ele é imensamente mais grave do que cometer os tantos pecados sócio morais que pode-se mencionar.

O estilo de vida proposto por Cristo é andar em santidade. Andar como ele andou. Simples, humilde e cheio de contentamento.

Quando os Cristãos importam-se uns com os outros, Jesus Cristo torna-se mais visivelmente atraente”. Pensemos nisso.

***

Antognoni Misael. "Herege", doente e que vive ostentando. Mas, vou me consertar ok?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A TRUPE QUE QUER AVIVAR O BRASIL COM FOGO ESTRANHO EM 2015

Por Antognoni Misael

Mal virou 2015 e os movimentos heréticos no Brasil recomeçaram. Alguns apelam para "o ano da restituição", outros "o ano da colheita", enfim...café requentado! Mas sempre, o que eles querem é dinheiro! 

É absurdamente preocupante como a igreja brasileira de uma forma geral é guiada por líderes que se auto proclamam apóstolos, profetas ou qualquer concepção de que são detentores de alguma unção especial para "transformar" a nação - mas nós sabemos, não é isso realmente que eles querem... eles querem é visibilidade e ostentação.

O que nos chamou atenção desta vez foi o 7º Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil. Pois é, eles crêem que estão "avivando o Brasil". Vamos lá... veja quem está nessa trupe que quer AVIVAR o BRASIL junto com Benny Hinn, Apóstolo Agenor Duque, Mick Murdock. Observe alguns nomes das peças:

Fernandinho; Marco Feliciano; Jabes Alencar; Cláudio Duarte; Ludmila Feber; Damares; André Valadão; Mattos Nascimento; Marquinhos Gomes; Robson Nascimento e Ao Cubo.

Farinha do mesmo saco? Ou é só uma participação profissional?

Vamos conjecturar um pouco agora.

POR QUE NÃO HÁ AVIVAMENTO?

Não há discordância de que almejamos um avivamento no Brasil, assim como uma espécie de Reforma. Entretanto, como bem pensou Francis Shaeffer, esses dois eventos não são isolados um do outro. A Reforma nos propõe um retorno ao ensino da Bíblia e o avivamento nos indica uma relação apropriada com o Espírito Santo. Isto significa dizer que, os grandes momentos da História da igreja vieram quando estas duas qualidades entraram simultaneamente em ação fazendo com que os irmãos experimentassem a doutrina pura e a igreja conhecesse o poder do Espírito Santo.

Falar de avivamento e reforma é falar do padrão ideal que Deus quer de nós: Jesus Cristo. O nosso mestre além de levar nossos fardos de pecados naquela terrível cruz, também passou a maior parte de sua missão aliviando a dor do pobre, do excluído social, do esquecido. Portanto, não temos dúvida de que a igreja brasileira precisa urgentemente despertar neste sentido, a saber que estamos numa nação tida como a 6ª economia do mundo, mas com a maior população carcerária do planeta, o 8º na maior desigualdade social onde o negro é a imensa maioria do pobre, sem falar do altíssimo grau de corrupção enraizado em nossa estrutura política o que faz de nossa saúde, segurança e educação um vexame sem fim.

Meus irmãos, como ficar indiferente a essa disparidade econômica brutal de nosso país? Como não nos incomodarmos com a calamidade que assola ao nosso redor? Como haver avivamento sem que de alguma forma sejamos relevantes para esta nação? Se somos mais 22% da população, por que temos sido um fracasso nas áreas da ação social e participação efetiva em questões humanitárias? Como está sendo traduzido este amor que declaramos ter ao próximo?

Amigos leitores, os grandes avivamentos como os ocorridos na Grã-Betanha, Escandinávia, por exemplo, além de redundarem na salvação de milhares culminou na prestação de um socorro aos pobres e aflitos. O teólogo Howard A. Snyder (pesquisador de Estudos Wesley no Seminário Tyndale em Toronto, Ontário 2007-2012) registrou o seguinte a respeito de John Wesley e o avivamento em sua época:
A migração para as cidades criou uma nova classe de moradores urbanos pobres nos dias de Wesley. A Revolução Industrial caminhava a todo vapor, alimentada pelo carvão. Ao pregar para os carvoeiros de Kingswood, Wesley estava alcançando os que foram mais cruelmente vitimados pela industrialização. Porém, a reação dos carvoeiros foi fenomenal, e Wesley trabalhou sem parar para manter o bem estar espiritual e material deles. Entre outras coisas ele abriu clínicas gratuitas, estabeleceu uma espécie de cooperativa de crédito e abriu escolas e orfanatos. Seu ministério se estendeu para incluir os mineiros de chumbo, operários de fundição de indústria siderúrgica, estivadores, peões de fazendas, prisioneiros e mulheres que trabalhavam nas indústrias. [SHAEFFER, Francis. Um manifesto cristão. Pag. 192]

Snyder conclui dizendo que Wesley estava convencido de que “o ato de confrontar publicamente a impiedade e a injustiça, que inundam a nossa terra como um dilúvio, é uma das maneiras mais nobres de confessar Cristo em face de seus inimigos”.

Ao que parece, sendo bem sincero, avivamento para esta trupe, é encher as igrejas a todo custo, engordar suas contas bancárias, adorar a Mamom e espalhar ensinos de demônios por toda a nação.

Antognoni Misael.

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O pastor Joaquim de Andrade também fez um comentário sobre este evento. Confira:

ESTES SÃO OS PREGADORES DO GRANDE AVIVAMENTO DA NOSSA NAÇÃO? 

E eles dizem que no Brasil está acontecendo um grande avivamento! Que avivamento é este? Neste período que mais se falou de avivamento é o período que cresceu mais o pecado, o consumo de drogas por nossos jovens e adolescentes! Neste momento em que mais se construiu igreja, templos catedrais, é mo,momento em que mais houve aprovações de leis anticristãs, como Lei da Palmada, casamento gay e aborto, além de outras que estão pendentes para aprovação no Congresso Nacional! 

Neste tempo que dizem que estamos em avivamento e que temos um período das maiores corrupções e falcatruas no Brasil, como mensalão, Petrobras, Eletrobras, os escândalos de Rosemary Noronha e do Eike Batista, além dos desvios de verbas para Cuba e países da África, via BNDES, que nem o Congresso Nacional teve acesso, bem como os gastos dos cartões corporativos de Dilma Rousseff! 

Que avivamento é este onde temos uma igreja em cada esquina e nunca se apregoou na TV aberta por tantas horas, porém onde estão os convertidos de verdade? Todos falam de curas e milagres, nunca se viu tantas pessoas enfermas, corredores de hospitais lotados, além de não vermos a regeneração e transformação feita pelo Espírito Santo! 

Hoje temos mais de 30 traduções da Bíblia em português e nunca se viu uma geração tão desconhecedora das Escrituras ACORDA POVO DE DEUS!!!

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Arte de Chocar.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Teologia da Prosperidade e as prostitutas da religião

Por Antognoni Misael

Uma das coisas evidentes nos dias atuais em grande parte da igreja brasileira é o desejo de prosperidade material. Alguém diz: - Deus é Fiel! e entende-se: “Deus vai me abençoar financeiramente, pois Ele é dono do ouro e da prata”; outro diz, “sou mais que vencedor” e interpreta-se: “tenho que ter mais bens e dinheiro do que os ímpios”. Gente, muito maior do que fila para empréstimo consignado é a fila dos que almejam um deus preocupado com luxo e prosperidade dos seus interesseiros.

A falácia da teologia da prosperidade espalha-se como um câncer nessa nossa terra tropical.

Em uma nação onde a esperança política praticamente acabou, nada mais viável do que encontrar a botija da riqueza na metafísica divina. Os pilantras logo sacaram isso! Alguns, mestres estelionatários da fé, outros manobrados, mas ambos conspirando para o mesmo deus.

Os canais de TV nos expõe ao ridículo quando estes falsos mestres anunciam seus produtos em troca de investimentos e se esquivam de falar de temas como arrependimento, pecado, Cruz, Graça e Inferno.

Num país onde há 70% de analfabetos funcionais (ou seja, os que lêem, escrevem, mas quase nada decodificam e interpretam) e a sua maioria não gosta de ler, é oportuno que muitos crentes com tais características fechem as cartas de Deus em detrimento de um contato místico através de barganhas altamente convenientes às suas necessidades e desejos terrenos.

Como sempre diz o Rev. Antonio Carlos Costa em relação a nossa natureza caída: “o principal compromisso do homem é a com a sua própria felicidade”. E isso é uma total verdade, principalmente diante de uma cultura onde ser feliz significa ter muito dinheiro, bens e status social.

Nossa reflexão é a seguinte:

- na pauta de Deus há tanto interesse em nos conceder prosperidade material? Será que isso fará com que vivamos em maior comunhão e gratidão a Ele?

Aconteceu que nos tempos de Jeremias, o povo de Israel passava por um momento de economia próspera e conforto material, no entanto estes estavam sob julgamento de Deus por terem cometido apostasia, vejam o que a divindade falou:

"Como, vendo isto, te perdoaria?' Teus filhos me deixaram a mim e juram pelo que não são deuses; depois de eu os ter fartado, adulteraram e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos; como garanhões bem fartos correm de um lado para o outro, cada um rinchado a mulher de seu companheiro". Jeremias 5.7-8.

Note que quando o povo estava alimentado, farto e com tempo de sobra o que eles decidiram fazer? Perceba que Deus usa termos fortes e os acusa de adultério.

Amigos, quanto mais abastados , menos nos identificamos com o sofrimento de Cristo e menos almejamos a eternidade!

Nas palavras de Paulo em 2Co 11.1-2 podemos ressignificar o adultério do tempo de Jeremias e pensá-lo em outra dimensão: adultério espiritual.

"Quisera eu me suportásseis um pouco na minha loucura! Suportai-me, porém, ainda.
Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo
". 2 Coríntios 11:1-2

Deus quer que nos apresentemos como uma noiva pura e  fiel. Não obstante, quando a noiva não se satisfaz com a doce presença do noivo e o troca por outros deuses, dentre eles o deus da prosperidade, ela comete tal adultério e passa a ser uma prostituta travestida de religião.

Alguns líderes midiáticos que têm ceifado multidões e lhes oferecido um deus cujo objetivo principal é ludibriar seus filhos e engordar as contas dos falsos mestres. Por isso a cada dia tem se tornado difícil falar da beleza do Evangelho. A satisfação em apenas ter Jesus tornou-se irrelevante para muitos ditos evangélicos. Cantar "Tua Graça me Basta" está totalmente fora de moda. Isso é triste e inquietante!

Urgentemente, precisamos pregar para as pessoas deixando claro que o convite de Jesus não nos garante sucesso material, mas paz, gozo, e alegria eterna. Semelhantemente, para alguns evangélicos, precisamos perguntá-los com ousadia: como anda esse amor pelo noivo? É Amor ou só interesse?

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Antognoni Misael. Um Maluco Pecador!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A arrogância do religioso e a humildade do pecador

Por Antognoni Misael

Os que se consideram “justos” olham o pecador de cima pra baixo; eles fazem questão de publicar as suas virtudes, méritos e conquistas; eles são obcecados em afirmar as suas diferenças para com os pecadores a fim de sugerir que eles, por serem “justos”, são os melhores.

Analisem Jesus, vejam que Ele ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da Lei – da boca pra fora. Se havia naquela época uma “capa religiosa” que só de olhar já se media o nível de espiritualidade do fiel, não tenho a menor dúvida de que Jesus não a usou.

Ao ler os Evangelhos, perceba que a autoridade dEle era recheada de legitimidade e adornada pela humildade, aquela mais completa possível ... a do Verbo que se fez gente da gente, simples, comum e que sabia lidar com as intenções do homem. Observe como Ele andou, por onde andou, com quem andou, como tratou gente simples, e como Ele lidou com os “doutores da lei".

Amigo leitor, você há de concordar comigo: Jesus não usou sua autoridade pra “colocar Anel no dedo”, um “paletó intimidador”, nem ao menos se apressou em procurar uma expressão de tratamento especial antes do seu próprio nome, tipo: Apóstolo, Bispo, Evangelista ou Pastor (não que isso seja errado, a saber, que há uma funcionalidade para a igreja sim!).

Aonde quero chegar é que o verdadeiro discípulo de Jesus não se considera um “justo” e sim justificado (pela fé que é dádiva de Deus), ele olha para o seu semelhante olho no olho, nem por cima, nem por baixo. Ele na verdade sabe que tornou a ser o que hoje é, por pura Graça de Deus.

Por que fui tão sucinto e direto nessa questão? Simples, porque a grande parte dos cristãos (das mais variadas vertentes religiosas) infelizmente, por estarem sendo mal nutridos teologicamente, parece desconhecer absolutamente a doutrina da Depravação total e da Redenção em Cristo por pura Graça. Eles se acham justos aos olhos de Deus e o pior, acham que sustentam a  salvação através de suas obras e conduta - estas não são elementos de conquistas espirituais, e sim consequências naturais do justificado .

Por isso amiguinho, não queira ser "o diferente", queira ser relevante! O mundo já tá cheio de diferença. 

DICA #1: Esqueça a capa religiosa, desça do salto e faça como o Cristo que saiu do seu lugar de glória!

DICA #2: Pare de construir o seu telhado de justiça... porque um dia a casa cai.

DICA #3 Anseie que os homens vejam Cristo em você, e não um "justo"religioso, vaidoso e legalista.

Por fim, há dois tipos de pecadores: os "pecadores que sabem que são pecadores", e "pecadores que pensam que são justos" (vide Ed René Kvit)

Eu sou o primeiro, e você?

Sola Gratia.

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Antognoni Misael

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Fragmentos de uma velha “igreja” que ama o legalismo, as heresias, e ainda é Gospel

Por Antognoni Misael

Primeiro eles pregavam sempre desmascarando a idolatria da Igreja Católica, #só que depois perceberam que havia também muitos ídolos no meio deles.

Depois, uma onda legalista tentou moldar a aparência da igreja, #só que Cristo não agia conforme a estética do homem - o mestre sempre ia no coração e nas intenções, então ir julgar pela aparência deu no que deu...

Mesmo assim eles disseram como era a forma correta de se vestir, #só que então perceberam que tudo acabava em vaidade.

Daí privaram as ‘irmãzinhas’ da maquiagem, corte de cabelo, brinco e calça comprida, #só que a vaidade proibida no vestir sempre era transferida para vícios como novelas, consumismo, senso de superioridade ou até mesmo, inveja.

O legalismo chegou a dizer que jogar futebol era pecado, #só que em época de Copa do Mundo, até o pastorzin proibicionista cantava “voa canarinho voa...”.

Depois eles proibiam alguém de ir a determinado local para não se contaminar com o mundo, #só que então perceberam que o mundo já estava dentro da igreja.

Depois eles baniram da pauta relacionamento e sexualidade a fim de que jovens fossem puros por mero desconhecimento, #só que então viram que a pornografia e o sexo há tempos se instalaram no meio deles.

Depois eles acusaram o rock como um estilo diabólico, #só que posteriormente, para nossa tristeza admitiram o bolero, o brega e por fim, até o pagode.

Depois eles disseram que cinema era do capeta, #só que a grande maioria hoje são cinéfilos e ainda possuem um telão flúor HD, uma Sky recheada de canais HBO, pipoca e muito guaraná.

Depois eles disseram que o vinho da Bíblia não tinha teor alcoólico (era um suco) a fim de proibir o uso pelos fiéis, #só que tempos depois se convenceram que era ‘vinho mesmo’ e voltaram atrás quando leram um trecho na Bíblia que dizia “não vos embriagueis com vinho”.

Depois, para tentar expulsar o “mundanismo” já instalado na igreja, eles sacralizaram o lugar do culto (a igreja) ao afirmarem que Deus só operava naquelas quatro paredes, #só que depois se viram em crise quando leram que Deus não habita mais em templos feito por mãos, mas em gente.

Passada a polêmica do rock no culto, surgiu a ideia de hierarquizar os fiéis, daí para reconquistar, inventaram que os músicos eram levitas, #só que esqueceram que o porteiro também deveria ser, o zelador, etc. e tal...no final, até hoje eles levitam nessa ideia.

Depois de dado privilégios aos “levitas”, continuaram hierarquizando... surgiram os “ungidos”, sobretudo apóstolos, #só que eles não se deram conta de que ainda há gente que lê as escrituras, desmascara e expõe ao ridículo os pseudo-apóstolos -> isto até parece ser um ato de maldade, mas pelo contrário, faz bem e é bíblico!!

Então, se sentindo ameaçados, eles tiraram Cristo do centro do culto, desmotivaram a igreja a ler as Escrituras afirmando que a letra mata e a teologia enterra, #só que esqueceram de que Deus fala través das Escrituras e não das curas, milagres ou depoimentos pessoais.

Outros, já escrachadamente, esconderam a Bíblia, ocultaram Jesus, fizeram sua própria cartilha de fé e puseram uma foto enorme de si mesmos na frente da igreja vendendo curas e milagres, #só que esses vão pagar com a alma, vamos só aguardar o cumprir-se de Mateus 7.15-19.

O outro, bem mais esperto, e por pura persuasão passava (e ainda passa) os seis dias da semana usando a Bíblia nos seus discursos, ganhando espaço na mídia, defendendo a família, a moralidade, mas no sétimo dia trazia um impostor internacional pra liberar unção financeira e cobrar sua “indulgência”, #só que cuidado! esse é muito mala, a muitos enganará ainda...se possível até os escolhidos.

Então, já nos ditames do século XXI, eles transformaram a igreja tradicional em igreja gospel e o resultado foi um estrondo de adesões e “sucessos” nos cultos geridos por shows e manifestações de poder, #só que não perceberam que a “modernidade gospel” continuou expulsando Cristo e a suficiência das Escrituras em detrimento do homem e suas habilidades.

Então voltaram a tentar desembelezar a vida e a dizer que ouvir música do mundo era pecado, #só que onde se encontra a música de Marte, Vênus, Plutão? 

Por isso então eles reinterpretaram a vida entre Deus e o diabo, sagrado e profano, batalha espiritual, teísmo aberto, cobertura espiritual, maldição hereditária, lagoas, vales, sapos, vasos... #só que eles não conhecem a canção que diz “é que o sagrado se tornou hilário” (o resto deu preguiça de cantar...digita essa frase no youtube e escuta lá -> #FICADICA)

Daí, o mercado gospel fez com que a igreja ficasse feliz ao se ver lá na Globo, #só que eles não perceberam que a Globo não queria nem o Evangelho para si e nem tampouco para transmiti-lo ao mundo – aliás, eu ainda me pergunto: mas quando a Globo ouviu do Evangelho? Quem falou dele lá?

Então... a grande maioria continuou enganada (vida de gado, povo marcado, povo feliz...) e continua ainda dizendo que os “crentes” vão ganhar a nação para Cristo, #só que eles parecem idiotas ao ignorarem a lógica do reino, onde estreita é a porta que leva a salvação e onde poucos acertarão (sim, e Marina Silva perdeu  hein– registrado!).

Ainda no meio de tanta confusão, continuaram surgir mais “astros gospel” para fazer festa em meio ao caos e enriquecer em meio a miséria social, #só que livrar a “igreja” da depressão da irrelevância de só ‘inchar, inchar, inchar,’ tornou-se só mais um indício de que ela respira com ajuda de aparelhos – e quem desligará? (sugestões??)

Então meus amigos leitores....veja só, em meio a isso tudo, uma grande minoria ainda se levanta para denunciar todos equívocos, heresias, e irrelevâncias dessa “igreja” que por tantas fases estranhas passou (e ainda passa, por constantemente revisitar cada situação comentada), #só que ela infelizmente ainda ignora a preciosidade do Evangelho, uns por serem idólatras de fato, outros por serem iscas de ratos. Contudo, note, de lá se ouve as seguintes acusações em relação aos subversivos como eu e, quem sabe você:

- de serem divisores do reino

- de tocarem no ungido do Senhor

- de não entenderem que o movimento gospel é parte do avivamento da igreja

- de serem libertinos quanto à cultura

- de não entenderem o poder sobrenatural de Deus

- de serem céticos quanto a curas e milagres

- e, até de serem falsos profetas.

#só que eu não tô nem aí!

Vou continuar a denunciar e a conclamar a necessidade do retorno às Escrituras, a preciosidade do Cristo e a simplicidade do Evangelho. Se é pra rachar, que rache!! Pois o que rachar, não é Igreja, e não era Evangelho!!

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Arte de Chocar.

domingo, 16 de novembro de 2014

O templo sagrado e o areópago pagão da minha cidade

Por Antognoni Misael

Toda cidade tem uma espécie de areópago. Algumas têm vários, outras não. Mas toda cidade tem. O areópago era uma parte da Acrópole em Atenas que servia para reunião de conselheiros, educadores, cientistas, políticos, poetas e pensadores, de uma forma geral.
Sobre o mesmo chão está o Muro/ E o Lado de lá, que você esqueceu” [1] 
Ontem eu vi um areópago no meio da praça da minha cidade, tudo bem que não houve discurso político nem algum poeta grego foi mencionado, mas houve discurso poético, sincrético, existencialista e tantos outros. De certo aquele areópago era principalmente musical - pois a música também discursa – e o palco era livre, democrático, e pronto pra que algum súdito subisse ali e fizesse a sua arte.
Evento - Café com Poeira (Guarabira-PB)

Por um instante tive um vislumbre. Felicidade, frustração, não sei bem. “Viajei”... e tal “viajem” me trouxe a memória alguns fatos: 1) que o número de evangélicos tem crescido, ou inchado; 2) a cada esquina uma garagem estreia mais um púlpito (quase sempre um palco para ‘stand up’ para todas as demandas, mais de loucuras que lisuras); 3) quanto mais eles crescem, se espalham, se dividem por distanciarem-se abissalmente da Palavra; 4) sendo assim, o movimento evangélico fragmenta a cruz, e cada pedaço vai pra um lado. Triste né? Destarte, é bom que se perceba que tal fenômeno não abarca absolutamente todas igrejas - claro!

Aqui onde moro, e falando ainda de “igrejas”, eu começaria pelas mais ridículas, tipo: IURD, Mundial, Show da Fé. Essas marqueteiras estão alojadas aqui pra cumprir seu papel mercadológico de franquia. Elas disputam praticamente o mesmo público. Mas além delas há dezenas tipicamente evangélicas, mas nem todas genuinamente cristãs.

Contudo, voltando ao vislumbre, este me fez pensar em dois aspectos: a estandardização das “sagradas igrejas” e o desprezo pelo “areópago pagão”.
“Me apontaram as cercas e os muros /Eu quis o caminho, Roguei pela vida” [2]
Olha só, certa vez ouvi de um artista cristão que igreja é como o estrume (o popular cocô de gado) o qual precisa ser espalhado pra dar vida a terra, pois uma vez amontoado num só local, fede. Apesar de ser um exemplo, quase esdrúxulo, tem sua verdade. Igreja que vive pra dentro tende a feder. Logo, se igreja deve ser reunião de discípulos, discípulos são como seu mestre, e o mestre não vivia dentro do “templo”, o mestre vivia no mundo. Portanto, igreja é feita pra servir na rua, na praça, nas escolas, hospitais, enfim, igreja é feita, também, pra subir em areópago e discursar.

O mundo - cuja Bíblia nos ordena não amar - é um sistema de princípios e valores; e não a criação, lugares e gente.

A triste realidade é que muitos líderes não entendem isso. Igreja, para tais, é propriedade sua. É franquia em constante disputa no “mercado de deus”, é campo murado dentro da cidade, é cerca, é “santo lugar” que ninguém pode se sentir livre e como se estivesse em casa.

Portanto, assim não é surpresa que esses sistemas eclesiásticos sendo projetados para dentro de si mesmos, ou, quando direcionados para fora – seja como num culto de rua com amplificadores às alturas, entrega de folhetos descontextualizados no meio da praça, ou por alguma “marcha pra jesus” - , contudo, sendo estes feitos para dentro, ou adaptavelmente para fora, o que ocorre é que ambos  os sistemas caem no comodismo de fabricar os seus próprios areópagos dentro de si mesmos. Já imaginou, uma igreja com o areópago (simbolicamente) no lugar do púlpito? (isso, para que ninguém se “contamine” ao ir discursar lá na praça, na universidade, no teatro, ou em qualquer outro lugar)

Relembremos do evento narrado em Atos 17, onde Paulo sobe ao areópago e discursa para os gregos. Ali, com naturalidade apóstolo apresentou o pensamento cristão de uma forma que os atenienses puderam facilmente entender. Ou seja, ele apresentou o cristianismo no nível dos atenienses fazendo uma ponte apologética com o altar ao Deus desconhecido: “(…) esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio”.
“E vou subvertendo o mundo / Amando a esperança que salta os muros” [3]
É interessante notar nesta passagem que Paulo não chegou a ter êxitos no mesmo instante quanto a conversão dos seus ouvintes, no entanto esta sem dúvida alguma foi uma das maiores apresentações cristãs da história. Talvez, muitos achem desperdício subir nos areópagos e com singeleza se “misturarem” com os súditos e discursarem sobre o “Deus desconhecido”, de repente esta não é a forma estatisticamente eficaz para os métodos de enchimento de igreja... Entretanto, é muito importante considerar que ao ir ao areópago não vamos convencer ninguém a aceitar a Verdade – esta parte não pertence a nós. Assim sendo, ser sal e luz não significa utilizar métodos para alcance de não-cristãos; ser sal e luz é “ser”, “ir”, “ficar”, “andar”, “demonstrar”, “dizer”...é um estilo de vida!

Um dos exemplos que devemos tirar em Atos 17 é o amor cujo Paulo imprime em seu discurso. É preciso que aprendamos com a apologética paulina neste sentido. Além disso é preciso entender o Senhorio de Cristo em todas as áreas da vida! O Cristo Todo para Vida Toda em todos os seus aspectos!

O areópago de minha (ou sua) cidade está pronto, seu público está no local, alguém vai subir lá e discursar, muitos irão subir e discursar... e os cristãos? Onde estão? – Já sei! Do outro lado do muro! Bem longe do areópago da minha (ou sua) cidade.

***

[1], [2] e [3], trechos da canção Sobre o Mesmo Chão - Palavrantiga.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A loucura do Evangelho sim, a "loucura dos Evangélicos", jamais!

Por Antognoni Misael

Como bem dizia Lutero: “quanto ao amor devemos ser flexíveis como uma cana ou a folha, pois o amor cede, mas quanto à verdadeira fé devemos ser invencíveis, e, se possível, mais duros do que o diamante”.

Portanto, amigos leitores quando posto algum comentário sobre algum vídeo ou notícia relacionada o meio evangélico (com todas suas variedades e esquisitices) não estou falando sobre amor, logo posso não ser flexível como a cana, ou folha. A saber, que o amor não depende de convicções pessoais, o amor é mandamento. Assim, do mesmo modo, para que eu ame não significa que devo me omitir em lançar opinião.

O que ocorre frequentemente nesse espaço é que alguns colegas confundem “defesa de fé” com falta de amor – desta feita, confesso que é muito difícil ser entendível pra estes. Alguns interpretam que estamos dividindo a igreja, ou que estamos provocando a falta de união. Recentemente postei algo relacionado aos Aviva’s, cuja prática está linkada ao modus operandi do suposto avivamento que o Brasil estaria experimentando, vide líderes da Teologia da Prosperidade e alguns artistas do segmento Gospel.

Quero fazer as seguintes considerações:

1) Entendo que a igreja evangélica brasileira de um modo geral está mal nutrida da sua bússola de fé (as escrituras).

2) O movimento gospel, abastecido por alguns astros da música, cujos manjares é idêntico ao dos comerciantes do pop music secular, representa bem mais um mercado do que um reduto de verdadeira adoração ou um campo missionário.

3) Os avivamentos pautados na palavra de Deus ocorreram com o retorno as escrituras sagradas, a auto consciência do estado de pecaminosidade, e não na ênfase de experiências humanas, ou bênçãos materiais.

4) Segundo pesquisa realizada e publicada na obra Reforma Agora, do Pr. Renato Vargens, 50% dos pastores do Brasil nunca leram a Bíblia toda. Ou seja, uma enorme quantidade de igrejas cristãs no Brasil são lideradas por homens despreparados e sujeitos a qualquer vento de doutrina vã.

5) Atualmente você não vê nenhum outro segmento religioso no Brasil nos dando mais indícios de loucura e insanidade do que os "evangélicos" - basta computar as centenas de vídeos insanos, bizarros, forjados e vergonhosos.

Diante disso, quando expomos alguma opinião relacionada a tal quadro, não o faço por desejar desunião ou por falta de amor. Só o faço por democraticamente expor a minha fé; ratificar que isso ou aquilo não representa biblicamente o Evangelho, e acenar para a necessidade de uma “nova reforma”, ou redefinição dos postulados da fé cristã nos dias de hoje.

O que me entristece? O fato de receber ataques Ad Hominem por parte daqueles que acham que tudo está normal e me acusam de “perseguir” o movimento evangélico. O que, sinceramente tenho a dizer é: eu defendo a “Loucura do Evangelho”, e não a “Loucura de alguns Evangélicos”. Note:

a) Somos acusados de dividir o reino

b) Somos acusados de tocar nos “ungidos do Senhor”

c) Somos acusados de não entender as coisas espirituais (principalmente quando não se há respaldo bíblico para elas)

d) Corremos o grande risco de que alguns crentes se afastem de nós

e) Corremos o grande risco de nos tornarmos uma espécie de intruso dentro da igreja

Uma característica do inchaço de muitas igrejas é o pragmatismo, o hedonismo, as ênfase nas bênçãos, o bem estar das coisas de Deus e não o próprio Deus... isso nos lembra os tempos do profeta Jeremias quando o povo de Israel se mostrou tão hedônico, apegado as coisas da terra, fartos porém das coisas dEle e esquecidos do próprio Deus.
“Como, vendo isto, te perdoaria? Teus filhos me deixam a mim e juram pelos que não são deuses; quando os fartei, então adulteraram, e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos. Como cavalos bem fartos, levantam-se pela manhã, rinchando cada um à mulher do seu próximo. Deixaria Eu de castigar por estas coisas, diz o SENHOR, ou não se vingaria a minha alma de uma nação como esta?” (Jeremias 5:7-9)
Portanto, se você querido leitor, hostiliza alguns comentários e críticas relacionadas aos postulados que fiz acima, eu entendo que você:

1) Defende que a igreja evangélica brasileira está crescendo por motivo de um avivamento e está bem nutrida da Palavra.

2) Defende que movimento gospel tem representado o evangelho de Jesus sendo um reduto de verdadeira adoração e um campo missionário.

3) Defende que os avivamentos pautados na palavra de Deus ocorreram na ênfase de experiências humanas, bênçãos materiais e multiplicação do número de igrejas (mesmo aquelas que surgem de rachas, ou por insubmissão).

4) Defende que apesar de 50% dos pastores do Brasil nunca terem lido a Bíblia toda, isso não importa porque “a letra mata e a teologia enterra” – logo, o que vale é ser cheio do Espírito Santo.

5) Defende que o que tem ocorrido no segmento religioso no Brasil não são indícios de loucura e insanidade; boa parte dos vídeos esquisitos que circulam pela net são “mistérios” e devem ser assimilados como um mover de Deus. Isto posto, se você considera corretas estas cinco observações acima, e discorda da crítica relacionada ao nosso panorama geral. E se isso pra você é dividir o reino (embora pra mim não seja). Que este se divida!

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Antognoni Misael

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Redirecionando a cosmovisão cristã em um mundo pós-moderno #PODCAST

Fala, cabraiada! Você sabe o que é cosmovisão? Você já ouviu falar que vivemos em tempos pós-modernos? Como podemos passar por esse mundo tão diverso sem corromper a nossa cosmovisão? Então, reunidos na Conferência Mundo, em Guarabira-PB, os cabras, Heder Judson e Ivandro Menezes se reuniram a cabruêra e convocaram Antognoni Misael (A arte de chocar) e o Pb. Jofre Garcia (IPB – Guarabira) para discutir como podemos redirecionar a nossa cosmovisão em um mundo de tantos relativismos. Enfim, dê o play (abaixo) e confira:
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 Fonte: Os Cabra Cast.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Diz que é predestinado, mas vive uma graça capenga?

Por Antognoni Misael

Apesar do grande inchaço da igreja evangélica no Brasil e proliferação de diversos movimentos neopentecostais e teologias que confrontam a verdade do Evangelho, temos notado uma crescente busca pela teologia reformada e sobretudo pela 'doutrina da eleição'. Isso é muito bom, pois nos remete as bases de nossa fé, a suficiência de Cristo e a exclusividade das Escrituras, que são determinantes para uma igreja saudável.

O que há de preocupante nisso? O perigo da ausência da ortopraxia! Ou seja, o encantamento pela teologia a ponto de estacionar-se em uma via de acúmulo de conhecimento na literatura cristã, na palavra de Deus, mas sem compunção e transpiração de uma vida de Graça. No ditado popular, muita teoria e pouca prática!

Obviamente podemos destacar algumas referências da popularização de uma teologia equilibrada e sadia como John Piper e Paul Washer, dentre outros. Notar jovens assistindo vídeos, compartilhando mensagens, e experimentando um intenso desejo por Deus não tem preço. Mas ao mesmo tempo também preocupa-nos notar que parte desse mesmo público tão encantado com a doutrina da eleição e super abastecido de literatura e mídia cristã, pouco leu e conhece a Bíblia.

Pensando nesse tema, resolvi comentar um trecho da carta de Paulo aos Efésios, a saber que a carta é divida em duas partes, a primeira sobre nosso chamado e a nossa nova identidade em Cristo, e a segunda sobre as implicações práticas desse chamado. Ou seja, "se sou predestinado não devo viver uma vida anarquizada de Deus", caso contrário, é como diz o adágio popular: "a cruz nos peitos, e o diabo nos feitos".

Vejamos o capítulo 4.1-3, e diante da temática que, farei alguns apontamentos que contribuirão relativamente para a compreensão do que quero concluir. O apóstolo inicia com:
1 Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados,
Lembremos que após Paulo elucidar sobre a doutrina da eleição no primeiro capítulo de Efésios, a nossa nova identidade, a união com os judeus em um só corpo, agora ele vai direto para ortopraxia. Ao iniciar com um “Rogo-vos pois”, o autor leva em consideração tudo aquilo que disse aos seus leitores a respeito da Graça de Deus. Relembremos alguns tópicos que Paulo destacou:

1) Demonstrou que a nossa nova identidade é planejada por Deus, conquistada por Cristo e aplicada pelo Espírito Santo (Ef. 1.2-14).

2) Paulo orou para que os crentes gentios soubessem de forma PLENA e por compunção a vontade do mistério de Deus - isto é, atentassem a antiga condição diante de Deus, o incompreensível amor elegível na revelação de Cristo e o futuro glorioso separado para os eleitos no senhor. (Ef. 1.16-23)

3) Ele retratou de forma dramática a condição individual de judeus e gentios como MORTOS em delitos, separados do Senhor e debaixo da ira de Deus. Desta feita, é determinante que se perceba que, para que entendamos a dimensão imensurável da Graça de Deus é necessário que tenhamos o conhecimento do pecado. (2.1-3)

Portanto, é como se, uma vez cientes de que estávamos debaixo da ira de Deus, devemos entender que pela misericórdia dEle e por causa do grande Amor com que nos amou fomos feito um Novo Homem criados em Cristo Jesus para boas obras (Ef. 1.10). Assim, concluímos que a doutrina da eleição, diferentemente do que alguns maus entendedores o fazem, nos impulsiona a uma vida ativa, comprometida e piedosa diante do Senhor e dos homens, não acomodada, mórbida, apegada na certeza da soberania sem que haja responsabilidade humana, morte e sacrifício, ou, como Dietrich Bonhoeffer chama de uma vida vivida sob uma Graça “Barata”.

Diante da compreensão da predestinação o que nos chama atenção não é o fato de já estarmos prontos e resolvidos diante de Deus, mas sim de buscarmos autenticar nossa vida em Cristo nos tornando santos e irrepreensíveis!

Chamou-nos muita atenção o fato de Paulo se preocupar com o real entendimento dos gentios perante esta rica doutrina. Ao orar por eles ainda no capítulo 3, ele intercede (18-19): “a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus”. Ou seja, era (e é para nós) de extrema relevância compreendermos a profundidade deste mistério e Amor, ainda que não de forma toten, revelado em Cristo, para que sejamos tomados de toda a plenitude em Cristo e andemos nas obras. Ou seja, não basta compreender teologicamente, é preciso compreender de forma plena e ser tomado com certa compulsividade a viver na direção desta Graça.

Andar na vocação em que fomos chamados é viver diante do mesmo peso pelo qual a Graça de Deus fora revelada.

Voltando a citação feita acima sobre Bonhoeffer, em seu livro Discipulado o autor leva-nos a compreender que este “andar” requer uma compreensão de que a Graça de Deus é alvo mui valioso, é a nossa pérola de grande valor, e que, o que custou caro para Deus não pode custar barato para a sua igreja:
“A graça barata é a graça que nós dispensamos a nós próprios. A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina comunitária, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.


A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o ser humano sai e vende com alegria tudo quanto tem; a pérola preciosa, para cuja aquisição o comerciante se desfaz de todos os seus bens; o senhorio régio de Cristo, por amor do qual o ser humano arranca o olho que o faz tropeçar; o chamado de Jesus Cristo, pelo qual o discípulo larga suas redes e o segue.” (BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. Pág. 10)
Em suma, o que Bonhoeffer vem nos ensinar é que o convite de Cristo nos implica a toda uma vida de discipulado, seguindo-o e andando de modo digno pelo qual fomos chamados.

Conhecer um predestinado não tem tanto a ver com o discurso teológico do irmão, com a erudição de sua homilética ou com as citações reformadas que ele o faz, mas sim, pelo modo digno com o qual ele se apresenta ao mundo, ao seu próximo e como ele projeta a sua fé.

Ainda, no capítulo 4.2-3, Paulo continua discorrendo como deve ser o “andar” correspondente da vocação: “com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.

Ou seja, auto-intitulado eleito primeiramente deve viver em unidade com seus irmãos apesar das divergências, e mais, deve expressar os acessórios desta unidade através da humildade (como a de Cristo), mansidão (gentileza) e a paciência. Para tanto, a força motriz e reguladora do convívio e conduta deste eleito é AMOR -  por isso suportamos, e isso requer esforço, e sacrifício para manutenção da paz entre os irmãos.

Por fim, ratificamos, o crente eleito em Cristo tem esta maior marca: o amor. E ele simetricamente deve ser distribuído para Deus e para com o próximo como resultando da compreensão relevante da nossa nova identidade.

Dizer que é predestinado e viver uma vida "capenga" indigna da vocação pela qual foi chamado, sinceramente, não dá. E lembrem-se, teologia sem piedade pode nos tornar cínicos religiosos, e dos piores.

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Antognoni Misael, buscando a cada dia andar na vocação digna pela qual foi chamado.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Bispo Manoel Ferreira apoia Dilma, duvida da fé de Marina Silva e fica de rabo preso com o PT

Um vídeo recém divulgado nas redes sociais mostra o então Bispo Manoel Ferreira, da Igreja Assembléia de Deus Ministério Madureira declarando apoio a Dilma Rousseff e fazendo duras críticas a candidata do PSB Marina Silva.

O vídeo foi publicado pela campanha de Dilma em sua página no Facebook, onde, acredite, Ferreira diz duvidar que Marina Silva seja evangélica porque nunca a viu declarar publicamente sua fé cristã. Contrariando ao que falara antes, Manoel Ferreira, atrapalhado e aparentemente com a cauda presa, disse que escolheria Marina Silva para ser pastora por ela ser uma mulher de fé. Como assim?!

É bom relembrar que este líder assembleiano é seguidor das ideias do tal reverendo sul-coreano Sun Myung Moon, que dizia ter se encontrado com Jesus, que o teria inspirado a desenvolver uma doutrina com novas interpretações da Bíblia Sagrada. Em seguida, o mesmo Moon ganhou notoriedade pela heresia De dizer que era a “reencarnação” de Jesus Cristo.

Ferreira continuou o ataque dizendo que “não teria coragem de entregar a chave do carro para alguém que não sabe dirigir”, críticando a Marina Silva.

Gente, não vem ao caso se Marina Silva é ou não a melhor escolha para o Brasil, contudo, é de se pontuar que se existe alguém que deveria ter a sua fé posta em dúvida, eu elencaria o próprio Manuel Ferreira! Este líder tem causado vergonha ao Evangelho!! Dias atrás entregou o púlpito para Dilma destilar suas ideias e citar a Bíblia na tentativa de angariar votos de seu rebanho. Homem de má fé, de contradição, de rabo preso. Dá nojo de assistir! Veja abaixo.  
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Arte de Chocar

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Um paralelo entre o crente inglês do século XIX e a igreja brasileiraatual

Por Antognoni Misael

Em um dos livros da coleção ‘A formação da classe Operária Inglesa’, especificamente no de Volume três, o autor E.P.Thompson, famoso por uma cosmovisão neomarxista, discorre sobre a formação da consciência da classe de trabalhadores ante o analfabetismo existente entre os ingleses do século XIX.

O que me chamou muita atenção em sua obra foi encontrar registros de que os protestantes daquela época exerceram um papel fundamental na construção do conhecimento, desenvolvimento do senso crítico social, e mais que isso, no processo de alfabetização de parte da população.

Havia uma grande busca pelo crescimento intelectual dentre os cristãos daquela época. Thompson ainda registra que era comum um trabalhador analfabeto andar quilômetros para ouvir um sermão de um pregador cristão. A ideia da obra de Thompson tem a premissa de que o analfabetismo de grande parte daquela massa, cujos cristãos eram maioria, não determinou que o nível de consciência política e social fosse comprometido. Eu vou mais além, digo que não comprometeu a sede em conhecer mais a Deus e que tipo de cosmovisão condizia com os valores dEle.

Thompson ainda relata que os cristãos que abandonavam o analfabetismo o faziam por insistentes leituras na Bíblia Sagrada aliadas as aulas informais solidarizadas por outros operários, enquanto que as suas crianças tinham o privilégio de serem logo cedo, veja:
Se as Sociedades Bíblicas e as sociedades da Escola Dominical não foram frequentadas para nenhum outro bem, pelo menos produziram um efeito benéfico – foram o meio de ensinar muitos milhares de crianças a ler” (Thompson, E.P., p. 308)
Apesar de relatos como estes não serem novidades, a saber que a Inglaterra pós-avivamento ainda aspirava busca pelo conhecimento sobre Deus, o mais interessante aqui é observar os registros de um historiador secular neomarxista a respeito dos hábitos protestantes.

Estamos no Brasil, século XXI. Em nossas igrejas é raro que nas Escolas Bíblicas Dominicais se alfabetize alguém, assim como dificilmente algum irmão andaria quilômetros para ouvir um sermão reformado! Estamos na era moderna, do evangelho moderno!

Mas o que me não me deixar parar de refletir é avaliar que se lemos a Bíblia, não primordialmente para aprender gramática... se nossas Escolas Bíblicas não, necessariamente, alfabetiza nossas crianças, mas as ensinam sobre o caminho; e se não precisamos andar quilômetros para ouvir um bom sermão na igreja, haja vista termos acessibilidade geográfica, de transporte e/ou mídia, me surpreende a situação a qual nos encontramos.

É como se atualmente grande parte de nossas igrejas fosse analfabeta em relação ao Evangelho; nossas Escolas Bíblicas fossem irrelevantes (a saber, que em muitas igrejas elas nem existem mais), e que as pessoas hoje em dia podem até andar quilômetros e mais quilômetros, só que, não para ouvir um bom sermão, mas para receber alguma cura, milagre ou benção material.

Reler estas passagens da oba de Thompson me deu vergonha de parte da igreja contemporânea, aliás, é esta dita parte que ao receber o fermento religioso e mercadológico inchou a ponto de tornar-se uma ofensa ao próprio Evangelho.

Portanto, sugiro que aprendamos um pouco com os operários da Inglaterra do século XIX - conscientes, questionadores, andarilhos em busca de sermões, profissionais que faziam de seus ofícios um culto a Deus. É a prova de que a igreja brasileira pode até ter um bom currículo, mas isto não a exime de ser analfabeta biblicamente, "desconsciente", dicotomizada, burrificada, porém alegando ter a mente do Cristo. #SQN!

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Antognoni Misael, editor do Arte de Chocar.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Que Deus nos ajude a não jogar a toalha

Por Antognoni Misael

Tenho vivido dias de tempestades. Já são 17 anos de evangelho e o sofrimento parece só ter aumentado. Isto porque me ensinaram precocemente a tal de uma “arte de pensar”. Aí comecei a me achar um “pensador”, principalmente depois que me disseram que tinha recebido a mente de Cristo. Então o que antes era um exercício para auto-edificação, aos poucos foi se tornando o meu próprio fardo -  isto porque limpei as sujeiras de minhas lentes pelas quais via as coisas, mas infelizmente não pude fazer o mesmo com muitos que me rodeiam.

Concordo piamente com o que disseram certa vez: “o mais corajoso dos atos ainda é pensar coma própria cabeça" (Coco Chanel).

Ando pecando muito. Confesso. Por isso estou invejando aquele simples cristão que mora no campo; que passa o dia abraçado com a criação de Deus lidando diretamente com a natureza e as mais variadas formas de plantas, pássaros, riachos, rios, vento, sombra... Quanta simplicidade!

Invejo o cristão humilde daquela igrejinha simples, que a noite se reúne com os irmãos num templo pobre, sem som, iluminação, sem amplificadores, sem instrumentos eletrificados, sem projetores - apenas a Bíblia, a voz, a viola do campo envelhecida e a maravilhosa presença de Jesus.

Invejo o cristão que não sabe nada sobre o academicismo teológico, o qual tem reproduzido gente que diante de tanto conhecimento acaba se desnaturalizando  e perdendo a beleza do ser e existir.

Invejo os que nunca ouviram falar em shows gospel e nunca souberam das falcatruas dos seus astros que, por amor ao dinheiro, têm adorado a falsos deuses, dentre eles, mamom.

Invejo o cristão que nunca acessou uma internet e nunca teve noção do estado da igreja brasileira. Que ele nunca assista a esses vídeo onde cristãos mais parecem insanos, loucos e des-racionalizados. (Sim a loucura do Evangelho, mas nunca a loucura dos evangélicos).

Invejo o cristão que nem sonha que existem milhares de pseudo-líderes escondendo a cruz de Cristo e faturando grana em detrimento de um falso evangelho.

Os invejo porque sei que estão regozijados e satisfeitos plenamente em Cristo e poupados das tantas loucuras deste mundo.

Estamos diante de um conflito sistemático que nos inquieta. Tudo está em cheque: nossa fé, missão e relevância. E ao notar que as engrenagens do sistema o qual estamos inseridos está enferrujada, não nos cabe mais a fuga, mas sim o doloroso enfrentamento por amor a Deus e a sua Igreja. Daí notamos que “pensar” tem nos gerado sofrimento porque automaticamente esta ação faz com que não nos conformemos com a loucura corrupta deste mundo, e isso ao mesmo tempo nos torna perseguidos por uma outra “fé”, outra “missão” e outra “relevância”.

Outra fé. A fé do evangelho conveniente. A fé do mistério, da prosperidade, da cura, do decreto, da barganha.

Outra missão. A missão de ser feliz a todo custo. A missão de ser destaque neste mundo, ser cabeça, ser filho do Rei e ter direito ao melhor desta terra.

Outra relevância. A relevância de ser um povo separado, longe e distante do pecador.

Sendo perseguido por estas “outras” citadas e denunciado-as como incoerentes com os valores do reino, automaticamente tornamo-nos os perseguidores. E neste prisma, alguns embates surgem como proposta para nosso recuo:

1) Somos acusados de dividir o reino

2) Somos acusados de tocar nos "ungidos do Senhor"

3) Somos acusados de rebeldes e intolerantes

4) Corremos o grande risco de que alguns crentes se afastem de nós

5) Corremos o grande risco de nos tornarmos uma espécie de intruso na igreja

Contudo, 'pensar' ainda tem sido uma arma para igreja nestes tempos - por isso é de se estranhar uma igreja que diz ter a mente de Cristo, mas ao mesmo tempo odeia usá-la.

Pensar. Não é proibido pensar. Aliás, "É proibido proibir" de pensar.

Mas vamos logo sabendo que quem pensa muito, descansa menos. Entretanto, o nosso chamado é para não nos conformarmos, mas nos transformarmos pela renovação da mente. Isto é, penso, logo sigo a Jesus, em Rm 12.2.

Termino pedindo misericórdia e Graça a Deus, pois as "invejas" citadas acima, e que tanto sinto, na verdade podem ser uma evidência de que estou cansando. E cansar pode gerar em mim (ou em nós) a covardia de viver um “Let It Be” religioso, como se ter a mente de Cristo não fosse algo honroso, uma vez que nos faz sofrer, ser mal interpretado, injustiçado e perseguido.

Que Deus me (e nos) ajude a não jogar a toalha!

Soli Deo Gloria

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Antognoni Misael, cansando diante de tanto anacronismo evangélico, ou como se disse por aí, em-vão-gélico.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Borrifou com água a sala de nossa alma, limpou a poeira e nos Amou

Por Antognoni Misael

A Graça de Deus é próxima e pessoal. Foi por ela que Cristo nos alcançou. Esta incomensurável condição do Pai nos amar a ponto de abandonar a Sua glória e morrer em nosso lugar ainda é um dos mais absurdos atos que o ser humano pode encontrar em sua existência. Por isso o Evangelho é loucura, o Amor do divino é antigo e imedível, e a Cruz é um escândalo!

Pensando nesta Graça, trago uma passagem belíssima da obra do funileiro de Bedford, na Inglaterra, que há mais de 300 anos foi inquietado por Deus para escrever a célebre obra "O Peregrino", falo de John Bunyan.

O livro traz um personagem central que é “CRISTÃO”, um homem que vive uma peregrinação da terra para o céu, do pecado para a salvação, e está sujeito a lutas e armadilhas. Nesta trama, CRISTÃO se depara com inimigos (Legalidade, Hipocrisia), e também com amigos, dentre eles, a segunda pessoa do diálogo que iremos notar, o “INTÉRPRETE”, que o incentiva no progresso de sua caminhada.

Veja que magnífico diálogo abaixo e contemple um dos mais belos exemplos de amor, perdão e Graça:

Então Intérprete o tomou pela mão e o levou para uma sala bem grande, cheia de poeira, pois jamais era varrida. Depois de examiná-la, Intérprete mandou um homem varrê-la. Ora, começando ele a varrer, o pó a ergueu tão abundantemente que o Cristão quase sufocou. Disse então Intérprete a uma jovem que estava ali ao lado:
"- Traga água e borrife um pouco na sala. Feito isso, a sala pôde ser varrida e limpa com prazer.
CRISTÃO: O que significa isso?
 INTÉRPRETE: Esta sala é o coração do homem que jamais foi santificado pela doce graça do Evangelho. A poeira é seu pecado original e as corrupções mais íntimas que macularam todo o homem. Aquele que começou a varrer primeiro é a Lei, mas o que trouxe a água e a borrifou, é o Evangelho. Ora, você mesmo viu que assim que o homem começou a varrer, a poeira levantou, tornando impossível limpar a sala. Você quase sufocou. Isso foi para mostrar-lhe que a lei, em vez de limpar (pela sua ação) o coração do pecado, na verdade o faz reviver, o fortalece e o amplia na alma, ainda que o revele e proíba, pois não dá força para subjugar.
Depois – continuou ele – você viu a jovem borrifar a sala com água, podendo então limpá-la com prazer. Isso é para mostrar-lhe que, quando o Evangelho entra no coração com sua influência doce e inestimável, o pecado é conquistado e subjugado, da mesma forma como você viu a jovem fazer pousar a poeira borrifando o chão com água. A alma se faz limpa pela fé, preparando-se consequentemente para que o Rei da Glória e habite."

[O Peregrino, p.35-36]

Que nunca, de maneira alguma, se esqueçamos daquele que por nos amar, com a água e borrifou a sala de nossa alma, nos limpou de toda sujeira do pecado e nos ensinou a Sua Maravilhosa Graça.

Sem a intervenção dEle em nossas vidas, certamente pereceríamos.

Obrigado Senhor!

***

Antognoni Misael é editor do Arte de Chocar, músico, professor (Música/História) e policial.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

DEUS FALOU PARA A TURMA DA LAGOINHA QUE EM 2014 ELE VAI RESTITUIR (Oqueê??)

Por Antognoni Misael

No culto da virada 2013-2014 a comunidade da Lagoinha revelou para seus fiéis que o ano de 2014 é um ano diferenciado: o ano da restituição. Ana Paula Valadão, no vídeo abaixo confirma que Deus tem revelado ao seu grupo que o ano da restituição chegou.

Penso comigo mesmo: de novo essa história de “restituição”. Mas tudo bem, vamos dá uma chance pra eles se explicarem. A primeira coisa que desejo saber é, restituição de que?

Na canção tema (que achei horrível), Ana Paula canta que o "tempo de luto acabou" (- quem tava de luto?), o"tempo de choro acabou" - então,  o que significa isso?

Ainda na canção ela canta:

“Eu creio, recebo, tomo posse e me alegro.
Eu creio, recebo, tomo posse e me alegro.
Eu creio, recebo, tomo posse e me alegro. “

Crer em que? Recebe o que? Toma posse de que? Se alegra por quê? São perguntas que não querem calar.

Aliás, essa coisa restituição traz tanta subjetividade, principalmente no final do vídeo quando ela diz que a restituição será em dobro. Cruzes!! Apareceu uma pista: é em dobro. Porém , dobro de quê?

Lá, lá, ra, ra...

Bem, vou indo parodiando Chico Buarque:

"Quando chegar o momento
Esse SEU sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Tudo vai ser RESTITUIDO
Eu grito e repito
- Serás dono de tuuudo!!

Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai RECEBER e é dobrado
Cada benção liberada
Neste meu lugar

Apesar de você, amanhã há de ser outro dia..."

Feliz 2014, gente!!

***

Antognoni Misael, o cara que todo ano se ferra com esse tal de imposto de renda.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Cansei de ser Crente ou, "Não basta de Ser Crente"

Por Antognoni Misael

Em 1984 o visionário José Carlos, já subversivo a religiosidade escreveu a polêmica canção "Cansei de ser crente". Não estranhe a sonoriadade, estamos falando de música evangélica dos anos 80, com claras influências do romantismo melancólico de Roberto Carlos.

Cansei de ser crente

Eu vou acordar do passado
Despertar pro futuro
Conviver com o presente
Eu vou arrancar essa capa que envolve meu corpo
Pra mostrar que sou crente
Eu vou mergulhar na verdade
E deixar de fazer o que querem de mim
Pois talvez eu me sinta eu mesmo agindo assim

Eu vou desligar uma máquina que há muito trabalha no meu coração
Vou deixar de andar qual robô
Circulando na igreja em meio a multidão
Eu vou caminhar com meus passos muito embora seguindo as pisadas de alguém
Que morreu, ressurgiu e hoje habita onde existe o bem

Eu vou de agora em diante vestir-me com as vestes de um simples cristão
Amor, paz, longanimidade, benignidade, fé, bondade, temperança, mansidão
Cansei de fachada, cansei de ser fantoche
Cansei de ser crente
De viver para um povo que só sabe exigir
Santidade é uma coisa bem íntima que surge, que brota e sem se exibir

Eu vou acordar do passado
Despertar pro futuro
Conviver com o presente
Eu vou arrancar essa capa que envolve meu corpo
Pra mostrar que sou crente
Eu vou mergulhar na verdade
E deixar de fazer o que querem de mim
Pois talvez eu me sinta eu mesmo agindo assim
Pois talvez eu me sinta eu mesmo e Cristo em mim

Trinta anos se passaram, e paralelamente, esta semana meu querido amigo João Bosco compartilhou uma canção em vídeo bastante interessante, contemporânea e bem realista. A canção "Não Basta ser crente" é uma crítica divertida, cheia de verdade, e tem uma sonoridade totalmente diferente do som anterior.

Conclusivamente, chegamos a um viés bem sensato: "eu cansei de ser crente, porque não basta ser crente".

***

Arte de Chocar

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Os assassinos da Graça

Por Antognoni Misael

Queria falar um pouco sobre a Graça de Deus e a nossa infeliz tradição legalista religiosa.

A primeira coisa que venho afirmar com plena convicção é que os nossos compartimentos relacionados a tradição, fé e graça parecem ainda estarem confusos, obsoletos, e necessitam sim, entrar na pauta de uma reformalização urgente.

Por que será que é bem mais fácil demarcar cercas na vida do cristão do que ensiná-lo a liberdade em Cristo Jesus? “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Permaneceis, pois, firmes, e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”. (Gálatas 5.1)

Enquanto a liberdade de Cristo está disponível a todos que desejam recebê-la, há muitos agentes do diabo escondendo as cartas de alforrias para seus fieis e os submetendo a um novo jugo de escravidão.

A tradição pesa em nosso desfavor. Vejam só:

- quem nunca ouviu há décadas atrás que televisão era a uma janela do inferno dentro de casa; que mulher de brinco e calça jeans era uma espécie de Jezabel?

- que, crente que usasse bermuda poderia ficar caso Cristo voltasse?

- que jogar futebol era uma atividade profana e que os anjos poderiam ver aquilo e tentar fazer o mesmo no céu?

- que ouvir canção secular era uma porta de entrada para o capeta?

- que ir a praia e curtir o verão era uma prática carnal?

- que tomar uma taça de vinho ou um shop gelado com os amigos era um costume dos escarnecedores?

- que tocar rock no louvor era um culto ao diabo?

- que galinha pintadinha é coisa do capiroto?

E por aí vai tantas e tantas restrições...

Onde estão estes demarcadores hoje? Será se não estão fabricando novas listas de proibições?

Note que por muito tempo se pregou (e infelizmente ainda se prega) o Evangelho de condenação, e não das Boas Novas; se ensinou mais o que não podemos fazer do que o que pode ser salutar e viável para o bom desenvolvimento da vida do cristão, principalmente em seu aspecto humano, social e cultural. Neste sentido, diga-me se não é mais confortável reconstruir regras e demonizar coisas, do que descobrir os panos da religião e proclamar o Evangelho da Cruz?

É bárbaro notar como a "Lei" retorna em formatos modernos!

O perigo de toda essa inversão é que ao invés de se estar instalando o Reino de Deus na terra, esteja se fincando mais uma bandeira religiosa em solo azul anil.

Precisamos repensar muita coisa e a partir dos nossos cenários locais (igreja e comunidades), proclamarmos a Graça, a Cruz, e mais do que isso, lutarmos pela verdadeira liberdade conquistada em Cristo sem dicotomias nem cosmovisão segmentada. Cristo é para toda a vida, e o Evangelho é para a vida toda!

Chega de listas! Chega de Lei disfarçada de novas recomendações, quase sempre impossíveis de serem cumpridas em sua totalidade! Chega de líderes idiotas e crentes idiotizados!

Atente-me! Não estou abrindo a porta para a libertinagem cristã. Estou defendendo que é muito mais importante as orientações para o bom uso da 'chave da vida' do que a construção da porta para o legalismo. Há riscos de que haja más interpretações? Sim claro! Sempre haverá riscos. Mas, não tenhamos dúvida, bem melhor são as quedas no andaime da Graça do que a construção do prédio da religiosidade.

"Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" Rm 6:1-2

Em sua obra “O Despertar da Graça”, o autor Charles R. Swindoll relata a dramática luta pela liberdade dos negros em solo norte-americano no século XIX, o pior derramamento de sangue ocorrido naquela nação. Em um dos capítulos Swindoll compara a luta pela liberdade nacional com a luta pela liberdade de viver a Graça de Deus, libertos do pecado e da culpa pelo pecado. Naquele enredo, o mais triste é que, findada a guerra e a liberdade proclamada, muitos dos donos de escravos inescrupulosamente não repassaram a alforria aos seus servos e os mantiveram por muitos anos sob suas algemas. Comparar esses donos de escravos com alguns ditos crentes de hoje não é nada desconexo! Estes odeiam a Graça de Deus e amam a Lei! Geralmente são aqueles crentes fissurados na teoria que o filósofo Foucaul bem explana -“vigiar e punir” - em prol de suas auto glorificações.

Certa vez, C. S. Lewis Johnson escreveu um artigo intitulado “A paralisia do legalismo”, neste texto ele põe o dedo na ferida:
"Um dos problemas mais sérios que atinge a igreja ortodoxa cristã hoje é a questão do legalismo. Um dos mais sérios problemas que atingia a igreja nos dias de Paulo era o problema do legalismo. Em ambos os momentos ele é o mesmo. O legalismo arranca do crente a alegria do Senhor e, justamente com a alegria do Senhor, sai também seu poder para uma adoração vital e um culto vibrante. Nada é deixado de lado, a não ser uma declaração limitada, sombria, melancólica e apática. A verdade é traída e o glorioso nome do Senhor torna-se sinônimo de um soturno desmancha-prazeres. O cristão debaixo da lei é uma horrível paródia do original."

Fujamos dos assassinos da Graça. Eles são perigosíssimos.

"E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão" Gl 2:4

Eles adoram expiar a vida alheia, saber sobre o que fazemos, por onde passamos, o que comemos, com quem andamos...

Aos que circunstancialmente vestem-se desta capa, tenhamos paciência, e com amor e brandura falemos sobre a mais bela carta de alforria escrita por Jesus Cristo naquela Cruz.

Soli Deo Gloria.

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Antognoni Misael, mais livre do que nunca, na medida em que torno-me preso ao perdão e graça de Jesus.